Como tratar os principais problemas da adenoide?

Popularmente conhecida como “carne esponjosa”, a adenoide é uma estrutura fisiológica, composta por tecido linfoide (tecidos de defesa), que se localiza atrás das cavidades nasais e acima do palato (céu da boca) – uma região chamada de nasofaringe. Por esse motivo, a adenoide é cientificamente denominada de tonsila nasofaríngea.

Apesar de ser um tecido de defesa e natural de qualquer indivíduo, seu crescimento exagerado pode causar uma séria de complicações que comprometem significativamente a qualidade de vida do paciente.

“A adenoide é uma estrutura de defesa imunológica, pequena ao nascimento, localizada no fundo do nariz, especificamente na região da nasofaringe. Ao contrário das amígdalas, não é possível ver a adenoide ao abrirmos a boca, pois esta fica acima do palato”, explica a otorrinolaringologista do Hospital Paulista Renata Garrafa.

Segundo a especialista, a adenoide cresce rapidamente durante a infância, com pico entre 3 e 6 anos e, então, começa a regredir gradativamente de tamanho até se tornar significativamente menor na adolescência. Quando este crescimento é exagerado, a adenoide pode preencher toda a nasofaringe, resultando em obstrução da passagem do ar respirado pelo nariz, má qualidade do sono e voz anasalada, além de facilitar a ocorrência de otites.

“Adenoide não é o nome de uma doença, mas sim de uma estrutura normal que todo ser humano possui durante a infância. Assim como as amígdalas e outros órgãos linfáticos, a adenoide reage a micro-organismos agressores e produz anticorpos”, destaca a Dra. Renata.

No entanto, de acordo com a otorrinolaringologista, quando seu crescimento é exagerado, causando prejuízos significativos na respiração e na fala, além de propiciar o surgimento de otites, seus malefícios no desenvolvimento da criança e em sua qualidade de vida superam seus benefícios imunológicos.

A médica ressalta que não há uma explicação única para o crescimento exagerado da adenoide, mas algumas hipóteses são infecções virais de repetição, rinite, fatores genéticos e biofilmes bacterianos (colonização crônica da nasofaringe por bactérias). Entre os sintomas mais comuns estão dificuldade respiratória, obstrução nasal, ronco e apneia do sono, além de quadros de otite, sinusite e rinite de difícil tratamento.

Diagnóstico  e Tratamento

“Para o diagnóstico da hipertrofia acentuada da adenoide, nos baseamos primeiramente nos sintomas do paciente”, relata a especialista.

A confirmação pode ser feita através de uma radiografia lateral da face (Raio-X de Cavum) ou pelo exame de vídeo endoscopia nasal (nasofibroscopia) – uma pequena câmera é introduzida pelo nariz, permitindo melhor visualização de toda nasofaringe, sendo, portanto, o melhor método.

O principal tratamento para hipertrofia acentuada da adenoide é a cirurgia, chamada adenoidectomia. Mas nem toda adenoide grande precisa ser removida.

“Ela, geralmente, é indicada nas crianças com obstrução nasal importante, que dificulte o sono e a alimentação, ou que provoque o surgimento de otite média serosa ou otite média aguda recorrente. Na inexistência de sintomas ou em casos brandos, a adenoide pode ser acompanhada clinicamente até sua involução após a puberdade”, complementa a Dra. Renata.

Em casos específicos, durante a cirurgia para a retirada das adenoides, outros procedimentos podem ser associados, como a remoção das amígdalas ou a colocação de tubos de ventilação nos ouvidos. Relativamente simples e curta, a adenoidectomia é feita pelo otorrinolaringologista, sob anestesia geral. Habitualmente, o paciente fica internado apenas por um dia.

Quarentena pode contribuir para aumento de casos de laringite crônica

O brasileiro tem consumido mais álcool e cigarro durante o período de isolamento imposto pela pandemia de Covid-19. Além dos problemas comumente associados aos vícios, fumar e beber em excesso podem gerar inflamação na laringe, resultando em um processo de laringite crônica nos pacientes.

De acordo com Nilson Maeda, otorrinolaringologista, médico do Voice Center no Hospital Paulista, o inverno já exigia atenção especial para as ocorrências na laringe, mas a extensa quarentena em algumas cidades brasileiras contribuiu involuntariamente para que outros hábitos danosos fossem ampliados.

