Conheça a tireoplastia, cirurgia capaz de deixar a voz mais grave ou aguda

A voz é uma característica única de cada pessoa. É um meio essencial de se comunicar com o próximo e, por meio dela, uma série de emoções diferentes como alegria, tristeza, nervosismo e tantas outras podem ser transmitidas.

Além de condições de saúde e alterações respiratórias que podem afetar a voz, existem fatores capazes de impactar a qualidade sonora, fazendo com que muitas pessoas se sintam insatisfeitas com o som que emitem. Este é o caso de homens que possuem a voz muito aguda, mulheres com voz muito grave e até mesmo pessoas transgênero, cujas vozes podem não ser as mais almejadas por elas, de acordo com sua personalidade ou identificação.

A medicina já possui solução para esse tipo de incômodo. A insatisfação com a voz pode ser resolvida por meio da tireoplastia, uma cirurgia realizada no esqueleto laríngeo – conhecido como caixa da voz – através de pequenas incisões. Alexandre Enoki, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, explica como o procedimento funciona.

“Tireoplastias são cirurgias de laringe que abordam a cartilagem da tireoide, popularmente conhecida como pomo de Adão. Diferente de outros procedimentos feitos na laringe, nas tireoplastias não há uma manipulação direta das cordas vocais”, explica.

 

Tipos de tireoplastias

De acordo com o especialista, existem quatro tipos de tireoplastias: a do tipo I é indicada, principalmente, para o tratamento de pacientes com alterações da voz ou engasgos por paralisia unilateral de cordas vocais.

O tipo II é um procedimento indicado para o tratamento de pacientes com dificuldades de respirar, causado por paralisia das cordas vocais em posição fechada bilateralmente. “Atualmente, essa cirurgia está em desuso por já existirem outras que a substituem com melhor eficácia”, esclarece.

A tireoplastia do tipo III ajuda a tornar a voz mais grave, ela faz um relaxamento na frequência da voz para torná-la mais grossa, enquanto a do tipo IV tem como objetivo tornar a voz mais aguda. Nela, são realizados pontos para esticar as pregas vocais capazes de afinar o som emitido.

 

Glotoplastia

Dr. Enoki explica as diferenças entre a tireoplastia do tipo IV e a glotoplastia, considerada uma das técnicas cirúrgicas mais eficazes para feminilização da voz.

“Ambas têm a mesma finalidade, que é tornar a voz mais aguda. A diferença é que a tireoplastia de tipo IV é realizada na cartilagem da tireoide, por meio de uma incisão no pescoço. Já a glotoplastia atua diretamente nas cordas vocais, sem a necessidade de incisão, sendo realizada pela boca”.

 

Como é feita a cirurgia

A tireoplastia pode ser realizada sob anestesia geral ou mesmo local, com sedação, a depender do quadro do paciente.  Trata-se de uma cirurgia realizada por meio de uma incisão no pescoço, onde, na maioria das vezes, o indivíduo deve permanecer em repouso vocal por aproximadamente sete dias.

De acordo com o médico, é comum que as pessoas que passam pelo procedimento necessitem realizar fonoterapia – técnica aplicada para trabalhar problemas na fala – como complemento do tratamento.

Apesar de sua ampla recomendação, Dr. Enoki explica que nem todas as pessoas que desejam passar pela cirurgia para mudar o timbre de voz podem se beneficiar pelo procedimento.

“Em alguns casos, os resultados podem ser muito significativos, mas há aqueles em que as alterações são muito discretas. A avaliação prévia com especialista é importante para que os pacientes fiquem cientes dos benefícios, riscos e limites de resultado da cirurgia.”

Voice Center – Centro Especializado em Laringe e Voz

 

Considerado há 27 anos um centro de excelência em Endoscopia Otorrinolaringológica, o Voice Center do Hospital Paulista passou, recentemente, por uma reestruturação para oferecer tratamentos específicos de laringe, com uma abordagem completa do início ao fim e uma equipe altamente especializada.

Atualmente, o espaço é responsável pela realização de procedimentos cirúrgicos delicados, que incluem microcirurgias de laringe convencional ou com laser, injeções de botox para disfonia espasmódica e os diferentes tipos de tireoplastias.

