Uso de máscara pode causar fadiga vocal

Um problema relacionado à Covid-19 independe de ser acometido ou não pelo vírus. Algumas pessoas têm apresentado fadiga vocal, com prejuízos em suas falas, devido ao uso de máscaras – necessário desde o início da pandemia.

“As máscaras de proteção contra doenças podem atenuar o som da fala em até 12 decibéis, dependendo do tipo. Ou seja, parece que estamos falando mais baixo do que realmente estamos e isso torna a comunicação mais difícil – tanto para quem fala quanto para quem escuta. Para contornar essa situação, muitas pessoas acabam aumentando a intensidade da fala. Se não há preparo para isso, aumenta-se o risco de disfonias (problemas de voz)”, explica a fonoaudióloga Bruna Rainho.

Alguns profissionais, no entanto, precisam utilizar a máscara de proteção durante toda a sua jornada de trabalho. Nestes casos específicos, Bruna recomenda algumas ações que podem diminuir os efeitos da fadiga vocal:

  • Falar mais devagar
  • Articular bem as palavras (mexer mais a boca para falar)
  • Evitar falar em lugares barulhentos
  • Aumentar a hidratação (beber mais água ao longo do dia)

O Hospital Paulista oferece o serviço de fonoterapia, voltado ao atendimento de casos de voz e de motricidade orofacial, principalmente em adultos. Para quem não sabe, a motricidade orofacial é a área da Fonoaudiologia responsável pelos cuidados com órgãos, músculos e articulação necessários à respiração, sucção, deglutição, mastigação, fala e mímica facial.

“Se uma pessoa é rouca, tem cansaço para falar, fica com dor na região da garganta depois de falar, não consegue aumentar o volume da voz ou sente que ela falha, pode procurar o serviço do Hospital. Pessoas que roncam, têm apneia do sono, paralisia facial ou alguma outra alteração de Motricidade Orofacial também podem verificar a possibilidade da fonoterapia”, completa.

 

Pacientes com apneia obstrutiva do sono podem estar entre os grupos de risco para pior evolução da Covid-19, aponta estudo

Mesmo após um ano e meio do surgimento do Coronavírus, ainda são muitas as incertezas com relação à doença. Durante um curto período, novas variantes do vírus surgiram ao redor do mundo, assim como a definição de grupos de risco na população, que aumentaram a preocupação das pessoas e dos profissionais de saúde.

A Covid-19, que inicialmente tinha uma prevalência maior em idosos, homens e pessoas com comorbidades, como obesidade e doenças cardiovasculares, agora pode representar um risco também aos pacientes que sofrem de Apneia Obstrutiva do Sono, segundo um estudo da Universidade de Warwick, no Reino Unido.

De acordo com os especialistas Braz Nicodemo Neto e Nilson André Maeda, ambos otorrinolaringologistas e médicos do sono do Hospital Paulista, a probabilidade se dá devido as características citadas na pesquisa serem comuns nos indivíduos que sofrem de apneia do sono.

Dr. Nilson afirma que a pesquisa preocupa, uma vez que a presença de doenças cardiovasculares preexistentes, associadas à apneia obstrutiva do sono, podem levar a uma crescente nas chances de internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pela Covid-19.

O especialista também teme o possível aumento da mortalidade, que pode ser causado em decorrência das complicações do vírus.

A Apneia Obstrutiva do Sono é um distúrbio caracterizado pela obstrução intermitente da via aérea no nível da garganta, enquanto o indivíduo dorme. Ela costuma causar altos ruídos – popularmente chamado de ronco – e interrupções na respiração, que duram no mínimo 10 segundos, ocasionadas pelo bloqueio da passagem do ar.

“A diminuição de oxigênio causada pela apneia estimula de forma exagerada o sistema nervoso, elevando o ritmo de batimentos cardíacos e estimulando a contração dos vasos sanguíneos. A longo prazo, isso pode acarretar doenças nas artérias, infartos e até derrames cerebrais”, alerta o Dr. Nicodemo.

Outro ponto que merece atenção em pacientes que sofrem desse distúrbio são as arritmias cardíacas noturnas, presentes em 40% dos pacientes com apneia do sono.

Riscos da AOS durante a pandemia

Apesar de ser considerado um distúrbio grave, a apneia do sono tende a ser negligenciada pela maioria das pessoas. A doença costuma ser confundida com um simples ronco, o que impede que as pessoas procurem um especialista para o diagnóstico.

Os especialistas do Hospital Paulista ainda alertam para a baixa atenção que a patologia tem recebido durante a pandemia, uma vez que pode representar riscos com desfechos negativos, caso esse tipo de paciente contraia a Covid-19.

Os médicos defendem a inclusão de pacientes diagnosticados com esse distúrbio do sono nos grupos de risco para o Coronavírus, para que estas pessoas saibam do perigo adicional que podem correr, encontrando maneiras de reduzir ainda mais sua exposição ao vírus.

