Comunicação entre avós e netos auxilia no desenvolvimento intelectual das crianças e na prevenção da depressão em idosos

Referência familiar, fonte de histórias, experiência e sabedoria. No Dia do Avós, celebrado em 26 de julho, especialistas do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia abordam a importância da relação entre eles e os netos para o desenvolvimento intelectual das crianças e à manutenção das habilidades cognitivas dos idosos.

Segundo a otorrinolaringologista Renata Vigolvino, a relação de amor e cumplicidade entre eles é capaz de interferir positivamente na vida adulta dos pequenos, fortalecendo valores morais e culturais; e dos idosos, diminuindo a sensação de falta de propósito ajudando a combater a depressão.

“As crianças que convivem com os avós recebem estímulos que ampliam seu repertório, ensinando-os a conviver em ambientes diferentes, com pessoas distintas.

Para os avós, essa relação com os netos também é extremamente salutar, já que eles se sentem valorizados socialmente e integrados socialmente, diminuindo transtornos de humor, como a depressão”, explica.

A especialista ressalta, no entanto, que é necessário estar atento às necessidades de ambos para que possam tirar melhor proveito desta relação. Além do possível choque de gerações, questões como saúde auditiva e dificuldades de fala podem interferir significativamente na comunicação entre avós e netos.

“Para os avós, avaliar a saúde auditiva é primordial. Com o envelhecimento, a acuidade auditiva pode diminuir e interferir no entendimento do que é falado pelos netos. Em situações mais severas, esses idosos podem não conseguir participar da dinâmica familiar, acabando por sentirem-se isolados socialmente”, alerta a Dra. Renata.

Nos pequenos, problemas de fala ou linguagem são comuns e também podem impactar a relação. “Crianças que sofrem com atrasos e fala ininteligível, por exemplo, podem ter dificuldades em se expressar aos avós, prejudicando a comunicação e diminuindo todos os benefícios advindos da relação.”

 

Manutenção das habilidades cognitivas

 

A mesma opinião é compartilhada pela fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo. Para ela, questões visuais, auditivas e cognitivas podem afetar a comunicação do idoso.

“A boa comunicação entre crianças e pessoas mais velhas depende da manutenção das habilidades cognitivas, como memória e linguagem, no processo de envelhecimento, o que inclui a boa saúde e a qualidade de vida, entre outras questões sociais.”

De acordo com a especialista, a neuroplasticidade – capacidade que nosso cérebro tem de reorganizar seus neurônios e adaptar-se às mudanças – é possível ao longo da vida, inclusive na velhice, por meio de disciplina em atividades repetidas e realizadas diariamente.

Práticas como cozinhar, ler, caminhar ao ar livre e até praticar jogos eletrônicos com seus netos podem auxiliar na manutenção das habilidades cognitivas.

 

Tratamento

 

Segundo a fonoaudióloga, existem muitos programas capazes de identificar um problema auditivo em pessoas mais velhas, mas a forma mais eficiente é fazendo um check-up para averiguar a acuidade auditiva (audiometria) e visual e um teste para verificar a cognição.

“A importância de termos boa acuidade auditiva está ligada intimamente às questões de atenção, memória e cognição e equilíbrio. As próteses auditivas também são ferramentas de grande valia e auxiliam no processo. Quanto antes você tiver um diagnóstico de seu estado físico, melhor será sua longevidade.”

A Dra. Renata também orienta a visita ao especialista para identificar questões que possam interferir na comunicação entre avós e netos.

“Os idosos devem passar em otorrinolaringologista para avaliação auditiva e, caso seja identificada perda de audição, devem ser encaminhados para reabilitação com aparelhos auditivos e acompanhamento fonoaudiológico. Já as crianças com atrasos de fala devem ser avaliadas especificamente, para iniciar terapia o mais precoce possível”, destaca a médica.

O Hospital Paulista de Otorrinolaringologia conta com um programa específico para orientar pessoas que precisam de próteses, o GAUAA – Grupo de Apoio ao Usuário de Aparelho Auditivo. Nele, o paciente participa de workshops com uma equipe multidisciplinar de saúde, com informações sobre o funcionamento da audição e treinamento auditivo, explorando ritmos e estimulando a expressão facial, para facilitar a atenção e, assim, melhor a empatia e a comunicação.

“Acreditamos que um trabalho personalizado, com disciplinas práticas diárias, transforma nossa mente e a comunidade como um todo. Com ele, estimulamos a tolerância, paciência, serenidade e compaixão, que são habilidades que também se aprendem e requerem um grande esforço de cada um de nós”, complementa a fonoaudióloga.