Câncer de garganta está entre principais doenças relacionadas ao alcoolismo

Considerada uma droga lícita socialmente aceita, o álcool pode causar doenças no fígado e problemas gastrointestinais. No entanto, estudos do Instituto Nacional de Câncer (Inca) relacionam o uso excessivo do álcool também a diversos tipos de câncer, entre eles o de boca, esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon e reto) e mama.

No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, lembrado em 18 de fevereiro, o Dr. Alexandre Enoki, otorrinolaringologista do Voice Center – Centro Especializado em Laringe e Voz, do Hospital Paulista, alerta para os riscos do câncer de garganta, doença que pode se desenvolver na laringe ou na faringe, podendo apresentar pouco ou nenhum sintoma em seu estágio inicial.

“Alguns tumores na região da garganta podem se desenvolver muito rápido. Por isso, requerem muita atenção. Ao perceber qualquer alteração incomum por mais de duas semanas, é necessário buscar um otorrinolaringologista. Quando o diagnóstico é feito ainda em estágio inicial, a chance de cura pode ser em torno de 90%”, explica.

Além do câncer na região da faringe e laringe, o consumo excessivo de álcool pode causar problemas secundários, como refluxo, ressecamento e infecções oportunistas.

O médico destaca o risco aumentado ao câncer de boca, do qual o consumo regular de álcool já é suficiente para a sua incidência. “Ele é comum, principalmente, em homens acima dos 40 anos, e em alguns casos, a doença só é diagnosticada em estágios avançados.”

Dores de garganta e tosses frequentes não devem ser negligenciados, pois podem ser sinais de alerta à doença e indicam a necessidade de uma visita ao especialista para a realização de exames.

“A presença de sangue, dificuldades para engolir ou respirar, alterações na voz sem causa aparente, ruídos ao respirar e inchaços ou aparecimento de nódulos no pescoço podem ser indícios de uma doença já em estágio considerado grave. Por isso, não se deve esperar tanto para buscar um especialista.”

 

Diagnóstico

O diagnóstico preciso do câncer é realizado através de uma biópsia – procedimento capaz de diagnosticar várias doenças.

No entanto, por meio da videolaringoscopia, é possível identificar lesões sugestivas de câncer e definir quando é necessária a realização de uma biópsia. O exame é realizado por otorrinolaringologistas, possibilitando a obtenção de importantes informações sobre a anatomia da laringe e faringe.

De acordo com o especialista, os exames endoscópicos são simples e com duração de poucos minutos. “A realização acontece com os pacientes acordados, podendo ser utilizado anestésico em spray local para a sua realização.”

Já para a biópsia na região da laringe, dependendo da localização e do aspecto da lesão, pode ser necessária a aplicação de anestesia geral, em centro cirúrgico. O tempo para o resultado da biópsia pode levar alguns dias.

 

Prevenção

Para prevenir o câncer de garganta e demais tipos, bem como as diversas patologias que possam estar relacionadas ao alcoolismo, o especialista indica que as pessoas não ingiram álcool em grandes quantidades.

“Quando associado ao tabagismo, os riscos são consideravelmente mais altos, principalmente para o desenvolvimento de cânceres de boca, faringe, laringe e esôfago”, reitera.

Para Dr. Enoki, o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo é importante por alertar aos primeiros sintomas decorrentes do abuso do álcool e, consequentemente, tratar possíveis doenças da garganta de forma preventiva e com maiores chances de cura.

 

Centro de Diagnóstico em Otorrino – Voice Center
O Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrino do Hospital Paulista conta com equipamentos modernos e de alta tecnologia, além de profissionais especializados que garantem o máximo de segurança e precisão na realização dos exames.

Entre os destaques do Centro de Diagnóstico está o Voice Center – Centro Especializado em Laringe e Voz, que realiza exames para diagnósticos de distúrbios da voz, deglutição e refluxo faringo-laríngeo. Recentemente, ele foi ampliado para oferecer também tratamentos específicos de laringe, com uma abordagem completa.

Com a expansão dos serviços, o centro passou a realizar procedimentos cirúrgicos delicados que incluem, entre outros, microcirurgias de laringe convencional ou com laser, tireoplastias e injeções de botox para disfonia espasmódica.

Crianças em casa: engasgo e introdução de objetos no nariz ou ouvido pode ser perigoso

Todo cuidado é necessário para evitar acidentes com pequenos objetos e se atentar a engasgos.