Caso perceba algum dos sintomas da doença, é necessário buscar o auxílio de um especialista, que poderá indicar uma polissonografia – exame que estuda o sono – para um diagnóstico e tratamento adequado, caso haja a confirmação da doença.

“É importante que as pessoas que roncam demais, que possuem um sono fragmentado e não reparador, e que apresentam sonolência diurna, procurem avaliação. As pessoas que convivem com estes indivíduos, como cônjuges e demais familiares, também têm uma função importante de alertar a possível necessidade de médica”, finaliza o Dr. Nilson.

 

Tratamento

A melhor forma de tratar a Apneia Obstrutiva do Sono é analisando a origem e a intensidade do distúrbio. Pessoas obesas têm uma predisposição maior à doença, porém, indivíduos magros, mulheres e crianças também podem ter apneia obstrutiva, ressaltando que a causa, geralmente, é multifatorial.

Os especialistas explicam que existe uma classificação de gravidade da doença. Dessa forma, cada paciente tem o tratamento indicado de maneira individualizada, de acordo com a sua necessidade, por isso a importância do acompanhamento médico especializado.

O tratamento pode ser desde controle de peso, exercícios com fonoaudiólogo e aparelhos intraorais, até o uso de ventiladores (CPAP), que facilita a respiração durante o sono, e a cirurgia da via aérea, sendo bastante comum a associação entre eles.

Dificuldades de fala em crianças podem indicar grave comprometimento neurológico

A fala é uma das principais ferramentas da comunicação humana e interfere diretamente no desenvolvimento, relacionamentos sociais e desempenho escolar das crianças. Por esse motivo, segundo a otorrinolaringologista Renata Vigolvino, do Hospital Paulista, é importante saber em quais casos as dificuldades de fala podem ser consideradas normais e quando elas requerem mais atenção dos pais e responsáveis.

A comunicação dos bebês por meio do som acontece logo nos primeiros dias de vida. Como nesta fase eles ainda não falam, usam o choro para expressar necessidades. Já nos primeiros oito meses, a interlocução pela fala costuma acontecer por meio de sons balbuciados e sílabas repetidas, mas é a partir do primeiro ano que palavras simples como “água”, “papa” e as esperadas “mamãe” e “papai” começam a ser reproduzidas. As primeiras frases completas, por sua vez, costumam surgir entre 2 e 3 anos, quando o pequeno já está na idade escolar.

Apesar do panorama acima representar a maioria das crianças em fase de formação intelectual, existe uma parcela que não é capaz de se expressar por meio da fala. A especialista explica que o fato pode ser ocasionado por questões motoras e/ou neurológicas.

Para entender os possíveis causadores do problema, é preciso compreender as diferenças entre fala e linguagem. “A fala é o ato motor que produz o som utilizado para nos comunicar com o que pensamos e elaboramos, por meio da nossa linguagem”, explica a Dra. Renata.

Entre as principais dificuldades de fala durante a infância estão os desvios fonológicos — distúrbios caracterizados por omissões ou substituições de fonemas — e a apraxia de fala — distúrbio neurológico resultante de um déficit na consistência e precisão dos movimentos necessários ao ato de falar, quando o pequeno não apresenta nenhum déficit neuromuscular.

“A linguagem representa as habilidades que permitem que o indivíduo compartilhe socialmente pensamentos e ideias de forma estruturada verbal ou não verbal”, diferencia a otorrinolaringologista. Neste âmbito, entre os problemas mais comuns estão o Transtorno de Desenvolvimento da Linguagem (TDL), que é caracterizado por lesões na aquisição da linguagem e representado por atrasos e alterações em seu desenvolvimento; e o Autismo, distúrbio responsável por afetar a capacidade de comunicação, aprendizado e adaptação da criança.

 

Diagnóstico

Segundo a médica, a identificação de um possível problema de fala ou distúrbio neurológico costuma acontecer conforme a observação dos próprios pais e responsáveis pela criança, junto ao pediatra que a acompanha.

“É necessário estar atento e acompanhar os marcos de desenvolvimento de fala e linguagem dos filhos. Em casos de dúvidas ou algum estranhamento, o indicado é buscar um especialista para uma avaliação o quanto antes”, aconselha a Dra. Renata.

Normalmente, os sintomas variam e podem ser vistos no dia a dia das crianças ao longo das brincadeiras e atividades diárias. Entre os mais comuns estão a demora para começar a falar; a dificuldade de entender o que os outros falam; a troca de sílabas ou na ordem das palavras durante a composição de uma frase; e a dificuldade para relatar fatos de sua rotina ou de recontar uma história, entre outros. “É preciso que o adulto se atente a todo tipo de situação sem negligenciar um detalhe sequer”, orienta a médica.

