Novidade – Videonistagmografia

Novidade do Hospital Paulista na reta final de 2020 é a segunda unidade do videonistagmógrafo. O aparelho é responsável pela videonistagmografia, um exame capaz de testar a função do labirinto e as suas funções neurológicas relacionadas.

O procedimento permite aferir, por exemplo, se a tontura é causada pela vertigem posicional paroxística benigna ou pela doença de Menière (enfermidades do ouvido interno) ou ainda se está relacionada a doenças neurológicas, como a esclerose múltipla ou um acidente vascular cerebral.

“A segunda unidade do videonistagmógrafo permite ao Hospital Paulista ampliar seu atendimento, resultando em maior comodidade aos pacientes. Trata-se de um exame muito importante, responsável pela avaliação vestibular, e essencial no diagnóstico correto e preciso dos pacientes que se queixam de tontura”, explica o otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto.

Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho também requer adaptação

Em 03 de dezembro, o mundo comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para celebrar o fim do ciclo iniciado em 1983 (ano em que a entidade adotou o Programa Mundial de Ação a respeito das Pessoas com Deficiência). A própria Organização estima que 10% da população mundial tenha algum tipo de deficiência.

No caso da professora e tradutora Cristina Faraj, a deficiência motora teve origem no nascimento, devido à falta de oxigenação no cérebro por um curto período (anoxia). “Hoje tenho um problema de coordenação motora. É uma condição que me fez enfrentar bullying e preconceito, seja na formação escolar, seja na inserção do mercado de trabalho. Em alguns momentos tive vontade de tentar esconder essa limitação, mas hoje sou feliz pelas minhas conquistas”, afirma.

Cristina é formada em Letras (Inglês-Tradução) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ingressou no Estado logo na primeira vez em que prestou concurso público. Apesar do sucesso profissional, logo no início da carreira a professora teve dificuldades para conseguir um emprego e sentiu que a deficiência motora era uma das principais razões para as recusas.

 

Legislação e inclusão

São consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimento de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que impeça a participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições. No Brasil, o Decreto nº 5.296/2004 descreve os diferentes tipos de deficiência.

Além disso, a Lei nº 8.213/1991, conhecida como Lei de Cotas, prevê uma série de medidas com o objetivo de inserir e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Empresas a partir de 100 colaboradores têm a obrigação de empregar uma parcela de pessoas com algum grau de deficiência. A cota mínima varia entre 2% e 5%, dependendo do total de trabalhadores na empresa.

Para a fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo, no entanto, as empresas devem se preocupar em não apenas empregar a pessoa com deficiência, mas também integrá-la à empresa, respeitando suas dificuldades e promovendo suas potencialidades.

“Quando contrata e emprega um funcionário com deficiência, a empresa não está apenas cumprindo a lei. Está promovendo uma função social, humanitária. Para isso, é preciso que a área de Recursos Humanos tenha a sensibilidade de facilitar o ambiente de trabalho de acordo com a deficiência do novo colaborador, capacitar os gestores e os demais funcionários, de modo que a pessoa não se sinta acuada, preterida ou discriminada em seu cotidiano laboral”, avalia a especialista.

Cada forma e grau de deficiência requerem adaptações específicas no ambiente de trabalho. Contratar um cadeirante para um local com escadas e sem elevadores/rampas, por exemplo, impede que o trabalhador interaja corretamente com os colegas e superiores e limita seu desenvolvimento.

 

Deficientes auditivos

No caso específico dos deficientes auditivos, a fonoaudióloga Christiane ressalta que um dos aspectos mais importantes é que o ambiente de trabalho – principalmente no espaço de quem tem alguma limitação – seja bem iluminado, com sinalizações claras e de fácil acesso. Além disso, é essencial que os outros funcionários sejam orientados sobre as formas corretas de interagir com o deficiente auditivo.

“É preciso sempre sinalizar a essa pessoa quando desejamos falar com ela. Dê um toque no ombro, se aproxime, fale de frente à pessoa. Ao sair para almoçar ou tomar um café, convide-a. Promova o deficiente auditivo ao convívio com o restante da equipe e evite informar os funcionários apenas pela linguagem falada. Invariavelmente, você irá se movimentar e a pessoa com limitação auditiva não conseguirá acompanhar a mensagem. Além disso, fique atento às próprias estações de trabalho. As divisórias precisam ser, no máximo, de acrílico para permitir que o deficiente auditivo tenha uma melhor compreensão da comunicação”, explica.

Nos últimos anos, iniciativas públicas e privadas têm oferecido cursos de capacitação para pessoas com deficiência. Um dos objetivos é afastar completamente uma das teses de muitas empresas que não cumprem a lei, ao alegarem que o mercado não oferece deficientes físicos capacitados

“O governo de São Paulo vem promovendo cursos gratuitos de qualificação. A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) também oferece um programa de cursos gratuitos. É muito importante que outros setores da indústria e de serviço desenvolvam iniciativas semelhantes, de modo a capacitar esses profissionais para um leque maior de funções”, diz Christiane.