Botões, pedrinhas, miçangas, feijão e massinha fazem parte de uma grande lista de coisas que as crianças costumam engasgar ou até mesmo introduzir no ouvido ou no nariz. Em um período em que as aulas presenciais foram interrompidas e os mais novos passam o dia em casa, vale ficar atento. Se há irmãos maiores, redobre a atenção, pois é comum que, em um ato inocente de brincadeira, os bebês sejam “alimentados” por eles com objetos pequenos que podem causar danos à saúde.

No caso de engasgos, os menores de dois anos são as grandes vítimas, já que estão na fase oral e costumam levar todo o tipo de objeto até a boca. Caso perceba que a criança engoliu um corpo estranho e está com problemas, o primeiro passo é avaliar se tem falta de ar associada. Nessa situação, ela não conseguirá chorar, falar ou respirar e ficará com os lábios roxos.

“Para uma ajuda segura, o ideal é dividir as tarefas: um adulto cuida da criança e o outro chama o serviço de emergência, pois podem ser necessárias manobras como a de Heimlich e de ressuscitação, se a situação estiver grave, sendo que esta última nem todos estão aptos a executá-la com precisão. Caso ela apresente falta de ar, não consiga respirar e esteja ficando azulada, o serviço de emergência deve ser chamado imediatamente”, destaca a Dra. Renata Garrafa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Em situações de engasgos, a manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros utilizada em casos de emergência por asfixia e que pode ser realizada por qualquer pessoa, bastando que siga corretamente as orientações.

“A manobra de Heimlich acontece de formas diferentes em bebês e em crianças maiores de um ou dois anos. No bebê, devemos colocá-lo de bruços, deitado em cima do nosso antebraço e com a cabeça virada para baixo. Então, com bebê com as costas retas e, segurando com firmeza, devemos dar cinco tapas no meio das costas e entre os ombros, não muito fortes, mas com impacto suficiente para que o objeto saia”, explica a médica.

Se o engasgo persistir, o bebê deve ser virado de barriga para cima, sob o outro antebraço, pressionando cinco vezes com os dois dedos indicadores no meio do peito do bebê, entre os dois mamilos. Caso chore, vomite ou tussa é sinal que conseguiu desengasgar. Se continuar engasgado, repetir desde o início   o procedimento até que o bebê desengasgue.

“Já em uma criança acima de dois anos, devemos nos posicionar atrás dela, sendo que ela fica de pé e nós ajoelhados. Então, com a criança de costas, abraçaremos até que uma de nossas mãos esteja fechada na altura do estômago e a outra mão estará aberta, apoiada sobre essa mão fechada. Então, devemos pressionar com força moderada a barriga da criança para dentro e para cima ao mesmo tempo”, completa a especialista do Hospital Paulista. 

É importante também ficar atento a alguns objetos como pilhas ou baterias, por exemplo, que podem, após algumas horas, liberar substâncias tóxicas. “Mesmo que a criança acabe não engasgando, a presença dessas peças no corpo pode agravar o quadro. Portanto, esses materiais devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos”, diz a Dra. Renata.

 

Nariz e ouvido

A presença de um corpo estranho no ouvido pode gerar dificuldade para escutar, sensação de entupimento e até mesmo lesão na membrana do tímpano. A criança pode queixar-se de dor ou de ouvido tampado e, eventualmente, pode ter saída de sangue ou secreção pelo canal externo do ouvido.

Já a introdução de objetos no nariz pode acarretar em obstrução, secreção e sangramento provenientes de apenas um lado do nariz, além de odor fétido nasal. Em ambos os casos, pode gerar infecção se a situação não for contornada a tempo.

Muitas vezes, as crianças podem não admitir que introduziram objetos no ouvido ou no nariz. No caso dos menores, é possível que não consigam comunicar o ocorrido. “A tentativa de remoção destes objetos em casa, seja no ouvido ou no nariz, é perigosa e pode gerar sérias lesões. Assim que o adulto perceber que a criança está com um objeto preso nesses locais, é preciso ir imediatamente ao pronto-socorro”, finaliza a especialista.

Dor de garganta: um alerta que merece atenção

Começa discreta… Uma dorzinha somente ao engolir, mas aos poucos o corpo todo vai sentindo o reflexo deste mal estar. Comum em dias frios e secos, seu tratamento precisa ser indicado por um otorrinolaringologista, pois nem sempre se trata de um problema simples e de rápida solução, principalmente quando a dor é recorrente. Ela é um sinal de alerta que indica que alguma coisa está errada.