Pessoas que sofrem de obstrução nasal tendem a apresentar cansaço constante, afirma especialista do Hospital Paulista

Você costuma amanhecer cansado, mesmo tendo dormido por horas durante a noite? Se sente mal-humorado e sem energia ao longo do dia, apesar de ter descansado quando necessário? Estes podem ser alguns sinais de má qualidade de sono e que pode estar associada a uma doença nasal obstrutiva.

De acordo com o Dr. Nilson André Maeda, otorrinolaringologista e médico do sono do Hospital Paulista, o problema ocorre porque desvios de septo, pólipos nasais e crises de rinite e sinusite causam um impacto negativo no sono, impedindo que as pessoas tenham uma boa qualidade de descanso durante a noite.

“Essas patologias dificultam a passagem adequada de ar pelo nariz, podendo acontecer tanto por uma inflamação da mucosa, no caso das rinites, sinusites e pólipos, ou pelo fato de o septo nasal desviado obstruir um ou ambos os lados do nariz”, explica.

Conforme o médico, essa dificuldade de respiração nasal pode levar aos chamados microdespertares – pequenas fragmentações durante o sono –, caracterizados na polissonografia, exame que mede as atividades respiratória, muscular, ocular e cerebral durante o sono.

Dr. Nilson destaca que os microdespertares não são percebidos pelo paciente durante a noite, mas impedem a chegada e a manutenção de um sono mais profundo e reparador para o corpo e para o cérebro, traduzindo-se em sonolência durante o dia.

 

Diagnóstico

Caso sinta a sensação constante de nariz obstruído, o recomendado é consultar um otorrinolaringologista o quanto antes, para identificar a causa do problema.

Para um diagnóstico mais preciso, a videoendoscopia nasal, tomografia da face e exames laboratoriais podem ser solicitados pelo médico, além da polissonografia já mencionada.

 

Prevenção

O inverno e a baixa umidade relativa do ar são grandes inimigos das pessoas que sofrem de obstrução nasal. Neste período, o especialista indica a utilização de umidificadores de ambiente.

O médico recomenda ainda práticas como lavar roupas e cobertores que ficaram guardados, antes de utilizá-l​o​s, evitar a exposição às mudanças bruscas de temperatura e retirar do quarto objetos acumuladores de poeira e ácaros, como tapetes, cortinas e bichos de pelúcia, que podem ajudar a evitar crises de rinite e sinusite.

 

Tratamento

Apesar de desconfortáveis, as obstruções nasais são tratáveis. Segundo o Dr. Nilson, é possível ter uma boa qualidade de vida e noites de sono confortáveis, mesmo sofrendo com estes problemas, quando a patologia é acompanhada por um especialista.

“Se tratarmos essas doenças adequadamente, podemos respirar melhor pelo nariz, ter um sono de mais qualidade e isso impacta em um dia melhor. Ter uma boa noite de sono faz parte de um dos três pilares para uma vida mais saudável, juntamente com a alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física”, finaliza o médico.

O tratamento das obstruções nasais pode ser feito por meio de medicamentos e, em alguns casos, a cirurgia nasal pode ser muito benéfica, auxiliando na respiração e qualidade de sono desejadas.

Covid-19 x otorrino: 10 mitos e verdades sobre os danos que a doença pode causar ao olfato e paladar

Apesar de a pandemia já perdurar por quase dois anos, a Covid-19 ainda é uma doença relativamente nova, que, diariamente, desafia a ciência e a medicina com questões que surgem cada vez que aparece uma nova variante do vírus.

 

Para ajudar a sanar algumas dúvidas sobre os problemas que a doença pode causar ao olfato, paladar e sistema respiratório, o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, respondeu a algumas questões que ajudam a desvendar mitos e verdades sobre a Covid-19, associados a doenças tratáveis na especialidade de Otorrinolaringologia.

 

1 – Há alguns dias eu não sinto gosto e nem cheiro de nada. Estou com Coronavírus?

Mito. No atual momento, a possibilidade não deve ser descartada, porém a dificuldade em sentir cheiros não é uma exclusividade da Covid-19. É comum que, em doenças como H1N1, rinites, pólipos e desvios de septo, as pessoas apresentem a falta de olfato como um de seus sintomas. “Para se ter um diagnóstico correto, é indicado que, ao apresentar este ou mais sintomas, o paciente procure um hospital”, orienta o especialista.

 

2 – As chances de desenvolver quadros respiratórios graves são maiores para idosos que contraem a infecção pelo Coronavírus?

