Hospital Paulista alerta para aumento de otites durante o inverno

A queda nas temperaturas dos últimos dias anuncia a chegada do inverno. Gripes, resfriados e o agravamento dos quadros de asmas, rinites e sinusites estão entre as patologias mais comuns causadas pela baixa imunidade trazida pela estação.

Além destes males, o otorrinolaringologista Gilberto Gattaz, do Hospital Paulista, alerta para as desconfortáveis otites – infecções e inflamações do ouvido –, que tendem a aumentar com o frio e podem se tornar graves, caso não sejam tratadas precocemente.

“Nunca devemos menosprezar os sintomas de ouvido. Dores, sensação de ouvido tapado, diminuição súbita da audição e zumbidos repentinos e duradouros podem expressar outras doenças mais sérias no sistema auditivo e requerem uma imediata avaliação e tratamento pelo otorrinolaringologista”, destaca o especialista.

Otite média

Diferentemente da “otite externa”, que costuma atingir apenas crianças de 0 a 6 anos, a “otite média” é uma infecção que pode acometer todas as pessoas, em diversas faixas etárias, e tem o frio como um de seus principais causadores, já que as baixas temperaturas aumentam a prevalência de vírus e bactérias.

Esse tipo de otite é conhecido por atacar o conduto auditivo externo e, eventualmente, a membrana timpânica e porções do pavilhão auricular.

Ambas cursam com dor, porém podem estar acompanhadas de febre, presença de secreção e plenitude auricular, o que serve para diferenciá-las de uma simples dor de ouvido”, afirma o Dr. Gilberto.

O especialista explica que o problema pode se tornar grave, caso não seja tratado precocemente. Além disso, outro fator determinante para o nível de gravidade pode ser a agressividade da bactéria causadora da infecção.

Como exemplo, ele cita a meningite bacteriana que, num passado recente, foi uma das principais e não raras complicações graves, decorrentes de infecções do ouvido.

“A identificação do processo infeccioso e seu combate precoce é fundamental”, ressalta o médico.

 

Pandemia

Além das otites, o inverno é uma estação muito propícia para as infecções das vias aéreas superiores, entre elas sinusites, faringites e laringites; e os processos alérgicos, como as rinites, que também tendem a aumentar devido ao frio e às mudanças de estações.

O especialista acredita que medidas como a higienização das mãos e das superfícies regularmente, além do uso de máscaras e distanciamento social, podem impedir a contaminação por vírus e bactérias comuns da estação.

Objetos nos ouvidos pedem auxílio médico imediato

Uma das situações que pode levar as pessoas a um Pronto-Socorro de Otorrinolaringologia é a presença de objetos nos ouvidos. De acordo com o otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, o incômodo pode ser sensivelmente agravado caso os pacientes tentem resolvê-lo sem auxílio médico, a partir dos chamados “remédios caseiros”.

“Verificamos no Hospital alguns casos de pacientes que tentaram extrair o corpo estranho do ouvido com os dedos, com uma haste flexível ou a partir do uso de alguma substância inadequada, como óleos, por exemplo”, explica o médico.

Nesse caso, corpo estranho pode ser definido como qualquer tipo de objeto introduzido no(s) ouvido(s), intencional ou acidentalmente. Dentre os mais extraídos por otorrinolaringologistas estão grãos, feijões, pequenas pedras, partes de brinquedos, papel, algodão e insetos.

“Boa parte desses objetos está relacionada às crianças pequenas, pois há uma curiosidade natural que as leva a inserir pequenos corpos estranhos em orifícios como ouvidos e nariz. Se os pais não percebem – e isso é muito comum –, o objeto pode se aprofundar no ouvido, ampliando o incômodo da criança”, afirma o Dr. Gilberto.

Portanto, os pais devem ficar atentos se os filhos apresentarem sinais como vermelhidão, inchaço ou secreção no ouvido. Já os pacientes adultos devem evitar “cutucar” os objetos com o objetivo de retirá-los. Se o corpo estranho não sair espontaneamente, é necessário recorrer imediatamente a um otorrinolaringologista, que irá avaliar o caso e fará a rápida e correta extração.

“A extração é um processo simples e pode ser feito de algumas formas, dependendo do tipo e do formato do objeto, além da profundidade no ouvido. Podemos utilizar uma lavagem com água esterilizada ou solução salina e, então, retiramos através de sucção ou objetos adequados para esse tipo de cenário”, completa o médico.

 

Insetos

Dentre os itens que costumam ser extraídos dos ouvidos pelos médicos são insetos, que geralmente causam maior incômodo. Isso porque a sensação de um pequeno bicho dentro do ouvido e a impossibilidade de retirá-lo, costuma deixar os pacientes naturalmente impacientes.