Segundo a Dra Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, a dor de garganta pode ser causada por infecções bacterianas ou virais. A maioria dos casos é de origem viral, mas é preciso ficar atento, pois alguns tipos de vírus podem levar à faringite e/ou amigdalite. São processos benignos e, geralmente, a cura é espontânea.

A dor de garganta é um sintoma que acomete tanto adultos quanto crianças e surge devido a um quadro de faringite e, ou, amigdalite. As causas podem ser virais, bacterianas, alérgicas, irritativas – devido ao ar seco, poluição – e por refluxo. Também pode ser causada ou favorecida pela fadiga, após o enfraquecimento do sistema imunológico, por uma alergia, pelo tabaco ou a sua fumaça, pelo estresse ou nervosismo, ou pelo simples fato de ter falado ou gritado muito.

Principais Sintomas

Podem ocorrer sintomas típicos de um resfriado, como a garganta avermelhada com queimação e irritação, sinais típicos de inflamação, e a dificuldade para engolir alimentos sólidos. Se tiver algum sinal de dor de garganta ao engolir, febre, dores pelo corpo, prostração, inchaço dos gânglios linfáticos, rouquidão e mau hálito, procure um especialista para identificar o problema, uma vez que a dor de garganta é um sintoma de muitas causas diferentes, e cada paciente terá um tratamento mais adequado.

Para finalizar, a médica explica que não há comprovação científica sobre a eficácia dos “remédios caseiros”, o que geralmente acontece é que acabam funcionando como “placebos”, na crença de que vai ajudar, a pessoa acaba melhorando. Em geral, a melhora surge depois de alguns dias, justamente porque já acabou o ciclo natural da doença.

Hospital Paulista alerta para cuidados que músicos devem ter com saúde do ouvido e da voz

Na semana em que é celebrado o Dia Internacional do Músico, o Hospital Paulista chama a atenção para os principais desgastes e problemas que podem acometer os profissionais que dependem da voz e do ouvido para exercerem seu trabalho.

De acordo com o Dr. Alexandre Enoki, otorrinolaringologista que atende no Voice Center – Centro Especializado em Laringe e Voz do Hospital Paulista, é recomendado que músicos e cantores visitem o otorrinolaringologista com uma frequência maior que outros profissionais.

“As avaliações com o otorrino em pacientes que trabalham com uso intenso da voz e/ou ficam expostos a ambientes com som alto são muito importantes, tanto para prevenir alterações como para tratá-las. Não há uma frequência exata, pode variar conforme cada caso”, explica o especialista.

Entre os problemas que as consultas podem ajudar a identificar e até prevenir estão a perda auditiva induzida por ruídos (PAIR) e as alterações fonotraumáticas nas cordas vocais, que se referem a alterações não cancerígenas, ou seja, benignas.

“Estas alterações podem variar de pessoa para pessoa, sendo desde uma simples inflamação temporária até o surgimento de lesões como nódulos, pólipos, granulomas e alguns tipos de cistos”, ressalta o médico.

Conforme o Dr. Enoki, a literatura médica é carente de estudos que constatam a ligação dos instrumentos de sopro com alterações nas cordas vocais, mas acredita-se que, de fato, ela possa existir. Ele cita a laringocele e a faringocele, que são dilatações na região do pescoço, como possíveis ocorrências em instrumentistas com predisposição aos problemas.

“Podem ocorrer, principalmente, em casos de instrumentos que exercem uma pressão mais elevada na laringe e na faringe para a sua execução, como os trompetes, por exemplo”, explica.

 

Prevenção

Além das visitas regulares ao otorrinolaringologista, o médico destaca alguns cuidados básicos para manter a saúde vocal e auditiva dos músicos e cantores, como uma

boa hidratação e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. “Como, em muitos casos, os cantores precisam trabalhar com uma alta demanda do uso vocal, os períodos de repouso da voz e exercícios vocais também ajudam a diminuir o risco das complicações na laringe.”

Além disso, o retorno sonoro de palco deve ser adequado para que o profissional não faça um esforço além do necessário. Dr. Enoki finaliza explicando que a principal medida de prevenção aos problemas de audição é o uso de protetores auriculares em locais com alta exposição sonora.

