Novembro Laranja chama a atenção para diagnóstico e tratamento multidisciplinar do zumbido

A campanha Novembro Laranja tem como objetivo conscientizar a população para o problema do zumbido nos ouvidos. Estima-se que 278 milhões de pessoas em todo o mundo sofram com o distúrbio, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para a otorrinolaringologista do Hospital Paulista Cristiane Passos Dias Levy, é importante ressaltar que o zumbido é um sintoma e não uma doença. Dessa forma, tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser multidisciplinares.

“O zumbido pode ter uma ou várias causas. Pode derivar de uma doença otológica, como a perda auditiva induzida por ruído ou a presbiacusia (relacionada à idade), mas também pode surgir a partir de problemas farmacológicos e vasculares, cardiovasculares (anemia), metabólicos (diabetes e alteração na glândula tireoide), neurológicos, odontogênicos (disfunção na articulação da mandíbula e nos músculos ao redor),” explica.

Os hábitos do paciente também são avaliados pelos médicos, pois podem influenciar na ocorrência e no agravamento do sintoma. O estresse, o consumo excessivo de cafeína, cigarro e álcool, por exemplo, pode em alguns casos ser determinante para a manifestação do zumbido.

Como o tratamento ao zumbido depende de sua causa, é comum que envolva mais de uma especialidade médica, para descartar possíveis outros problemas. “Diagnóstico e tratamento podem contar com o trabalho do otorrinolaringologista, fonoaudióloga, fisioterapeuta e especialista bucomaxilofacial, entre outros”, afirma a médica.

Além disso, se engana quem pensa que o zumbido acomete somente a população idosa. Ainda que seja mais comum em pessoas acima dos 65 anos, os jovens também podem apresentar o sintoma, especialmente quando fazem uso exagerado e constante de fones de ouvido em volume inadequado.

“Ainda assim, a condição se manifesta com maior frequência em idosos. Um estudo realizado na cidade de São Paulo atestou a prevalência do zumbido em 22% da população. Entre os jovens, o índice foi de 12% e entre os idosos, de 36%. Ainda que não existam estudos recentes e abrangentes sobre o problema, a prática clínica aponta para maior ocorrência, de fato, entre aqueles com mais de 65 anos”, complementa.

O exame recomendado para identificar o tipo e a intensidade do zumbido é a Acufenometria, realizado pelo Hospital Paulista em seu Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrino. O procedimento não requer internação ou anestesia e pode ser feito em pacientes jovens e idosos, a partir da recomendação e acompanhamento médico

A indiferença com que muitos tratam o zumbido também faz com que o quadro seja agravado. Muitos pacientes e/ou familiares consideram o sintoma como algo natural da idade avançada e deixam de procurar auxílio médico adequado.

“Essa indiferença atrapalha no diagnóstico precoce. Em alguns casos, a simples mudança de hábitos já é suficiente para melhorar o quadro de forma significativa”, avalia a otorrinolaringologista, que ressalta ainda a importância da campanha do Novembro Laranja.

“O Novembro Laranja é importante para conscientizar a população para que recorra ao diagnóstico médico, a partir de um exame clínico completo, que compreenda a apuração audiológica e avaliações complementares”, finaliza.

Já ouviu falar em surdez oculta? Não? É melhor conhecer o problema

Você está em um bar com amigos e tem dificuldade para entender o que as pessoas falam, apesar de ouvir com clareza outros sons ambientes. Se esse tipo de problema se repete com frequência, pode indicar o que os médicos e cientistas passaram, há menos de uma década, a caracterizar como surdez oculta.

A doença, na verdade, trata-se de uma série de neuropatias auditivas que começaram a ser chamadas por esse nome. A lista de sintomas da surdez oculta ainda está em formação, mas o mais comum é a dificuldade de compreender alguns sons, que piora em ambientes ruidosos.

 

Por que oculta?

A surdez oculta tem difícil diagnóstico. Ela normalmente não é detectada em exames clínicos e testes convencionais. Parece até que a pessoa escuta bem, só que não. É daí que vem seu nome.

Os pacientes conseguem distinguir sons puros em qualquer volume, mas têm dificuldade de discriminar palavras misturadas a outros ruídos — como música ambiente ou talheres batendo nos pratos em um restaurante.

Isso pode ser resultado de algum problema no caminho entre as estruturas do ouvido que captam os sons e o cérebro, que ‘lê’ as mensagens enviadas por elas. Ou seja, a pessoa até “escuta” o que foi falado, mas o cérebro não “entende”.

Outra possibilidade é que o som captado em um ouvido chegue mais rápido ao cérebro do que o escutado no outro, porque os nervos têm velocidades diferentes. Aí, a mensagem fica confusa. Algumas doenças degenerativas, como Alzheimer, também podem comprometer a sincronia da comunicação entre ouvidos e cérebro.

 

Mas o que provoca o problema?

