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Isolamento social leva a hábitos que agravam a rinite alérgica e outras doenças

Na atual situação e com o isolamento social, muitas pessoas estão aproveitando para fazer limpeza em lugares que normalmente não são limpos, como armários, prateleiras, baús antigos, garagem, cantos úmidos, além da intensificação do convívio com animais de estimação.

“O contato com pó, poeira, mofo, fungos, pelos de animais e uso inadequado de produtos químicos fará com as pessoas levem as mãos ao nariz, boca e olhos devido à irritação e coceira. Isto ocorre especialmente com os pacientes com rinite alérgica e atópicos, que são aqueles que possuem uma predisposição a reações de hipersensibilidade, que podem agravar também problemas como asma e dermatite”, explica o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Com isso, o ideal para a realização da limpeza é o uso de máscara, luvas, ventilação adequada e dosagem correta dos produtos químicos, lembrando sempre de evitar tocar o rosto durante o processo. Ao finalizar a tarefa, a lavagem das mãos deve ser realizada imediatamente.

“Os pacientes que tem rinite, sinusites crônicas, asma, poliposes, herpes orais ou com alguma ferida exposta nas mucosas, devem avaliar a real necessidade de limpeza destes locais e verificar se outras pessoas podem ajudar ou fazer por elas essas tarefas. A predisposição genética aliada a uma exposição ambiental, na qual a limpeza vai expor a pessoa ao pó e demais alérgenos, compromete o quadro desses pacientes.  Se não tiver outra maneira, se protejam e, principalmente neste período de pandemia, mantenham controladas suas doenças respiratórias crônicas”, ressalta o médico.

Covid-19: por que lavar as mãos é o mais importante agora?

  • 5 de maio marca o Dia Mundial de Higiene das Mãos
  • Passamos as mãos nas mucosas (boca, nariz e olhos) em 44% das vezes que as colocamos no rosto

Hoje, dia 5 de maio, é celebrado o Dia Mundial de Higiene das Mãos, data estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para conscientizar a população sobre o controle de infecções. Há décadas, expressivas revistas médicas publicam artigos reforçando a importância desta prática, principalmente pelo fato das mãos levarem os vírus e bactérias, responsáveis pela transmissão das infecções ao organismo, quando em contato com o nariz, a boca e os olhos, que não contam com a mesma proteção da pele. A data ganha uma conotação especial em 2020, devido à pandemia do coronavírus.

O hábito comum, e supostamente inofensivo, de tocar as mucosas do rosto implica na maior necessidade de higiene das mãos. Um estudo internacional, publicado em 2015, por Yen Lee Angela Kwok, no American Journal of Infection Control, dos EUA, avaliou em quais partes do rosto colocamos as mãos com mais frequência. Segundo este trabalho, a boca é tocada quatro vezes por hora, por três segundos; e o nariz e os olhos são tocados três vezes por hora, em média, por um segundo. Passamos as mãos nas mucosas – boca, nariz e olhos, em 44% das vezes que as colocamos no rosto. Sendo que destes, o toque ocorre na boca em 36% das vezes, 31% no nariz, 27% nos olhos e 6% em duas ou três regiões.  

“Os dados do artigo da Dra. Kwok reforçam que neste momento de pandemia é essencial lavar as mãos com maior frequência e evitar o seu contato com as mucosas do rosto, hábito que é muito mais comum do que pensávamos”, comenta o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

 

Sintoma de perda de olfato pode ser indicativo do novo coronavírus

Especialista do Hospital Paulista explica que a anosmia, que  impede a pessoa de sentir cheiros e compromete também o paladar, sugere a contração da COVID-19

Estudos recentes apontam evidências de anosmia em 30% dos pacientes com COVID-19 em Daegu, na Coreia do Sul, e de 2/3 dos pacientes com COVID-19 em Heinsberg, na Alemanha. Assim, os médicos alertam que a perda de olfato, e consequentemente, do paladar, são sintomas de alarme para a doença.

“Infecções virais, como a gripe, têm como característica a obstrução nasal, que leva a perda de olfato e do paladar de forma temporária e de modo parcial. Porém, na COVID-19, esses sintomas aparecem de forma total e súbita, e não acompanhados de obstrução nasal”, alerta o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Nesta situação, é importante procurar o médico otorrinolaringologista, que irá avaliar estes sintomas, que passam a ser um indicativo inicial do novo coronavírus.

 

Alerta sobre o uso de medicação para a COVID-19

Segundo a Academia Brasileira de Rinologia (ABR) e a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), é preciso evitar o uso de corticosteroides sistêmicos em caso de sintomas que sugiram uma síndrome gripal diante da pandemia do COVID-19.

O uso deste medicamento em forma tópica nasal de uso crônico pode ser mantido, mas caso surjam os sintomas gripais , o médico pode considerar sua suspensão temporária.

“Isso se dá porque os sintomas são semelhantes. Mas a COVID-19 ainda não tem um tratamento específico. Testes estão sendo realizados, mas ainda é necessário estudos mais robustos. Porém, é sabido que o uso de corticoide sistêmico deve ser evitado. Eles baixam a imunidade, podendo levar a uma piora do quadro”, explica o especialista. Neste caso, o recomendado é uso de analgésicos e antitérmicos, além do isolamento domiciliar por 14 dias, se os sintomas forem leves.

 

Lavagem nasal com solução salina

Ainda de acordo com a ABR e a ABORL, houve divulgação de que o uso de solução salina, ou soro fisiológico, para a limpeza nasal poderia facilitar a entrada do novo vírus pelas vias aéreas. Porém, não há nenhum tipo de evidência científica que comprove tal informação.

“A lavagem nasal é uma opção que pode trazer alívio para os sintomas da doença, ajudando a remover as secreções e auxiliando em uma respiração melhor”, finaliza o doutor.