Verdade. Por fazerem parte do grupo de risco à doença, os idosos têm maior probabilidade de apresentar quadros mais graves. Por esse motivo, a imunização contra o vírus é imprescindível para estas pessoas, que tendem a ter a saúde mais vulnerável nesta fase da vida. No entanto, não podemos deixar de mencionar que, desde o surgimento da doença, cada vez mais pessoas jovens têm tido o quadro agravado pela doença e até perdido suas vidas para o vírus.

 

3 – Perdi meu olfato e paladar há mais de 15 dias. Não vou mais recuperá-los?

Mito. Ninguém pode afirmar que o olfato não pode ser recuperado. Atualmente, existem tratamentos intensos capazes de devolver o olfato em até 6 meses. A recuperação pode ser feita em até dois anos após a percepção do dano.

 

Segundo o médico, apenas 1,4 % dos casos são irreversíveis

 

4 – Fazer gargarejo com vinagre ou água salgada ajuda na prevenção?

Mito. A forma de prevenir a doença é evitando o contato com o nariz, a boca e os olhos. Por esse motivo, as mãos também devem estar sempre higienizadas. Um estudo de 2015 da Universidade de Medicina da Austrália apontou que, por hora, uma pessoa toca no rosto cerca de 23 vezes e 44% destes contatos envolvem membranas mucosas presentes nos órgãos. O uso correto da máscara também evita o contato e a transmissão do vírus.

 

5 – Usar descongestionantes nasais pode ajudar a recuperar o olfato?

Mito. Descongestionantes nasais melhoram a recuperação do olfato de forma parcial. O uso indiscriminado destes medicamentos, por um período superior a 7 ou 10 dias, pode provocar lesões na mucosa, gerando dependência e riscos cardiovasculares, como taquicardia e angina.

 

6 – Pessoas que sofrem de “ites” têm mais chance de contrair o Coronavírus?

Verdade. Pacientes que têm algum tipo obstrução nasal, coceira e coriza tendem a levar as mãos ao nariz muito mais vezes, provocando maior contato com o vírus. Isso acontece por ser um reflexo involuntário.

 

7 – Peguei Covid-19, não sinto gosto e cheiro de nada. Posso tratar sozinho as sequelas?

Mito. Caso a perda de olfato seja de 15 dias ou mais, ela deve ser tratada com medicações específicas, capazes de evitar sequelas mais graves. Procure um otorrinolaringologista.

 

8 – A máscara é prejudicial para quem sofre de “ites”?

Mito. A máscara não tem capacidade de piorar a rinite. O que acontece é que pessoas em crise de rinite podem ter dificuldades para usar a máscara. Por isso, a doença deve ser acompanhada por um especialista, para que seja tratada ou ao menos controlada.

 

9 – Espirro é um sintoma de Covid? Devo segurá-lo perto de uma pessoa para evitar disseminar a doença?

Mito. Os espirros não necessariamente representam a existência da Covid-19, eles estão presentes em gripes, resfriados e alergias, causadas por diversos motivos. Segurar o espirro também não é recomendado. A melhor forma de evitar a disseminação do vírus é utilizando máscaras.

 

10 – O ibuprofeno pode ser utilizado no alívio dos sintomas da gripe causada pelo Coronavírus?

Mito. O anti-inflamatório ibuprofeno está em investigação e, no momento, não é recomendado. “Além disso, a automedicação deve ser terminantemente evitada. Seja para a Covid-19 ou quaisquer outras patologias. O indicado, sempre que apresentar um sintoma que possa estar relacionado à alguma doença, é procurar um médico para análise e orientação correta dos medicamentos, de acordo com o que estiver sentindo”, finaliza o otorrinolaringologista.

30% da população brasileira sofre de doenças respiratórias, afirmam especialistas do Hospital Paulista

Certamente você já teve alguma reação alérgica ou conhece alguém que sofra de doenças respiratórias, como rinite e asma, por exemplo. Para chamar atenção ao problema, que atinge 25% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a data de 8 de julho foi intitulada como o Dia Mundial da Alergia.

No Brasil, este número é ainda maior, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), afetando cerca de 30% das pessoas.

As médicas Cristiane Passos Dias Levy e Sheila Cardinali Tamiso, ambas otorrinolaringologistas do Hospital Paulista, fazem um alerta para os riscos da rinite alérgica, que tem uma incidência em 25% dos brasileiros, e para a asma, presente em 20% das crianças e adolescentes.

“As alergias respiratórias prejudicam o dia a dia do paciente. No entanto, por meio de um tratamento apropriado, orientação e cuidados adequados, é possível controlá-las, aumentando a qualidade de vida dos pacientes”, explica a Dra. Cristiane.