 

Reabilitação

Quem tem algum grau de deficiência pode também reabilitar-se a partir de terapias específicas, aparelhos de auxílio e cirurgias que o ajude a diminuir a limitação, seja ela qual for. Cristina destaca, no entanto, que a abordagem da reabilitação ao profissional com deficiência deve ser feita de um modo que respeite sua própria vontade, sua independência e seus interesses profissionais.

“Por exemplo, passei por uma escola em que sofri certo preconceito de alunos e colegas da docência por conta da minha limitação motora. A então diretora insistia constantemente que eu deveria passar pela readaptação. Para uma pessoa que tem alguma deficiência, isso não é algo fácil de ouvir. Até que um dia, sem qualquer aviso prévio, fui chamada a uma reunião na qual me informaram que eu teria de começar a readaptação. Fiquei sem reação, saí bem chateada. A readaptação me fez bem, mas a forma como foi conduzido esse pedido foi desgastante”, conta.

Independentemente do tipo e do grau de deficiência, é importante ressaltar que profissionais com alguma limitação podem realizar uma enorme gama de funções. Para isso, é preciso que a lei seja cumprida, mas também que empresas, gestores de recursos humanos e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre a importância de inserir e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

“O trabalho tem também a função de ressignificar a vida da pessoa com deficiência. Uma cultura de inclusão permite esses profissionais participem ativamente do ambiente de trabalho, compreendendo suas limitações, mas também cientes do quanto podem evoluir e crescer”, afirma a fonoaudióloga.

“Entendo que as pessoas devem se esforçar para evoluir, mas quem tem alguma dificuldade não pode ser deixado para trás. Fala isso como educadora e como alguém que tem uma limitação motora. É preciso promover essa inclusão e ajudar quem tem qualquer tipo de deficiência a caminhar lado a lado com as outras pessoas”, conclui Cristina.

Prevenção de perda auditiva deve ser iniciada ainda na juventude, alerta especialista

Novembro é considerado o mês oficial de Prevenção e Combate à Surdez no Brasil. Mais do que ressaltar a importância do diagnóstico precoce, a campanha tem a missão de alertar os jovens sobre a possibilidade de prevenir futuras perdas auditivas a partir de mudanças simples no dia a dia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em cerca de 466 milhões o número de pessoas em todo o mundo com algum grau de surdez. De acordo com a entidade, no entanto, cerca de 1,1 bilhão de jovens com idades entre 12 e 35 anos correm o risco de sofrer perda de audição nos próximos anos devido ao uso exagerado de fones de ouvidos (em volume alto) e à exposição frequente a ambientes como shows e casas noturnas, que também contam com ruídos em volume superior.

Para Arnaldo Tamiso, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, o problema está no volume do som e no uso sem intervalos dos fones de ouvido, que ganharam popularidade nas últimas duas, três décadas, e passaram a chamar a atenção da comunidade médica para a importância da prevenção entre os jovens.

“Associado à predisposição genética para a surdez, o uso inadequado de fones de ouvidos aumenta o risco de o paciente jovem registrar perda auditiva precoce (por volta dos 40, 50 anos)”, explica o médico, ressaltando que a utilização do aparelho aumentou durante a quarentena, seja através dos jovens que têm aulas à distância, seja por meio dos adultos trabalhando de forma remota.

Segundo ele, o grande problema do fone de ouvido é o volume do som e o tempo de utilização. “O aceitável, em termos de fone ou fontes sonoras durante o dia, é fazer uma pausa de uma hora a cada três horas de uso. Além disso, é preciso não exceder o volume que o próprio aparelho de telefone ou de áudio muitas vezes indica como inadequado. Esse marcador geralmente fica vermelho quando o indivíduo entra nos últimos 30% da capacidade de volume dos fones. É a partir daí que o uso pode gerar problemas auditivos, seja ao jovem ou ao adulto”, ressalta.

O especialista recomenda também que o jovem (ou seu responsável) procure um otorrinolaringologista caso note algum zumbido ou ruído estranho nos ouvidos, especialmente após o uso dos fones. Por meio do exame da audiometria, será possível aferir se o paciente já registra algum grau de perda auditiva.
“Esse exame é simples, não é invasivo e dura cerca de 10 minutos. Dependendo do grau de perda de audição, é possível utilizar medicamentos que são vasodilatadores ou anti-inflamatórios, para o caso de traumas de audição. Esses são os principais cenários nos quais o paciente pode recuperar a audição. Quando a surdez é provocada por tumores, o tratamento também pode proporcionar a retomada da audição, desde que os danos no sistema auditivo não sejam tão graves”, afirma.