Uma das hipóteses para a surdez oculta, levantada por um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, é de que ela seria causada pela exposição prolongada a sons altos – ou  o uso frequente de fones de ouvido. Os cientistas suspeitam que ficar exposto a ruídos por tempo prolongado afeta a produção de neurotransmissores –substâncias importantes para a comunicação entre os neurônios e o restante do corpo.

A surdez oculta pode ser tratada com medicamentos, terapia auditiva ou com aparelhos e implantes. Como seu diagnóstico é difícil e não há um perfil específico de pessoas que podem ser afetadas pelo problema, é muito importante ficar atento e procurar um médico caso perceba que está com dificuldade de compreender diversas conversas.

Fontes: José Ricardo Gurgel Testa, médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista; e

Rubens de Brito, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia e professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Por que as crianças sofrem mais com infecções no nariz, ouvidos e garganta?

Se tem algo que causa temor e angústia nos pais é ver o filho doente. Independente da gravidade do caso, o sofrimento dos pequenos costuma gerar uma sensação de impotência. Nesse sentido, infecções recorrentes no nariz, nos ouvidos e na garganta são uma das principais causas a tirar o sono dos pais, principalmente nos primeiros anos das crianças.

Afinal, por que o processo infeccioso nessas regiões do corpo é mais comum em crianças do que em adultos? De acordo com as otorrinolaringologistas Cristiane Mayra Adami e Leila dos Reis Ortiz Tamiso, do Hospital Paulista, parte da explicação está na imunidade mais baixa dos pequenos, que só será formada definitivamente na pré-adolescência.

“Os tecidos de proteção local da criança na garganta e no nariz são as amígdalas e a adenoide. De forma natural, a criança tem a higiene um pouco mais defasada do que a do adulto, pois leva tudo à boca, inclusive as mãos. Dessa forma, sua imunidade tem que trabalhar muito mais. E onde produz essa imunidade local? Nas amígdalas e na adenoide, que aumentam de tamanho para produzirem mais células de defesa. É aí que ocorre a hipertrofia da adenoide e da amígdala, que tem como consequências as infecções de garganta, nariz e ouvido”, explica Leila.

Cristiane ressalta outros dois fatores que contribuem para uma maior incidência destas infecções nos pequenos. “A criança que está escola tem contato com todo mundo. Assim, a escola é o principal fator de disseminação das infecções nas crianças”, explica a otorrinolaringologista. De acordo com ela, entretanto, os pais não devem esperar o passar dos anos para buscar tratamento médico.

“Essas infecções de repetição podem prejudicar a criança. Vamos deixar essa criança sofrendo e tomando antibióticos uma vez por mês, destruindo, portanto, a imunidade do seu intestino? Temos exemplos de crianças que tomam antibiótico todos os meses. Terminam um, passam alguns dias bem e ficam doentes de novo. Para caracterizar essa repetição, falamos no mínimo de 3 a 4 vezes com infecções em um ano. No entanto, tudo depende da intensidade da doença. Se a criança sente muito os efeitos das infecções, não consegue fazer nada, não consegue ir à escola, já é indicação de tratamento cirúrgico. O melhor é prevenir”, complementa Cristiane.

Alguns outros sintomas ajudam os pais a identificarem se a criança está sofrendo com as infecções recorrentes. Dificuldades auditivas, ronco, sono muito agitado e dificuldade de alimentação são alguns deles.

“Às vezes, os pais entendem que as infecções são normais, pois eles também tiveram durante suas infâncias. O tempo vai passando, eles deixam de tratar e perdemos o momento correto para realizar o diagnóstico e o tratamento. Isso tem extrema importância. Para que a criança tenha um bom desenvolvimento físico e psicológico, é preciso que todos os seus sistemas – de imunidade e de crescimento, por exemplo – estejam em evolução. O hormônio de crescimento é produzido durante a madrugada. Se a criança não dorme direito, provavelmente não terá um desenvolvimento adequado. A recomendação, portanto, é sempre procurar um otorrino para verificar essas questões”, complementa Leila.

Ao diagnosticar problemas na adenoide ou nas amígdalas, frutos de infecções recorrentes, Cristiane explica que o tratamento inicial irá priorizar soluções clínicas, com o uso de medicamentos e vacinas.

“Se o tratamento clínico não é suficiente ou eficaz, indicamos tratamento cirúrgico. Alguns casos, no entanto, requerem cirurgia de imediato. Na apneia do sono, por exemplo, a indicação primordial é cirúrgica, pois a criança pode sofrer paradas respiratórias enquanto dorme. Sempre buscamos o tratamento clínico, mas a cirurgia pode ser necessária em alguns cenários”, avalia.

Na maioria dos casos, as cirurgias de amígdalas e adenoide são feitas em conjunto. Os pais, no entanto, devem se preparar para o pós-operatório do procedimento, já que a criança precisa permanecer em repouso e pode reclamar de algumas dores. O ideal é que essas cirurgias sejam realizadas ainda na infância, desde que haja indicação médica.