O diagnóstico correto feito de forma prévia é importante, pois os atrasos no desenvolvimento de linguagem persistentes podem levar a sérios problemas de interação, aprendizado e cognição. Segundo o último relatório do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos, a prevalência de crianças com Transtorno do Espectro Autista subiu um pouco mais, ou seja, um autista para cada 54 crianças.

A médica ainda chama a atenção para os cuidados que devem ser redobrados durante o período de isolamento, já que, devido ao fechamento das escolas, o uso da tecnologia pelas crianças aumentou consideravelmente.

“O uso excessivo da tecnologia também pode afetar o desenvolvimento da linguagem, já que as telas de smartphones, tablets e televisores não estimulam a fala, tornando esses aparelhos contraindicados para crianças menores de dois anos.”

 

Tratamento

O que define o melhor tratamento indicado, seja para uma criança com problemas de fala ou com dificuldades de linguagem – que costuma ter questões mais sérias – é o diagnóstico médico correto e rápido.

Segundo a Dra. Renata, normalmente, a abordagem envolverá um profissional especialista em fonoaudiologia.

Em algumas situações, entretanto, o caso pode requerer a complementação multiprofissional, com diversas especialidades tais como médico, terapeuta ocupacional, psicólogo, pedagogo, fisioterapeuta, odontopediatra e até nutricionista, de acordo com a gravidade e necessidades. Além disso, crianças que sofrem destas questões requerem atenção potencializada, tornando o papel dos pais fundamental no processo terapêutico no complemento das atividades fora do ambiente hospitalar.

Como diferenciar sintomas de Covid-19 de uma gripe comum ou alergias?

A Covid-19 segue chamando a atenção da comunidade médica pela forma como os sintomas se manifestam em cada pessoa. De acordo com Gilberto Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, esse cenário faz com que muitos pacientes ainda tenham dúvidas para diferenciar o Coronavírus da gripe comum, rinite e sinusite.

“Essa incerteza pode fazer com que o paciente relute em procurar auxílio médico, pois teme que o ambiente hospitalar aumente os riscos de infecção pelo Coronavírus (caso ainda não esteja infectado). Se, logo de início, ele se dirige a uma unidade especializada, é possível tratar com mais eficácia as doenças a partir do diagnóstico”, explica o otorrinolaringologista.

Alguns dos sintomas mais comuns da Covid-19 podem ser confundidos em uma análise superficial com os de uma gripe comum ou de doenças alérgicas, como rinite e sinusite. De acordo com o especialista, quadros de rinite e sinusite são mais concentrados no nariz, garganta e olhos do paciente.

“A rinite é uma inflamação da mucosa do nariz. A pessoa costuma apresentar coriza (secreção no nariz), coceira no nariz e espirros em sequência. Além disso, o nariz fica naturalmente congestionado”, afirma Pizarro.

Na sinusite, a inflamação ocorre na mucosa que reveste os seios da face. Com isso, os sintomas também incluem dor facial, nos ouvidos e atrás dos olhos. Além disso, o paciente pode relatar dor ou irritação na garganta e inchaço facial.

“No dia a dia, quem tem quadros recorrentes de rinite e sinusite geralmente consegue identificar os gatilhos das crises, bem como os sintomas que mais o acomete”, completa o médico.

Na gripe comum, no entanto, o quadro de sintomas não fica restrito à congestão e secreção nasal. Nessa situação, o paciente relata febre, mal-estar e dor no corpo. A qualificação de todos os sintomas é importante porque a Covid-19 também gera febre, por exemplo.

“O paciente com Covid-19 costuma ter tosse seca e cansaço, mas, em quadros mais graves, pode apresentar dificuldade para respirar, falta de ar e pressão (aperto) no peito. No entanto, não necessariamente haverá coriza e congestão nasal. Isso é determinante para uma das diferenciações entre essas doenças (gripe comum, rinite e sinusite) e o Coronavírus”, destaca Pizarro.

“A perda de olfato é um dos sintomas características da Covid-19, mas, aqui, ela ocorre de forma súbita. Nas outras doenças citadas, essa perda de olfato é mais leve e está associada a um quadro de congestão nasal por conta da coriza. O Covid-19 também pode gerar perda de paladar, outra diferença em relação às demais”, completa.

 

Ajuda especializada

Algumas unidades hospitalares oferecem atendimento especializado para determinadas áreas da Medicina. No caso do Hospital Paulista, diagnósticos e tratamentos são voltados para a Otorrinolaringologia. Isso permite que pacientes com rinite e sinusite procurem por auxílio específico, diminuindo sensivelmente as chances de contaminação por Covid-19 em um ambiente de atendimento generalizado.

“Ao chegar ao hospital, o paciente recebe o primeiro atendimento com uma enfermeira, que verifica sua temperatura e avalia seus sintomas e histórico. Se a pessoa relatar sintomas específicos de Covid-19 ou informar que teve contato recente com alguém infectado pelo vírus, é direcionada a um ambiente isolado e controlado. Lá, fará um teste para verificar se está com a doença e será avaliada para sabermos se ela pode ser isolada (e tratada) em sua residência ou se precisa ser internada”, explica o otorrinolaringologista.