No entanto, destaca o médico, a perda de audição ou surdez genética não permitem recuperar integralmente a condição do paciente. “Somente através de aparelhos auditivos o paciente poderá escutar melhor, já que os nervos do ouvido não se regeneram”, completa o médico.

Ainda de acordo com o especialista, a iniciativa de dedicar o mês de novembro à prevenção e combate à surdez é importante porque joga luz sobre um problema que costuma ser ignorado pela população mais jovem. E os hábitos atuais, associados a uma predisposição genética, sinalizam que é justamente esse um dos públicos que mais deve se atentar ao acompanhamento médico adequado.

“É necessário prevenir. E é justamente na juventude que iniciamos os cuidados para evitar uma perda auditiva que poderá aparecer na terceira idade, mas que também é possível em indivíduos com 40 ou 50 anos”, finaliza o otorrinolaringologista.

O exame de audiometria é realizado pelo Hospital Paulista em seu Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrino. O procedimento não requer internação ou anestesia e pode ser realizado em pacientes de todas as idades, a partir da recomendação e acompanhamento médico.

Outro exame específico para detecção de surdez e perda de audição é o de Otoemissões Acústicas por Produto de Distorção. Também realizado no Hospital Paulista, o procedimento é especialmente utilizado em recém-nascidos, de modo a aferir possíveis alterações na audição logo após o parto.

Novembro Laranja chama a atenção para diagnóstico e tratamento multidisciplinar do zumbido

A campanha Novembro Laranja tem como objetivo conscientizar a população para o problema do zumbido nos ouvidos. Estima-se que 278 milhões de pessoas em todo o mundo sofram com o distúrbio, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para a otorrinolaringologista do Hospital Paulista Cristiane Passos Dias Levy, é importante ressaltar que o zumbido é um sintoma e não uma doença. Dessa forma, tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser multidisciplinares.

“O zumbido pode ter uma ou várias causas. Pode derivar de uma doença otológica, como a perda auditiva induzida por ruído ou a presbiacusia (relacionada à idade), mas também pode surgir a partir de problemas farmacológicos e vasculares, cardiovasculares (anemia), metabólicos (diabetes e alteração na glândula tireoide), neurológicos, odontogênicos (disfunção na articulação da mandíbula e nos músculos ao redor),” explica.

Os hábitos do paciente também são avaliados pelos médicos, pois podem influenciar na ocorrência e no agravamento do sintoma. O estresse, o consumo excessivo de cafeína, cigarro e álcool, por exemplo, pode em alguns casos ser determinante para a manifestação do zumbido.

Como o tratamento ao zumbido depende de sua causa, é comum que envolva mais de uma especialidade médica, para descartar possíveis outros problemas. “Diagnóstico e tratamento podem contar com o trabalho do otorrinolaringologista, fonoaudióloga, fisioterapeuta e especialista bucomaxilofacial, entre outros”, afirma a médica.

Além disso, se engana quem pensa que o zumbido acomete somente a população idosa. Ainda que seja mais comum em pessoas acima dos 65 anos, os jovens também podem apresentar o sintoma, especialmente quando fazem uso exagerado e constante de fones de ouvido em volume inadequado.

“Ainda assim, a condição se manifesta com maior frequência em idosos. Um estudo realizado na cidade de São Paulo atestou a prevalência do zumbido em 22% da população. Entre os jovens, o índice foi de 12% e entre os idosos, de 36%. Ainda que não existam estudos recentes e abrangentes sobre o problema, a prática clínica aponta para maior ocorrência, de fato, entre aqueles com mais de 65 anos”, complementa.

O exame recomendado para identificar o tipo e a intensidade do zumbido é a Acufenometria, realizado pelo Hospital Paulista em seu Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrino. O procedimento não requer internação ou anestesia e pode ser feito em pacientes jovens e idosos, a partir da recomendação e acompanhamento médico

A indiferença com que muitos tratam o zumbido também faz com que o quadro seja agravado. Muitos pacientes e/ou familiares consideram o sintoma como algo natural da idade avançada e deixam de procurar auxílio médico adequado.

“Essa indiferença atrapalha no diagnóstico precoce. Em alguns casos, a simples mudança de hábitos já é suficiente para melhorar o quadro de forma significativa”, avalia a otorrinolaringologista, que ressalta ainda a importância da campanha do Novembro Laranja.

“O Novembro Laranja é importante para conscientizar a população para que recorra ao diagnóstico médico, a partir de um exame clínico completo, que compreenda a apuração audiológica e avaliações complementares”, finaliza.

Já ouviu falar em surdez oculta? Não? É melhor conhecer o problema

Você está em um bar com amigos e tem dificuldade para entender o que as pessoas falam, apesar de ouvir com clareza outros sons ambientes. Se esse tipo de problema se repete com frequência, pode indicar o que os médicos e cientistas passaram, há menos de uma década, a caracterizar como surdez oculta.