“No inverno, as pessoas estão mais suscetíveis ao tempo seco, à poluição atmosférica e à ventilação deficitária em ambientes fechados, por conta do clima mais frio. Os últimos meses, no entanto, registraram aumento no consumo de álcool e tabaco, e a soma de todos esses fatores representa um risco ampliado à ocorrência de laringites crônicas”, explica.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), a venda de bebidas alcoólicas registrou aumento de 40% durante a quarentena. Já o consumo de cigarros teve alta de 19% durante o isolamento, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz.

Dentre os tipos de laringites, a crônica é a que mais preocupa os médicos em pacientes adultos. Seus principais sintomas são rouquidão, perda da voz, dor de garanta, pigarro, febre e dificuldade para respirar ou engolir. Como costuma estar associada a um problema subjacente, é muito importante que a laringite seja diagnosticada corretamente, até mesmo para determinar a extensão dos danos.

“No caso das laringites, são dois os principais exames de vídeo que podem ser feitos para ter um diagnóstico mais preciso: a videofaringolaringoscopia e a videolaringoestroboscopia. A videofaringolaringoscopia é indicada para fazer uma avaliação geral da faringe e laringe. Já a videolaringoestroboscopia, por ter um recurso tecnológico mais avançado, permite visualizar as cordas vocais em câmera lenta para detectar lesões como câncer, fibrose, pequenos cistos e outras, que nem sempre são identificadas através da videolaringoscopia tradicional”, afirma o médico.

Ambos os exames são realizados no Voice Center, centro de excelência no Hospital Paulista em Endoscopia Otorrinolaringológica. Além de identificar distúrbios da voz, a unidade atua também como centro de diagnóstico das patologias relacionadas à deglutição e ao refluxo faringo-laríngeo.

“O objetivo é promover um diagnóstico eficaz, de modo que o tratamento seja o mais adequado a cada paciente. O isolamento trouxe uma carga de ansiedade alta, mas a falta de cuidado com os vícios em tabaco e álcool pode ser determinante para a ocorrência de graves problemas futuros”, completa Maeda.

Hospital Paulista inaugura Ambulatório de Olfato ressalta importância do diagnóstico precoce

Ainda que a ocorrência específica de alguns sintomas esteja em estudo pela comunidade médica no Brasil e no mundo, boa parte dos pacientes infectados com Covid-19 relataram perda de olfato e paladar. Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento destes sintomas, o Hospital Paulista inaugurou recentemente seu Ambulatório de Olfato.

No início da pandemia de Coronavírus, a perda do olfato e paladar ainda não era identificada como sinal da infecção. Essencialmente, os pacientes relatavam febre, tosse seca e fadiga e foi nestes sintomas que a comunidade médica se concentrou para realizar os testes que confirmavam o contágio.

Somente em março, após o relato de pacientes de países distintos sobre os problemas com olfato e paladar no âmbito da pandemia, a American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (Academia Americana de Otorrinolaringologia – Cirurgias de Cabeça e Pescoço) divulgou nota na qual propôs que sintomas como anosmia, hiposmia e ageusia fossem incluídos no rastreamento de pacientes infectados por Covid-19, principalmente na ausência de outras doenças respiratórias, como rinites e rinossinusites.

O otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, explica que a anosmia é caracterizada como a perda total do olfato. “A hiposmia envolve a redução parcial da capacidade olfativa, enquanto a ageusia é a perda do paladar”, completa o médico.

Pizarro ressalta ainda que o olfato é uma das capacidades que só damos valor quando o perdemos, ainda que momentaneamente. “Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas, por exemplo.”

O objetivo do Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista é identificar corretamente a razão da perda de olfato e paladar, de modo a proceder com o tratamento correto para resolver o problema.

“É importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro”, completa o médico, que ressalta ainda a importância do acompanhamento médico em todo o processo de diagnóstico e tratamento.

Segundo ele, o olfato e o paladar estão intimamente relacionados. Gostos como o amargo, doce, ácido e salgado podem ser reconhecidos sem a influência dos odores, porém sabores mais complexos requerem o olfato para serem identificados. “Devido a essa relação, ocorrendo a melhora do olfato, possivelmente teremos também uma melhora do paladar”, completa.