“O adulto passou mais tempo com esse problema e naturalmente sentirá muito mais dor após o procedimento cirúrgico”, conclui Cristiane.

Dia Internacional do Idoso: conheça as principais doenças e saiba quando recorrer a um otorrinolaringologista

No mês de celebração pelo Dia Internacional do Idoso, lembrado em 1º de outubro, o Hospital Paulista faz um alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças de ouvido, nariz e garganta que podem atingir a terceira idade, público que representa hoje 13% da população brasileira.

A expectativa, no entanto, é que o país tenha cerca de 30% de sua população idosa em 2050. Além disso, espera-se que, a partir de 2030, a quantidade de brasileiros na faixa etária de 60 anos ou mais supere aquela que compreende dos 0 aos 14 anos.

Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida no Brasil cresce, os idosos anseiam por um envelhecimento de qualidade. Algumas patologias são típicas desta fase e provocam sensível perda de qualidade de vida ao paciente.

Com orientações e dicas do otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, o Hospital Paulista aborda, na sequência, os principais problemas desta especialidade relacionados aos idosos.

A recomendação é que, ao notar sintomas, o idoso (ou familiares/responsáveis) procure um médico especialista para averiguar as causas e os tratamentos disponíveis.

  • Surdez/dificuldade auditiva

“A surdez no idoso está relacionada ao envelhecimento natural do paciente. A partir dos 50, 60 anos, há uma redução natural do número de células auditivas e com isso o indivíduo perderá gradualmente a audição”, explica Dorigueto.

O processo de perda de audição, entretanto, pode ser intensificado a partir de fatores como diabetes, pressão alta, tabagismo e consumo de álcool em excesso. Além disso, a demora das pessoas em buscarem ajuda – justamente por imaginarem que não há tratamento – acelera o avanço do problema, podendo gerar, inclusive, a surdez definitiva.

Um dos exames que podem auxiliar o diagnóstico de distúrbios auditivos é o BERA (Exame do Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico).

 

“O BERA tem o objetivo de avaliar a integridade funcional do nervo auditivo e determinar se há ou não um distúrbio na audição. Ele possibilita identificar se a causa é decorrente de uma lesão no nervo auditivo ou no sistema nervoso. A sedação é um diferencial para o procedimento, já que, no momento do teste, não pode haver nenhum movimento que interfira na resposta elétrica e, consequentemente, na interpretação correta do resultado”, afirma.

  • Vertigem e distúrbios de equilíbrio

O equilíbrio no ser humano depende da integração de uma série de sistemas no corpo. Com o avanço da idade, alguns desses sistemas sofrem pequenas degenerações, e o idoso passa a vivenciar episódios de desequilíbrio em determinadas situações até então corriqueiras.

“A vertigem e os distúrbios de equilíbrio influem diretamente na perda de autonomia do idoso e podem ser gerados por comprometimentos neurológicos ou do labirinto. O indivíduo perde a confiança de realizar atividades que até então fazia frequentemente, como ir à farmácia, ao supermercado, visitar amigos e familiares. Além disso, as quedas de um idoso podem gerar problemas físicos mais graves (fraturas em membros e na bacia, por exemplo), tornando sua condição muito mais séria, já que a recuperação costuma ser lenta e passível de complicações”, complementa o médico.

  • Obstrução nasal

Pode ser resultado de rinites alérgicas a partir da reação do corpo humano a determinadas substâncias. Por isso, é muito importante ficar atento aos elementos que compõem o lar de um idoso, especialmente se ele mora sozinho. Tapetes, cortinas e cobertores devem ser higienizados com frequência e os ambientes devem ser arejados diariamente, para evitar a formação de poeira e outras substâncias que podem irritar o sistema respiratório do indivíduo.

  • Dor de cabeça

“A cefaleia (dor de cabeça) no idoso pode ser primária (quando a dor é o próprio problema, sem relação com outros problemas) ou secundária (quando está relacionada a outras causas). Neste último caso, é preciso realizar uma abordagem sistemática, de modo a entender quais são os fatores que estão causando dor frequente no paciente”, explica o médico.

Idosos costumam fazer uso de mais medicamentos diários e a interação entre eles pode gerar efeitos adversos, como a cefaleia. Além disso, acidente vascular cerebral ou derrame costumam apresentar sintomas semelhantes aos da enxaqueca e não devem jamais ser negligenciados pelo paciente ou por seus familiares, sob o risco, inclusive, de morte.

  • Secreção e/ou sangramento nasal

“O uso de medicamentos, a hipertensão arterial sistêmica e as alergias são as principais causas de secreção e sangramento nasal em idosos. O desvio de septo também pode contribuir para estes problemas. No caso do sangramento, quando muito intenso, pode gerar uma situação de urgência que demandará tratamentos mais intensos, incluindo cirurgia nos casos mais graves”, destaca Dorigueto.