A doença, na verdade, trata-se de uma série de neuropatias auditivas que começaram a ser chamadas por esse nome. A lista de sintomas da surdez oculta ainda está em formação, mas o mais comum é a dificuldade de compreender alguns sons, que piora em ambientes ruidosos.

 

Por que oculta?

A surdez oculta tem difícil diagnóstico. Ela normalmente não é detectada em exames clínicos e testes convencionais. Parece até que a pessoa escuta bem, só que não. É daí que vem seu nome.

Os pacientes conseguem distinguir sons puros em qualquer volume, mas têm dificuldade de discriminar palavras misturadas a outros ruídos — como música ambiente ou talheres batendo nos pratos em um restaurante.

Isso pode ser resultado de algum problema no caminho entre as estruturas do ouvido que captam os sons e o cérebro, que ‘lê’ as mensagens enviadas por elas. Ou seja, a pessoa até “escuta” o que foi falado, mas o cérebro não “entende”.

Outra possibilidade é que o som captado em um ouvido chegue mais rápido ao cérebro do que o escutado no outro, porque os nervos têm velocidades diferentes. Aí, a mensagem fica confusa. Algumas doenças degenerativas, como Alzheimer, também podem comprometer a sincronia da comunicação entre ouvidos e cérebro.

 

Mas o que provoca o problema?

Uma das hipóteses para a surdez oculta, levantada por um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, é de que ela seria causada pela exposição prolongada a sons altos – ou  o uso frequente de fones de ouvido. Os cientistas suspeitam que ficar exposto a ruídos por tempo prolongado afeta a produção de neurotransmissores –substâncias importantes para a comunicação entre os neurônios e o restante do corpo.

A surdez oculta pode ser tratada com medicamentos, terapia auditiva ou com aparelhos e implantes. Como seu diagnóstico é difícil e não há um perfil específico de pessoas que podem ser afetadas pelo problema, é muito importante ficar atento e procurar um médico caso perceba que está com dificuldade de compreender diversas conversas.

Fontes: José Ricardo Gurgel Testa, médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista; e

Rubens de Brito, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia e professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Por que as crianças sofrem mais com infecções no nariz, ouvidos e garganta?

Se tem algo que causa temor e angústia nos pais é ver o filho doente. Independente da gravidade do caso, o sofrimento dos pequenos costuma gerar uma sensação de impotência. Nesse sentido, infecções recorrentes no nariz, nos ouvidos e na garganta são uma das principais causas a tirar o sono dos pais, principalmente nos primeiros anos das crianças.

Afinal, por que o processo infeccioso nessas regiões do corpo é mais comum em crianças do que em adultos? De acordo com as otorrinolaringologistas Cristiane Mayra Adami e Leila dos Reis Ortiz Tamiso, do Hospital Paulista, parte da explicação está na imunidade mais baixa dos pequenos, que só será formada definitivamente na pré-adolescência.

“Os tecidos de proteção local da criança na garganta e no nariz são as amígdalas e a adenoide. De forma natural, a criança tem a higiene um pouco mais defasada do que a do adulto, pois leva tudo à boca, inclusive as mãos. Dessa forma, sua imunidade tem que trabalhar muito mais. E onde produz essa imunidade local? Nas amígdalas e na adenoide, que aumentam de tamanho para produzirem mais células de defesa. É aí que ocorre a hipertrofia da adenoide e da amígdala, que tem como consequências as infecções de garganta, nariz e ouvido”, explica Leila.

Cristiane ressalta outros dois fatores que contribuem para uma maior incidência destas infecções nos pequenos. “A criança que está escola tem contato com todo mundo. Assim, a escola é o principal fator de disseminação das infecções nas crianças”, explica a otorrinolaringologista. De acordo com ela, entretanto, os pais não devem esperar o passar dos anos para buscar tratamento médico.

“Essas infecções de repetição podem prejudicar a criança. Vamos deixar essa criança sofrendo e tomando antibióticos uma vez por mês, destruindo, portanto, a imunidade do seu intestino? Temos exemplos de crianças que tomam antibiótico todos os meses. Terminam um, passam alguns dias bem e ficam doentes de novo. Para caracterizar essa repetição, falamos no mínimo de 3 a 4 vezes com infecções em um ano. No entanto, tudo depende da intensidade da doença. Se a criança sente muito os efeitos das infecções, não consegue fazer nada, não consegue ir à escola, já é indicação de tratamento cirúrgico. O melhor é prevenir”, complementa Cristiane.

Alguns outros sintomas ajudam os pais a identificarem se a criança está sofrendo com as infecções recorrentes. Dificuldades auditivas, ronco, sono muito agitado e dificuldade de alimentação são alguns deles.

