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Cuidados com Covid-19 na volta às aulas podem prevenir também contra estomatite viral

Após quase um ano da pandemia de Covid-19 no Brasil, crianças de diferentes idades começam a retornar às creches e escolas. Ainda que cercados de todos os cuidados necessários para evitar a contaminação pelo Coronavírus, os pequenos seguem expostos a outros tipos de infecções, que, embora não sejam tão graves, podem gerar incômodo e dor.

Um exemplo é a estomatite, termo utilizado para designar doenças ou inflamações na cavidade bucal. De acordo com a otorrinolaringologista Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, a estomatite pode ter diversas causas, mas a mais comum é a viral.

“Nesse caso, ela é causada pelo vírus da herpes simples (HSV-1). A maioria das pessoas entra em contato com esse vírus em algum momento da vida. O mais comum é que isso ocorra ainda na infância, entre os seis meses e os cinco anos de idade”, explica a especialista.

É justamente a convivência mais próxima e intensa em creches e escolas um dos motivos que levam à maior prevalência do vírus nesta faixa etária. Além disso, a partir dos seis meses muitas crianças passam a receber uma carga muito menor de anticorpos da mãe, já que o aleitamento, em alguns casos, é interrompido ou reduzido.

“Cerca de 95% das crianças com estomatite apresentam quadros bem leves, até mesmo assintomáticos, sem apresentar qualquer lesão na boca. Os outros 5%, entretanto, podem ter um quadro mais significativo, que requer o acompanhamento médico e o tratamento individualizado”, complementa a médica, que fala também sobre os sintomas da estomatite viral.

“As lesões aparecem, muitas vezes, como vesículas, como bolhas bem pequenas, que se espalham em toda a cavidade oral, inclusive na gengiva e nos lábios. É bem doloroso, e pode gerar também febre, mal-estar, indisposição e falta de apetite”, afirma Cleonice.

Após o diagnóstico, no entanto, o tratamento é simples. Trata-se de uma terapia de suporte, com hidratação e uso de medicações leves, de acordo com o quadro. Para cenários mais graves, que envolvam uma infecção secundária, os médicos podem fazer uso de antibiótico.

 

Cuidados

Os cuidados relativos ao Covid-19, de certa forma, servem também para a estomatite. Isso porque a recomendação inclui cuidados normais com a higiene, evitando compartilhar objetos como talheres, copos, mamadeiras e chupetas.

“São cuidados normais, mas é muito difícil que a criança não tenha contato com o vírus nesta fase. O importante é observar a ocorrência dos sintomas e procurar auxílio médico”, explica a otorrinolaringologista.

 

Reativação do vírus

Assim como outras infecções, a estomatite também pode afetar adultos entre 18 e 25 anos, caso não tenha havido contato com o vírus na primeira infância. A médica ressalta, no entanto, que o herpes é um vírus que fica no organismo, mesmo após o desaparecimento dos sintomas.

“Cerca de 20% a 30% das pessoas que tiveram contato com o vírus podem ter sua reativação na idade adulta. São aqueles quadros de herpes próximo ao lábio, ao nariz. Arde um pouco, gera uma ‘casquinha’, mas melhora em pouco tempo. Isso, geralmente, acontece quando a imunidade da pessoa cai, seja por estresse, nervoso ou cansaço”, complementa Cleonice.

Procura por rinoplastias no Hospital Paulista aumenta em 100% durante pandemia

Dentre as várias mudanças provocadas pelo isolamento imposto pela pandemia de Covid-19, uma delas foi o aumento do autocuidado. Muitas pessoas passaram a ver com mais atenção aspectos do próprio corpo que gostariam de mudar. Não apenas por questões estéticas, mas também para melhorar sua saúde, de forma geral.

Nesse cenário, o número de cirurgias de rinoplastia no Hospital Paulista aumentou em 100% entre o período pré-pandemia e o último mês de dezembro. O procedimento é feito na estrutura nasal para melhorar a estética e/ou corrigir a respiração do paciente.

De acordo com a otorrinolaringologista Leila Tamiso, do Hospital Paulista, todas estas rinoplastias vêm sendo feitas em conjunto com a cirurgia de desvio de septo, um método que gera maior conforto e praticidade ao paciente.

“Muitas vezes o paciente já chega com a intenção de realizar a rinoplastia junto com a cirurgia de desvio de septo. No entanto, fazer os dois procedimentos em conjunto já é uma orientação médica, pois essa alternativa permite corrigir dois problemas com uma única intervenção cirúrgica”, explica a médica.