Já a secreção em excesso pode gerar um fluxo contínuo de muco para a garganta. Com isso, o idoso apresenta pigarro ou tosse mais insistente. Se não houver tratamento, o quadro pode agravar a situação do nariz e da garganta do paciente.

  • Zumbido no ouvido

O zumbido pode ser intermitente ou contínuo e pode variar também na intensidade. Trata-se de um problema que gera bastante incômodo nos pacientes, pois não é “percebido” por ninguém ao seu redor. Ainda que não seja exclusivo de pessoas acima dos 60 anos, o zumbido costuma gerar mais queixas entre os idosos.

Segundo um estudo realizado com cerca de 2 mil paulistanos, em 2015, 36% dos entrevistados idosos relataram queixa de zumbido nos ouvidos. “São vários os fatores que podem levar o paciente a registrar o problema. Por isso, é muito importante que se faça um diagnóstico precoce para identificar, inclusive, os hábitos deste indivíduo que contribuem para o quadro. O zumbido pode parecer apenas um incômodo, mas pode gerar uma sensível queda na qualidade de vida do idoso, prejudicando seu sono, seus momentos de lazer e seu convívio com familiares e amigos”, afirma o otorrinolaringologista.

  • Secreção, sangramento e dor de ouvido

O diagnóstico precoce também é essencial neste caso. A secreção (com ou sem sangue) no ouvido pode ser gerada por um processo infeccioso, por alguma lesão na cabeça ou até mesmo por problemas no tímpano (como seu rompimento). Ao identificar os sintomas, é necessário recorrer a um médico imediatamente, evitando limpar o local sem orientação.

Em alguns casos, a dor aparece sem secreção. Ainda assim, também é recomendado o auxílio médico imediato, justamente para evitar que a condição se agrave.

  • Dor de garganta e rouquidão

Assim como em outras faixas etárias, a dor de garganta em idosos pode ser gerada por infecções. “No entanto, o pigarro e a tosse insistente, frutos de outros problemas, também podem machucar a garganta. Fatores como tabagismo e consumo de álcool igualmente são prejudiciais”, diz o médico.

A rouquidão também pode ser fruto do consumo prolongado de cigarros. Da mesma forma, problemas na laringe (incluindo câncer) e refluxo gastroesofágico geram rouquidão e requerem diagnóstico e tratamento específicos para cada paciente.

  • Ronco e apneia do sono

O ronco não costuma aparecer somente na velhice. Trata-se de um problema que se manifesta ao longo da vida, mas que pode ser agravado devido à falta de tratamento adequado e a fatores como obesidade e tabagismo.

“Cerca de 60% dos homens e 40% das mulheres acima de 65 anos roncam e/ou têm apneia do sono. Ela se caracteriza pela obstrução dos canais respiratórios durante o sono e podem interromper, por alguns segundos, o fluxo de ar. Como alguns idosos moram sozinhos, a percepção dos problemas acaba sendo prejudicada”, explica.

Setembro Azul ressalta importância de cuidar e inserir deficientes auditivos na sociedade

A campanha Setembro Azul marca um período específico do ano para chamar a atenção de todos sobre os desafios e conquistas da comunidade surda e de pessoas com alguma deficiência auditiva. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) relatam cerca de 466 milhões de pessoas com problemas de audição no mundo. No Brasil, mais de 30 milhões de indivíduos apresentam algum grau de surdez.

Mais do que apresentar as dificuldades sofridas por surdos e deficientes auditivos, o Setembro Azul procura mostrar à população em geral que é possível (e necessário) integrá-los em serviços e atividades básicas do dia a dia, ainda restritas a pessoas com algum tipo de desordem no sistema auditivo.

“A comunidade surda é alegre, divertida. Eles dançam, promovem atividades e têm sua história e sua cultura. O Setembro Azul não é destinado apenas aos surdos, mas a todos nós, para que ocorra uma conscientização da população. Precisamos mostrar como, infelizmente, as pessoas surdas ainda enfrentam barreiras para integrar-se à sociedade”, ressalta Christiane Mara Nicodemo, fonoaudióloga do Hospital Paulista.

Diagnóstico e tratamento

Conscientizar a população significa também mostrar a importância do diagnóstico e do tratamento precoce da deficiência auditiva. Conforme explica José Ricardo Testa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, a deficiência auditiva é invisível e pode ser negligenciada pelo paciente e por seus familiares.

“As pessoas podem achar que o paciente está distraído, confuso e não com perda de audição. O próprio deficiente pode considerar que o fato dele admitir que está com perda de audição o colocaria num patamar inferior, ou que pareceria que ele é mais velho, o que não é necessariamente verdadeiro”, explica o otorrinolaringologista.

De acordo com Christiane, o diagnóstico precoce é muito importante para o tratamento e reabilitação, e todos estes processos envolverão a atuação conjunta do otorrinolaringologista e do fonoaudiólogo.