Como tratar os principais problemas da adenoide?

Popularmente conhecida como “carne esponjosa”, a adenoide é uma estrutura fisiológica, composta por tecido linfoide (tecidos de defesa), que se localiza atrás das cavidades nasais e acima do palato (céu da boca) – uma região chamada de nasofaringe. Por esse motivo, a adenoide é cientificamente denominada de tonsila nasofaríngea.

Apesar de ser um tecido de defesa e natural de qualquer indivíduo, seu crescimento exagerado pode causar uma séria de complicações que comprometem significativamente a qualidade de vida do paciente.

“A adenoide é uma estrutura de defesa imunológica, pequena ao nascimento, localizada no fundo do nariz, especificamente na região da nasofaringe. Ao contrário das amígdalas, não é possível ver a adenoide ao abrirmos a boca, pois esta fica acima do palato”, explica a otorrinolaringologista do Hospital Paulista Renata Garrafa.

Segundo a especialista, a adenoide cresce rapidamente durante a infância, com pico entre 3 e 6 anos e, então, começa a regredir gradativamente de tamanho até se tornar significativamente menor na adolescência. Quando este crescimento é exagerado, a adenoide pode preencher toda a nasofaringe, resultando em obstrução da passagem do ar respirado pelo nariz, má qualidade do sono e voz anasalada, além de facilitar a ocorrência de otites.

“Adenoide não é o nome de uma doença, mas sim de uma estrutura normal que todo ser humano possui durante a infância. Assim como as amígdalas e outros órgãos linfáticos, a adenoide reage a micro-organismos agressores e produz anticorpos”, destaca a Dra. Renata.

No entanto, de acordo com a otorrinolaringologista, quando seu crescimento é exagerado, causando prejuízos significativos na respiração e na fala, além de propiciar o surgimento de otites, seus malefícios no desenvolvimento da criança e em sua qualidade de vida superam seus benefícios imunológicos.

A médica ressalta que não há uma explicação única para o crescimento exagerado da adenoide, mas algumas hipóteses são infecções virais de repetição, rinite, fatores genéticos e biofilmes bacterianos (colonização crônica da nasofaringe por bactérias). Entre os sintomas mais comuns estão dificuldade respiratória, obstrução nasal, ronco e apneia do sono, além de quadros de otite, sinusite e rinite de difícil tratamento.

Diagnóstico  e Tratamento

“Para o diagnóstico da hipertrofia acentuada da adenoide, nos baseamos primeiramente nos sintomas do paciente”, relata a especialista.

A confirmação pode ser feita através de uma radiografia lateral da face (Raio-X de Cavum) ou pelo exame de vídeo endoscopia nasal (nasofibroscopia) – uma pequena câmera é introduzida pelo nariz, permitindo melhor visualização de toda nasofaringe, sendo, portanto, o melhor método.

O principal tratamento para hipertrofia acentuada da adenoide é a cirurgia, chamada adenoidectomia. Mas nem toda adenoide grande precisa ser removida.

“Ela, geralmente, é indicada nas crianças com obstrução nasal importante, que dificulte o sono e a alimentação, ou que provoque o surgimento de otite média serosa ou otite média aguda recorrente. Na inexistência de sintomas ou em casos brandos, a adenoide pode ser acompanhada clinicamente até sua involução após a puberdade”, complementa a Dra. Renata.

Em casos específicos, durante a cirurgia para a retirada das adenoides, outros procedimentos podem ser associados, como a remoção das amígdalas ou a colocação de tubos de ventilação nos ouvidos. Relativamente simples e curta, a adenoidectomia é feita pelo otorrinolaringologista, sob anestesia geral. Habitualmente, o paciente fica internado apenas por um dia.

Covid-19: pacientes podem desenvolver lesões graves e até irreversíveis nas cordas vocais, alerta especialista

Com o avanço da vacinação e a recuperação de muitas vítimas da Covid-19, é importante destacar as sequelas deixadas pela doença em alguns pacientes. Nesse sentido, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia alerta para os sérios problemas vocais desenvolvidos em decorrência do tempo de intubação.

 

“A presença do tubo dentro da laringe e traqueia pode acarretar lesões diversas na região das cordas vocais, causando consequências graves e, em alguns casos, até irreversíveis”, explica Dr. Domingos Hiroshi Tsuji, responsável pelo “Centro Especializado em Laringe e Voz”, o novo Voice Center do Hospital Paulista.