Se os sintomas (e o histórico clínico relatado), no entanto, são característicos de uma gripe comum, rinite ou sinusite, o paciente é tratado na área principal do hospital, sem qualquer contato com a ala responsável pelo diagnóstico dos suspeitos de Covid-19. Vale ressaltar que o Hospital Paulista não é uma unidade hospitalar de referência para internação e tratamento dos casos de Covid-19.

“Isso reduz os riscos e não deixa de oferecer um tratamento adequado, rápido e eficaz ao paciente, independente da doença que ele apresenta. Deixar de tratar quadros de gripe comum e alergias como rinite e sinusite é muito prejudicial, pois pode agravar os sintomas e dificultar o próprio tratamento posteriormente”, conclui.

 

Escute o podcast com o Dr. Gilberto Ulsson Pizarro e conheça mais sobre a relação entre o olfato e o paladar e como o Covid-19 afeta diretamente esses sentidos, além dos principais testes de diagnósticos e tratamentos disponíveis.


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Especialista alerta para cuidados específicos a profissionais da voz

No Dia Mundial da Voz, lembrado em 16 de abril, o Hospital Paulista chama a atenção para os principais desgastes e problemas que acometem profissionais que dependem da voz para exercerem suas atividades diariamente, como professores, cantores e atendentes de telemarketing.

De acordo com Domingos Hiroshi Tsuji, otorrinolaringologista e responsável pelo Voice Center do Hospital Paulista, determinadas profissões exigem naturalmente maior atenção e acompanhamento no que diz respeito ao uso da voz.

“Estes profissionais devem se atentar a cuidados específicos que devem ser feitos antes, depois e nos intervalos de suas atividades profissionais. Além disso, é essencial o acompanhamento com médico especializado para que seja possível identificar sinais de desgaste ou de uso desregrado e incorreto da voz”, explica o médico.

Veja a seguir categorias profissionais que requerem maior atenção quando o assunto é o uso da voz:

 

Cantores

A pandemia de Covid-19 e o isolamento social limitaram bastante as atividades de cantores em todo o país. Muitos conseguiram se adaptar e passaram a realizar eventos online, em um ambiente que exige menos da voz, já que não há a presença de um público expressivo. Ainda assim, o canto sem orientação ou acompanhamento adequado pode levar ao desgaste vocal ao longo dos anos de atuação dos cantores.

O acompanhamento aos cantores inclui uma avaliação endoscópica, muito diferente em relação a outros pacientes. “Com o cantor, além de verificarmos a presença de eventuais doenças e lesões, analisamos também como as estruturas anatômicas funcionam e se comportam durante a fala e o canto”, destaca o Dr. Domingos.

Essa avaliação para cantores inclui exames como videonasofibroscopia endonasal, videonasofibroscopia para avaliação da função velofaríngea, videonasofibroscopia faringolaríngea, videonasofibroscopia para avaliação dinâmica da fala e canto e videoestroboscopia da laringe.

“Os exames são realizados de forma rápida e a maioria dos pacientes não sente desconforto intenso ou outras sensações desagradáveis. Não há necessidade de ficar com medo de realizar o exame.

 

Professores

A sala de aula traz uma série de desafios aos professores no dia a dia, mas o uso da voz de forma prolongada na jornada de trabalho faz com que muitos profissionais relatem desconforto ao final do dia. A variação frequente no volume da voz, em razão de barulhos dentro e fora da sala de aula, também provoca um incômodo que, ao longo da carreira, pode comprometer a voz dos professores.

“Nestes cenários, o professor deve beber água com frequência, principalmente durante as aulas, para evitar que a garganta fique seca. Recomendamos o uso moderado do volume de voz, mas sabemos que isso é quase impossível em meio aos desafios impostos a professores que precisam cuidar de 30 a 40 alunos por sala. Assim, aos primeiros sintomas, recomendamos um acompanhamento médico adequado para que seja possível identificar e tratar possíveis lesões”, afirma o Dr. Domingos.

 

Atendentes de telemarketing

Os atendentes que trabalham essencialmente com telefone devem se habituar também ao consumo frequente de água durante o trabalho. No caso deste profissional, o uso quase ininterrupto da voz pode provocar rouquidão, incômodo e dor na região da garganta.

“O ideal seria promover pequenos intervalos durante a jornada de trabalho para que o profissional possa ‘descansar’ o sistema vocal”, completa o médico, ressaltando que o hábito de fumar também pode agravar a situação.