Em uma situação de desespero, as pessoas não aguentam esperar o auxílio médico e acabam utilizando objetos que podem causar sérias lesões ao canal auditivo. Além disso, o ato de mexer a cabeça bruscamente, na tentativa de retirar o inseto, também pode gerar lesões.

“A presença do inseto, de imediato, pode gerar dores fortes, ruídos ou zumbidos, e também um sentimento de angústia. Em crianças, que geralmente não sabem explicar ou entender o que está ocorrendo, há também uma sensação de pânico, até que ocorra a extração”, finaliza o Dr. Gilberto.

Apesar do incômodo, a extração de insetos dos ouvidos não difere muito dos procedimentos para os demais objetos. A principal diferença é que o médico poderá matar previamente o inseto com um anestésico, álcool ou óleo mineral, de modo que a retirada ocorra mais facilmente. Em todos os casos, o procedimento deve ser realizado por um médico especialista.

Como diferenciar sintomas de Covid-19 de uma gripe comum ou alergias?

A Covid-19 segue chamando a atenção da comunidade médica pela forma como os sintomas se manifestam em cada pessoa. De acordo com Gilberto Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, esse cenário faz com que muitos pacientes ainda tenham dúvidas para diferenciar o Coronavírus da gripe comum, rinite e sinusite.

“Essa incerteza pode fazer com que o paciente relute em procurar auxílio médico, pois teme que o ambiente hospitalar aumente os riscos de infecção pelo Coronavírus (caso ainda não esteja infectado). Se, logo de início, ele se dirige a uma unidade especializada, é possível tratar com mais eficácia as doenças a partir do diagnóstico”, explica o otorrinolaringologista.

Alguns dos sintomas mais comuns da Covid-19 podem ser confundidos em uma análise superficial com os de uma gripe comum ou de doenças alérgicas, como rinite e sinusite. De acordo com o especialista, quadros de rinite e sinusite são mais concentrados no nariz, garganta e olhos do paciente.

“A rinite é uma inflamação da mucosa do nariz. A pessoa costuma apresentar coriza (secreção no nariz), coceira no nariz e espirros em sequência. Além disso, o nariz fica naturalmente congestionado”, afirma Pizarro.

Na sinusite, a inflamação ocorre na mucosa que reveste os seios da face. Com isso, os sintomas também incluem dor facial, nos ouvidos e atrás dos olhos. Além disso, o paciente pode relatar dor ou irritação na garganta e inchaço facial.

“No dia a dia, quem tem quadros recorrentes de rinite e sinusite geralmente consegue identificar os gatilhos das crises, bem como os sintomas que mais o acomete”, completa o médico.

Na gripe comum, no entanto, o quadro de sintomas não fica restrito à congestão e secreção nasal. Nessa situação, o paciente relata febre, mal-estar e dor no corpo. A qualificação de todos os sintomas é importante porque a Covid-19 também gera febre, por exemplo.

“O paciente com Covid-19 costuma ter tosse seca e cansaço, mas, em quadros mais graves, pode apresentar dificuldade para respirar, falta de ar e pressão (aperto) no peito. No entanto, não necessariamente haverá coriza e congestão nasal. Isso é determinante para uma das diferenciações entre essas doenças (gripe comum, rinite e sinusite) e o Coronavírus”, destaca Pizarro.

“A perda de olfato é um dos sintomas características da Covid-19, mas, aqui, ela ocorre de forma súbita. Nas outras doenças citadas, essa perda de olfato é mais leve e está associada a um quadro de congestão nasal por conta da coriza. O Covid-19 também pode gerar perda de paladar, outra diferença em relação às demais”, completa.

 

Ajuda especializada

Algumas unidades hospitalares oferecem atendimento especializado para determinadas áreas da Medicina. No caso do Hospital Paulista, diagnósticos e tratamentos são voltados para a Otorrinolaringologia. Isso permite que pacientes com rinite e sinusite procurem por auxílio específico, diminuindo sensivelmente as chances de contaminação por Covid-19 em um ambiente de atendimento generalizado.

“Ao chegar ao hospital, o paciente recebe o primeiro atendimento com uma enfermeira, que verifica sua temperatura e avalia seus sintomas e histórico. Se a pessoa relatar sintomas específicos de Covid-19 ou informar que teve contato recente com alguém infectado pelo vírus, é direcionada a um ambiente isolado e controlado. Lá, fará um teste para verificar se está com a doença e será avaliada para sabermos se ela pode ser isolada (e tratada) em sua residência ou se precisa ser internada”, explica o otorrinolaringologista.

