Baixa qualidade do sono pode levar a problemas psiquiátricos e cardíacos, alerta médico do Hospital Paulista

Pesquisa publicada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) indica que cerca de 65% da população do país sofre de baixa qualidade de sono. Segundo o estudo, cerca de 34% destas pessoas afirmam ter insônia, mas somente 21% têm o real diagnóstico da doença, já que apenas 7% das pessoas com dificuldades para dormir procuram ajuda médica.

Muitos são os motivos que podem afetar nosso sono, entre eles estão os problemas psiquiátricos, como a ansiedade – que pode prejudicar o início e até a manutenção do sono – e a depressão, que está ligada mais aos despertares precoces, aqueles que acontecem antes do horário desejado de acordar.

 

Além deles, existem também os chamados distúrbios do sono, como a insônia e a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS), que atinge cerca de 33% da população adulta no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

O Dia Mundial do Sono, lembrado em 18 de março, faz um alerta para a importância do sono reparador na manutenção da qualidade de vida e na prevenção de doenças.

Conforme o Dr. Nilson André Maeda, médico do sono e otorrinolaringologista do Hospital Paulista, dormir mal pode ter relação direta com o desenvolvimento de diversos problemas.

“A curto prazo, uma noite de sono mal dormida costuma causar irritabilidade excessiva, lentidão de raciocínio, sonolência diurna, cansaço, falta de atenção e de memória. No entanto, a longo prazo, as consequências são consideradas graves, envolvendo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, disfunções metabólicas, como o diabetes, e quedas de imunidade.”

O médico ainda exalta o risco de desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, mau desempenho profissional e maiores chances de acidentes laborais e automobilísticos.

 

Importância do sono reparador

Sempre que se fala em sono reparador, é necessário ter noção de que a boa qualidade do sono está diretamente associada à quantidade de horas dormidas, sendo entre sete e nove horas a média ideal para um adulto dormir por noite.

Segundo o especialista, a qualidade pode ser medida subjetivamente por questionários ou mais precisamente através do exame de polissonografia. Por meio dele, é possível detectar a porcentagem de sono profundo (sono N3 e REM) e o número de ciclos de sono, além de possibilitar o diagnóstico da SAOS.

“Pessoas roncadoras, que vivem sonolentas e têm um sono fragmentado e não reparador, necessitam da avaliação de um especialista em medicina do sono, pois podem sofrer de apneia do sono”, alerta o médico.

 

Higiene do sono

Conhecido por ser um conjunto de técnicas a serem aplicadas antes de dormir e ao longo do dia, com o objetivo de alcançar um sono mais reparador e saudável, a higiene do sono ajuda que o organismo descanse como recomendado.

Confira 10 hábitos capazes de proporcionar a noite de sono ideal para a manutenção da saúde:

– Procure deitar e se levantar em horários regulares todos os dias;

– Opte pela exposição à luz natural pela manhã e reduza a intensidade da luz durante noite, para auxiliar na regulação do ciclo sono-vigília;

– Vá se deitar somente quando estiver com sono, evitando levar problemas e pensamentos para a cama;

– Estabeleça um ritual de relaxamento antes de deitar. “Aqui vale um banho quente ou diminuir a luminosidade ambiente enquanto se prepara para dormir.”;

– Evite ficar na cama sem dormir. Se necessário, levante, faça uma atividade calma, como por exemplo, a leitura, até ficar sonolento novamente. “Ficar na cama rolando de um lado para outro gera estresse e piora a insônia”, afirma o especialista;

– Evite consumir bebidas alcoólicas ou que tenham cafeína em sua composição, pelo menos seis horas antes do seu horário de dormir;

– Não use a cama para leitura, assistir TV, se alimentar ou usar notebook, tablet e celular. A cama e o quarto devem estar relacionados com o ato de dormir;

– Cochilos durante o dia podem atrapalhar seu sono da noite, procure se ocupar, evitando o ócio;

– Não se alimente muito próximo do horário de dormir. Se for o caso, opte por refeições mais leves;

– Faça atividades físicas regularmente, mas evite exercícios mais intensos no final do dia. De quatro a cinco horas antes de dormir, os exercícios precisam ser leves, como alongamento ou yoga.

 

Por fim, Dr. Nilson alerta para os riscos dos medicamentos para dormir, sem a adequada orientação médica, já que a automedicação é muito comum nos distúrbios do sono.

Segundo ele, algumas medicações que têm como efeito gerar sono, podem causar dependência, tolerância, alteração dos estágios do sono e até aumentar o risco de queda em idosos, por exemplo.

“Em casos de dificuldades para dormir, procure um especialista em medicina do sono, ele poderá tirar dúvidas, esclarecer mitos, passar um melhor conhecimento sobre o assunto e fazer o diagnóstico do problema. E dessa forma é possível seguir uma linha de tratamento à doença, de forma individualizada a cada paciente”, finaliza o especialista.

 

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