Se optar por fazer a cirurgia de desvio de septo e só depois realizar a rinoplastia, o paciente poderá registrar alguma intercorrência, uma vez que precisará passar por outra cirurgia em uma parte do corpo já operada.

“Além disso, muitas vezes, a rinoplastia requer o uso de enxerto. Independentemente de haver desvio no septo, é de lá que podemos retirar esse enxerto para arrumar um nariz que é torto ou para deixá-lo com uma aparência que satisfaça mais o paciente. Assim, já que iremos, de toda forma, mexer no septo para a rinoplastia, nada mais natural do que já corrigir um eventual desvio que atrapalha a respiração do paciente”, destaca.

 

Mudança gerada pela pandemia

De acordo com a otorrinolaringologista, o fato de as pessoas estarem trabalhando mais em regime remoto permite que a recuperação ocorra de maneira mais eficaz e de forma menos incômoda.

O pós-operatório de uma rinoplastia, combinada com uma cirurgia de desvio de septo, é simples, mas requer cuidados que podem gerar um afastamento necessário do ambiente de trabalho. Ao atuar em sistema home office, o paciente registra menos desconforto para usar o curativo e para evitar algumas atividades por mais tempo, como o deslocamento ao trabalho e a exposição ao Sol.

“Durante o pós-operatório, o paciente não pode usar óculos (de Sol ou de grau) durante 45 dias. O paciente sentirá, no máximo, um pouco de desconforto e sensibilidade no nariz, com possibilidade de dor de cabeça e nariz obstruído”, explica a médica, que fala também dos cuidados necessários após a cirurgia.

“É preciso evitar tudo o que for quente. Comidas quentes, atividades físicas que aquecem o corpo e tomar Sol, por exemplo, devem ficar de fora da rotina. O banho quente também não é recomendado. Além disso, o paciente deve adotar cuidados de limpeza e de hidratação do nariz”, finaliza a especialista.

Nove em cada 10 pacientes com casos leves de Covid-19 perdem olfato e paladar, aponta estudo

Um estudo publicado no Journal of Internal Medicine revelou que 86% dos pacientes com casos leves de Covid-19 perdem o olfato e o paladar durante a infecção pelo vírus. Ainda que os sentidos sejam recuperados em até seis meses, o levantamento apontou que cerca de 5% das pessoas seguiram com dificuldades para sentir cheiros e gostos.

De acordo com o otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, a prática hospitalar cotidiana vem mostrando que, em alguns casos, a cura do Covid-19 não é suficiente para que o olfato e o paladar retornem à sua capacidade total.

“Em alguns casos, é necessário que o paciente seja submetido a tratamentos específicos como, por exemplo, treinos para que olfato e paladar voltem à normalidade. Deficiências nesses sentidos são perigosas, pois podem gerar problemas relacionados à não percepção de alimentos estragados, vazamentos de gás, dentre outras atividades tão comuns em nosso dia a dia”, explica o médico.

O estudo registrou o alto índice de perda de olfato e paladar somente em casos considerados leves. Em pacientes com sintomas moderados a graves, apenas 4% a 7% das pessoas perderam a capacidade de sentir cheiros e sabores.

Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento da perda de olfato e paladar, o Hospital Paulista conta com um Ambulatório que atende pacientes que tiveram Covid-19 e também aqueles que desenvolveram o problema por outras razões.

Inaugurado no segundo semestre de 2020, o Ambulatório de Olfato e Paladar trata de casos de perda parcial ou total de olfato e paladar. Um de seus objetivos é identificar a verdadeira causa do problema, de modo a adaptar o tratamento às necessidades de cada paciente.

“Até dezembro, havíamos registrado cerca de 180 pacientes, que tiveram Covid-19 e apresentaram algum grau de perda de olfato. Destes, 4,5% tiveram anosmia (perda total) e 18%, microsmia (redução parcial). Os demais apresentaram rápida recuperação do olfato a partir do tratamento ou naturalmente, conforme se curavam do novo Coronavírus”, explica o especialista.

Se a perda dos sentidos for temporária, são utilizados medicamentos. No entanto, se o problema persistir, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório, disponível no Ambulatório.

“Neste tipo de tratamento, não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro, com uma ressalva.

Segundo ele, é importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro.

“Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, por exemplo, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas”, completa o médico.