“Faz parte do trabalho do médico analisar a capacidade do paciente de perceber odores e observar a qualidade e a intensidade do sentido olfativo. Os testes olfatórios, no entanto, são complexos e nem sempre fornecem uma resposta satisfatória. Dessa forma, é preciso considerar outros fatores que ajudam no diagnóstico. É de fundamental importância investigar a origem e a evolução do quadro, bem como realizar a observação endoscópica das fossas nasais e exames de imagem”, explica.

O tratamento da alteração no olfato dependerá da causa do problema, já que a perda pode ser temporária ou permanente. Se for temporária, o tratamento é feito por meio de medicamentos ou de intervenção cirúrgica, caso a perda olfatória for provocada por obstruções na região nasal, como desvio de septo, por exemplo.

No entanto, se o problema persiste, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório. “Importante saber que neste tipo de tratamento não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro.

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior do Hospital, situado à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Respiração pela boca pode comprometer desenvolvimento das crianças

Entre as diversas especialidades médicas que acompanham as crianças em seus primeiros anos de vida, o otorrinolaringologista pediatra tem vital importância para o diagnóstico e tratamento de desordens que podem comprometer o desenvolvimento dos pequenos. Uma das queixas mais atendidas por esses profissionais no Hospital Paulista é a respiração pela boca, também conhecida como respiração oral.

De acordo com a otorrinolaringologista pediatra Renata Garrafa, o diagnóstico precoce do problema promove qualidade de vida, melhora o desenvolvimento da criança e evita a ocorrência de alterações que podem exigir tratamentos ortodônticos e fonoterápicos.

“Crianças com respiração oral podem apresentar alterações ortodônticas e de desenvolvimento facial. Quanto antes tratadas, menor o impacto dessas alterações. Portanto, os pais devem procurar orientação médica logo que notarem a persistência do sintoma”, explica.

A criança que respira pela boca pode apresentar sintomas como ronco, sono agitado, flacidez da musculatura labial e da língua, lábios ressecados, respiração barulhenta e alterações de mordida e fala. Os pais devem suspeitar ao notarem a criança dormindo com a boca aberta ou assistindo à TV (quando mais velhos) com os lábios entreabertos. Além disso, é comum que identifiquem dificuldade para comer de boca fechada e babação excessiva. Diante de alguns desses sinais, é essencial que os pais procurem orientação médica para que o problema seja identificado e tratado.

“As principais causas de respiração oral na faixa etária pediátrica são rinite e hipertrofia de adenoide, condições tratadas pelo otorrinolaringologista”, afirma a especialista. O tratamento precoce é importante, pois a respiração oral, se não for cessada, pode gerar problemas como mordida cruzada, palato ogival (má formação do “céu da boca”), maxila hipodesenvolvida, projeção dos dentes, entre outros.

Segundo a médica, é importante que o tratamento seja realizado antes dos problemas acontecerem. Caso demore muito e as alterações já existam, será preciso recorrer a outros tratamentos associados ao otorrino, como dentista, por exemplo.

“É possível parar de respirar pela boca, mas, às vezes, é necessário tratamento adjuvante com fonoterapia para fortalecimento de lábios e língua. Também é preciso excluir outras causas de respiração oral, como língua grande (comum em Síndrome de Down), retrognatia (anomalia da mandíbula inferior) e hipotonia de lábio e musculatura peri-oral (lábios e bochechas flácidos)”, completa.

O tratamento contra hipertrofia acentuada de adenoide – uma das causas da respiração oral – envolve procedimento cirúrgico. Se o problema, no entanto, é causado por rinite, o tratamento costuma contemplar diferentes especialidades, principalmente a otorrinolaringologia.

Dra. Renata explica ainda que tem aumentado a procura dos pais por auxílio médico para resolver problemas relacionados à otorrinolaringologia pediátrica. “Os principais motivos que trazem os pais e seus filhos ao consultório são respiração oral, ronco, atraso de fala, otite de repetição, rinite e amigdalite de repetição. Atualmente, acredito que os pais procuram auxílio médico mais cedo do que antigamente e isso é essencial para o tratamento dessas desordens”, conclui.

Hospital Paulista alerta para gravidade em descontinuar alguns tratamentos na pandemia

Em casos agudos e graves, enfermidades como amigdalite e sinusite devem  ser tratadas, mesmo durante o isolamento social.