 

Diagnóstico

Assim como em grande parte das patologias, as crianças têm uma predisposição maior a desenvolver algum tipo de alergia. Segundo a American College of Allergy, Asthma and Immunology, 70% das alergias aparecem antes dos 20 anos.

Mas enganam-se os que acreditam que as pessoas não podem se tornar alérgicas depois de adultas. A Dra. Cristiane destaca que as alergias a cosméticos ou produtos sintéticos – conhecidas como dermatites de contato – ou ainda a alergia a medicamentos costumam aparecer já na vida adulta.

“Geralmente, as alergias respiratórias tendem a aparecer em pacientes que possuem maior sensibilidade imunológica a algumas substâncias ou àqueles que têm predisposição genética”, ressalta.

O diagnóstico deste tipo de alergia é feito por meio da determinação específica de IgE, um anticorpo presente no sangue capaz de auxiliar na identificação de diversas doenças.

 

Rinite alérgica

Presente em 1⁄4 da população brasileira, a rinite alérgica também pode ser considerada o tipo mais comum de doença respiratória. Atópica, ela se caracteriza pela inflamação da mucosa nasal.

De acordo com a Dra. Sheila, a rinite pode surgir tanto na infância, a partir dos quatro anos, como na vida adulta, o que explica sua alta prevalência.

Entre os sintomas mais comuns da rinite estão coriza, espirros, congestão nasal e coceiras no nariz, garganta e nos ouvidos. As crises de rinite alérgica podem surgir também por meio de agentes alérgenos, como ácaros e fungos, poeira, pelos de animais, perfumes muito fortes, pólen das flores e tempo seco, entre outros.

“Em dias secos como os que estão fazendo, nossa mucosa nasal tende a ficar mais irritada, já que há um aumento de micropartículas de poeiras e substâncias tóxicas que ficam suspensas no ar, circulando pelo ambiente”, complementa a médica.

 

Prevenção

A rinite alérgica pode ser evitada ou controlada com cuidados simples do dia a dia. Segundo a Dra. Sheila, a maioria das formas de prevenção diz respeito a evitar acúmulos de poeira.

“Seja para pacientes que já sofrem com a patologia ou para os que desejam evitá-la, indicamos que evitem quaisquer tipos de produtos e objetos que possam acumular pó dentro do lar. Cortinas, carpetes, bichinhos de pelúcia e usar o mesmo travesseiro por muito tempo são alguns exemplos”, ressalta a especialista.

Para a limpeza de casa, o indicado é evitar o uso de aspiradores, vassouras e espanadores, já que estes objetos tendem a espalhar ainda mais a poeira. O recomendado é substituí-los pelo pano úmido, que deve ser passado nos ambientes e móveis ao menos duas vezes por semana.

“As roupas de cama e cobertores também devem ser trocadas e lavadas regularmente, de preferência com sabões neutros ou produtos que não tenham um aroma muito forte.”

Os umidificadores de ar podem ajudar a manter o ambiente mais confortável, mas é necessário ter cautela ao utilizá-los. Quando o aparelho fica ligado por muito tempo pode haver um efeito contrário, já que excesso de umidade pode facilitar a proliferação de fungos e bactérias.

 

Tratamento

Todas as recomendações de higiene citadas podem ser consideradas formas de tratamento para as doenças respiratórias, principalmente à rinite alérgica. Já quando o assunto é medicamento, o melhor tratamento é definido após a avaliação médica.

Segundo a Dra. Sheila, é comum tratar rinites com anti-histamínicos, corticoide e descongestionante sistêmico e, em alguns casos, corticoides. Mas ela faz um alerta para a automedicação, que é contraindicada em qualquer sintoma ou doença.

“Para alguns pacientes, o tratamento com a imunoterapia pode ser uma opção para potencializar o sistema imunológico. Para todos os casos, a avaliação de um médico é sempre a solução mais indicada”, finaliza.

Rouquidão persistente pode indicar uma doença mais grave, alerta especialista do Hospital Paulista

A rouquidão é um sintoma caracterizado pela alteração na qualidade vocal. Ela pode simplesmente estar ligada a fatores como o uso abusivo e mau uso da voz ou até servir de alerta para uma doença mais grave.

 

A otorrinolaringologista Dra. Isabela Tavares Ribeiro, do Hospital Paulista, chama a atenção para as diversas patologias associadas à rouquidão.

“Existem muitas doenças nas quais os pacientes podem apresentar rouquidão como sintoma. Entre as mais comuns, estão as infecções de via aérea superior, como gripes e resfriados; lesões benignas das cordas vocais – nódulos, pólipos e cistos –; alterações estruturais mínimas da laringe, geralmente desenvolvidas ao nascimento; doenças neurológicas e tumores benignos, como o papiloma; e, por fim, tumores malignos, como o câncer de laringe”, explica.