“O primeiro exame que pedimos é a audiometria, que irá avaliar a capacidade auditiva do indivíduo. Se houver alteração, ou outra complicação, o médico pode solicitar outros exames para traçar o diagnóstico. A partir daí, será o caso de avaliar se teremos tratamento medicamentoso, cirúrgico ou também a prótese auditiva. No entanto, todos esses tratamentos demandarão uma reabilitação”, explica a especialista.

Os médicos ressaltam que a simples utilização do aparelho auditivo (ou de outro tratamento) não garante a normalização do problema. O trabalho da fonoaudióloga será reabilitar o paciente, orientá-lo sobre o uso do aparelho, seus cuidados e manutenção. Após o diagnóstico, o acompanhamento com os médicos deverá ser feito, no mínimo, a cada três meses.

Mito da idade

Engana-se também quem pensa que o processo de perda auditiva está relacionado somente a pacientes idosos. Problemas no órgão podem ocorrer em qualquer fase da vida, influenciados por doenças características de idades distintas.

“A perda auditiva é mais prevalente nos idosos, devido ao desgaste natural do sistema. Com a idade, o idoso naturalmente vai perdendo audição, capacidade de equilíbrio, visão, memória. No entanto, em pessoas mais novas [30, 40 anos], é possível ocorrer deficiência auditiva devido a doenças ligadas ao metabolismo, como a diabetes, e também como efeito colateral de medicamentos”, complementa o médico.

Importância da audiometria

Apesar de identificar possíveis alterações no sistema auditivo, a audiometria ainda é desconhecida e/ou ignorada por boa parte dos brasileiros, diferentemente dos exames de visão, por exemplo, realizados com frequência anual pelas pessoas.

“A perda de audição é silenciosa, não gera incômodo aparente, não dói. Assim, as pessoas minimizam o problema e deixam de fazer o exame, diferentemente dos problemas de visão que são mais perceptíveis. É preciso tornar frequente a audiometria, assim como as pessoas sempre verificam a qualidade da visão”, aponta a fonoaudióloga.

Nas maternidades, através do Teste da Orelhinha, é possível identificar problemas auditivos nos recém-nascidos. Na fase pré-escolar, quando a criança vai para o primeiro ano, é preciso fazer o exame, pois a perda de audição gera comprometimento no aprendizado. A partir dos 45 anos, o exame deve ser anual.

Origem do evento

O Setembro Azul teve início em 1880, quando a Conferência de Milão jogou luz sobre a comunidade surda. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), soldados com deficiência auditiva utilizavam uma fita azul nos braços. Em 1999, durante Conferência nos Estados Unidos, a comunidade médica voltou a ressaltar, marcar e divulgar a importância da conscientização das pessoas em relação aos deficientes auditivos.

Atualmente, ainda que a situação tenha evoluído levemente no Brasil, o Setembro Azul busca divulgar as conquistas da comunidade surda, bem como os desafios que ainda precisam ser superados.

“São coisas simples da vida, que não temos noção do quanto e como é difícil para o outro. Você não vê prédios com guaritas que tenham algum tipo de acessibilidade ao visitante surdo. Nos programas de televisão, são raros aqueles que apresentam o conteúdo em Libras [Língua Brasileira de Sinais]. E, muitas vezes, as legendas são exibidas de forma muito rápida, impossibilitando que eles acompanhem o conteúdo”, conclui a fonoaudióloga.

Hospital Paulista pede atenção à perda de audição em idosos

A perda de audição pode atingir até 40% dos adultos com mais de 65 anos. O Hospital Paulista faz um alerta para o tema, muitas vezes considerado como um sintoma comum e inofensivo pelos familiares.

“Já sabemos que a perda da audição não tratada aumenta o declínio cognitivo do idoso. Isso pode, por exemplo, desencadear um quadro de ansiedade, tristeza ou até mesmo de depressão, por conta do isolamento do convívio social e da perda da habilidade de aproveitar os sons ou a voz das pessoas”, explica a fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo.

Segundo a especialista, há também idosos que, mesmo necessitando de aparelhos auditivos, nunca os utilizam por diversas razões, como a negação do problema, o preconceito e a falta de informação. “Outros não procuram ou não aceitam ajuda, desenvolvendo sentimentos de ansiedade e frustração, que podem levar facilmente a um quadro depressivo”, destaca. O diagnóstico e tratamento precoces aumentam as chances de reverter a situação e evitar complicações.

A fonoaudióloga ressalta ainda que a perda da audição pode ser um sintoma de uma doença mais grave. Dessa forma, menosprezar sua ocorrência pode gerar um risco significativo para a saúde dos idosos.