A pandemia de Covid-19 gerou uma série de preocupações aos brasileiros, aflitos diante dos números de mortes e infectados que aumentam diariamente no País. Em comunicado divulgado em abril, no entanto, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) chamou a atenção para os cuidados de saúde que não podem ser interrompidos mesmo durante o isolamento social, sob risco de complicações.

Segundo o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, algumas doenças podem levar o paciente à morte súbita caso o tratamento seja descontinuado ou feito de maneira irregular.

O especialista destaca que amigdalite, sinusite, otite e apneia são exemplos de enfermidades que devem ser tratadas de forma adequada e precoce. “Isso é fundamental para que as doenças não evoluam para formas mais graves.”

Confira a seguir as possíveis complicações de cada doença, segundo o especialista do Hospital Paulista:

AMIGDALITE:
Sua complicação mais temida é a febre reumática, que pode ocorrer em pacientes que apresentam infecção de garganta com frequência, mas não curam a doença de modo eficaz. A frequência de amigdalite anual que preocupa o especialista é de 6 vezes ou mais para crianças e três vezes ou mais para adultos.

“Se o pneumococo de um grupo específico ficar em contato com a amígdala, pode desencadear uma reação autoimune, isto é, uma reação de anticorpos que atacam o próprio corpo”, explica. No caso da amigdalite, o problema pode afetas as articulações das mãos e dos punhos, além da válvula do coração – cuja substituição pode ser necessária através de cirurgia.

Além disso, a amigdalite mal tratada e frequente pode causar o abscesso periamigdaliano, que consiste na formação de uma bolsa de pus ao redor da amigdala. Neste cenário, em casos mais graves, o paciente pode ser vítima de sepse, uma resposta exarcebada do organismo a um processo infeccioso, que pode leva-lo a óbito.

SINUSITE:
Em sua forma aguda ou crônica, pode gerar sérios problemas quando o tratamento não é feito adequadamente. Dentre os sintomas da sinusite grave, Pizarro menciona a secreção nasal mucopurulenta (verde ou amarela), congestão nasal, dor facial, cefaleia, inchaço na região dos olhos e febre alta.

“O tratamento inadequado destas infecções agudas ou crônicas agudizadas pode se espalhar para áreas próximas, como os olhos. Em alguns casos, pode causar cegueira e, nos piores cenários, atingir o cérebro, formando abcessos e complicações neurológicas graves”, afirma.

OTITE:
Nos casos graves, é comum a saída de secreção pelos ouvidos, além da ocorrência de zumbido e tontura forte. O tratamento precoce é feito com medicações, preferencialmente administradas por um otorrinolaringologista.

“A proximidade do ouvido com as meninges e o cérebro faz com que o órgão seja uma das principais portas de entrada para infecções da cabeça, como meningites e encefalites”, detalha o médico.

APNEIA NO SONO:
Trata-se da parada respiratória que ocorre várias vezes durante a noite, afetando o sono e o organismo do paciente como um todo. O ronco é um dos principais sintomas da enfermidade, que tem uma evolução gradual, mas pode levar à morte súbita se não houver tratamento adequado em sua forma mais grave.

Rinite, sinusite e rinossinusite: entenda as doenças comuns no outono e no inverno

As chamadas “ites” se manifestam com mais frequência nas estações mais secas e frias do ano

Mesmo com todos os holofotes apontados para a pandemia do novo Coronavírus que atingiu o mundo todo, o outono e, na sequência, o inverno, nos alertam também para cuidados com as doenças respiratórias sazonais. Por conta das temperaturas mais baixas, queda no índice de umidade do ar e maior concentração de poluentes, a proliferação de doenças respiratórias é muito maior. Conhecidas como “ites”, a rinite, a sinusite e a rinossinusite são comuns nessas épocas do ano.

A rinite é um tipo de inflamação e/ou hipereação da mucosa de revestimento nasal, podendo se manifestar de forma alérgica, que é a mais comum, ou até mesmo de forma infecciosa. O problema é caracterizado por obstrução nasal, rinorreia (presença de secreção e corrimento nasal), espirros, prurido nasal e hiposmia (diminuição do olfato).

“Em casos alérgicos, recomenda-se deixar os cômodos da casa e a roupa de cama bem limpos para evitar acúmulo de poeira, e deixar entrar sol o máximo possível nos cômodos da casa. Já para as rinites infecciosas, causadas por vírus e, menos frequentemente, por bactérias, é importante lavar bem as mãos, principalmente quando estiver em lugares muito fechados e cheios de pessoas. O uso do álcool em gel também pode ajudar”, explica a Dra. Cristiane Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Outra “ite” bastante comum é a sinusite, que pode ser aguda ou crônica. Para definir qual o tipo da enfermidade, um período de 12 semanas é essencial para a avaliação, uma vez que, caso o prazo de cura se estenda após o tratamento, já pode ser considerada como crônica. “Além disso, existe um subtipo da doença chamado de Polipose Nasossinusal, onde a mucosa nasal e dos seios da face têm predisposição para formar pólipos, que obstruem os orifícios e favorecem o acúmulo de secreções e infecções bacterianas”, destaca a médica.

E, por fim, há a rinossinusite, que é todo o processo inflamatório da mucosa da cavidade nasal e dos seios paranasais. Esse tipo de quadro representa uma reação a algum tipo de agente físico, químico ou biológico, além de ser possivelmente causado também por mecanismos alérgicos. Utilizado unanimemente pelos especialistas, o termo serve para diferenciar uma rinite normal e outra que acaba se estendendo pelos seios da face, característica principal da rinossinusite.

“Mesmo que as doenças apresentem algumas características bastante semelhantes, os detalhes de cada uma delas são distintos e podem ocasionar diferentes manifestações, indo de dores no rosto até muita tosse e obstrução nasal”, completa a especialista do Hospital Paulista.

Caso a pessoa perceba alguns dos sintomas citados, o primeiro passo é procurar um especialista otorrinolaringologista, alergista ou imunologista.

Para evitar as doenças, hábitos simples podem ser adotados e possuem uma ótima eficácia, como sempre manter a higiene das mãos e evitar o contato delas com os olhos, nariz e boca. Outros bons aliados são o soro fisiológico nasal para limpar diariamente o nariz e beber muita água, favorecendo ainda mais o combate desses problemas.

Outra dica é evitar lugares fechados ou com muitas pessoas, principalmente para aqueles que necessitam realizar atividades fora de casa, ainda mais em um período de isolamento social.

 

Diferenças em relação ao coronavírus

Algumas das “ites”, como a rinite e sinusite, possuem sintomas muito parecidos e, por conta disso, é importante que sejam analisados por um especialista o mais rápido possível, para obter tratamento adequado, especialmente se apresentar febre alta e falta ou ausência de olfato. Como a COVID-19 também é uma doença respiratória, procurar um médico é imprescindível para um diagnóstico preciso, caso a pessoa sinta qualquer dificuldade para respirar.

Os portadores de rinite, por exemplo, não estão dentro do grupo de risco frente ao novo Coronavírus. “Entretanto, o risco aumenta se o problema não estiver controlado”, finaliza a médica.

 

Como o tabagismo pode afetar a voz, a boca e a garganta?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) escolheu o dia 31 de maio para conscientizar sobre as doenças decorrentes do tabaco

Segundo dados informados pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), 428 pessoas morrem por dia no Brasil por causa da dependência de nicotina. No mundo, são mais de oito milhões de mortes por ano, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Para reforçar essa questão, o Dia Mundial Sem Tabaco, que acontece em 31 de maio, foi instituído visando relembrar os males severos relacionados ao tabagismo. É importante destacar que o cigarro faz mal, pois contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas. Além das mais conhecidas, como nicotina e monóxido de carbono, a fumaça do cigarro possui substâncias radioativas como polônio 210 e cádmio (presente nas baterias dos carros). Os problemas não se restringem somente ao câncer, podendo causar também diversas outras doenças que afetam a boca, a garganta, e ainda levar a alterações na voz.

O Dr. Alexandre Enoki, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, explica essas doenças que podem estar ligadas ao tabagismo.

Disfonia

A disfonia é caracteriza por alterações na qualidade vocal, com características como aspereza, fraqueza, soprosidade e instabilidade. “Esse problema normalmente é resultado de abusos vocais ou maus hábitos, como consumo excessivo de álcool e cigarro, além de falar e cantar demasiadamente sem realizar um preparo adequado”, explica o médico.