Entre os principais problemas estão: a paralisia de uma ou ambas as pregas vocais; a anquilose, ou seja, a fixação ou rigidez da articulação cricoaritenóidea, responsável pelo movimento das cordas vocais; as estenoses da glote, subglote e traqueia, que podem ser causas de obstrução interna da laringe e traqueia; e as úlceras e granulomas de pregas vocais.

“Já tive, inclusive, que operar diversos pacientes traqueostomizados em decorrência destas alterações”, afirma o especialista. A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na abertura de um pequeno orifício na parte anterior do pescoço, sobre a região da traqueia, no qual é inserido um tubo que facilita a entrada de ar nos pulmões. Ela é indicada quando existe algum bloqueio ou redução da passagem do ar pelas vias aéreas superiores (via aérea acima da traqueia).

O médico ressalta que as lesões acontecem porque o tubo de intubação, em contato prolongado com as estruturas da laringe e traqueia, pode causar inflamações, úlceras e cicatrizes, reduzindo o calibre do espaço respiratório dos órgãos e limitando a mobilidade das cordas vocais.

 

Relação entre o vírus e a saúde da voz

Assim como muitas questões que precisam ser esclarecidas acerca da Covid-19, Dr. Tsuji destaca que o comprometimento da inervação das pregas vocais, pelo vírus, causando paralisias e outras alterações funcionais, teoricamente pode ocorrer, mas precisam ser estudadas mais a fundo.

No entanto, o especialista sinaliza que a doença pode, sim, ter relação com as alterações vocais de alguns pacientes. “A produção da voz depende fundamentalmente do ar expelido pelos pulmões, que fazem as cordas vocais vibrarem para produzir som. Consequentemente, a redução da capacidade respiratória pode estar relacionada às mudanças da voz após alguns quadros graves causados pela Covid”, explica.

As dores de garganta também são sintomas comuns em pacientes vítimas da doença. “Como a produção dos diversos sons vocais depende de movimentos complexos do trato vocal, envolvendo laringe, faringe, língua, boca e palato, entre outros, as dores podem ter um impacto maior ou menor na funcionalidade destas estruturas, alterando a qualidade da voz”, complementa.

Segundo o médico, nestes casos, as alterações costumam ser resolvidas espontaneamente, com o cessar da dor, com ou sem o auxílio de anti-inflamatórios e analgésicos.

Geralmente, disfonias relacionadas com alterações orgânicas, como estenoses (estreitamento) e paralisias, são tratadas cirurgicamente. “Quando não há alterações que necessitem de tratamento cirúrgico, o mesmo poderá envolver o uso de medicamentos e fonoterapias. Ainda assim, é imprescindível a procura de um especialista para uma análise mais detalhada de cada caso”, finaliza.

 

Voice Center – Centro Especializado em Laringe e Voz

Considerado há 27 anos um centro de excelência em Endoscopia Otorrinolaringológica, o Voice Center passou, recentemente, por uma reestruturação para oferecer tratamentos específicos de laringe, com uma abordagem completa do início ao fim e uma equipe altamente especializada.

Atualmente, o espaço é responsável pela realização de procedimentos cirúrgicos delicados, que incluem microcirurgias de laringe convencional ou com laser, tireoplastias e injeções de botox para disfonia espasmódica.

Problemas vocais tendem a ser confundidos com manias da idade; saiba como identificar sinais de alerta

A qualidade da voz pode afetar, e muito, a forma como os idosos vivem. Sendo a principal responsável pela comunicação oral, ela é fundamental para ​as ​interações sociais, conexões com a família, atividades de lazer que utilizam a voz e, principalmente, para expressar desejos, necessidades e sentimentos.

No Dia Internacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia chama a atenção para os sintomas que podem servir de alerta para o mau-funcionamento vocal​ ​​e tendem a ser confundidos com manias de uma idade avançada.

Conforme o Dr. Rui Imamura, otorrinolaringologista que atende no Centro Especializado em Laringe e Voz do Hospital Paulista, a voz sofre, de fato, algumas alterações com o passar dos anos, mas é necessário estar atento a possíveis sinais de um problema mais grave.