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior da instituição, situada à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Como diferenciar sintomas de Covid-19 de uma gripe comum ou alergias?

Ainda que estivesse no centro das atenções globais durante todo o ano de 2020, a Covid-19 segue chamando a atenção da comunidade médica pela forma como os sintomas se manifestam em cada pessoa. De acordo com Gilberto Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, esse cenário faz com que muitos pacientes ainda tenham dúvidas para diferenciar o novo Coronavírus da gripe comum, rinite e sinusite.

“Essa incerteza pode fazer com que o paciente relute em procurar auxílio médico, pois teme que o ambiente hospitalar aumente os riscos de infecção pelo novo Coronavírus (caso ainda não esteja infectado). Se, logo de início, ele se dirige a uma unidade especializada, é possível tratar com mais eficácia as doenças a partir do diagnóstico”, explica o otorrinolaringologista.

Alguns dos sintomas mais comuns da Covid-19 podem ser confundidos em uma análise superficial com os de uma gripe comum ou de doenças alérgicas, como rinite e sinusite. De acordo com o especialista, quadros de rinite e sinusite são mais concentrados no nariz, garganta e olhos do paciente.

“A rinite é uma inflamação da mucosa do nariz. A pessoa costuma apresentar coriza (secreção no nariz), coceira no nariz e espirros em sequência. Além disso, o nariz fica naturalmente congestionado”, afirma Pizarro.

Na sinusite, a inflamação ocorre na mucosa que reveste os seios da face. Com isso, os sintomas também incluem dor facial, nos ouvidos e atrás dos olhos. Além disso, o paciente pode relatar dor ou irritação na garganta e inchaço facial.

“No dia a dia, quem tem quadros recorrentes de rinite e sinusite geralmente consegue identificar os gatilhos das crises, bem como os sintomas que mais o acomete”, completa o médico.

Na gripe comum, no entanto, o quadro de sintomas não fica restrito à congestão e secreção nasal. Nessa situação, o paciente relata febre, mal-estar e dor no corpo. A qualificação de todos os sintomas é importante porque a Covid-19 também gera febre, por exemplo.

“O paciente com Covid-19 costuma ter tosse seca e cansaço, mas, em quadros mais graves, pode apresentar dificuldade para respirar, falta de ar e pressão (aperto) no peito. No entanto, não necessariamente haverá coriza e congestão nasal. Isso é determinante para uma das diferenciações entre essas doenças (gripe comum, rinite e sinusite) e o novo Coronavírus”, destaca Pizarro.

“A perda de olfato é um dos sintomas características da Covid-19, mas, aqui, ela ocorre de forma súbita. Nas outras doenças citadas, essa perda de olfato é mais leve e está associada a um quadro de congestão nasal por conta da coriza. O Covid-19 também pode gerar perda de paladar, outra diferença em relação às demais”, completa.

 

Ajuda especializada

Algumas unidades hospitalares oferecem atendimento especializado para determinadas áreas da Medicina. No caso do Hospital Paulista, diagnósticos e tratamentos são voltados para a Otorrinolaringologia. Isso permite que pacientes com rinite e sinusite procurem por auxílio específico, diminuindo sensivelmente as chances de contaminação por Covid-19 em um ambiente de atendimento generalizado.

“Ao chegar ao hospital, o paciente recebe o primeiro atendimento com uma enfermeira, que verifica sua temperatura e avalia seus sintomas e histórico. Se a pessoa relatar sintomas específicos de Covid-19 ou informar que teve contato recente com alguém infectado pelo vírus, é direcionada a um ambiente isolado e controlado. Lá, fará um teste para verificar se está com a doença e será avaliada para sabermos se ela pode ser isolada (e tratada) em sua residência ou se precisa ser internada”, explica o otorrinolaringologista.

Se os sintomas (e o histórico clínico relatado), no entanto, são característicos de uma gripe comum, rinite ou sinusite, o paciente é tratado na área principal do hospital, sem qualquer contato com a ala responsável pelo diagnóstico dos suspeitos de Covid-19. Vale ressaltar que o Hospital Paulista não é uma unidade hospitalar de referência para internação e tratamento dos casos de Covid-19.

“Isso reduz os riscos e não deixa de oferecer um tratamento adequado, rápido e eficaz ao paciente, independente da doença que ele apresenta. Deixar de tratar quadros de gripe comum e alergias como rinite e sinusite é muito prejudicial, pois pode agravar os sintomas e dificultar o próprio tratamento posteriormente”, conclui.