“Pessoas com diabetes têm 20% mais de chances de desenvolver a perda da audição. Quem tem pressão alta, além de perder a audição, pode registrar zumbido. Pacientes com labirintite também têm sua situação agravada se não tratarem uma possível perda de audição. Tudo vai piorando se não houver um diagnóstico e o problema não for tratado. O diagnóstico precoce é muito importante. É um diferencial na qualidade de vida do idoso”, completa.

Um “simples” problema de perda de audição, ao relacionar-se com outras doenças, pode ser determinante para piorar de forma significativa a qualidade de vida do idoso. Conforme explica a fonoaudióloga, é preciso tratar todos os problemas e não apenas aquele considerado “mais grave”, como diabetes e pressão alta.

Quem convive com o idoso, ou o visita com determinada frequência, deve atentar-se a alguns sinais do dia a dia, que podem indicar problemas na audição. Entre eles:

o volume da televisão: se você se incomoda com o volume do aparelho, é muito provável que o idoso esteja assistindo à TV com um ruído mais alto do que o recomendado.

a memória: problemas de memória podem estar relacionados a dificuldades de audição. Você diz algo ao idoso, ele não ouve, e é cobrado posteriormente como se estivesse ciente do assunto.

o isolamento: idosos com perda de audição tendem a isolarem-se de familiares e amigos, ou permanecem mais calados durante os encontros. Isso porque sentem-se constrangidos por não conseguirem conversar adequadamente. Esse comportamento pode levar a um quadro de depressão.

a desorientação: idosos com problemas de audição sem tratamento costumam apresentar prejuízo na capacidade cognitiva.

a situação de outras doenças: diabetes, hipertensão e labirintopatias são condições que podem agravar a perda de audição do idoso. Todos os tratamentos devem ser feitos corretamente, com auxílio e acompanhamento dos profissionais médicos responsáveis por cada especialidade.

Doença de Ménière: O que é e como preveni-la?

 

Sensação de pressão ou ouvido tampado, zumbido, vertigem e surdez flutuante. Estes são os principais sintomas da doença de Ménière, chamada também de hidropsia endolinfática.

Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Paulista Dr. José Ricardo Testa, o problema ocorre quando há uma distensão do compartimento onde fica armazenada a endolinfa, ou seja, um dos líquidos do labirinto. “Essa distensão provoca um aumento da pressão do líquido dentro do ouvido”, explica o especialista.

Infecções, estresse, tabagismo, enxaqueca, alterações do sistema imunológico, variações anatômicas do ouvido interno ou predisposição genética são algumas das alterações que podem levar ao aumento desta pressão.

“Por ser aparentemente flutuante, a doença pode ser confundida com um mal estar temporário ou com uma labirintite em seu estágio inicial”, afirma Testa.

O médico destaca que, embora a doença de Ménière seja considerada crônica, existem formas de tratamento que podem ajudar a aliviar os sintomas e minimizar o impacto da síndrome a longo prazo.

“Nos casos mais simples da doença, mudanças no estilo de vida podem ajudar a controlar a Ménière, como uma alimentação balanceada, reduzindo o consumo de sal, açúcar e cafeína, e a prática de exercícios, por exemplo”, detalha o especialista.

Testa ressalta, no entanto, que, nos casos mais graves, o tratamento é medicamentoso, podendo até ser indicada uma cirurgia para seccionar o nervo vestibular.

“Remédios para tratar náuseas e vertigens, diuréticos e terapia de reabilitação vestibular, que são exercícios específicos para devolver o equilíbrio ao labirinto, podem ser utilizados”, finaliza o médico.

A doença de Ménière atinge, principalmente, adultos entre 40 e 60 anos. Na maioria dos casos, afeta apenas um ouvido.

Hospital Paulista esclarece principais dúvidas sobre o Teste da Orelhinha

A audição, um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento da criança, já mostra a sua relevância desde muito cedo, ainda durante a gestação.

Segundo a otorrinolaringologista do Hospital Paulista Renata Garrafa, um mínimo grau de perda da capacidade auditiva pode interferir no desenvolvimento da linguagem e compreensão das informações sonoras que a criança recebe. “É a partir dos sons do corpo da mãe, seus batimentos cardíacos e, também, da sua voz que o bebê começa a trilhar seu longo caminho de aprendizados”, destaca.

Por isso, explica a médica, é fundamental a detecção precoce de qualquer problema auditivo, permitindo que a criança seja tratada o quanto antes, minimizando seus efeitos.

Esse diagnóstico é possível através do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA), conhecido como Teste da Orelhinha. Gratuito e obrigatório em todas as maternidades, o teste deve ser realizado durante os primeiros 30 dias de vida do bebê.

Como funciona o Teste da Orelhinha?

A especialista afirma que o exame é muito rápido e totalmente indolor. “Uma sonda colocada na orelha do bebê, junto de um alto falante e um pequeno microfone, emite determinados sons, enquanto um computador captura e analisa o eco produzido sem que a criança sinta qualquer tipo de incômodo.”