Rouquidão progressiva, pigarros constantes e diminuição da potência vocal podem identificar doenças e lesões, como pólipos, edema de Reinke, atrofias das cordas vocais e até câncer na laringe.

De acordo com o médico, estudos sugerem que, após os 60 anos, cerca de 50% dos distúrbios vocais no idoso podem representar doenças que, quando não são diagnosticadas, tendem a evoluir, podendo prejudicar a saúde do idoso por obstrução respiratória progressiva, aspiração e pneumonias e tumores malignos.

“Além disso, por conta das situações envolvendo a falta de comunicação, o mau-funcionamento​ vocal​ pode levar à diminuição da autoestima, isolamento social, ansiedade e depressão”, destaca.

O especialista explica que, apesar dos efeitos negativos que os distúrbios vocais causam à população geriátrica, eles são frequentemente negligenciados e não relatados pelo próprio idoso. Dessa forma, cabe aos familiares e cuidadores detectarem as alterações e orientarem a busca por um diagnóstico e tratamento adequados.

Sintomas

Os principais sintomas dos distúrbios ​da voz no idoso manifestam-se em forma de rouquidão, fadiga ao falar, diminuição da potência vocal, dificuldade no canto, aumento de secreção nas vias respiratórias, tosses e pigarros.

“A voz frequentemente baixa, como se estivesse sempre dando algum conselho de sabedoria, ou aquele pigarro excessivo do idoso que, de tão repetitivo, mais parece um TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), não são manias da idade, mas sim sinais de que algo não está bem com a saúde vocal”, alerta o especialista.

O pigarro crônico pode estar associado tanto a problemas simples, como refluxos, como a mais graves, como câncer. “O sintoma deve ser investigado, principalmente se associado à rouquidão, dores ao engolir ou falta de ar.”

Prevenção

Ter uma voz saudável está diretamente ligada ao bom desempenho do ​organismo como um todo. Por isso, Dr. Rui explica que hábitos como manter o corpo hidratado e dormir bem, mantendo uma noite de sono reparadora, ajudam a conservar uma boa saúde da voz.

Os cuidados com a alimentação também são essenciais. “Pacientes que sofrem de refluxo comumente apresentam rouquidão. Manter uma dieta saudável pode ajudar neste controle”, ressalta.

Segundo o especialista, o uso de agentes nocivos como o cigarro e o álcool devem ser evitados pois podem causar ​​problemas ​sérios ​à voz, bem como ao restante do organismo. Ambos são os principais fatores de risco para o câncer de laringe, que tende a ocorrer a partir dos 60 anos de idade.

Tratamentos

O tratamento dos problemas vocais pode envolver uso de medicações, fonoterapias ou até mesmo cirurgia das cordas vocais. Segundo o médico, por meio do diagnóstico e tratamento adequados, pelo menos 2 entre 3 pessoas acometidas por alguma doença podem ter melhora da voz.

“Os distúrbios vocais nos idosos não devem ser menosprezados jamais. Pelo contrário, eles sempre precisam ser investigados. Quando notamos a diminuição da visão, procuramos um oftalmologista. Com a voz deve ser feito o mesmo. À medida que um sintoma se torna frequente, é necessário buscar um otorrinolaringologista”, finaliza o especialista.

Mau hálito: saiba como agir contra o problema que pode até levar à depressão

Dificuldade para se relacionar, constrangimento, ansiedade e até depressão: a halitose ou mau hálito, como é popularmente conhecida, é uma alteração do hálito que atinge cerca de 40% da população brasileira, de acordo com a Associação Brasileira de Pesquisas dos Odores Bucais.

No Dia Nacional de Combate à Halitose, celebrado em 22 de setembro, o Hospital Paulista chama a atenção para a condição, que pode ser até considerada um problema psicossocial, causando desconfortos que impedem a interação com outras pessoas.

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Lígia Maeda, especialista em halitose, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, na maior parte dos casos, a origem do mau hálito não é estomacal, mas sim bucal, e ele pode ser diagnosticado após um exame que é feito de forma rápida e precisa.

“A halitose é a situação em que a pessoa exala um odor desagradável pela boca ou pela respiração. Na maioria das vezes, ela tem causa multifatorial, mas em 90% dos casos, é proveniente da boca”, alerta a especialista.