Se os sintomas (e o histórico clínico relatado), no entanto, são característicos de uma gripe comum, rinite ou sinusite, o paciente é tratado na área principal do hospital, sem qualquer contato com a ala responsável pelo diagnóstico dos suspeitos de Covid-19. Vale ressaltar que o Hospital Paulista não é uma unidade hospitalar de referência para internação e tratamento dos casos de Covid-19.

“Isso reduz os riscos e não deixa de oferecer um tratamento adequado, rápido e eficaz ao paciente, independente da doença que ele apresenta. Deixar de tratar quadros de gripe comum e alergias como rinite e sinusite é muito prejudicial, pois pode agravar os sintomas e dificultar o próprio tratamento posteriormente”, conclui.

 

Escute o podcast com o Dr. Gilberto Ulsson Pizarro e conheça mais sobre a relação entre o olfato e o paladar e como o Covid-19 afeta diretamente esses sentidos, além dos principais testes de diagnósticos e tratamentos disponíveis.


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Acompanhamento médico é essencial no combate à tontura, que atinge 30% da população global

A tontura é a terceira queixa mais frequente dos pacientes nos consultórios e atinge cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a queixa ainda é cercada de dúvidas a respeito do diagnóstico, dos tratamentos possíveis e também da possibilidade de realizar um acompanhamento com especialista para diminuir o desconforto.

Para chamar a atenção de todos e conscientizar a respeito do problema, a data de 22 de abril foi definida como o Dia Mundial da Tontura. De acordo com o otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, do Hospital Paulista, a tontura é dos sintomas mais desafiadores da medicina, pois se trata de uma queixa de difícil definição para o paciente, e que também pode ocultar inúmeros diagnósticos.

“O termo ‘tontura’ possui significados distintos para muitos pacientes e, por vezes, inadequados à nomenclatura médica. O doente pode, por exemplo, descrever inadequadamente como tontura as sensações de quase desmaio (pré-síncope), desequilíbrio, ataques de pânico ou confusão mental, presentes nas síndromes cardiovasculares, neurológicas e psiquiátricas, com prejuízo para seu diagnóstico e tratamento”, afirma o Dr. Dorigueto, ressaltando o papel do médico neste cenário.

“Ao médico cabe reconhecer qual sintoma o paciente descreve e confrontá-lo com outros elementos da história clínica e do exame físico para a obtenção de um diagnóstico etiológico preciso, que é o primeiro passo para um tratamento adequado”, destaca.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico de um paciente com tontura ou vertigem depende fundamentalmente de uma história clínica cuidadosa e de um exame físico otorrinolaringológico pormenorizado. Quando necessário, existem exames auxiliares sofisticados que esclarecem o diagnóstico e auxiliam o tratamento médico.

“Sintomas associados, como hipoacusia, plenitude auricular e sintomas neurovegetativos, indicam comprometimento do sistema vestibular periférico. Cefaleia, ataxia, diplopia, paresia, parestesia, disfonia e disartria indicam comprometimento do sistema nervoso central. Assim, além das principais doenças vestibulares, é possível identificar síndromes cardiovasculares, neurológicas, metabólicas e psiquiátricas”, explica o Dr. Dorigueto.

Assim, de forma geral, um dos principais objetivos da campanha global é ressaltar o verdadeiro significado da tontura e da vertigem, desassociando o problema de forma imediata à labirintite, por exemplo. Além disso, o Dia Mundial da Tontura reforça a orientação de que os pacientes procurem auxílio médico e tratamento.

“O paciente não precisa conviver com a tontura, tampouco tratá-la como algo natural, que não pode ser tratado. Esse tipo de comportamento impede e compromete um diagnóstico e, consequentemente, um tratamento adequado”, conclui o otorrinolaringologista.

Vertigem pode esconder doenças graves, alertam especialistas do Hospital Paulista

Uma sensação que gera muito desconforto e pode ocasionar acidentes mais graves se for manifestada em um ambiente externo, por exemplo. Assim é definida a vertigem, um sintoma que pode ser causado por diferentes doenças, mas que pode estar associado também a outras ocorrências.

“De acordo com a classificação internacional de sintomas vestibulares, descrita pela Bárány Society, o termo vertigem deve ser utilizado quando o paciente descreve uma sensação ilusória ou distorcida durante o movimento normal da cabeça. Há uma falsa sensação de rotação, denominada vertigem rotatória, e também quaisquer outras sensações errôneas de movimento, como balanço, inclinação, oscilação ou deslizamento, agora denominados vertigem não rotatória”, explica o otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, do Hospital Paulista.