 

Campanha

Na semana do Dia Mundial da Voz, o Hospital Paulista promove uma campanha para conscientizar a população sobre a importância do tema. A iniciativa, que contempla adesivação de fachada e ações nas mídias sociais, busca alertar a todos sobre os sinais e sintomas que requerem o diagnóstico precoce de doenças ligadas às cordas vocais.

Durante a campanha, o Hospital Paulista promoverá uma ação em mídias sociais com as #diamundialdavoz e #voicecenterHP. O mega painel na fachada do Hospital será usado como cenário para realização de selfies dos diferentes públicos, sempre orientados sobre a necessidade de uso de máscaras para participação desta ação.

Além disso, neste mês, o Hospital Paulista estreia seu projeto OtorrinoTalk por meio de podcasts mais vídeos nas diversas plataformas digitais, além de nova campanha em rádio com boletins diários sobre dicas de saúde em Otorrino.

Sono ruim vai muito além do cansaço diurno e pode levar à perda de memória

A pandemia de Covid-19 já dura mais de um ano e segue afetando diversas atividades cotidianas. Um dos exemplos mais claros é o sono, fortemente prejudicado pela mudança na rotina e pelo estresse que deriva de várias fontes: preocupação com a própria saúde e de familiares, desemprego e falta de perspectivas para o retorno às atividades “normais”. No Dia Mundial do Sono, lembrado em 19 de março, países em todo o mundo chamam a atenção para o fato de que as pessoas reduziram – e muito – a qualidade de seu sono, e isso deverá ter efeitos mesmo após a pandemia passar.

“O sono é influenciado por diversos fatores, e o retorno a um sono de qualidade poderá demorar a acontecer, principalmente quando não for associado a diagnóstico e tratamento específico”, avalia Nilson André Maeda, otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono do Hospital Paulista.

Pesquisas recentes indicam que o número de pessoas com insônia no Reino Unido aumentou de uma em seis para uma em quatro durante a pandemia. Na Grécia, o problema foi relatado por 40% dos entrevistados, enquanto na China a taxa de insônia subiu de 14% para 20% durante o isolamento social.

“Confinadas, as pessoas perderam diversos referenciais e o período de sono foi um dos primeiros a serem afetados. A rotina de trabalho remoto, associada aos cuidados com a casa, por exemplo, fizeram com que o horário tradicional de dormir e acordar fossem severamente modificados, gerando problemas como irritabilidade e sonolência durante o dia”, completa o médico, responsável pelo Ambulatório de Medicina do Sono do Hospital Paulista, que atua no diagnóstico e no tratamento de problemas relacionados ao tema.

 

Apneia e memória

Apesar de ser muitas vezes negligenciado pelas pessoas, o sono de má qualidade influencia na ocorrência de doenças mais graves ao longo da vida. Pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, por exemplo, indicou que pessoas com apneia obstrutiva do sono sofrem perda de tecido em regiões do cérebro que auxiliam no armazenamento da memória. O estudo foi publicado na revista Neuroscience Letters.

Neste tipo de apneia, a respiração é obstruída por diversas vezes durante o sono. Trata-se de um problema que, muitas vezes, só é identificado através da avaliação de um especialista e de exames específicos, já que o próprio paciente pode ter dificuldade para notar o quadro.

“Na apneia obstrutiva do sono, a via respiratória alta é bloqueada, interrompendo a respiração e reduzindo a oxigenação, de maneira intermitente. Muitas vezes, quem nos auxilia no diagnóstico é quem compartilha a cama com o paciente, além do exame de polissonografia. Geralmente, a história é de ronco alto, sonolência diurna e queixa de um sono não reparador. O tratamento pode ser clínico, cirúrgico ou a associação dos dois, após uma avaliação individualizada de cada paciente”, afirma o otorrinolaringologista.

O estudo demonstrou que a dificuldade em respirar durante o sono pode levar a danos cerebrais e prejuízos para a memória e raciocínio.

 

Muito mais que cansaço

A crença de que noites mal dormidas geram “apenas” dias cansativos é falsa, portanto. Não bastasse a sonolência durante o período diurno, o sono de má qualidade tem a capacidade de deixar os indivíduos mais irritados, dispersos, esquecidos, improdutivos enquanto estão acordados e até perigosos, caso estejam dirigindo um automóvel.

“Além disso, diversos problemas de sono, como o ronco, deterioram a qualidade de vida também de companheiros e companheiras que convivem com os pacientes. Em um período de confinamento e grande estresse, esse tipo de conflito pode gerar grandes danos a relacionamentos e à própria saúde emocional de famílias inteiras. É extremamente importante respirarmos bem durante o sono, sem obstrução nasal ou faríngea”, afirma o médico, ressaltando a importância do tratamento.

“O diagnóstico e o tratamento médico adequados permitem reduzir e, em alguns casos, eliminar problemas de sono responsáveis por deteriorar a qualidade de vida das pessoas. São distúrbios que não devem ser ‘deixados para depois’. É preciso e aconselhável buscar auxílio médico. E lembrando que, em tempos de necessidade de uma boa imunidade, é fundamental termos a quantidade e a qualidade de sono adequadas”, finaliza.

