O grito de gol pode prejudicar sua audição? Especialista alerta para riscos do excesso de ruído em estádios e bares
Buzinas, cornetas, caixas de som e comemorações podem ultrapassar limites considerados seguros para os ouvidos e causar danos temporários ou permanentes
O futebol costuma despertar emoções intensas. Seja no estádio, em bares lotados ou em reuniões entre amigos, a paixão pelo esporte vem acompanhada de gritos, buzinas, cornetas e muito barulho. O que pouca gente percebe é que a exposição prolongada a sons muito altos pode representar um risco real para a saúde auditiva.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, ambientes de comemoração esportiva frequentemente ultrapassam níveis de ruído considerados seguros para o ouvido humano.
“Quando pensamos em perda auditiva, muitas pessoas associam o problema apenas ao envelhecimento ou ao uso de fones de ouvido. Mas exposições intensas e repentinas a sons elevados também podem causar lesões importantes, inclusive em pessoas jovens”, explica o especialista.
O perigo nem sempre é percebido
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição prolongada a níveis elevados de ruído pode provocar danos irreversíveis às estruturas responsáveis pela audição.
Uma pesquisa realizada pela Proteste em parceria com a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia identificou cornetas que ultrapassavam 120 decibéis, intensidade comparável à de um disparo de arma de fogo. Em testes realizados em estádios, algumas vuvuzelas chegaram a atingir aproximadamente 127 decibéis.
Para efeito de comparação, uma conversa normal ocorre em torno de 60 decibéis, enquanto um estádio lotado durante uma comemoração pode ultrapassar facilmente os 100 decibéis. “O problema não está apenas no volume, mas também no tempo de exposição. Quanto mais intensa e prolongada for essa exposição, maior o risco de lesão auditiva”, afirma Pizarro.
O que o excesso de ruído pode causar?
Os danos podem variar de sintomas temporários a alterações permanentes. Entre as consequências mais comuns estão:
- sensação de ouvido abafado após eventos muito barulhentos;
- zumbido;
- dificuldade temporária para ouvir;
- tontura;
- desconforto auditivo;
- perda auditiva permanente em casos mais graves.
“O zumbido é um dos sinais de alerta mais frequentes. Muitas pessoas saem de um estádio ou show com aquele apito nos ouvidos e acreditam que é algo normal. Embora muitas vezes desapareça, ele também pode indicar uma agressão às células auditivas”, alerta o médico.
Em algumas situações, a exposição excessiva pode desencadear um trauma acústico, caracterizado por lesão súbita das estruturas do ouvido interno.
O ouvido também influencia o equilíbrio
Além da audição, o excesso de ruído pode afetar estruturas relacionadas ao equilíbrio corporal. “O ouvido interno abriga não apenas o sistema auditivo, mas também o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio. Dependendo da intensidade da agressão sonora, algumas pessoas podem apresentar tonturas ou sensação de instabilidade”, explica o especialista.
Como torcer sem colocar a audição em risco
A boa notícia é que algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente os riscos. Entre as principais recomendações estão:
- evitar permanecer próximo a caixas de som e cornetas;
- preferir ambientes mais abertos e ventilados;
- fazer pausas em locais mais silenciosos durante eventos prolongados;
- utilizar protetores auriculares em ambientes muito ruidosos;
- evitar exposição contínua por longos períodos.
Nos estádios, os protetores auriculares são uma alternativa simples e acessível para reduzir a intensidade sonora sem comprometer a experiência do torcedor. “Hoje existem protetores específicos para eventos esportivos e musicais que diminuem o volume sem prejudicar a compreensão dos sons ao redor”, destaca Pizarro.
Quando procurar ajuda médica?
Se após uma exposição intensa ao ruído surgirem sintomas como zumbido persistente, sensação de ouvido tampado, tontura ou dificuldade para ouvir, a recomendação é buscar avaliação especializada. “Quanto mais cedo investigamos alterações auditivas, maiores são as chances de identificar lesões e orientar o tratamento adequado”, afirma o médico.
Para o especialista, a mensagem principal é simples: comemorar faz parte da paixão pelo esporte, mas a audição merece atenção. “Os danos auditivos causados pelo excesso de ruído muitas vezes são cumulativos e irreversíveis. É possível torcer, vibrar e aproveitar os momentos de lazer sem abrir mão dos cuidados com a saúde auditiva”, conclui.
Sobre o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta e durante sua trajetória, ampliou sua competência para outros segmentos, com destaque para Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, procedimentos para Cirurgia Cérvico-Facial, bem como Buco Maxilo Facial. Referência em seu segmento e com alta resolutividade, conta com um completo Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia. Dispõe de profissionais de alta capacidade oferecendo excelentes condições de suporte especializado 24 horas por dia.