De acordo com a Dra. Rafaela Maia, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, a vertigem pode acometer de forma significativa pacientes idosos, embora não seja exclusiva desta faixa etária. “É notório que o envelhecimento provoca maior incidência de doenças degenerativas ou acometimentos secundários a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Todos esses fatores, que são mais prevalentes entre os idosos, podem estar associados a causas de vertigem”, explica.

No corpo humano, são vários os sistemas responsáveis por prover equilíbrio às pessoas. São eles: neurológico, labirinto, muscular, articular, visual e cardiovascular. É justamente a deterioração progressiva desses sistemas, provocada pelo envelhecimento, que faz com que as queixas de vertigem sejam mais frequentes em idosos.

“Nestes casos, o médico especialista sempre deve investigar todos os sistemas envolvidos, indo muito além do labirinto apenas, principalmente nas alterações cardiovasculares que são tão frequentes nesta faixa etária”, completa.

Outros sintomas

Enquanto as doenças do labirinto são geralmente acompanhadas por sintomas auditivos, náuseas e vômitos, a vertigem de origem neurológica é acompanhada por sinais que se relacionam ao sistema nervoso central.

“Por exemplo, alterações na audição, como sensação de ouvido tampado ou zumbido, podem indicar um problema intrínseco do ouvido. Dores de cabeça muito fortes e perda da capacidade de articular palavras ou movimentos chamam a atenção para acometimentos do sistema nervoso central, como o AVC (derrame). Quando a vertigem é acompanhada de sensação de desmaio, nosso sistema cardíaco deve ser investigado de imediato”, afirma o Dr. Dorigueto, que faz uma ressalva aos pacientes.

“Nunca deixe que a queixa de vertigem e tontura seja considerada apenas uma ‘labirintite’, pois ela pode indicar, de fato, alguma alteração importante no seu organismo”, completa.

Diagnóstico

Como a vertigem pode ter diversas origens, seu diagnóstico envolve a avaliação, por um médico especialista, dos sintomas associados, doenças pré-existentes e descrição do problema. Duração e fatores desencadeantes também são fundamentais para entender e estabelecer a possível origem da vertigem.

Para auxiliar no diagnóstico e tratamento, conforme os especialistas, diversos exames aparecem como opção ao paciente. O importante, no entanto, é sempre procurar um especialista diante da manifestação da vertigem, para evitar que o problema piore.

Confira abaixo alguns dos exames oferecidos para o diagnóstico da vertigem:

Exame Otoneurológico: feito com eletrodos (chamado de Vectonistagmografia) ou por vídeo (Videonistagmografia), avalia a função vestibular e neurológica por meio da interpretação dos movimentos oculares.

V-hit: exame relativamente moderno na Otorrinolaringologia, que testa a capacidade do labirinto para responder corretamente a movimentos rotacionais da cabeça. Ele é feito com um óculos, que consegue racionalizar a velocidade da cabeça e a resposta que o labirinto manda (através dos olhos). É recomendado para pacientes em crise aguda de vertigem ou para acompanhamento e investigação de sequelas, além de conseguir separar algumas localidades específicas do labirinto. Sua grande vantagem ao paciente é não provocar a vertigem, além de poder ser realizado mesmo durante uma crise do sintoma.

VEMP: juntamente com o V-hit, analisa todos os sensores do labirinto. É feito com alguns eletrodos (que não dão choque), na região do pescoço e dos olhos, e alguns movimentos são requisitados enquanto se ouve um som. O VEMP consegue identificar alterações na parte do labirinto que é responsável pelo senso de estabilidade do paciente, além de também ser muito sensível a alterações progressivas. Sua vantagem é também não provocar vertigem durante a realização do exame.

Mitos e verdades sobre o tímpano perfurado

Cerca de 150 mil brasileiros apresentam o tímpano perfurado anualmente no País. A perfuração timpânica, que pode gerar dor e desconforto intensos, tem diversas causas possíveis. Independente da origem, no entanto, recomenda-se a busca por auxílio médico imediato, já que o atraso no diagnóstico e no tratamento pode resultar em prejuízos à audição.

Ainda cercada de desconhecimento, a perfuração do tímpano pode ocorrer em qualquer idade, por fatores internos ou externos à pessoa.
Confira a seguir os mitos e verdades associados ao problema, com respostas elaboradas pela otorrinolaringologista Marcéli Nicole Peixoto Paiva, do Hospital Paulista.