Ambulatório de Olfato qualifica o diagnóstico e propõe tratamento para a falta de olfato

A perda parcial ou total do olfato tem sido associada a um dos sintomas do novo Coronavírus. O principal problema é que parte dos pacientes segue com o distúrbio mesmo após curar-se do Covid-19, e a importância deste sentido só fica evidente quando o indivíduo percebe que não consegue identificar cheiros comuns do dia a dia.

Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento do problema, o Hospital Paulista inaugurou recentemente seu Ambulatório de Olfato. A unidade também atende casos de perda de paladar, parcial ou total.

Por mais que os estudos sobre o Covid-19 ainda sejam escassos, pesquisa desenvolvida pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e pela Academia Brasileira de Rinologia constatou que 13% dos pacientes avaliados com Coronavírus e relato de perda súbita de olfato não se recuperaram do sintoma, mesmo após o tratamento. O estudo foi publicado na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia.

“No Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista registramos, até o momento, cerca de 180 pacientes, que tiveram Covid-19 e registraram algum grau de perda de olfato. Destes, 4,5% tiveram anosmia (perda total) e 18%, microsmia (redução parcial). Os demais apresentaram rápida recuperação do olfato a partir do tratamento ou naturalmente, conforme se curavam do novo Coronavírus”, explica o otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista.

O objetivo do Ambulatório de Olfato é identificar corretamente a razão da perda de olfato ou paladar, de modo a proceder com o tratamento correto para resolver o problema.

A causa do sintoma é um dos fatores que mais irá influenciar na definição do tratamento, já que a perda pode ser temporária ou permanente. Se for temporária, são utilizados medicamentos ou intervenção cirúrgica.

No entanto, se o problema persistir, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório, disponível no Ambulatório. “Importante saber que neste tipo de tratamento não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro, com uma ressalva.

“É importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro”, completa o médico.

Ainda de acordo com o especialista, os testes olfatórios são complexos e nem sempre fornecem uma resposta precisa. Dessa forma, é preciso considerar outros fatores que ajudam no diagnóstico.

“É de fundamental importância investigar a origem e a evolução do quadro, bem como realizar a observação endoscópica das fossas nasais e exames de imagem. Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas, por exemplo.”

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior da instituição, situada à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Uso de máscara pode causar fadiga vocal

Um problema relacionado à Covid-19 independe de ser acometido ou não pelo vírus. Algumas pessoas têm apresentado fadiga vocal, com prejuízos em suas falas, devido ao uso de máscaras – necessário desde o início da pandemia.

“As máscaras de proteção contra doenças podem atenuar o som da fala em até 12 decibéis, dependendo do tipo. Ou seja, parece que estamos falando mais baixo do que realmente estamos e isso torna a comunicação mais difícil – tanto para quem fala quanto para quem escuta. Para contornar essa situação, muitas pessoas acabam aumentando a intensidade da fala. Se não há preparo para isso, aumenta-se o risco de disfonias [problemas de voz]”, explica a fonoaudióloga.

Alguns profissionais, no entanto, precisam utilizar a máscara de proteção durante toda a sua jornada de trabalho. Nestes casos específicos, Bruna recomenda algumas ações que podem diminuir os efeitos da fadiga vocal:

  • Falar mais devagar
  • Articular bem as palavras (mexer mais a boca para falar)
  • Evitar falar em lugares barulhentos
  • Aumentar a hidratação (beber mais água ao longo do dia)

O Hospital Paulista oferece o serviço de fonoterapia há três anos, voltado ao atendimento de casos de voz e de motricidade orofacial, principalmente em adultos. Para quem não sabe, a motricidade orofacial é a área da Fonoaudiologia responsável pelos cuidados com órgãos, músculos e articulação necessários à respiração, sucção, deglutição, mastigação, fala e mímica facial.

“Se uma pessoa é rouca, tem cansaço para falar, fica com dor na região da garganta depois de falar, não consegue aumentar o volume da voz ou sente que ela falha, pode procurar o serviço do Hospital. Pessoas que roncam, têm apneia do sono, paralisia facial ou alguma outra alteração de Motricidade Orofacial também podem verificar a possibilidade da fonoterapia”, completa.