Com várias causas, dor de garganta exige cuidados médicos

Apesar de ser mais comum no Inverno e em climas frios, a dor de garganta pode ter várias causas. Justamente por isso, a recomendação médica é evitar a automedicação e o uso de “soluções caseiras”, que podem agravar o quadro ou gerar uma melhora momentânea e esconder o real motivo da dor.

Arnaldo Tamiso, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, explica que a dor de garganta pode ser causada por infecções geradas por vírus e bactérias, doenças autoimunes, câncer e até problemas de estômago e nariz.

De acordo com ele, no entanto, até mesmo um cenário de boca seca ao longo do dia pode gerar incômodo na região. Nesse caso, o mais importante é notar a intensidade da dor e a frequência com que ocorre.

“A garganta é uma região que só trabalha bem úmida. Caso haja ressecamento por falta de hidratação ou alguma doença, podemos ter inflamações da mucosa, dores e sensações de inchaço ao engolir”, explica o médico, que também ressalta a importância de tomar água com frequência ao longo do dia.

“No caso de sensação de boca seca constante, precisamos buscar a causa, pois temos a condição de xerostomia (boca anormalmente seca). Ronco e respiração pela boca frequentemente causam o mesmo sintoma, e os pacientes se queixam de dor e ardência principalmente ao acordar”, completa.

 

Clima

O médico ressalta que a maior ocorrência de dores de garganta ocorre no frio, não necessariamente devido à temperatura, mas porque as infecções virais e bacterianas são mais comuns por conta da aglomeração e transmissão em locais fechados, com menor ventilação natural.

“Pessoas que têm tendência a sofrer com dores de garganta (amigdalites/faringites), no entanto, podem ter crises em qualquer época do ano. As crianças, por exemplo, possuem maior índice de infecções no retorno às aulas”, completa o especialista.

Nesse sentido, é muito importante que as pessoas busquem auxílio médico, principalmente se percebem que a dor na garganta tem sido mais frequente e mais intensa. Além disso, a automedicação deve ser evitada, bem como o uso de “soluções caseiras”, já que isso pode agravar o quadro, irritar ainda mais a mucosa da garganta e dificultar um correto diagnóstico e tratamento.

Além disso, é preciso seguir estritamente o tratamento médico, sem interrompê-lo e, principalmente, sem associá-lo a outros medicamentos por conta própria.

Você sabe quando procurar um Médico Otorrinolaringologista?

Muitas vezes chamado de Otorrino, o médico Otorrinolaringologista, é um especialista em ouvido (Oto), nariz (rino) e garganta (laringo), e cuida de uma série de doenças que muitas vezes não relacionamos ao especialista. Para te ajudar, listamos abaixo alguns sintomas e doenças que ao surgirem devemos procurar este especialista:

 

  • Alguns sintomas mais comuns são:

  • Obstrução nasal
  • Dor de ouvido (otalgia)
  • Dor de garganta
  • Dor de cabeça (cefaléia)
  • Dor na face
  • Secreção nasal
  • Sangramento nasal (epistaxe)
  • Dificuldade auditiva/surdez
  • Secreção no ouvido (otorréia)
  • Sangramento no ouvido (otorragia)
  • Rouquidão (disfonia)
  • Roncos
  • Tontura
  • Zumbido

 

  • As principais doenças são:

  • Amigdalite/faringite
  • Distúrbios da deglutição
  • Rinites
  • Sinusites
  • Desvio do septo nasal
  • Polipose nasal
  • Distúrbios do sono (apneia)
  • Diminuição da acuidade auditiva/surdez
  • Otites
  • Paralisia facial
  • Alterações das pregas vocais
  • Distúrbios do labirinto

 

A avaliação do médico Otorrinolaringologista é muito importante para o diagnóstico e tratamento das doenças que se manifestam com esses sintomas. O tratamento geralmente é clínico, porém dependendo da doença pode haver necessidade de tratamento cirúrgico.

Com fácil execução, vídeolaringoscopia permite rápido diagnóstico de problemas na voz

Para compensar o uso da máscara – essencial na prevenção de Covid-19 –, muitas pessoas adquiriram o hábito de falar mais alto durante a pandemia. Seja devido ao som abafado gerado pela proteção facial ou pela distância provocada pelas videoconferências no trabalho remoto, os brasileiros ampliaram o volume da voz no dia a dia e não perceberam que o hábito pode ser muito prejudicial.

De acordo com Domingos Hiroshi Tsuji, otorrinolaringologista e responsável pelo Voice Center no Hospital Paulista, o uso exagerado e desregrado da voz pode gerar lesões nas cordas vocais, situadas na laringe e responsáveis pela produção de som. Trata-se da laringite (inflamação na laringe) causada por fonotrauma decorrente desse uso inadequado da voz.