 

O tímpano só pode ser perfurado através de traumas – MITO

As perfurações timpânicas podem ocorrer de maneira traumática, mas não é a única forma. O problema também pode ser gerado de maneira espontânea, devido a otites médias, que são inflamações na região do ouvido que ficam por dentro do tímpano.

Essas inflamações podem ser agudas, ou seja, de curta duração, geralmente secundárias a infecções de vias aéreas superiores (como gripes e resfriados), ou podem ser crônicas, ou seja, de longa duração, que geram quadros de otite persistente e podem ter várias causas.

 

O tímpano pode ser perfurado devido à pressão externa – VERDADE

Trata-se de um mecanismo de trauma menos comum, conhecido como barotrauma, que se dá quando existe uma diferença de pressão no ouvido em relação ao meio externo. Isso costuma acontecer durante voos de avião e mergulhos em profundidade, ou quando a pessoa assoa o nariz de maneira muito intensa, transmitindo pressão do nariz para o ouvido, também podendo gerar perfurações em casos mais extremos.

 

Uso de hastes flexíveis e agressões podem perfurar o tímpano – VERDADE

As perfurações timpânicas podem ocorrer de maneira traumática, seja devido à introdução de objetos no ouvido, como hastes flexíveis, ou devido a traumas na região craniana, como por acidentes ou agressão física.

Para prevenir essas perfurações timpânicas traumáticas, deve-se principalmente evitar a introdução de objetos dentro do canal auditivo, principalmente hastes flexíveis, geralmente utilizadas em bebês e crianças, que podem causar diversos problemas, além de perfuração do tímpano.

 

Remédios caseiros são suficientes em casos de dor de ouvido e otites – MITO

Embora não seja a forma mais comum, o tímpano pode ser perfurado em decorrência de quadros prolongados e/ou não tratados de inflamações nos ouvidos. Ao notar sintomas como dor de ouvido ou secreção na região, a pessoa deve buscar auxílio médico imediatamente. Isso permitirá que a inflamação seja tratada, evitando que evolua para uma perfuração ou outras complicações.

 

O tímpano perfurado sempre precisará de cirurgia para ser recuperado – MITO

A maioria das perfurações timpânicas, sejam elas de causa traumática ou secundária a otites, costuma cicatrizar e fechar de maneira espontânea após alguns dias ou semanas. Portanto, a maioria dos casos não necessita de tratamento cirúrgico, caso sejam tomados os cuidados adequados.

Caso não haja essa resolução de maneira espontânea após alguns meses, pode-se lançar mão da cirurgia, a timpanoplastia. Os casos que mais costumam precisar de tratamento cirúrgico são os crônicos, em que geralmente há um processo inflamatório persistente ou outras doenças associadas, que, na maioria das vezes, não cessam apenas com tratamento clínico.

Em algumas situações, pode ser necessário tratamento associado, como uso de antibióticos orais ou gotas otológicas, mas ele deve ser individualizado para cada caso, com a medicação correta indicada pelo médico otorrinolaringologista.

 

O tímpano perfurado pode gerar sequelas – VERDADE

As sequelas geralmente são decorrentes da perda auditiva associada às perfurações, seja pelo prejuízo na condução sonora no aparelho auditivo, seja pela lesão gerada ao órgão auditivo. Costumam ocorrer sintomas como perda de audição no ouvido afetado e zumbido. Tais sintomas podem ou não ser reversíveis, mesmo após o tratamento da causa de base.

 

A perfuração do tímpano gera apenas o sintoma de dor aguda na região – MITO

As perfurações traumáticas costumam evoluir com dor imediata e sangramento, assim como dificuldade para escutar pelo ouvido afetado, sensação de abafamento e zumbido. Tontura e vertigem também são comumente associadas a esses quadros.

Nos casos de perfuração secundária a otites médias, geralmente ocorre a saída de um líquido do ouvido que pode ser amarelado, purulento ou sanguinolento, após alguns dias de dor de ouvido. Essa situação pode ser agravada pela entrada de água no ouvido e também costuma envolver perda de audição de longa data.

Em quaisquer desses casos, deve-se procurar auxílio médico o mais rápido possível, sobretudo nos casos em que há sinais de gravidade, como dor intensa, febre, perda de audição súbita, traumatismo associado e tontura.

 

Diagnóstico e tratamento do tímpano perfurado devem ser feitos o quanto antes – VERDADE

Em todas as causas de perfuração timpânica, devem ser realizados o diagnóstico e o tratamento de maneira breve, a fim de prevenir a perda auditiva e outras complicações associadas, como paralisia da musculatura facial e infecção de sistema nervoso central (meningites e abscessos cerebrais).

