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Dia Internacional do Idoso: conheça as principais doenças e saiba quando recorrer a um otorrinolaringologista

No mês de celebração pelo Dia Internacional do Idoso, lembrado em 1º de outubro, o Hospital Paulista faz um alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças de ouvido, nariz e garganta que podem atingir a terceira idade, público que representa hoje 13% da população brasileira.

A expectativa, no entanto, é que o país tenha cerca de 30% de sua população idosa em 2050. Além disso, espera-se que, a partir de 2030, a quantidade de brasileiros na faixa etária de 60 anos ou mais supere aquela que compreende dos 0 aos 14 anos.

Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida no Brasil cresce, os idosos anseiam por um envelhecimento de qualidade. Algumas patologias são típicas desta fase e provocam sensível perda de qualidade de vida ao paciente.

Com orientações e dicas do otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, o Hospital Paulista aborda, na sequência, os principais problemas desta especialidade relacionados aos idosos.

A recomendação é que, ao notar sintomas, o idoso (ou familiares/responsáveis) procure um médico especialista para averiguar as causas e os tratamentos disponíveis.

  • Surdez/dificuldade auditiva

“A surdez no idoso está relacionada ao envelhecimento natural do paciente. A partir dos 50, 60 anos, há uma redução natural do número de células auditivas e com isso o indivíduo perderá gradualmente a audição”, explica Dorigueto.

O processo de perda de audição, entretanto, pode ser intensificado a partir de fatores como diabetes, pressão alta, tabagismo e consumo de álcool em excesso. Além disso, a demora das pessoas em buscarem ajuda – justamente por imaginarem que não há tratamento – acelera o avanço do problema, podendo gerar, inclusive, a surdez definitiva.

Um dos exames que podem auxiliar o diagnóstico de distúrbios auditivos é o BERA (Exame do Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico).

 

“O BERA tem o objetivo de avaliar a integridade funcional do nervo auditivo e determinar se há ou não um distúrbio na audição. Ele possibilita identificar se a causa é decorrente de uma lesão no nervo auditivo ou no sistema nervoso. A sedação é um diferencial para o procedimento, já que, no momento do teste, não pode haver nenhum movimento que interfira na resposta elétrica e, consequentemente, na interpretação correta do resultado”, afirma.

  • Vertigem e distúrbios de equilíbrio

O equilíbrio no ser humano depende da integração de uma série de sistemas no corpo. Com o avanço da idade, alguns desses sistemas sofrem pequenas degenerações, e o idoso passa a vivenciar episódios de desequilíbrio em determinadas situações até então corriqueiras.

“A vertigem e os distúrbios de equilíbrio influem diretamente na perda de autonomia do idoso e podem ser gerados por comprometimentos neurológicos ou do labirinto. O indivíduo perde a confiança de realizar atividades que até então fazia frequentemente, como ir à farmácia, ao supermercado, visitar amigos e familiares. Além disso, as quedas de um idoso podem gerar problemas físicos mais graves (fraturas em membros e na bacia, por exemplo), tornando sua condição muito mais séria, já que a recuperação costuma ser lenta e passível de complicações”, complementa o médico.

  • Obstrução nasal

Pode ser resultado de rinites alérgicas a partir da reação do corpo humano a determinadas substâncias. Por isso, é muito importante ficar atento aos elementos que compõem o lar de um idoso, especialmente se ele mora sozinho. Tapetes, cortinas e cobertores devem ser higienizados com frequência e os ambientes devem ser arejados diariamente, para evitar a formação de poeira e outras substâncias que podem irritar o sistema respiratório do indivíduo.

  • Dor de cabeça

“A cefaleia (dor de cabeça) no idoso pode ser primária (quando a dor é o próprio problema, sem relação com outros problemas) ou secundária (quando está relacionada a outras causas). Neste último caso, é preciso realizar uma abordagem sistemática, de modo a entender quais são os fatores que estão causando dor frequente no paciente”, explica o médico.

Idosos costumam fazer uso de mais medicamentos diários e a interação entre eles pode gerar efeitos adversos, como a cefaleia. Além disso, acidente vascular cerebral ou derrame costumam apresentar sintomas semelhantes aos da enxaqueca e não devem jamais ser negligenciados pelo paciente ou por seus familiares, sob o risco, inclusive, de morte.

  • Secreção e/ou sangramento nasal

“O uso de medicamentos, a hipertensão arterial sistêmica e as alergias são as principais causas de secreção e sangramento nasal em idosos. O desvio de septo também pode contribuir para estes problemas. No caso do sangramento, quando muito intenso, pode gerar uma situação de urgência que demandará tratamentos mais intensos, incluindo cirurgia nos casos mais graves”, destaca Dorigueto.

Já a secreção em excesso pode gerar um fluxo contínuo de muco para a garganta. Com isso, o idoso apresenta pigarro ou tosse mais insistente. Se não houver tratamento, o quadro pode agravar a situação do nariz e da garganta do paciente.