Segundo a médica, o diagnóstico pode ser feito por meio de um exame chamado Oralchroma, capaz de medir os três principais gases causadores do mau hálito em apenas oito minutos. Ele também auxilia no tratamento e acompanhamento do problema.

O Hospital Paulista é um dos centros de referência para o tratamento e diagnóstico do mau hálito. Os pacientes que vivenciam a condição podem apresentar outros sintomas otorrinolaringológicos, como obstrução ou secreção nasal, rinite alérgica, sinusite crônica e amigdalites de repetição.

 

Como prevenir a halitose?

O mau hálito pode ser considerado um problema de difícil diagnóstico quando tentamos identificá-lo sozinhos, já que o olfato se “acostuma” com os odores. Por isso, o próprio indivíduo não costuma sentir o cheiro que exala.

De acordo com a Dra. Ligia, o fato de o paciente não saber se está com mau hálito, gera muita insegurança. Por isso, pacientes com halitose tendem a ser introvertidos, evitam conversar de perto com outras pessoas ou levam a mão à boca ao falar. Ele afeta a autoestima das pessoas, gerando isolamento social”, explica.

A melhor forma de não sofrer com situações desagradáveis é por meio da prevenção do problema, que pode ser feita de forma simples, por meio da higiene oral adequada, incluindo, principalmente, a limpeza da língua e visitas regulares ao dentista. Além dos hábitos de higiene, uma alimentação saudável e balanceada e a hidratação correta ao longo do dia também são importantes na prevenção”, completa.

A especialista lembra que causas sistêmicas como refluxo, doenças pulmonares e do fígado, ou outras alterações do organismo também podem estar entre os agentes da halitose.

 

Tratamento

 

De acordo com a Dra. Lígia, os tratamentos da halitose são individualizados e direcionados para cada causa, de acordo com o diagnóstico do paciente. Na maioria dos casos, eles são contínuos e contam com acompanhamento multidisciplinar.

A médica alerta que adiar o diagnóstico e o tratamento podem ser ainda mais prejudiciais à saúde e à autoestima do paciente. A negligência pode levar ao agravamento do problema.

“Além destas questões, o mau hálito gera um prejuízo psicossocial que interfere nas relações interpessoais, causando problemas que podem chegar até a uma depressão. Por isso, se você perceber qualquer alteração no seu hálito, busque ajuda, procure um especialista para que o diagnóstico e o tratamento sejam realizados da maneira correta”, finaliza.

 

Uso de máscara pode causar fadiga vocal

Um problema relacionado à Covid-19 independe de ser acometido ou não pelo vírus. Algumas pessoas têm apresentado fadiga vocal, com prejuízos em suas falas, devido ao uso de máscaras – necessário desde o início da pandemia.

“As máscaras de proteção contra doenças podem atenuar o som da fala em até 12 decibéis, dependendo do tipo. Ou seja, parece que estamos falando mais baixo do que realmente estamos e isso torna a comunicação mais difícil – tanto para quem fala quanto para quem escuta. Para contornar essa situação, muitas pessoas acabam aumentando a intensidade da fala. Se não há preparo para isso, aumenta-se o risco de disfonias (problemas de voz)”, explica a fonoaudióloga Bruna Rainho.

Alguns profissionais, no entanto, precisam utilizar a máscara de proteção durante toda a sua jornada de trabalho. Nestes casos específicos, Bruna recomenda algumas ações que podem diminuir os efeitos da fadiga vocal:

  • Falar mais devagar
  • Articular bem as palavras (mexer mais a boca para falar)
  • Evitar falar em lugares barulhentos
  • Aumentar a hidratação (beber mais água ao longo do dia)

O Hospital Paulista oferece o serviço de fonoterapia, voltado ao atendimento de casos de voz e de motricidade orofacial, principalmente em adultos. Para quem não sabe, a motricidade orofacial é a área da Fonoaudiologia responsável pelos cuidados com órgãos, músculos e articulação necessários à respiração, sucção, deglutição, mastigação, fala e mímica facial.

“Se uma pessoa é rouca, tem cansaço para falar, fica com dor na região da garganta depois de falar, não consegue aumentar o volume da voz ou sente que ela falha, pode procurar o serviço do Hospital. Pessoas que roncam, têm apneia do sono, paralisia facial ou alguma outra alteração de Motricidade Orofacial também podem verificar a possibilidade da fonoterapia”, completa.