 

Mitos e verdades sobre a cera de ouvido

A chegada do Verão costuma aumentar o número de atendimentos de pacientes em prontos-socorros com a reclamação de ouvido tampado devido ao acúmulo de cera. Por conta do desconhecimento, muitas pessoas acabam piorando a situação ao tentar “resolver” o problema com soluções caseiras.

Para esclarecer os principais mitos e verdades a respeito do assunto, a otorrinolaringologista Marcéli Nicole Peixoto Paiva, do Hospital Paulista, aborda a seguir as principais consequências do excesso de cera nos ouvidos, assim como os tratamentos possíveis.

 

“A cera nos ouvidos só gera prejuízos” – Mito

A cera é uma substância benéfica, produzida pela pele do canal auditivo, que ajuda na proteção do ouvido e contém substâncias com propriedades antibacterianas.

 

“A cera precisa ser retirada periodicamente com hastes flexíveis” – Mito

De acordo com a otorrinolaringologista, o ouvido tem mecanismos próprios que permitem a expulsão lenta e periódica do excesso de cera. O uso de hastes flexíveis e semelhantes prejudica a atuação desses mecanismos. “Por isso, a remoção da cera por conta própria pelo paciente deve ser evitada ao máximo. Nos casos em que a cera esteja em excesso, prejudicando a audição e causando incômodo, o paciente deve procurar o otorrinolaringologista para que seja feita a remoção com os instrumentos e técnicas adequadas, após uma correta avaliação.”

Algumas pessoas podem ter uma produção maior de cera, mas há hábitos que favorecem o acúmulo e a compactação da cera no canal auditivo, como o uso de hastes flexíveis e a manipulação dos ouvidos com outros objetos, seja na tentativa de aliviar a coceira ou de retirar o cerume por conta própria. “Deve-se evitar ao máximo esses hábitos a fim de prevenir não apenas o acúmulo de cera, como também prevenir lesões na pele do conduto e na membrana timpânica, e até mesmo a perda auditiva.”

“O acúmulo de cera gera prejuízo momentâneo à audição” – Verdade

O mais comum é o acúmulo de cera e não uma produção em excesso da substância. Nesses casos, o paciente tem uma sensação de ouvido tampado, com consequente diminuição e abafamento da audição, que gera bastante incômodo. De acordo com a médica, alguns casos podem vir associados à coceira e à dor, geralmente de leve intensidade. Em outros, podem estar associados à inflamação do canal auditivo.

 

“A produção de cera depende de vários fatores” – Verdade

A produção depende de fatores como condições de pele, estado febril, irritações locais e até mesmo o estado emocional do paciente. Banhos de imersão em mar, piscinas e lagos não afetam a produção do cerume, mas podem causar sensação de ouvido tampado, o que leva a um aumento significativo da procura ao atendimento de otorrinolaringologia durante o Verão.

 

“A água não afeta a condição da cera nos ouvidos” – Mito

A entrada de água pode deslocar a cera já existente no canal auditivo, gerando o seu bloqueio. Da mesma forma, a simples presença da água já pode gerar uma sensação transitória de entupimento do ouvido. Isso costuma ser breve, melhorando após a evaporação ou escorrimento natural da água. Nesses casos, o ato de virar a cabeça com a orelha afetada para baixo e puxá-la levemente para trás pode ajudar no escoamento da água. Caso a sensação de obstrução da audição permaneça mesmo após essa manobra e não melhore após algumas horas, deve-se suspeitar da presença de cera impactada e até mesmo de outras condições como inflamações do canal auditivo, se houver também dor ou coceira. Assim, o paciente deverá procurar auxílio para o devido tratamento.

 

“O uso de fones interfere na situação da cera nos ouvidos” – Verdade

O uso de fones de ouvido do tipo intra-auricular, ou seja, aqueles que penetram o canal auditivo, pode ser danoso, pois eles “empurram” a cera para dentro, podendo gerar acúmulo da substância. De acordo com a médica, estes são os principais cuidados em relação aos fones de ouvidos:

– Dar preferência aos fones que não penetram o canal auditivo, como os que se encaixam na cartilagem da concha, os que se apoiam atrás da orelha e os que cobrem a orelha;

– Fazer a higienização periódica dos fones auditivos com álcool após o uso para evitar infecções;

– Escolher o modelo de fone de ouvido que mais lhe cause conforto. Caso algum determinado modelo cause dor persistente, evitar o uso e procurar auxílio com o otorrinolaringologista;

– Independente do modelo do fone de ouvido, deve-se evitar o volume demasiadamente alto nos fones, assim como a exposição prolongada ao som, pois intensidades sonoras altas e prolongadas muito próximas ao órgão auditivo podem causar lesões como perda auditiva e zumbido, que podem ser irreversíveis.