“Inicialmente, o exame mais recomendado é a videolaringoscopia. No entanto, alguns pacientes demonstram receio em sua realização, associando o procedimento a algo extremamente desconfortável”, destaca o especialista. Na realidade, o exame é muito simples, rápido e seguro, e o incômodo é mínimo.

“O paciente faz o exame sentado, sem necessidade de sedação ou anestesia geral. Usamos um spray anestésico na garganta e um tubo rígido de pequeno calibre com micro câmera é inserido suavemente pela boca do paciente. Esse instrumento é chamado de telescópio de laringe e é usado com o objetivo de ‘espiar’ de longe a laringe, o que reduz sensivelmente o desconforto do procedimento”, explica o médico.

Um dos diferenciais da vídeolaringoscopia é que o telescópio não precisa entrar profundamente na garganta. “Como o aparelho tem um ângulo de visualização de 70 graus, a ponta do telescópio é posicionada no fundo da boca, próximo à ‘campainha’ (úvula), para analisar partes da faringe e laringe”, completa.

As imagens são ampliadas e visualizadas em tempo real, em um monitor de vídeo, e documentadas em forma de fotografia. A partir daí, o especialista pode avaliar se há, de fato, danos na laringe.

Nos casos oriundos da pandemia de Covid-19, os desgastes vocais são simples e podem ser tratados com repouso vocal ou medicação. Além disso, o médico pode recomendar mudanças de comportamentos no cotidiano do paciente, para evitar que o problema persista ou seja agravado.

“Deve-se evitar conversas (presencialmente ou através de vídeo e telefone) em locais barulhentos. É preciso também falar pausadamente para facilitar a compreensão do interlocutor e esperar sua vez para interagir, evitando falar junto com outras pessoas. Nestas situações, para sermos ouvidos, costumamos aumentar o tom de voz e sequer percebemos”, explica o otorrinolaringologista do Voice Center.

 

Informações sobre a laringite

Além do uso excessivo da voz, algumas laringites também podem ser causadas por substâncias irritativas ou agentes infecciosos, como bactérias e vírus. Sua principal manifestação inclui rouquidão e perda de voz, podendo ser algo curto (laringite aguda) ou mais prolongado (crônica). Neste último caso, ocorre rouquidão persistente e o diagnóstico pode estar relacionado com algum problema subjacente, como mau uso da voz, refluxo gastroesofágico, alergia, sinusite, uso de álcool ou tabagismo.

De acordo com Domingos, além da rouquidão, são sintomas da laringite: (i) tosse seca ou com secreção; (ii) irritação e dor de garganta; (iii) sensação de garganta seca; (iv) dificuldade para engolir; (v) febre; (vi) glândulas no pescoço; e (vii) obstrução das vias respiratórias e dificuldade de respirar, em casos mais graves.

Na laringite crônica, o repouso da voz não é suficiente para atenuar os sintomas. Neste caso, é preciso recorrer a um tratamento específico que pode envolver remédios e até mesmo intervenção cirúrgica, dependendo da gravidade e da causa do problema.

 

Algumas das possíveis causas da laringite crônica são:

  • uso excessivo de álcool;
  • tabagismo;
  • refluxo gastroesofágico;
  • reações alérgicas (laringite alérgica);
  • sinusite crônica;
  • uso excessivo e constante da voz;
  • doenças autoimunes (como a artrite reumatoide);
  • infecções virais, bacterianas ou fúngicas;
  • infecções por parasitas;
  • tumores das cordas vocais.

Seja em casos agudos ou crônicos, a recomendação é buscar auxílio médico o quanto antes, para que o diagnóstico e o tratamento correto sejam realizados corretamente.

Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho também requer adaptação

Em 03 de dezembro, o mundo comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para celebrar o fim do ciclo iniciado em 1983 (ano em que a entidade adotou o Programa Mundial de Ação a respeito das Pessoas com Deficiência). A própria Organização estima que 10% da população mundial tenha algum tipo de deficiência.

No caso da professora e tradutora Cristina Faraj, a deficiência motora teve origem no nascimento, devido à falta de oxigenação no cérebro por um curto período (anoxia). “Hoje tenho um problema de coordenação motora. É uma condição que me fez enfrentar bullying e preconceito, seja na formação escolar, seja na inserção do mercado de trabalho. Em alguns momentos tive vontade de tentar esconder essa limitação, mas hoje sou feliz pelas minhas conquistas”, afirma.

Cristina é formada em Letras (Inglês-Tradução) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ingressou no Estado logo na primeira vez em que prestou concurso público. Apesar do sucesso profissional, logo no início da carreira a professora teve dificuldades para conseguir um emprego e sentiu que a deficiência motora era uma das principais razões para as recusas.