A especialista ressalta a importância de investigar a causa da rouquidão, principalmente em fumantes, pois o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de laringe.

“Se descoberto precocemente, a chance de cura para esse tipo de câncer chega a 95%. Já nos casos mais avançados, o tratamento é complexo e até mutilante. Além disso, as chances de cura diminuem consideravelmente”, alerta a otorrinolaringologista.

Segundo Dra. Isabela, justamente por conta do risco aumentado de desenvolver câncer de laringe, os fumantes devem estar sempre em alerta para quaisquer alterações na voz. Porém, não são apenas os tabagistas que devem se preocupar com a​ ​rouquidão. “Todas as pessoas que apresentarem o sintoma por mais de 15 dias devem procurar um otorrinolaringologista o quanto antes”, recomenda.

 

Prevenção

Da mesma forma que manter um estilo de vida saudável previne o surgimento diversas doenças, com a rouquidão não é diferente.

“Praticar exercícios físicos regularmente, optar por uma alimentação balanceada e manter uma boa qualidade de sono, além da hidratação oral, são formas de prevenir a rouquidão. Em tempos mais frios, os cuidados precisam ser redobrados, com o aumento do consumo de água para evitar o ressecamento da laringe.”

A Dra. Isabela orienta ainda evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Segundo a especialista, é importante também não gritar ou falar alto por muito tempo, assim como não cochichar ou sussurrar. Ela explica que esses comportamentos vocais aumentam a tensão na laringe e podem gerar rouquidão.

 

Tratamentos

Os tratamentos para rouquidão variam de acordo com a causa. As opções terapêuticas são escolhidas baseadas em evidências científicas e podem ser clínicas (com fonoterapia e medicamentos), cirúrgicas ou uma combinação das duas formas.

Segundo a Dra. Isabela, os fonoaudiólogos são grandes parceiros dos otorrinolaringologistas nesse sentido. “A fonoterapia, quando bem indicada, é muito eficaz e se configura como peça-chave no tratamento da maioria das causas de rouquidão.”

“Cuidar da voz é tão importante quanto cuidar da nossa saúde em geral. A voz é a nossa comunicação com o mundo, nossa identidade”, finaliza a médica, alertando para a importância de buscar um especialista o quanto antes, caso haja rouquidão persistente.

Especialistas esclarecem os mitos e verdades sobre o bruxismo, problema que afeta 40% dos brasileiros

O bruxismo afeta 30% da população mundial e 40% dos brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).  Incômodo e doloroso, o problema caracterizado pelo apertamento ou ranger dos dentes é uma desordem funcional marcada pelas atividades repetitivas dos músculos utilizados para a mastigação.

Tensão, ansiedade, estresse e fatores genéticos estão entre os principais causadores desse mal, que pode levar ao amolecimento dos dentes, dores de cabeça, pescoço e músculos do rosto. Os cirurgiões buco-maxilo-faciais do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, Dr. Cristian Alexandre Correa e Dra. Juliana Mussi, tiram as dúvidas sobre esse problema, que pode afetar tantas pessoas.

O bruxismo conta com duas manifestações distintas: o bruxismo do sono, que ocorre durante o descanso; e o bruxismo em vigília, caracterizado como o apertamento dos dentes no decorrer do dia, enquanto o indivíduo está acordado.

De acordo com a Dra. Juliana, um dos pontos dessa disfunção é o acometimento da articulação temporomandibular (ATM), que liga a mandíbula ao crânio, que pode causar dificuldade mastigatória e de abertura de boca, desgastes e fraturas dentárias, retração gengival, lesões na língua e mucosa oral, além de barulhos na articulação.

Além disso, é possível que estes pacientes sofram com os chamados sintomas otológicos – dores de ouvido, zumbidos e sensação de ouvido tapado – devido à proximidade de estruturas anatômicas.

Segundo o Dr. Cristian Alexandre, muitas são as dúvidas e os mitos acerca do assunto. Algumas pessoas acreditam que o bruxismo pode ser ocasionado por uma verminose durante a infância; que ele afeta mais adolescentes que adultos e, o principal, que a patologia não tem tratamento.

“O bruxismo pode acometer pessoas em qualquer idade, mas, de fato, é mais comum em pessoas com alto índice de estresse. Outra verdade pouco conhecida, é que as mulheres têm mais chances de desenvolver o bruxismo que homens, chegando a 90% dos casos”, explica o especialista.