“Às vezes, os pais entendem que as infecções são normais, pois eles também tiveram durante suas infâncias. O tempo vai passando, eles deixam de tratar e perdemos o momento correto para realizar o diagnóstico e o tratamento. Isso tem extrema importância. Para que a criança tenha um bom desenvolvimento físico e psicológico, é preciso que todos os seus sistemas – de imunidade e de crescimento, por exemplo – estejam em evolução. O hormônio de crescimento é produzido durante a madrugada. Se a criança não dorme direito, provavelmente não terá um desenvolvimento adequado. A recomendação, portanto, é sempre procurar um otorrino para verificar essas questões”, complementa Leila.

Ao diagnosticar problemas na adenoide ou nas amígdalas, frutos de infecções recorrentes, Cristiane explica que o tratamento inicial irá priorizar soluções clínicas, com o uso de medicamentos e vacinas.

“Se o tratamento clínico não é suficiente ou eficaz, indicamos tratamento cirúrgico. Alguns casos, no entanto, requerem cirurgia de imediato. Na apneia do sono, por exemplo, a indicação primordial é cirúrgica, pois a criança pode sofrer paradas respiratórias enquanto dorme. Sempre buscamos o tratamento clínico, mas a cirurgia pode ser necessária em alguns cenários”, avalia.

Na maioria dos casos, as cirurgias de amígdalas e adenoide são feitas em conjunto. Os pais, no entanto, devem se preparar para o pós-operatório do procedimento, já que a criança precisa permanecer em repouso e pode reclamar de algumas dores. O ideal é que essas cirurgias sejam realizadas ainda na infância, desde que haja indicação médica.

“O adulto passou mais tempo com esse problema e naturalmente sentirá muito mais dor após o procedimento cirúrgico”, conclui Cristiane.

Dia Internacional do Idoso: conheça as principais doenças e saiba quando recorrer a um otorrinolaringologista

No mês de celebração pelo Dia Internacional do Idoso, lembrado em 1º de outubro, o Hospital Paulista faz um alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças de ouvido, nariz e garganta que podem atingir a terceira idade, público que representa hoje 13% da população brasileira.

A expectativa, no entanto, é que o país tenha cerca de 30% de sua população idosa em 2050. Além disso, espera-se que, a partir de 2030, a quantidade de brasileiros na faixa etária de 60 anos ou mais supere aquela que compreende dos 0 aos 14 anos.

Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida no Brasil cresce, os idosos anseiam por um envelhecimento de qualidade. Algumas patologias são típicas desta fase e provocam sensível perda de qualidade de vida ao paciente.

Com orientações e dicas do otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, o Hospital Paulista aborda, na sequência, os principais problemas desta especialidade relacionados aos idosos.

A recomendação é que, ao notar sintomas, o idoso (ou familiares/responsáveis) procure um médico especialista para averiguar as causas e os tratamentos disponíveis.

  • Surdez/dificuldade auditiva

“A surdez no idoso está relacionada ao envelhecimento natural do paciente. A partir dos 50, 60 anos, há uma redução natural do número de células auditivas e com isso o indivíduo perderá gradualmente a audição”, explica Dorigueto.

O processo de perda de audição, entretanto, pode ser intensificado a partir de fatores como diabetes, pressão alta, tabagismo e consumo de álcool em excesso. Além disso, a demora das pessoas em buscarem ajuda – justamente por imaginarem que não há tratamento – acelera o avanço do problema, podendo gerar, inclusive, a surdez definitiva.

Um dos exames que podem auxiliar o diagnóstico de distúrbios auditivos é o BERA (Exame do Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico).

 

“O BERA tem o objetivo de avaliar a integridade funcional do nervo auditivo e determinar se há ou não um distúrbio na audição. Ele possibilita identificar se a causa é decorrente de uma lesão no nervo auditivo ou no sistema nervoso. A sedação é um diferencial para o procedimento, já que, no momento do teste, não pode haver nenhum movimento que interfira na resposta elétrica e, consequentemente, na interpretação correta do resultado”, afirma.

  • Vertigem e distúrbios de equilíbrio

O equilíbrio no ser humano depende da integração de uma série de sistemas no corpo. Com o avanço da idade, alguns desses sistemas sofrem pequenas degenerações, e o idoso passa a vivenciar episódios de desequilíbrio em determinadas situações até então corriqueiras.

“A vertigem e os distúrbios de equilíbrio influem diretamente na perda de autonomia do idoso e podem ser gerados por comprometimentos neurológicos ou do labirinto. O indivíduo perde a confiança de realizar atividades que até então fazia frequentemente, como ir à farmácia, ao supermercado, visitar amigos e familiares. Além disso, as quedas de um idoso podem gerar problemas físicos mais graves (fraturas em membros e na bacia, por exemplo), tornando sua condição muito mais séria, já que a recuperação costuma ser lenta e passível de complicações”, complementa o médico.