 

Hospital Paulista inaugura Ambulatório de Olfato ressalta importância do diagnóstico precoce

Ainda que a ocorrência específica de alguns sintomas esteja em estudo pela comunidade médica no Brasil e no mundo, boa parte dos pacientes infectados com Covid-19 relataram perda de olfato e paladar. Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento destes sintomas, o Hospital Paulista inaugurou recentemente seu Ambulatório de Olfato.

No início da pandemia de Coronavírus, a perda do olfato e paladar ainda não era identificada como sinal da infecção. Essencialmente, os pacientes relatavam febre, tosse seca e fadiga e foi nestes sintomas que a comunidade médica se concentrou para realizar os testes que confirmavam o contágio.

Somente em março, após o relato de pacientes de países distintos sobre os problemas com olfato e paladar no âmbito da pandemia, a American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (Academia Americana de Otorrinolaringologia – Cirurgias de Cabeça e Pescoço) divulgou nota na qual propôs que sintomas como anosmia, hiposmia e ageusia fossem incluídos no rastreamento de pacientes infectados por Covid-19, principalmente na ausência de outras doenças respiratórias, como rinites e rinossinusites.

O otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, explica que a anosmia é caracterizada como a perda total do olfato. “A hiposmia envolve a redução parcial da capacidade olfativa, enquanto a ageusia é a perda do paladar”, completa o médico.

Pizarro ressalta ainda que o olfato é uma das capacidades que só damos valor quando o perdemos, ainda que momentaneamente. “Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas, por exemplo.”

O objetivo do Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista é identificar corretamente a razão da perda de olfato e paladar, de modo a proceder com o tratamento correto para resolver o problema.

“É importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro”, completa o médico, que ressalta ainda a importância do acompanhamento médico em todo o processo de diagnóstico e tratamento.

Segundo ele, o olfato e o paladar estão intimamente relacionados. Gostos como o amargo, doce, ácido e salgado podem ser reconhecidos sem a influência dos odores, porém sabores mais complexos requerem o olfato para serem identificados. “Devido a essa relação, ocorrendo a melhora do olfato, possivelmente teremos também uma melhora do paladar”, completa.

“Faz parte do trabalho do médico analisar a capacidade do paciente de perceber odores e observar a qualidade e a intensidade do sentido olfativo. Os testes olfatórios, no entanto, são complexos e nem sempre fornecem uma resposta satisfatória. Dessa forma, é preciso considerar outros fatores que ajudam no diagnóstico. É de fundamental importância investigar a origem e a evolução do quadro, bem como realizar a observação endoscópica das fossas nasais e exames de imagem”, explica.

O tratamento da alteração no olfato dependerá da causa do problema, já que a perda pode ser temporária ou permanente. Se for temporária, o tratamento é feito por meio de medicamentos ou de intervenção cirúrgica, caso a perda olfatória for provocada por obstruções na região nasal, como desvio de septo, por exemplo.

No entanto, se o problema persiste, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório. “Importante saber que neste tipo de tratamento não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro.

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior do Hospital, situado à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Como se manter protegido em casa quando um familiar está com Covid-19?

Cuidados com a higiene e a delimitação do espaço de convívio são essenciais para evitar novos contágios, alerta Hospital Paulista


Diante da gravidade da pandemia de Covid-19 no Brasil, o isolamento domiciliar passou a ser a medida mais recomendada pelas autoridades de saúde em diversos estados do país. O que fazer, no entanto, quando um familiar ou colega sob o mesmo teto apresenta suspeita ou confirmação do contágio? Alinhado com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Hospital Paulista destaca orientações para quem precisa se prevenir contra a infecção dentro de casa.

Ambiente

É importante delimitar o espaço em que o paciente infectado (ou com suspeita de infecção) circula. Preferencialmente, a pessoa deve ocupar um quarto individual com boa ventilação. Se isso não for possível, é preciso manter-se a uma distância de pelo menos um metro de quem estiver doente.

“Ao sair do quarto, o paciente deve, obrigatoriamente, usar máscara. A circulação pela casa deve ser limitada e os ambientes compartilhados, como cozinha e banheiro, devem permanecer com as janelas abertas”, ressalta o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Cuidadores

O ideal é evitar visitas e limitar o número de cuidadores, que devem usar máscara cirúrgica bem ajustada ao rosto quando estiverem no mesmo espaço em que o doente. É essencial evitar o contato direto com fluidos corporais, principalmente orais, secreções respiratórias e fezes.