 

“Na maioria das vezes, o tratamento para o excesso de cera é indolor” – Verdade

A remoção da cera de ouvido é um procedimento rápido, na maioria das vezes indolor, e gera um alívio imediato dos sintomas. O médico irá detectar a causa das sensações relatadas pelo paciente e proceder à sua remoção, caso haja excesso. Nesse caso, o médico pode empregar as seguintes técnicas e instrumentos, dependendo de cada paciente:

1 – Irrigação (lavagem) com água limpa na temperatura corporal (através do auxílio de seringas ou duchas automáticas);

2 – Sucção da cera com uma sonda de aspiração fina;

3 – Remoção mecânica da cera com uma cureta delicada.

Em alguns casos, quando a cera está muito petrificada ou impactada, pode ser necessária a prescrição de gotas otológicas para “amolecimento” da mesma, alguns dias antes do procedimento, a fim de facilitar a remoção.

Surdez pode ocorrer em apenas um dos ouvidos, alerta Hospital Paulista

Entre as várias confusões que são feitas por pacientes e seus familiares é de que a surdez sempre atinge os dois ouvidos. De acordo com o otorrinolaringologista José Ricardo Gurgel Testa, do Hospital Paulista, algumas doenças geram predominantemente a surdez em apenas um dos ouvidos.

“São quatro cenários principais que podem envolver a surdez em apenas um dos ouvidos. Pode ser através de (I) uma infecção viral como a otite; (II) de uma lesão vascular da cóclea, hemorragia ou infarto; (III) devido a trauma; (IV) ou até mesmo por conta de tumores do nervo auditivo”, explica o especialista.

Ainda segundo o médico, engana-se também quem pensa que a surdez em um dos ouvidos gera apenas um desconforto. Nessa situação, o paciente já apresentará dificuldade de comunicação, pois perderá capacidade de localização da fonte sonora, ainda que escute perfeitamente com o outro ouvido.

Até mesmo o lado em que ocorre a surdez influenciará nas dificuldades vividas pelo indivíduo. Conforme explica o médico, as pessoas podem ter dominância cerebral do lado esquerdo ou do lado direito. A maioria tem dominância cerebral e cognitiva na parte direita do cérebro.

“Se essa pessoa tiver, portanto, perda auditiva do lado direito, seu raciocínio será mais comprometido principalmente quando precisar usar a audição em locais ruidosos, pois sua dominância cerebral também está daquele lado”, completa.

 

Adaptação

Se a perda auditiva em dos ouvidos não é total, o paciente poderá corrigir o problema de forma simples, com um aparelho auditivo. No entanto, em casos de perdas totais ou mais severas, a idade da pessoa será preponderante para o sucesso do tratamento. Quanto mais velho, maiores serão as dificuldades para a recuperação.

“Em relação à adaptação, mesmo se não houver tratamento adequado, o paciente que desenvolveu surdez em um ouvido durante a infância ou adolescência acaba registrando certa adaptação no cérebro para conviver com a dificuldade. No idoso, essa adaptação é muito mais difícil”, afirma.

 

Sintomas

E como perceber que a surdez ocorre em somente um dos ouvidos antes de consultar um médico? De acordo com o otorrinolaringologista, é essencial que familiares e pessoas próximas observem a queixa do paciente, especialmente se for alguém idoso que, naturalmente, terá mais dificuldades para expor com clareza suas dificuldades.

“O paciente irá relatar pressão e zumbido em apenas um dos ouvidos, como se estivesse obstruído. Pode haver uma confusão da própria pessoa também em relação à gravidade do problema. Ou ele entende que a perda auditiva é grande, quando não é. Ou entende que a perda é leve, quando na verdade é mais severa”, explica o médico.

Segundo ele, somente com o exame auditivo será possível avaliar o grau da perda, realizar o diagnóstico correto e proceder ao tratamento mais adequado.

Reabilitação auditiva após cirurgia de implante coclear é essencial para o êxito do paciente

Quem tem deficiência auditiva poderá se deparar em algum momento com a indicação médica pelo implante coclear. A cirurgia não é simples, mas um dos aspectos mais importantes aos pacientes que passam pelo processo é realizar um rigoroso acompanhamento médico após a cirurgia, juntamente com a terapia fonoaudiológica, que permitirão sua eficaz reabilitação.