  • Obstrução nasal

Pode ser resultado de rinites alérgicas a partir da reação do corpo humano a determinadas substâncias. Por isso, é muito importante ficar atento aos elementos que compõem o lar de um idoso, especialmente se ele mora sozinho. Tapetes, cortinas e cobertores devem ser higienizados com frequência e os ambientes devem ser arejados diariamente, para evitar a formação de poeira e outras substâncias que podem irritar o sistema respiratório do indivíduo.

  • Dor de cabeça

“A cefaleia (dor de cabeça) no idoso pode ser primária (quando a dor é o próprio problema, sem relação com outros problemas) ou secundária (quando está relacionada a outras causas). Neste último caso, é preciso realizar uma abordagem sistemática, de modo a entender quais são os fatores que estão causando dor frequente no paciente”, explica o médico.

Idosos costumam fazer uso de mais medicamentos diários e a interação entre eles pode gerar efeitos adversos, como a cefaleia. Além disso, acidente vascular cerebral ou derrame costumam apresentar sintomas semelhantes aos da enxaqueca e não devem jamais ser negligenciados pelo paciente ou por seus familiares, sob o risco, inclusive, de morte.

  • Secreção e/ou sangramento nasal

“O uso de medicamentos, a hipertensão arterial sistêmica e as alergias são as principais causas de secreção e sangramento nasal em idosos. O desvio de septo também pode contribuir para estes problemas. No caso do sangramento, quando muito intenso, pode gerar uma situação de urgência que demandará tratamentos mais intensos, incluindo cirurgia nos casos mais graves”, destaca Dorigueto.

Já a secreção em excesso pode gerar um fluxo contínuo de muco para a garganta. Com isso, o idoso apresenta pigarro ou tosse mais insistente. Se não houver tratamento, o quadro pode agravar a situação do nariz e da garganta do paciente.

  • Zumbido no ouvido

O zumbido pode ser intermitente ou contínuo e pode variar também na intensidade. Trata-se de um problema que gera bastante incômodo nos pacientes, pois não é “percebido” por ninguém ao seu redor. Ainda que não seja exclusivo de pessoas acima dos 60 anos, o zumbido costuma gerar mais queixas entre os idosos.

Segundo um estudo realizado com cerca de 2 mil paulistanos, em 2015, 36% dos entrevistados idosos relataram queixa de zumbido nos ouvidos. “São vários os fatores que podem levar o paciente a registrar o problema. Por isso, é muito importante que se faça um diagnóstico precoce para identificar, inclusive, os hábitos deste indivíduo que contribuem para o quadro. O zumbido pode parecer apenas um incômodo, mas pode gerar uma sensível queda na qualidade de vida do idoso, prejudicando seu sono, seus momentos de lazer e seu convívio com familiares e amigos”, afirma o otorrinolaringologista.

  • Secreção, sangramento e dor de ouvido

O diagnóstico precoce também é essencial neste caso. A secreção (com ou sem sangue) no ouvido pode ser gerada por um processo infeccioso, por alguma lesão na cabeça ou até mesmo por problemas no tímpano (como seu rompimento). Ao identificar os sintomas, é necessário recorrer a um médico imediatamente, evitando limpar o local sem orientação.

Em alguns casos, a dor aparece sem secreção. Ainda assim, também é recomendado o auxílio médico imediato, justamente para evitar que a condição se agrave.

  • Dor de garganta e rouquidão

Assim como em outras faixas etárias, a dor de garganta em idosos pode ser gerada por infecções. “No entanto, o pigarro e a tosse insistente, frutos de outros problemas, também podem machucar a garganta. Fatores como tabagismo e consumo de álcool igualmente são prejudiciais”, diz o médico.

A rouquidão também pode ser fruto do consumo prolongado de cigarros. Da mesma forma, problemas na laringe (incluindo câncer) e refluxo gastroesofágico geram rouquidão e requerem diagnóstico e tratamento específicos para cada paciente.

  • Ronco e apneia do sono

O ronco não costuma aparecer somente na velhice. Trata-se de um problema que se manifesta ao longo da vida, mas que pode ser agravado devido à falta de tratamento adequado e a fatores como obesidade e tabagismo.

“Cerca de 60% dos homens e 40% das mulheres acima de 65 anos roncam e/ou têm apneia do sono. Ela se caracteriza pela obstrução dos canais respiratórios durante o sono e podem interromper, por alguns segundos, o fluxo de ar. Como alguns idosos moram sozinhos, a percepção dos problemas acaba sendo prejudicada”, explica.

Setembro Azul ressalta importância de cuidar e inserir deficientes auditivos na sociedade

A campanha Setembro Azul marca um período específico do ano para chamar a atenção de todos sobre os desafios e conquistas da comunidade surda e de pessoas com alguma deficiência auditiva. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) relatam cerca de 466 milhões de pessoas com problemas de audição no mundo. No Brasil, mais de 30 milhões de indivíduos apresentam algum grau de surdez.