“O indicado é usar luvas descartáveis para cuidados orais ou respiratórios e, também, quando manipular fezes, urina e resíduos. Realizar a higiene das mãos antes e depois da remoção das luvas é fundamental”, explica o especialista.

Atenção às máscaras e demais materiais de apoio

As máscaras não podem ser tocadas ou manuseadas durante o uso. Se o acessório ficar molhado ou sujo com secreções, deve ser substituído imediatamente. O descarte é instantâneo após a utilização, sendo que a higiene das mãos com água e sabonete ou álcool em gel deve ser feita logo após a remoção da máscara.

“Ao finalizar a lavagem das mãos, toalhas de papel descartáveis são indicadas para secá-las. Na falta, toalhas de pano limpas podem ser usadas somente para essa finalidade. Quando ficarem molhadas, devem ser desinfetadas com água sanitária. Todos os materiais descartáveis utilizados são jogados em um lixo separado dos demais resíduos da casa”, destaca Pizarro.

Quanto às máscaras, é possível fazer uso das descartáveis e das caseiras, sendo que estas são mais recomendadas nesse momento para evitar a falta do material aos profissionais da saúde. As máscaras caseiras devem conter duas camadas e podem ser feitas a partir de uma roupa cujo tecido seja 100% algodão. As máscaras descartáveis também podem ser usadas junto com o protetor facial, uma proteção de plástico transparente que protege os olhos. Assim, o rosto inteiro fica protegido e é possível aumentar a vida útil das descartáveis.

Objetos e limpeza

O compartilhamento de escovas de dente, talheres, pratos, bebidas, toalhas ou roupas de cama deve ser evitado. Talheres e pratos utilizados pelo paciente infectado precisam ser limpos com água e sabão ou detergente comum. A higiene deve ser feita de forma separada dos materiais utilizados pelos outros moradores, mas o paciente pode reutilizá-los posteriormente.

“É importante limpar e desinfetar diariamente as superfícies frequentemente tocadas, como mesas de cabeceira, cama e outros móveis do quarto do paciente. Higienizar as superfícies do banheiro pelo menos uma vez ao dia também é fundamental”, orienta o profissional.

Roupas sujas, de cama e toalhas de banho e de mão do paciente devem ser lavadas com água e sabão comum e separadas das roupas de outras pessoas. Para realizar essas atividades, além da máscara, deve-se usar luvas descartáveis e roupas de proteção, como aventais de plástico, por exemplo.

Hospital

Os pacientes precisam permanecer em casa até a resolução completa dos sinais e sintomas. Considerando as evidências de transmissão de pessoa para pessoa, indivíduos que podem ter sido expostos a casos suspeitos de Covid-19 em casa devem monitorar sua saúde por 14 dias, a partir do último dia do possível contato, e procurar atendimento médico imediato caso desenvolva quaisquer sintomas mais graves, como febre, tosse ou falta de ar.

“As pessoas sintomáticas devem entrar em contato com o serviço de saúde informando sua chegada e, durante o transporte até o hospital, usar máscara cirúrgica o tempo todo, evitando o transporte público. É aconselhado chamar uma ambulância ou utilizar veículo privado, com boa ventilação, mantendo os vidros abertos”, finaliza o médico.

Rinite, sinusite e rinossinusite: entenda as doenças comuns no outono e no inverno

As chamadas “ites” se manifestam com mais frequência nas estações mais secas e frias do ano

Mesmo com todos os holofotes apontados para a pandemia do novo Coronavírus que atingiu o mundo todo, o outono e, na sequência, o inverno, nos alertam também para cuidados com as doenças respiratórias sazonais. Por conta das temperaturas mais baixas, queda no índice de umidade do ar e maior concentração de poluentes, a proliferação de doenças respiratórias é muito maior. Conhecidas como “ites”, a rinite, a sinusite e a rinossinusite são comuns nessas épocas do ano.

A rinite é um tipo de inflamação e/ou hipereação da mucosa de revestimento nasal, podendo se manifestar de forma alérgica, que é a mais comum, ou até mesmo de forma infecciosa. O problema é caracterizado por obstrução nasal, rinorreia (presença de secreção e corrimento nasal), espirros, prurido nasal e hiposmia (diminuição do olfato).