De acordo com o médico, todas as dores crônicas craniofaciais e disfunções da ATM são tratáveis e, para 95% dos casos, o tratamento clínico é recomendado. A indicação de tratamento clínico e cirúrgico atinge apenas 5% dos pacientes.

 

Bruxismo durante a pandemia

O bruxismo pode se manifestar na infância, adolescência e na vida adulta, e tem como principais causas a tensão, ansiedade e estresse, problemas bastante comuns durante o período do isolamento tanto nos pais, quanto nas crianças.

Segundo Dr. Cristian, as preocupações trazidas pela pandemia da Covid-19, como desemprego, ansiedades com relação à vacina, o medo de ficar doente e o próprio isolamento social, que tem deixado as pessoas mais estressadas e apreensivas, são os principais responsáveis pelo aumento dos casos recentes de bruxismo.

“O isolamento aumentou muito o estresse da população em geral e, como consequência, houve uma ampliação no índice de apertamento dental, gerando crescimento significativo dos casos de disfunções da ATM, síndrome dolorosa miofascial e cefaleia tensional”, alerta o especialista.

 

Tratamento

Segundo a Dra. Juliana, o problema não tem cura, mas é possível controlar os sintomas e minimizar consideravelmente os danos causados por ele por meio de tratamentos específicos e da abordagem individualizada para o quadro de cada paciente.

Entre os tratamentos comuns, estão a placa oclusal (tipo aparelho dentário), uso de medicamentos, fisioterapia, terapias alternativas para minimizar o estresse e avaliação psicológica.

Como prevenção, a médica ressalta a importância do estilo de vida com hábitos saudáveis, pois eles são capazes de ajudar a evitar o problema, além do controle do estresse do dia a dia.

Há mais de 10 anos, o Hospital Paulista dispõe de todos os tratamentos necessários para atender da melhor forma os pacientes que sofrem com bruxismo e conta com uma competente equipe multidisciplinar, com muita experiência para atender estes casos.

Tabagismo pode causar perda de audição, doenças respiratórias e câncer, afirmam especialistas

Não é segredo para ninguém que o tabagismo está diretamente ligado a doenças respiratórias, diversos tipos de câncer e patologias cardíacas. Mas poucas pessoas sabem que o vício pode estar associado também à perda de audição.

Para marcar o Dia Mundial sem Tabaco, em 31 de maio, o Hospital Paulista, referência em Otorrinolaringologia, faz um alerta para os danos que o cigarro pode causar ao nariz, garganta e ouvido.

Segundo o otorrinolaringologista José Ricardo Gurgel Testa, a perda auditiva pode se dar por conta da diminuição de fluxo sanguíneo na cóclea, órgão localizado na parte interna dos ouvidos e responsável por captar e transmitir os sons ao cérebro.

“O cigarro é composto por uma série de substâncias químicas tóxicas e altamente nocivas, que impedem a oxigenação do organismo, causando prejuízos irreversíveis às células do ouvido, como a perda de audição”, explica o especialista.

Entre os componentes, o médico cita o cianeto de hidrogênio – gás utilizado para matar baratas, cupins e outras pragas e que age exatamente bloqueando a recepção do oxigênio pelo sangue, quando utilizado em altas concentrações.

Riscos à saúde e principais doenças

Considerado um vício de cunho social, o tabagismo é uma doença causada pela dependência física e psicológica à nicotina, que afeta não apenas a saúde do fumante, mas também a das pessoas que convivem com ele.

De acordo com o otorrinolaringologista Domingos Tsuji, o vício pode desencadear alergias respiratórias, dores de cabeça e irritações nos olhos, entre outros males. Aos fumantes, os riscos são ainda maiores, podendo causar cerca de 50 patologias diferentes, como doenças cardiovasculares e câncer, por exemplo.

Considerada uma das doenças mais graves e enigmáticas da medicina, o câncer está entre as principais causas de mortalidades para tabagistas.

Entre os tipos mais frequentes, o médico alerta para o câncer na laringe, que atinge as cordas vocais e a estrutura da laringe, podendo ser identificado ainda no início a partir de uma rouquidão.

Segundo o especialista, é de extrema importância buscar um otorrinolaringologista caso rouquidões ou disfonias apareçam, para que o motivo real do problema seja identificado e tratado.

“Outro tipo de câncer com alta prevalência em fumantes, e em pessoas que consomem muita bebida alcoólica, é o de boca, que atinge os lábios e o interior da cavidade oral, incluindo língua, gengiva e bochechas.”