Mais do que apresentar as dificuldades sofridas por surdos e deficientes auditivos, o Setembro Azul procura mostrar à população em geral que é possível (e necessário) integrá-los em serviços e atividades básicas do dia a dia, ainda restritas a pessoas com algum tipo de desordem no sistema auditivo.

“A comunidade surda é alegre, divertida. Eles dançam, promovem atividades e têm sua história e sua cultura. O Setembro Azul não é destinado apenas aos surdos, mas a todos nós, para que ocorra uma conscientização da população. Precisamos mostrar como, infelizmente, as pessoas surdas ainda enfrentam barreiras para integrar-se à sociedade”, ressalta Christiane Mara Nicodemo, fonoaudióloga do Hospital Paulista.

Diagnóstico e tratamento

Conscientizar a população significa também mostrar a importância do diagnóstico e do tratamento precoce da deficiência auditiva. Conforme explica José Ricardo Testa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, a deficiência auditiva é invisível e pode ser negligenciada pelo paciente e por seus familiares.

“As pessoas podem achar que o paciente está distraído, confuso e não com perda de audição. O próprio deficiente pode considerar que o fato dele admitir que está com perda de audição o colocaria num patamar inferior, ou que pareceria que ele é mais velho, o que não é necessariamente verdadeiro”, explica o otorrinolaringologista.

De acordo com Christiane, o diagnóstico precoce é muito importante para o tratamento e reabilitação, e todos estes processos envolverão a atuação conjunta do otorrinolaringologista e do fonoaudiólogo.

“O primeiro exame que pedimos é a audiometria, que irá avaliar a capacidade auditiva do indivíduo. Se houver alteração, ou outra complicação, o médico pode solicitar outros exames para traçar o diagnóstico. A partir daí, será o caso de avaliar se teremos tratamento medicamentoso, cirúrgico ou também a prótese auditiva. No entanto, todos esses tratamentos demandarão uma reabilitação”, explica a especialista.

Os médicos ressaltam que a simples utilização do aparelho auditivo (ou de outro tratamento) não garante a normalização do problema. O trabalho da fonoaudióloga será reabilitar o paciente, orientá-lo sobre o uso do aparelho, seus cuidados e manutenção. Após o diagnóstico, o acompanhamento com os médicos deverá ser feito, no mínimo, a cada três meses.

Mito da idade

Engana-se também quem pensa que o processo de perda auditiva está relacionado somente a pacientes idosos. Problemas no órgão podem ocorrer em qualquer fase da vida, influenciados por doenças características de idades distintas.

“A perda auditiva é mais prevalente nos idosos, devido ao desgaste natural do sistema. Com a idade, o idoso naturalmente vai perdendo audição, capacidade de equilíbrio, visão, memória. No entanto, em pessoas mais novas [30, 40 anos], é possível ocorrer deficiência auditiva devido a doenças ligadas ao metabolismo, como a diabetes, e também como efeito colateral de medicamentos”, complementa o médico.

Importância da audiometria

Apesar de identificar possíveis alterações no sistema auditivo, a audiometria ainda é desconhecida e/ou ignorada por boa parte dos brasileiros, diferentemente dos exames de visão, por exemplo, realizados com frequência anual pelas pessoas.

“A perda de audição é silenciosa, não gera incômodo aparente, não dói. Assim, as pessoas minimizam o problema e deixam de fazer o exame, diferentemente dos problemas de visão que são mais perceptíveis. É preciso tornar frequente a audiometria, assim como as pessoas sempre verificam a qualidade da visão”, aponta a fonoaudióloga.

Nas maternidades, através do Teste da Orelhinha, é possível identificar problemas auditivos nos recém-nascidos. Na fase pré-escolar, quando a criança vai para o primeiro ano, é preciso fazer o exame, pois a perda de audição gera comprometimento no aprendizado. A partir dos 45 anos, o exame deve ser anual.

Origem do evento

O Setembro Azul teve início em 1880, quando a Conferência de Milão jogou luz sobre a comunidade surda. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), soldados com deficiência auditiva utilizavam uma fita azul nos braços. Em 1999, durante Conferência nos Estados Unidos, a comunidade médica voltou a ressaltar, marcar e divulgar a importância da conscientização das pessoas em relação aos deficientes auditivos.

Atualmente, ainda que a situação tenha evoluído levemente no Brasil, o Setembro Azul busca divulgar as conquistas da comunidade surda, bem como os desafios que ainda precisam ser superados.

“São coisas simples da vida, que não temos noção do quanto e como é difícil para o outro. Você não vê prédios com guaritas que tenham algum tipo de acessibilidade ao visitante surdo. Nos programas de televisão, são raros aqueles que apresentam o conteúdo em Libras [Língua Brasileira de Sinais]. E, muitas vezes, as legendas são exibidas de forma muito rápida, impossibilitando que eles acompanhem o conteúdo”, conclui a fonoaudióloga.