 

Legislação e inclusão

São consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimento de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que impeça a participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições. No Brasil, o Decreto nº 5.296/2004 descreve os diferentes tipos de deficiência.

Além disso, a Lei nº 8.213/1991, conhecida como Lei de Cotas, prevê uma série de medidas com o objetivo de inserir e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Empresas a partir de 100 colaboradores têm a obrigação de empregar uma parcela de pessoas com algum grau de deficiência. A cota mínima varia entre 2% e 5%, dependendo do total de trabalhadores na empresa.

Para a fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo, no entanto, as empresas devem se preocupar em não apenas empregar a pessoa com deficiência, mas também integrá-la à empresa, respeitando suas dificuldades e promovendo suas potencialidades.

“Quando contrata e emprega um funcionário com deficiência, a empresa não está apenas cumprindo a lei. Está promovendo uma função social, humanitária. Para isso, é preciso que a área de Recursos Humanos tenha a sensibilidade de facilitar o ambiente de trabalho de acordo com a deficiência do novo colaborador, capacitar os gestores e os demais funcionários, de modo que a pessoa não se sinta acuada, preterida ou discriminada em seu cotidiano laboral”, avalia a especialista.

Cada forma e grau de deficiência requerem adaptações específicas no ambiente de trabalho. Contratar um cadeirante para um local com escadas e sem elevadores/rampas, por exemplo, impede que o trabalhador interaja corretamente com os colegas e superiores e limita seu desenvolvimento.

 

Deficientes auditivos

No caso específico dos deficientes auditivos, a fonoaudióloga Christiane ressalta que um dos aspectos mais importantes é que o ambiente de trabalho – principalmente no espaço de quem tem alguma limitação – seja bem iluminado, com sinalizações claras e de fácil acesso. Além disso, é essencial que os outros funcionários sejam orientados sobre as formas corretas de interagir com o deficiente auditivo.

“É preciso sempre sinalizar a essa pessoa quando desejamos falar com ela. Dê um toque no ombro, se aproxime, fale de frente à pessoa. Ao sair para almoçar ou tomar um café, convide-a. Promova o deficiente auditivo ao convívio com o restante da equipe e evite informar os funcionários apenas pela linguagem falada. Invariavelmente, você irá se movimentar e a pessoa com limitação auditiva não conseguirá acompanhar a mensagem. Além disso, fique atento às próprias estações de trabalho. As divisórias precisam ser, no máximo, de acrílico para permitir que o deficiente auditivo tenha uma melhor compreensão da comunicação”, explica.

Nos últimos anos, iniciativas públicas e privadas têm oferecido cursos de capacitação para pessoas com deficiência. Um dos objetivos é afastar completamente uma das teses de muitas empresas que não cumprem a lei, ao alegarem que o mercado não oferece deficientes físicos capacitados

“O governo de São Paulo vem promovendo cursos gratuitos de qualificação. A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) também oferece um programa de cursos gratuitos. É muito importante que outros setores da indústria e de serviço desenvolvam iniciativas semelhantes, de modo a capacitar esses profissionais para um leque maior de funções”, diz Christiane.

 

Reabilitação

Quem tem algum grau de deficiência pode também reabilitar-se a partir de terapias específicas, aparelhos de auxílio e cirurgias que o ajude a diminuir a limitação, seja ela qual for. Cristina destaca, no entanto, que a abordagem da reabilitação ao profissional com deficiência deve ser feita de um modo que respeite sua própria vontade, sua independência e seus interesses profissionais.

“Por exemplo, passei por uma escola em que sofri certo preconceito de alunos e colegas da docência por conta da minha limitação motora. A então diretora insistia constantemente que eu deveria passar pela readaptação. Para uma pessoa que tem alguma deficiência, isso não é algo fácil de ouvir. Até que um dia, sem qualquer aviso prévio, fui chamada a uma reunião na qual me informaram que eu teria de começar a readaptação. Fiquei sem reação, saí bem chateada. A readaptação me fez bem, mas a forma como foi conduzido esse pedido foi desgastante”, conta.

Independentemente do tipo e do grau de deficiência, é importante ressaltar que profissionais com alguma limitação podem realizar uma enorme gama de funções. Para isso, é preciso que a lei seja cumprida, mas também que empresas, gestores de recursos humanos e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre a importância de inserir e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

“O trabalho tem também a função de ressignificar a vida da pessoa com deficiência. Uma cultura de inclusão permite esses profissionais participem ativamente do ambiente de trabalho, compreendendo suas limitações, mas também cientes do quanto podem evoluir e crescer”, afirma a fonoaudióloga.

“Entendo que as pessoas devem se esforçar para evoluir, mas quem tem alguma dificuldade não pode ser deixado para trás. Fala isso como educadora e como alguém que tem uma limitação motora. É preciso promover essa inclusão e ajudar quem tem qualquer tipo de deficiência a caminhar lado a lado com as outras pessoas”, conclui Cristina.