De acordo com o otorrinolaringologista José Ricardo Gurgel Testa, do Hospital Paulista, a cirurgia consiste em uma pequena incisão atrás da orelha e uma mastoidectomia (remoção de tecido no ouvido), por onde é inserido o dispositivo eletrônico. O paciente que recebe o implante coclear costuma ficar apenas um dia internado, sendo que os maiores cuidados e limitações do pós-operatório geralmente duram de 10 a 15 dias.

“Não há limitação de idade para realizar a cirurgia do implante coclear, embora a recomendação para crianças seja operar a partir dos seis meses de vida. Dentre as possíveis indicações médicas para o uso do aparelho, a principal está relacionada a casos de perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos) profunda ou severa”, explica o médico.

O cenário descrito pelo otorrinolaringologista ocorre quando o paciente registra perda auditiva pior do que 60 decibéis, associada a uma taxa de discriminação menor do que 50%. “A taxa de discriminação é medida a partir do exame de audiometria, quando o paciente deve ouvir e repetir um determinado número de palavras”, explica o médico, que aponta ainda uma segunda indicação para o procedimento.

“O implante coclear também pode ser indicado em casos de perda auditiva unilateral (em um ouvido) na qual o paciente tem um zumbido incapacitante na orelha surda”, completa. Em ambos os casos, o paciente apresenta uma incapacidade auditiva tão severa que os tradicionais aparelhos auditivos não são suficientes para restaurar ou melhorar sua condição.

Diferentemente dos aparelhos auditivos tradicionais, o implante coclear não somente amplia o volume dos sons que o paciente escuta, mas melhora também a taxa de compreensão. O aparelho tem o objetivo de substituir as funções das células do ouvido interno, de modo a estimular o nervo auditivo e recriar as sensações sonoras.

 

Terapia com fonoaudiólogo

De acordo com a fonoaudióloga Sabrina Figueiredo, do Hospital Paulista, o acompanhamento multidisciplinar já é recomendado antes da cirurgia. No entanto, após a inserção do implante coclear é essencial que o paciente passe pela reabilitação junto a um fonoaudiólogo.

“Essa reabilitação precisa ter início logo após a ativação do processador de fala, geralmente uma ou duas vezes por semana. A estratégia utilizada para a reabilitação irá variar de acordo com a idade do paciente”, explica Sabrina. Em crianças, a habilitação (ou reabilitação) é feita com foco no desenvolvimento das habilidades auditivas (detecção, identificação e reconhecimento dos sons ambientais e de fala) de forma lúdica, com incentivo para que os pais e familiares também estimulem o paciente a explorar a linguagem no dia a dia.

“No caso do adulto, os métodos são definidos de acordo com a evolução do paciente. Verificamos inicialmente o desempenho em relação às habilidades auditivas, que poderão ser resgatadas com o uso efetivo do implante coclear. O paciente também deverá voltar a detectar e identificar os sons, evoluindo até que esteja apto a reconhecer a fala. Assim, terá sua comunicação oral reabilitada, além da melhora na articulação e pronúncia da fala”, afirma a fonoaudióloga.

Conforme explica Sabrina, a reabilitação é um trabalho muito importante, complexo e deve ser um compromisso firmado pelo paciente e por seus familiares para que o implante coclear, de fato, gere o efeito esperado.

“Mesmo no caso do adulto que já sabia falar, será necessário reaprender a ouvir a partir do estímulo elétrico gerado pelo dispositivo. O implante transforma os sons acústicos (que ouvimos normalmente) em pulsos elétricos e possibilita que estes estímulos sejam levados até o cérebro, onde são interpretados como sons pelo córtex auditivo. Não é um estímulo natural e é por isso que o paciente precisa de terapia, treinamento e reabilitação auditiva e de linguagem”, conclui Sabrina.

Novidade – Videonistagmografia

Novidade do Hospital Paulista na reta final de 2020 é a segunda unidade do videonistagmógrafo. O aparelho é responsável pela videonistagmografia, um exame capaz de testar a função do labirinto e as suas funções neurológicas relacionadas.

O procedimento permite aferir, por exemplo, se a tontura é causada pela vertigem posicional paroxística benigna ou pela doença de Menière (enfermidades do ouvido interno) ou ainda se está relacionada a doenças neurológicas, como a esclerose múltipla ou um acidente vascular cerebral.

“A segunda unidade do videonistagmógrafo permite ao Hospital Paulista ampliar seu atendimento, resultando em maior comodidade aos pacientes. Trata-se de um exame muito importante, responsável pela avaliação vestibular, e essencial no diagnóstico correto e preciso dos pacientes que se queixam de tontura”, explica o otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto.