Zumbido: quando o sintoma pode ser sinal de alerta?
Embora seja frequentemente associado à perda auditiva, o zumbido também pode ter outras causas. Otorrinolaringologista explica quando procurar atendimento e quais tratamentos podem ajudar a reduzir o incômodo
Apito, chiado, campainha ou um ruído semelhante ao de uma panela de pressão. Para quem tem zumbido, esses sons podem surgir mesmo quando não existe nenhuma fonte sonora externa. Embora muitas vezes seja associado a alterações auditivas, o sintoma também pode estar relacionado a outras condições de saúde e, em determinadas situações, exige avaliação médica rápida.
Uma revisão sistemática com metanálise publicada na revista científica JAMA Neurology, em 2022, estimou que 14,4% dos adultos apresentam algum tipo de zumbido, o equivalente a aproximadamente 749 milhões de pessoas no mundo. A estimativa é global e não representa especificamente a população brasileira.
Segundo a Dra. Milena Quadros, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, uma das causas mais comuns do zumbido é a perda auditiva, relacionada ao envelhecimento, à exposição a ruídos intensos ou a doenças do ouvido. O sintoma também pode estar associado ao excesso de cerume, a infecções, a alterações metabólicas e circulatórias, a determinados medicamentos e a problemas na articulação temporomandibular (ATM) ou na musculatura da face e do pescoço.
Quando procurar atendimento?
Nem todo episódio de zumbido indica uma condição grave, mas alguns sinais merecem atenção especial. Um deles é o aparecimento do sintoma acompanhado de perda auditiva súbita, especialmente quando a pessoa percebe que deixou de ouvir bem de um ouvido de uma hora para outra. Nessa situação, a avaliação otorrinolaringológica deve ser realizada com urgência, idealmente em até 24 horas.
“Essa situação pode indicar uma surdez súbita, uma condição em que o tempo até o início do tratamento pode influenciar o prognóstico”, alerta a especialista.
O zumbido persistente em apenas um ouvido também deve ser investigado, sobretudo quando há diferença de audição entre os lados. Já o ruído que acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos, conhecido como zumbido pulsátil, precisa de avaliação para investigar possíveis causas vasculares ou outras alterações. Se houver tontura intensa e repentina, dificuldade para caminhar, alteração da fala, visão dupla ou fraqueza em um lado do corpo, é necessário procurar atendimento de emergência.
A sensação de ouvido tampado também merece atenção quando surge repentinamente junto com o zumbido e a redução da audição. Nesses casos, não se deve presumir que o problema seja apenas acúmulo de cerume ou obstrução do ouvido.
Estresse e noites mal dormidas podem intensificar o incômodo
A percepção do zumbido não depende apenas de alterações no sistema auditivo. Estresse, ansiedade e privação de sono podem aumentar a atenção direcionada ao ruído e intensificar o desconforto provocado por ele. O sono também pode entrar em um ciclo prejudicial: o zumbido dificulta o descanso, enquanto dormir mal pode tornar o sintoma mais incômodo no dia seguinte.
“A exposição a sons muito intensos, principalmente quando frequente ou sem proteção adequada, pode provocar lesões nas estruturas do ouvido interno e contribuir para o aparecimento de zumbido e perda auditiva”, explica a Dra. Milena.
Manter horários regulares de sono, praticar atividade física, adotar estratégias de controle do estresse e proteger a audição contra sons intensos são medidas que podem ajudar. Para algumas pessoas, sons ambientes suaves, como chuva ou música em volume confortável, também contribuem para reduzir o incômodo, especialmente na hora de dormir.
Há tratamento para o zumbido?
A investigação começa com uma consulta ao otorrinolaringologista. O exame clínico e a avaliação auditiva, geralmente com audiometria, ajudam a identificar possíveis causas; outros exames podem ser indicados conforme cada caso.
O tratamento depende da causa identificada e do grau de incômodo. Quando existe uma condição tratável, a abordagem é direcionada ao problema. Nos pacientes com perda auditiva associada, aparelhos auditivos podem melhorar a comunicação e também reduzir o incômodo em alguns casos. Entre as estratégias terapêuticas com respaldo científico está a terapia cognitivo-comportamental. Outras intervenções podem ser consideradas conforme as necessidades de cada paciente e a avaliação dos profissionais responsáveis.
“Mesmo quando não é possível eliminar completamente o som, existem tratamentos capazes de reduzir significativamente o sofrimento provocado pelo zumbido e melhorar a qualidade de vida”, afirma a especialista.
A automedicação e o uso indiscriminado de vitaminas, suplementos ou produtos anunciados como soluções para o zumbido devem ser evitados. Também não se deve suspender medicamentos prescritos por conta própria: qualquer suspeita de relação com o sintoma precisa ser discutida com o médico responsável.
Sobre o Hospital Paulista
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta e, durante sua trajetória, ampliou sua competência para outros segmentos, com destaque para Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, procedimentos para Cirurgia Cérvico-Facial, bem como Buco Maxilo Facial e Foniatria. Referência em seu segmento e com alta resolutividade, conta com um completo Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia. Dispõe de profissionais de alta capacidade oferecendo excelentes condições de suporte especializado 24 horas por dia.