  • Zumbido no ouvido

O zumbido pode ser intermitente ou contínuo e pode variar também na intensidade. Trata-se de um problema que gera bastante incômodo nos pacientes, pois não é “percebido” por ninguém ao seu redor. Ainda que não seja exclusivo de pessoas acima dos 60 anos, o zumbido costuma gerar mais queixas entre os idosos.

Segundo um estudo realizado com cerca de 2 mil paulistanos, em 2015, 36% dos entrevistados idosos relataram queixa de zumbido nos ouvidos. “São vários os fatores que podem levar o paciente a registrar o problema. Por isso, é muito importante que se faça um diagnóstico precoce para identificar, inclusive, os hábitos deste indivíduo que contribuem para o quadro. O zumbido pode parecer apenas um incômodo, mas pode gerar uma sensível queda na qualidade de vida do idoso, prejudicando seu sono, seus momentos de lazer e seu convívio com familiares e amigos”, afirma o otorrinolaringologista.

  • Secreção, sangramento e dor de ouvido

O diagnóstico precoce também é essencial neste caso. A secreção (com ou sem sangue) no ouvido pode ser gerada por um processo infeccioso, por alguma lesão na cabeça ou até mesmo por problemas no tímpano (como seu rompimento). Ao identificar os sintomas, é necessário recorrer a um médico imediatamente, evitando limpar o local sem orientação.

Em alguns casos, a dor aparece sem secreção. Ainda assim, também é recomendado o auxílio médico imediato, justamente para evitar que a condição se agrave.

  • Dor de garganta e rouquidão

Assim como em outras faixas etárias, a dor de garganta em idosos pode ser gerada por infecções. “No entanto, o pigarro e a tosse insistente, frutos de outros problemas, também podem machucar a garganta. Fatores como tabagismo e consumo de álcool igualmente são prejudiciais”, diz o médico.

A rouquidão também pode ser fruto do consumo prolongado de cigarros. Da mesma forma, problemas na laringe (incluindo câncer) e refluxo gastroesofágico geram rouquidão e requerem diagnóstico e tratamento específicos para cada paciente.

  • Ronco e apneia do sono

O ronco não costuma aparecer somente na velhice. Trata-se de um problema que se manifesta ao longo da vida, mas que pode ser agravado devido à falta de tratamento adequado e a fatores como obesidade e tabagismo.

“Cerca de 60% dos homens e 40% das mulheres acima de 65 anos roncam e/ou têm apneia do sono. Ela se caracteriza pela obstrução dos canais respiratórios durante o sono e podem interromper, por alguns segundos, o fluxo de ar. Como alguns idosos moram sozinhos, a percepção dos problemas acaba sendo prejudicada”, explica.

Hospital Paulista pede atenção à perda de audição em idosos

A perda de audição pode atingir até 40% dos adultos com mais de 65 anos. O Hospital Paulista faz um alerta para o tema, muitas vezes considerado como um sintoma comum e inofensivo pelos familiares.

“Já sabemos que a perda da audição não tratada aumenta o declínio cognitivo do idoso. Isso pode, por exemplo, desencadear um quadro de ansiedade, tristeza ou até mesmo de depressão, por conta do isolamento do convívio social e da perda da habilidade de aproveitar os sons ou a voz das pessoas”, explica a fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo.

Segundo a especialista, há também idosos que, mesmo necessitando de aparelhos auditivos, nunca os utilizam por diversas razões, como a negação do problema, o preconceito e a falta de informação. “Outros não procuram ou não aceitam ajuda, desenvolvendo sentimentos de ansiedade e frustração, que podem levar facilmente a um quadro depressivo”, destaca. O diagnóstico e tratamento precoces aumentam as chances de reverter a situação e evitar complicações.

A fonoaudióloga ressalta ainda que a perda da audição pode ser um sintoma de uma doença mais grave. Dessa forma, menosprezar sua ocorrência pode gerar um risco significativo para a saúde dos idosos.

“Pessoas com diabetes têm 20% mais de chances de desenvolver a perda da audição. Quem tem pressão alta, além de perder a audição, pode registrar zumbido. Pacientes com labirintite também têm sua situação agravada se não tratarem uma possível perda de audição. Tudo vai piorando se não houver um diagnóstico e o problema não for tratado. O diagnóstico precoce é muito importante. É um diferencial na qualidade de vida do idoso”, completa.

Um “simples” problema de perda de audição, ao relacionar-se com outras doenças, pode ser determinante para piorar de forma significativa a qualidade de vida do idoso. Conforme explica a fonoaudióloga, é preciso tratar todos os problemas e não apenas aquele considerado “mais grave”, como diabetes e pressão alta.

Quem convive com o idoso, ou o visita com determinada frequência, deve atentar-se a alguns sinais do dia a dia, que podem indicar problemas na audição. Entre eles:

o volume da televisão: se você se incomoda com o volume do aparelho, é muito provável que o idoso esteja assistindo à TV com um ruído mais alto do que o recomendado.

a memória: problemas de memória podem estar relacionados a dificuldades de audição. Você diz algo ao idoso, ele não ouve, e é cobrado posteriormente como se estivesse ciente do assunto.

o isolamento: idosos com perda de audição tendem a isolarem-se de familiares e amigos, ou permanecem mais calados durante os encontros. Isso porque sentem-se constrangidos por não conseguirem conversar adequadamente. Esse comportamento pode levar a um quadro de depressão.

a desorientação: idosos com problemas de audição sem tratamento costumam apresentar prejuízo na capacidade cognitiva.

a situação de outras doenças: diabetes, hipertensão e labirintopatias são condições que podem agravar a perda de audição do idoso. Todos os tratamentos devem ser feitos corretamente, com auxílio e acompanhamento dos profissionais médicos responsáveis por cada especialidade.