“Em casos alérgicos, recomenda-se deixar os cômodos da casa e a roupa de cama bem limpos para evitar acúmulo de poeira, e deixar entrar sol o máximo possível nos cômodos da casa. Já para as rinites infecciosas, causadas por vírus e, menos frequentemente, por bactérias, é importante lavar bem as mãos, principalmente quando estiver em lugares muito fechados e cheios de pessoas. O uso do álcool em gel também pode ajudar”, explica a Dra. Cristiane Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Outra “ite” bastante comum é a sinusite, que pode ser aguda ou crônica. Para definir qual o tipo da enfermidade, um período de 12 semanas é essencial para a avaliação, uma vez que, caso o prazo de cura se estenda após o tratamento, já pode ser considerada como crônica. “Além disso, existe um subtipo da doença chamado de Polipose Nasossinusal, onde a mucosa nasal e dos seios da face têm predisposição para formar pólipos, que obstruem os orifícios e favorecem o acúmulo de secreções e infecções bacterianas”, destaca a médica.

E, por fim, há a rinossinusite, que é todo o processo inflamatório da mucosa da cavidade nasal e dos seios paranasais. Esse tipo de quadro representa uma reação a algum tipo de agente físico, químico ou biológico, além de ser possivelmente causado também por mecanismos alérgicos. Utilizado unanimemente pelos especialistas, o termo serve para diferenciar uma rinite normal e outra que acaba se estendendo pelos seios da face, característica principal da rinossinusite.

“Mesmo que as doenças apresentem algumas características bastante semelhantes, os detalhes de cada uma delas são distintos e podem ocasionar diferentes manifestações, indo de dores no rosto até muita tosse e obstrução nasal”, completa a especialista do Hospital Paulista.

Caso a pessoa perceba alguns dos sintomas citados, o primeiro passo é procurar um especialista otorrinolaringologista, alergista ou imunologista.

Para evitar as doenças, hábitos simples podem ser adotados e possuem uma ótima eficácia, como sempre manter a higiene das mãos e evitar o contato delas com os olhos, nariz e boca. Outros bons aliados são o soro fisiológico nasal para limpar diariamente o nariz e beber muita água, favorecendo ainda mais o combate desses problemas.

Outra dica é evitar lugares fechados ou com muitas pessoas, principalmente para aqueles que necessitam realizar atividades fora de casa, ainda mais em um período de isolamento social.

 

Diferenças em relação ao coronavírus

Algumas das “ites”, como a rinite e sinusite, possuem sintomas muito parecidos e, por conta disso, é importante que sejam analisados por um especialista o mais rápido possível, para obter tratamento adequado, especialmente se apresentar febre alta e falta ou ausência de olfato. Como a COVID-19 também é uma doença respiratória, procurar um médico é imprescindível para um diagnóstico preciso, caso a pessoa sinta qualquer dificuldade para respirar.

Os portadores de rinite, por exemplo, não estão dentro do grupo de risco frente ao novo Coronavírus. “Entretanto, o risco aumenta se o problema não estiver controlado”, finaliza a médica.

 

Isolamento social leva a hábitos que agravam a rinite alérgica e outras doenças

Na atual situação e com o isolamento social, muitas pessoas estão aproveitando para fazer limpeza em lugares que normalmente não são limpos, como armários, prateleiras, baús antigos, garagem, cantos úmidos, além da intensificação do convívio com animais de estimação.

“O contato com pó, poeira, mofo, fungos, pelos de animais e uso inadequado de produtos químicos fará com as pessoas levem as mãos ao nariz, boca e olhos devido à irritação e coceira. Isto ocorre especialmente com os pacientes com rinite alérgica e atópicos, que são aqueles que possuem uma predisposição a reações de hipersensibilidade, que podem agravar também problemas como asma e dermatite”, explica o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Com isso, o ideal para a realização da limpeza é o uso de máscara, luvas, ventilação adequada e dosagem correta dos produtos químicos, lembrando sempre de evitar tocar o rosto durante o processo. Ao finalizar a tarefa, a lavagem das mãos deve ser realizada imediatamente.

“Os pacientes que tem rinite, sinusites crônicas, asma, poliposes, herpes orais ou com alguma ferida exposta nas mucosas, devem avaliar a real necessidade de limpeza destes locais e verificar se outras pessoas podem ajudar ou fazer por elas essas tarefas. A predisposição genética aliada a uma exposição ambiental, na qual a limpeza vai expor a pessoa ao pó e demais alérgenos, compromete o quadro desses pacientes.  Se não tiver outra maneira, se protejam e, principalmente neste período de pandemia, mantenham controladas suas doenças respiratórias crônicas”, ressalta o médico.