Segundo Renata, cerca de 50% das crianças sem risco conhecido para perda auditiva podem, mesmo assim, apresentar algum grau de perda de audição.

Devido a esse número elevado, torna-se crucial realizar a triagem auditiva em todos os bebês. “Caso exista alguma deficiência de audição, ela poderá ser tratada o mais precocemente possível, evitando prejuízos no seu desenvolvimento”, reforça.

Por que esse exame é tão importante?

A especialista conta que, quando a criança apresenta qualquer perda auditiva, esse fator impacta na interação social e na sua aprendizagem global, além da construção da fala. Tais fatores podem ser minimizados com o tratamento adequado, possibilitando mais qualidade de vida.

Ela ainda faz um alerta. “Todos os sons que ouvimos ajudam na formação de um sistema sensorial auditivo, que atua no nosso sistema nervoso central. Quando a privação auditiva não é tratada logo nos primeiros anos de vida, esse sistema fica impedido de se formar, um efeito colateral que pode ser irrecuperável na vida adulta.”

Vale lembrar que existem alguns fatores de risco conhecidos para perda auditiva, como infecções congênitas (rubéola e citomegalovírus, por exemplo), necessidade de UTI por mais de 5 dias, uso de medicações ototóxicas, ou seja, tóxicas para o órgão auditivo, entre outras.

Nesses casos, é recomendado também realizar a triagem auditiva com o Exame de Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico (conhecido como PEATE/ BERA). Esse teste pode detectar a menor intensidade de som percebida pela orelha.

“Em todos os casos, a mensagem mais importante para os pais é que atentem para a realização do teste logo no primeiro mês de vida do bebê, preferencialmente antes mesmo da alta da maternidade. O procedimento é extremamente simples e fará toda a diferença no desenvolvimento físico e emocional da criança”, recomenda.

Ela ainda ressalta que, caso o resultado do Teste da Orelhinha feito na maternidade seja inconsistente, apresente dúvidas ou alguma anormalidade, é importante buscar a ajuda de um especialista, que poderá realizar um exame mais completo em clínicas especializadas. “O Hospital Paulista conta com recursos avançados para detectar problemas auditivos até mesmo em graus mais leves”, destaca.

Hospital Paulista alerta para gravidade em descontinuar alguns tratamentos na pandemia

Em casos agudos e graves, enfermidades como amigdalite e sinusite devem  ser tratadas, mesmo durante o isolamento social.


A pandemia de Covid-19 gerou uma série de preocupações aos brasileiros, aflitos diante dos números de mortes e infectados que aumentam diariamente no País. Em comunicado divulgado em abril, no entanto, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) chamou a atenção para os cuidados de saúde que não podem ser interrompidos mesmo durante o isolamento social, sob risco de complicações.

Segundo o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, algumas doenças podem levar o paciente à morte súbita caso o tratamento seja descontinuado ou feito de maneira irregular.

O especialista destaca que amigdalite, sinusite, otite e apneia são exemplos de enfermidades que devem ser tratadas de forma adequada e precoce. “Isso é fundamental para que as doenças não evoluam para formas mais graves.”

Confira a seguir as possíveis complicações de cada doença, segundo o especialista do Hospital Paulista:

AMIGDALITE:
Sua complicação mais temida é a febre reumática, que pode ocorrer em pacientes que apresentam infecção de garganta com frequência, mas não curam a doença de modo eficaz. A frequência de amigdalite anual que preocupa o especialista é de 6 vezes ou mais para crianças e três vezes ou mais para adultos.

“Se o pneumococo de um grupo específico ficar em contato com a amígdala, pode desencadear uma reação autoimune, isto é, uma reação de anticorpos que atacam o próprio corpo”, explica. No caso da amigdalite, o problema pode afetas as articulações das mãos e dos punhos, além da válvula do coração – cuja substituição pode ser necessária através de cirurgia.

Além disso, a amigdalite mal tratada e frequente pode causar o abscesso periamigdaliano, que consiste na formação de uma bolsa de pus ao redor da amigdala. Neste cenário, em casos mais graves, o paciente pode ser vítima de sepse, uma resposta exarcebada do organismo a um processo infeccioso, que pode leva-lo a óbito.

SINUSITE:
Em sua forma aguda ou crônica, pode gerar sérios problemas quando o tratamento não é feito adequadamente. Dentre os sintomas da sinusite grave, Pizarro menciona a secreção nasal mucopurulenta (verde ou amarela), congestão nasal, dor facial, cefaleia, inchaço na região dos olhos e febre alta.

“O tratamento inadequado destas infecções agudas ou crônicas agudizadas pode se espalhar para áreas próximas, como os olhos. Em alguns casos, pode causar cegueira e, nos piores cenários, atingir o cérebro, formando abcessos e complicações neurológicas graves”, afirma.

OTITE:
Nos casos graves, é comum a saída de secreção pelos ouvidos, além da ocorrência de zumbido e tontura forte. O tratamento precoce é feito com medicações, preferencialmente administradas por um otorrinolaringologista.