Hospital Paulista pede atenção à perda de audição em idosos

A perda de audição pode atingir até 40% dos adultos com mais de 65 anos. O Hospital Paulista faz um alerta para o tema, muitas vezes considerado como um sintoma comum e inofensivo pelos familiares.

“Já sabemos que a perda da audição não tratada aumenta o declínio cognitivo do idoso. Isso pode, por exemplo, desencadear um quadro de ansiedade, tristeza ou até mesmo de depressão, por conta do isolamento do convívio social e da perda da habilidade de aproveitar os sons ou a voz das pessoas”, explica a fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo.

Segundo a especialista, há também idosos que, mesmo necessitando de aparelhos auditivos, nunca os utilizam por diversas razões, como a negação do problema, o preconceito e a falta de informação. “Outros não procuram ou não aceitam ajuda, desenvolvendo sentimentos de ansiedade e frustração, que podem levar facilmente a um quadro depressivo”, destaca. O diagnóstico e tratamento precoces aumentam as chances de reverter a situação e evitar complicações.

A fonoaudióloga ressalta ainda que a perda da audição pode ser um sintoma de uma doença mais grave. Dessa forma, menosprezar sua ocorrência pode gerar um risco significativo para a saúde dos idosos.

“Pessoas com diabetes têm 20% mais de chances de desenvolver a perda da audição. Quem tem pressão alta, além de perder a audição, pode registrar zumbido. Pacientes com labirintite também têm sua situação agravada se não tratarem uma possível perda de audição. Tudo vai piorando se não houver um diagnóstico e o problema não for tratado. O diagnóstico precoce é muito importante. É um diferencial na qualidade de vida do idoso”, completa.

Um “simples” problema de perda de audição, ao relacionar-se com outras doenças, pode ser determinante para piorar de forma significativa a qualidade de vida do idoso. Conforme explica a fonoaudióloga, é preciso tratar todos os problemas e não apenas aquele considerado “mais grave”, como diabetes e pressão alta.

Quem convive com o idoso, ou o visita com determinada frequência, deve atentar-se a alguns sinais do dia a dia, que podem indicar problemas na audição. Entre eles:

o volume da televisão: se você se incomoda com o volume do aparelho, é muito provável que o idoso esteja assistindo à TV com um ruído mais alto do que o recomendado.

a memória: problemas de memória podem estar relacionados a dificuldades de audição. Você diz algo ao idoso, ele não ouve, e é cobrado posteriormente como se estivesse ciente do assunto.

o isolamento: idosos com perda de audição tendem a isolarem-se de familiares e amigos, ou permanecem mais calados durante os encontros. Isso porque sentem-se constrangidos por não conseguirem conversar adequadamente. Esse comportamento pode levar a um quadro de depressão.

a desorientação: idosos com problemas de audição sem tratamento costumam apresentar prejuízo na capacidade cognitiva.

a situação de outras doenças: diabetes, hipertensão e labirintopatias são condições que podem agravar a perda de audição do idoso. Todos os tratamentos devem ser feitos corretamente, com auxílio e acompanhamento dos profissionais médicos responsáveis por cada especialidade.

Doença de Ménière: O que é e como preveni-la?

 

Sensação de pressão ou ouvido tampado, zumbido, vertigem e surdez flutuante. Estes são os principais sintomas da doença de Ménière, chamada também de hidropsia endolinfática.

Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Paulista Dr. José Ricardo Testa, o problema ocorre quando há uma distensão do compartimento onde fica armazenada a endolinfa, ou seja, um dos líquidos do labirinto. “Essa distensão provoca um aumento da pressão do líquido dentro do ouvido”, explica o especialista.

Infecções, estresse, tabagismo, enxaqueca, alterações do sistema imunológico, variações anatômicas do ouvido interno ou predisposição genética são algumas das alterações que podem levar ao aumento desta pressão.

“Por ser aparentemente flutuante, a doença pode ser confundida com um mal estar temporário ou com uma labirintite em seu estágio inicial”, afirma Testa.

O médico destaca que, embora a doença de Ménière seja considerada crônica, existem formas de tratamento que podem ajudar a aliviar os sintomas e minimizar o impacto da síndrome a longo prazo.

“Nos casos mais simples da doença, mudanças no estilo de vida podem ajudar a controlar a Ménière, como uma alimentação balanceada, reduzindo o consumo de sal, açúcar e cafeína, e a prática de exercícios, por exemplo”, detalha o especialista.

Testa ressalta, no entanto, que, nos casos mais graves, o tratamento é medicamentoso, podendo até ser indicada uma cirurgia para seccionar o nervo vestibular.

“Remédios para tratar náuseas e vertigens, diuréticos e terapia de reabilitação vestibular, que são exercícios específicos para devolver o equilíbrio ao labirinto, podem ser utilizados”, finaliza o médico.

A doença de Ménière atinge, principalmente, adultos entre 40 e 60 anos. Na maioria dos casos, afeta apenas um ouvido.