Tanto em fumantes como em não fumantes que convivem com o hábito, o nariz é outro órgão bastante afetado. De acordo com o Dr. Tsuji, a exposição à fumaça do cigarro amplia a irritabilidade do órgão, aumentando as chances de inflamações e piorando os sintomas clínicos de quem já tem outros tipos de rinite.

Por fim, tratando-se de um vício com danos sociais, a halitose – ou mau hálito, como é popularmente conhecida – pode ser agravada pelo hábito de fumar, quando há uma higiene bucal inadequada ou causas sistêmicas associadas, como refluxo e doenças pulmonares e de fígado.

 

Doutor, será que minha tontura é labirintite?

Citada de maneira equivocada pela maioria das pessoas que sofrem de tontura, a labirintite pode, na verdade, esconder outras doenças do labirinto, que é a parte interna do ouvido, responsável pela audição, percepção e equilíbrio do corpo.

De acordo com o otoneurologista Ricardo Dorigueto, do Hospital Paulista, o termo labirintite é geralmente utilizado de modo incorreto por pacientes e, até mesmo, por alguns profissionais da saúde, como sinônimo de tontura.

O especialista faz um alerta para os riscos de doenças neurológicas, psiquiátricas, cardíacas, hormonais e metabólicas, manifestadas com os mesmos sintomas. De fato, a maioria dos pacientes que se queixa de tontura possui doenças localizadas no labirinto ou em suas conexões com o sistema nervoso, mas não é a labirintite, caracterizada pela inflamação do labirinto.

Segundo o Dr. Dorigueto, é importante que, ao sentir tontura, o indivíduo procure um médico, que pode ajudar a identificar a doença ou qual condição de saúde que está causando este sintoma.

“Erros alimentares, estresse emocional, automedicação e hábitos inadequados de sono e postura devem ser corrigidos. Neste momento de isolamento social, é necessário ficar atento também ao nervosismo, insônia e ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, nicotina e doces”, destaca o especialista.

A patologia, no entanto, pode ser evitada por meio da adoção de hábitos saudáveis, praticados no dia a dia, além de uma dieta equilibrada, livre de gordura e açúcares; e da prática de atividades físicas regulares.

 

Diagnóstico

A melhor forma de diagnosticar a tontura é por meio de avaliação médica minuciosa. Como os sintomas costumam ser bastante comuns em pessoas que sofrem de outras patologias, como diabetes, hipertensão e até esclerose múltipla, é comum que ela seja facilmente confundida com outra doença.

“Caso haja algum desses sintomas, é importante que o paciente procure um profissional o quanto antes. A avaliação médica é importante não só para diagnosticar a labirintite, mas qualquer uma das doenças mencionadas”, ressalta o médico.

Segundo o Dr. Ricardo, o diagnóstico da tontura pode ser auxiliado por meio de exames complementares sofisticados, como a videonistagmografia, o vHIT (teste do impulso cefálico com vídeo) e o VEMP, indicados pelo profissional caso haja necessidade.

 

Tratamento

O tratamento da doença pode variar de acordo com o quadro clínico do paciente. O acompanhamento pode ser feito por um médico generalista ou otorrinolaringologista especializado em tontura (otoneurologista), principalmente quando os sintomas são persistentes e prejudicam as atividades de vida diária do paciente.

 

Acompanhamento médico é essencial no combate à tontura, que atinge 30% da população global

A tontura é a terceira queixa mais frequente dos pacientes nos consultórios e atinge cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a queixa ainda é cercada de dúvidas a respeito do diagnóstico, dos tratamentos possíveis e também da possibilidade de realizar um acompanhamento com especialista para diminuir o desconforto.

Para chamar a atenção de todos e conscientizar a respeito do problema, a data de 22 de abril foi definida como o Dia Mundial da Tontura. De acordo com o otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, do Hospital Paulista, a tontura é dos sintomas mais desafiadores da medicina, pois se trata de uma queixa de difícil definição para o paciente, e que também pode ocultar inúmeros diagnósticos.

“O termo ‘tontura’ possui significados distintos para muitos pacientes e, por vezes, inadequados à nomenclatura médica. O doente pode, por exemplo, descrever inadequadamente como tontura as sensações de quase desmaio (pré-síncope), desequilíbrio, ataques de pânico ou confusão mental, presentes nas síndromes cardiovasculares, neurológicas e psiquiátricas, com prejuízo para seu diagnóstico e tratamento”, afirma o Dr. Dorigueto, ressaltando o papel do médico neste cenário.