“A proximidade do ouvido com as meninges e o cérebro faz com que o órgão seja uma das principais portas de entrada para infecções da cabeça, como meningites e encefalites”, detalha o médico.

APNEIA NO SONO:
Trata-se da parada respiratória que ocorre várias vezes durante a noite, afetando o sono e o organismo do paciente como um todo. O ronco é um dos principais sintomas da enfermidade, que tem uma evolução gradual, mas pode levar à morte súbita se não houver tratamento adequado em sua forma mais grave.

Crianças em casa: engasgo e introdução de objetos no nariz ou ouvido pode ser perigoso

Durante a quarentena, todo cuidado é necessário para evitar acidentes com pequenos objetos e se atentar a engasgos

Botões, pedrinhas, miçangas, feijão e massinha fazem parte de uma grande lista de coisas que as crianças costumam engasgar ou até mesmo introduzir no ouvido ou no nariz. Em um período em que as aulas presenciais foram interrompidas e os mais novos passam o dia em casa, vale ficar atento. Se há irmãos maiores, redobre a atenção, pois é comum que, em um ato inocente de brincadeira, os bebês sejam “alimentados” por eles com objetos pequenos que podem causar danos à saúde.

No caso de engasgos, os menores de dois anos são as grandes vítimas, já que estão na fase oral e costumam levar todo o tipo de objeto até a boca. Caso perceba que a criança engoliu um corpo estranho e está com problemas, o primeiro passo é avaliar se tem falta de ar associada. Nessa situação, ela não conseguirá chorar, falar ou respirar e ficará com os lábios roxos.

“Para uma ajuda segura, o ideal é dividir as tarefas: um adulto cuida da criança e o outro chama o serviço de emergência, pois podem ser necessárias manobras como a de Heimlich e de ressuscitação, se a situação estiver grave, sendo que esta última nem todos estão aptos a executá-la com precisão. Caso ela apresente falta de ar, não consiga respirar e esteja ficando azulada, o serviço de emergência deve ser chamado imediatamente”, destaca a Dra. Renata Garrafa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Em situações de engasgos, a manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros utilizada em casos de emergência por asfixia e que pode ser realizada por qualquer pessoa, bastando que siga corretamente as orientações.

“A manobra de Heimlich acontece de formas diferentes em bebês e em crianças maiores de um ou dois anos. No bebê, devemos colocá-lo de bruços, deitado em cima do nosso antebraço e com a cabeça virada para baixo. Então, com bebê com as costas retas e, segurando com firmeza, devemos dar cinco tapas no meio das costas e entre os ombros, não muito fortes, mas com impacto suficiente para que o objeto saia”, explica a médica.

Se o engasgo persistir, o bebê deve ser virado de barriga para cima, sob o outro antebraço, pressionando cinco vezes com os dois dedos indicadores no meio do peito do bebê, entre os dois mamilos. Caso chore, vomite ou tussa é sinal que conseguiu desengasgar. Se continuar engasgado, repetir desde o início   o procedimento até que o bebê desengasgue.

“Já em uma criança acima de dois anos, devemos nos posicionar atrás dela, sendo que ela fica de pé e nós ajoelhados. Então, com a criança de costas, abraçaremos até que uma de nossas mãos esteja fechada na altura do estômago e a outra mão estará aberta, apoiada sobre essa mão fechada. Então, devemos pressionar com força moderada a barriga da criança para dentro e para cima ao mesmo tempo”, completa a especialista do Hospital Paulista. 

É importante também ficar atento a alguns objetos como pilhas ou baterias, por exemplo, que podem, após algumas horas, liberar substâncias tóxicas. “Mesmo que a criança acabe não engasgando, a presença dessas peças no corpo pode agravar o quadro. Portanto, esses materiais devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos”, diz a Dra. Renata.

 

Nariz e ouvido

A presença de um corpo estranho no ouvido pode gerar dificuldade para escutar, sensação de entupimento e até mesmo lesão na membrana do tímpano. A criança pode queixar-se de dor ou de ouvido tampado e, eventualmente, pode ter saída de sangue ou secreção pelo canal externo do ouvido.

Já a introdução de objetos no nariz pode acarretar em obstrução, secreção e sangramento provenientes de apenas um lado do nariz, além de odor fétido nasal. Em ambos os casos, pode gerar infecção se a situação não for contornada a tempo.

Muitas vezes, as crianças podem não admitir que introduziram objetos no ouvido ou no nariz. No caso dos menores, é possível que não consigam comunicar o ocorrido. “A tentativa de remoção destes objetos em casa, seja no ouvido ou no nariz, é perigosa e pode gerar sérias lesões. Assim que o adulto perceber que a criança está com um objeto preso nesses locais, é preciso ir imediatamente ao pronto-socorro”, finaliza a especialista.