Já ouviu falar em surdez oculta? Não? É melhor conhecer o problema…

Você está em um bar com amigos e tem dificuldade para entender o que as pessoas falam, apesar de ouvir com clareza outros sons ambientes. Se esse tipo de problema se repete com frequência, pode indicar o que os médicos e cientistas passaram, há menos de uma década, a caracterizar como surdez oculta.

A doença, na verdade, trata-se de uma série de neuropatias auditivas que começaram a ser chamadas por esse nome. A lista de sintomas da surdez oculta ainda está em formação, mas o mais comum é a dificuldade de compreender alguns sons, que piora em ambientes ruidosos.

 

Por que oculta?

A surdez oculta tem difícil diagnóstico. Ela normalmente não é detectada em exames clínicos e testes convencionais. Parece até que a pessoa escuta bem, só que não. É daí que vem seu nome.

Os pacientes conseguem distinguir sons puros em qualquer volume, mas têm dificuldade de discriminar palavras misturadas a outros ruídos — como música ambiente ou talheres batendo nos pratos em um restaurante.

Isso pode ser resultado de algum problema no caminho entre as estruturas do ouvido que captam os sons e o cérebro, que ‘lê’ as mensagens enviadas por elas. Ou seja, a pessoa até “escuta” o que foi falado, mas o cérebro não “entende”.

Outra possibilidade é que o som captado em um ouvido chegue mais rápido ao cérebro do que o escutado no outro, porque os nervos têm velocidades diferentes. Aí, a mensagem fica confusa. Algumas doenças degenerativas, como Alzheimer, também podem comprometer a sincronia da comunicação entre ouvidos e cérebro.

 

Mas o que provoca o problema?

Uma das hipóteses para a surdez oculta, levantada por um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, é de que ela seria causada pela exposição prolongada a sons altos – ou  o uso frequente de fones de ouvido. Os cientistas suspeitam que ficar exposto a ruídos por tempo prolongado afeta a produção de neurotransmissores –substâncias importantes para a comunicação entre os neurônios e o restante do corpo.

A surdez oculta pode ser tratada com medicamentos, terapia auditiva ou com aparelhos e implantes. Como seu diagnóstico é difícil e não há um perfil específico de pessoas que podem ser afetadas pelo problema, é muito importante ficar atento e procurar um médico caso perceba que está com dificuldade de compreender diversas conversas.

Fontes: José Ricardo Gurgel Testa, médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista; e

Rubens de Brito, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia e professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Setembro Azul

Especial Carnaval: Exposição prolongada ao som dos blocos e trios elétricos pode afetar a audição!

O Carnaval é a maior festa popular do país onde blocos e trios elétricos arrastam milhares de foliões em várias cidades do Brasil afora. Mas é preciso fazer uma alerta: os efeitos do elevado barulho gerado pelas aparelhagens de som, que podem prejudicar a audição do público e também dos músicos e percussionistas.

Por causa da intensidade do som, as pessoas podem ter a sensação de pressão nos ouvidos, zumbido e dificuldades para ouvir, no próprio dia ou no dia posterior à folia. Conversamos com a fonoaudióloga Milena Nakamura, do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, e ela nos deu algumas dicas de como conservar a nossa audição. Segundo ela, o primeiro passo para desfrutarmos de uma saúde auditiva é a prevenção.

“Quanto mais intensos são os sons, menos quantidade de tempo deve-se expor a ele. Por exemplo, para um nível de 90 decibéis (motor de ônibus, feira livre), é recomendado uma exposição máxima diária de até 4 horas. Perto de uma caixa de som, dentro da balada, os níveis podem chegar a 115 decibéis, e desta forma, acima de 7 minutos de exposição já poderá ocorrer algum dano auditivo”, explica a especialista.

Pesquisas apontam um crescimento significativo de jovens com perdas auditivas e sensações de zumbido (ou o chamado tinnitus), que podem ocorrer devido à exposição a ambientes com música alta, como os trios elétricos e blocos, os quais o nível de pressão que o som faz dentro do ouvido pode ser muito prejudicial.

A perda de audição conhecida pela sigla PAINPSE (Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados) tem efeito cumulativo e é resultado da exposição prolongada a ruídos altos, no decorrer da vida. Para quem quer se esbaldar em blocos, bailes e ir atrás dos trios elétricos, a especialista recomenda uma distância mínima de 10 metros do equipamento de som, além do uso de protetores auriculares, que diminuem o impacto do barulho nos ouvidos. Os ritmistas também devem usar a proteção.

Cuide de sua audição para poder brincar com alegria, ouvindo os sons da folia por muitos e muitos carnavais.