“Ao médico cabe reconhecer qual sintoma o paciente descreve e confrontá-lo com outros elementos da história clínica e do exame físico para a obtenção de um diagnóstico etiológico preciso, que é o primeiro passo para um tratamento adequado”, destaca.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico de um paciente com tontura ou vertigem depende fundamentalmente de uma história clínica cuidadosa e de um exame físico otorrinolaringológico pormenorizado. Quando necessário, existem exames auxiliares sofisticados que esclarecem o diagnóstico e auxiliam o tratamento médico.

“Sintomas associados, como hipoacusia, plenitude auricular e sintomas neurovegetativos, indicam comprometimento do sistema vestibular periférico. Cefaleia, ataxia, diplopia, paresia, parestesia, disfonia e disartria indicam comprometimento do sistema nervoso central. Assim, além das principais doenças vestibulares, é possível identificar síndromes cardiovasculares, neurológicas, metabólicas e psiquiátricas”, explica o Dr. Dorigueto.

Assim, de forma geral, um dos principais objetivos da campanha global é ressaltar o verdadeiro significado da tontura e da vertigem, desassociando o problema de forma imediata à labirintite, por exemplo. Além disso, o Dia Mundial da Tontura reforça a orientação de que os pacientes procurem auxílio médico e tratamento.

“O paciente não precisa conviver com a tontura, tampouco tratá-la como algo natural, que não pode ser tratado. Esse tipo de comportamento impede e compromete um diagnóstico e, consequentemente, um tratamento adequado”, conclui o otorrinolaringologista.

Cuidados com Covid-19 na volta às aulas podem prevenir também contra estomatite viral

Após quase um ano da pandemia de Covid-19 no Brasil, crianças de diferentes idades começam a retornar às creches e escolas. Ainda que cercados de todos os cuidados necessários para evitar a contaminação pelo Coronavírus, os pequenos seguem expostos a outros tipos de infecções, que, embora não sejam tão graves, podem gerar incômodo e dor.

Um exemplo é a estomatite, termo utilizado para designar doenças ou inflamações na cavidade bucal. De acordo com a otorrinolaringologista Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, a estomatite pode ter diversas causas, mas a mais comum é a viral.

“Nesse caso, ela é causada pelo vírus da herpes simples (HSV-1). A maioria das pessoas entra em contato com esse vírus em algum momento da vida. O mais comum é que isso ocorra ainda na infância, entre os seis meses e os cinco anos de idade”, explica a especialista.

É justamente a convivência mais próxima e intensa em creches e escolas um dos motivos que levam à maior prevalência do vírus nesta faixa etária. Além disso, a partir dos seis meses muitas crianças passam a receber uma carga muito menor de anticorpos da mãe, já que o aleitamento, em alguns casos, é interrompido ou reduzido.

“Cerca de 95% das crianças com estomatite apresentam quadros bem leves, até mesmo assintomáticos, sem apresentar qualquer lesão na boca. Os outros 5%, entretanto, podem ter um quadro mais significativo, que requer o acompanhamento médico e o tratamento individualizado”, complementa a médica, que fala também sobre os sintomas da estomatite viral.

“As lesões aparecem, muitas vezes, como vesículas, como bolhas bem pequenas, que se espalham em toda a cavidade oral, inclusive na gengiva e nos lábios. É bem doloroso, e pode gerar também febre, mal-estar, indisposição e falta de apetite”, afirma Cleonice.

Após o diagnóstico, no entanto, o tratamento é simples. Trata-se de uma terapia de suporte, com hidratação e uso de medicações leves, de acordo com o quadro. Para cenários mais graves, que envolvam uma infecção secundária, os médicos podem fazer uso de antibiótico.

 

Cuidados

Os cuidados relativos ao Covid-19, de certa forma, servem também para a estomatite. Isso porque a recomendação inclui cuidados normais com a higiene, evitando compartilhar objetos como talheres, copos, mamadeiras e chupetas.

“São cuidados normais, mas é muito difícil que a criança não tenha contato com o vírus nesta fase. O importante é observar a ocorrência dos sintomas e procurar auxílio médico”, explica a otorrinolaringologista.

 

Reativação do vírus

Assim como outras infecções, a estomatite também pode afetar adultos entre 18 e 25 anos, caso não tenha havido contato com o vírus na primeira infância. A médica ressalta, no entanto, que o herpes é um vírus que fica no organismo, mesmo após o desaparecimento dos sintomas.

“Cerca de 20% a 30% das pessoas que tiveram contato com o vírus podem ter sua reativação na idade adulta. São aqueles quadros de herpes próximo ao lábio, ao nariz. Arde um pouco, gera uma ‘casquinha’, mas melhora em pouco tempo. Isso, geralmente, acontece quando a imunidade da pessoa cai, seja por estresse, nervoso ou cansaço”, complementa Cleonice.