Halitose

O famoso mau hálito, que pode ser ocasionado por higiene bucal inadequada, problemas dentários, causas sistêmicas, como refluxo, doenças pulmonares e do fígado, ou outras alterações sistêmicas do organismo. “É importante reforçar que o consumo excessivo de álcool e, principalmente o tabagismo, agrava o problema”, ressalta o especialista do Hospital Paulista.

Câncer na laringe

Todo câncer é grave e merece atenção redobrada. O câncer na laringe atinge as cordas vocais ou ainda qualquer outra estrutura da laringe, tendo a rouquidão como sintoma característico. “Para que o risco de desenvolver a doença seja igual ao de uma pessoa não fumante, estima-se que pode levar em torno de oito anos, a partir do último cigarro. O diagnóstico em um estágio inicial eleva as chances de sucesso no tratamento, podendo chegar a mais de 95% de cura completa”, destaca o Dr. Alexandre Enoki. Outro ponto de extrema importância para o tratamento é o abandono do tabagismo. O hábito de fumar está presente em mais de 90% dos casos de câncer na laringe.

Câncer de boca e faringe

O câncer na boca pode acometer os lábios e o interior da cavidade oral, incluindo a língua, gengiva e bochechas. A doença pode também se instalar na faringe, estrutura comum ao aparelho digestivo e respiratório, localizada à frente da coluna cervical. “O indivíduo que bebe e fuma tem os riscos consideravelmente elevados de desenvolver o problema nessas regiões do corpo”, diz o médico.

Conforme o tempo passa, os tabagistas têm a necessidade de fumar cada vez mais, aumentando os riscos de problemas. Para as pessoas que se conscientizaram e decidiram que é hora de parar, o melhor a fazer é procurar ajuda médica. Muitos planos de saúde contam com programas específicos para os fumantes, e o sistema público também oferece orientação e tratamento.

Crianças em casa: engasgo e introdução de objetos no nariz ou ouvido pode ser perigoso

Durante a quarentena, todo cuidado é necessário para evitar acidentes com pequenos objetos e se atentar a engasgos

Botões, pedrinhas, miçangas, feijão e massinha fazem parte de uma grande lista de coisas que as crianças costumam engasgar ou até mesmo introduzir no ouvido ou no nariz. Em um período em que as aulas presenciais foram interrompidas e os mais novos passam o dia em casa, vale ficar atento. Se há irmãos maiores, redobre a atenção, pois é comum que, em um ato inocente de brincadeira, os bebês sejam “alimentados” por eles com objetos pequenos que podem causar danos à saúde.

No caso de engasgos, os menores de dois anos são as grandes vítimas, já que estão na fase oral e costumam levar todo o tipo de objeto até a boca. Caso perceba que a criança engoliu um corpo estranho e está com problemas, o primeiro passo é avaliar se tem falta de ar associada. Nessa situação, ela não conseguirá chorar, falar ou respirar e ficará com os lábios roxos.

“Para uma ajuda segura, o ideal é dividir as tarefas: um adulto cuida da criança e o outro chama o serviço de emergência, pois podem ser necessárias manobras como a de Heimlich e de ressuscitação, se a situação estiver grave, sendo que esta última nem todos estão aptos a executá-la com precisão. Caso ela apresente falta de ar, não consiga respirar e esteja ficando azulada, o serviço de emergência deve ser chamado imediatamente”, destaca a Dra. Renata Garrafa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Em situações de engasgos, a manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros utilizada em casos de emergência por asfixia e que pode ser realizada por qualquer pessoa, bastando que siga corretamente as orientações.

“A manobra de Heimlich acontece de formas diferentes em bebês e em crianças maiores de um ou dois anos. No bebê, devemos colocá-lo de bruços, deitado em cima do nosso antebraço e com a cabeça virada para baixo. Então, com bebê com as costas retas e, segurando com firmeza, devemos dar cinco tapas no meio das costas e entre os ombros, não muito fortes, mas com impacto suficiente para que o objeto saia”, explica a médica.

Se o engasgo persistir, o bebê deve ser virado de barriga para cima, sob o outro antebraço, pressionando cinco vezes com os dois dedos indicadores no meio do peito do bebê, entre os dois mamilos. Caso chore, vomite ou tussa é sinal que conseguiu desengasgar. Se continuar engasgado, repetir desde o início   o procedimento até que o bebê desengasgue.

“Já em uma criança acima de dois anos, devemos nos posicionar atrás dela, sendo que ela fica de pé e nós ajoelhados. Então, com a criança de costas, abraçaremos até que uma de nossas mãos esteja fechada na altura do estômago e a outra mão estará aberta, apoiada sobre essa mão fechada. Então, devemos pressionar com força moderada a barriga da criança para dentro e para cima ao mesmo tempo”, completa a especialista do Hospital Paulista. 

É importante também ficar atento a alguns objetos como pilhas ou baterias, por exemplo, que podem, após algumas horas, liberar substâncias tóxicas. “Mesmo que a criança acabe não engasgando, a presença dessas peças no corpo pode agravar o quadro. Portanto, esses materiais devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos”, diz a Dra. Renata.

 

Nariz e ouvido

A presença de um corpo estranho no ouvido pode gerar dificuldade para escutar, sensação de entupimento e até mesmo lesão na membrana do tímpano. A criança pode queixar-se de dor ou de ouvido tampado e, eventualmente, pode ter saída de sangue ou secreção pelo canal externo do ouvido.

Já a introdução de objetos no nariz pode acarretar em obstrução, secreção e sangramento provenientes de apenas um lado do nariz, além de odor fétido nasal. Em ambos os casos, pode gerar infecção se a situação não for contornada a tempo.

Muitas vezes, as crianças podem não admitir que introduziram objetos no ouvido ou no nariz. No caso dos menores, é possível que não consigam comunicar o ocorrido. “A tentativa de remoção destes objetos em casa, seja no ouvido ou no nariz, é perigosa e pode gerar sérias lesões. Assim que o adulto perceber que a criança está com um objeto preso nesses locais, é preciso ir imediatamente ao pronto-socorro”, finaliza a especialista.

Guia da Voz

Semana da Voz – Rouquidão pode indicar um alerta

O Dia Mundial da Voz, celebrado em 16 de abril, tem o compromisso de chamar a atenção para a saúde da voz, um dos principais instrumentos de interação entre as pessoas. A data é importante para salientar a relevância da fala no nosso dia a dia, pois sabemos que a grande maioria das profissões depende da voz para ser exercida. Com isso, qualquer alteração, como a rouquidão, por exemplo, deve ser investigada, já que pode ser indício de que algo não está bem. Especialista do Hospital Paulista explica ainda como a maçã pode ser uma aliada para a voz.

“São vários os fatores que afetam a voz. Entre eles, estão os processos inflamatórios decorrentes de infecções das vias aéreas superiores, lesões fonotraumáticas (como nódulos e pólipos), alterações estruturais mínimas, que podem estar presentes desde o nascimento, alterações de origem neurológica, autoimune, ou mesmo sem causas aparentes”, destaca o Dr. Alexandre Enoki, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Entretanto, o principal sintoma que sugere um problema nas cordas vocais é a rouquidão, que pode se manifestar desde uma alteração leve e intermitente, após um uso intenso da voz, até alterações importantes e contínuas.

O especialista alerta ainda que a rouquidão não seja vista, simplesmente, como algo normal ou mesmo charmoso.  “A rouquidão é um sinal que precisa ser investigado. Isso se deve ao fato de que, entre os vários diagnósticos a serem identificados, está até mesmo o câncer de laringe. Portanto, quando persistente por mais de duas semanas, é fundamental passar por uma avaliação médica”, alerta o especialista do Hospital Paulista.

Como manter a saúde da voz?

Cuidados gerais, como boa hidratação, alimentação equilibrada e qualidade de sono são importantes não somente para voz, mas para o organismo como um todo. “É importante ressaltar dois grandes vilões – o tabagismo, responsável pela grande maioria dos casos de câncer de laringe, e o uso abusivo da voz”, explica o médico.

Para os profissionais que utilizam a voz como instrumento de trabalho, como jornalistas, cantores, atores e professores, a atenção deve ser ainda maior. Nestes casos, os cuidados para preservar a voz são fundamentais para evitar alterações, que podem ser tratadas com fonoterapia ou até procedimentos cirúrgicos.