Nove em cada 10 pacientes com casos leves de Covid-19 perdem olfato e paladar, aponta estudo

Um estudo publicado no Journal of Internal Medicine revelou que 86% dos pacientes com casos leves de Covid-19 perdem o olfato e o paladar durante a infecção pelo vírus. Ainda que os sentidos sejam recuperados em até seis meses, o levantamento apontou que cerca de 5% das pessoas seguiram com dificuldades para sentir cheiros e gostos.

De acordo com o otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, a prática hospitalar cotidiana vem mostrando que, em alguns casos, a cura do Covid-19 não é suficiente para que o olfato e o paladar retornem à sua capacidade total.

“Em alguns casos, é necessário que o paciente seja submetido a tratamentos específicos como, por exemplo, treinos para que olfato e paladar voltem à normalidade. Deficiências nesses sentidos são perigosas, pois podem gerar problemas relacionados à não percepção de alimentos estragados, vazamentos de gás, dentre outras atividades tão comuns em nosso dia a dia”, explica o médico.

O estudo registrou o alto índice de perda de olfato e paladar somente em casos considerados leves. Em pacientes com sintomas moderados a graves, apenas 4% a 7% das pessoas perderam a capacidade de sentir cheiros e sabores.

Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento da perda de olfato e paladar, o Hospital Paulista conta com um Ambulatório que atende pacientes que tiveram Covid-19 e também aqueles que desenvolveram o problema por outras razões.

Inaugurado no segundo semestre de 2020, o Ambulatório de Olfato e Paladar trata de casos de perda parcial ou total de olfato e paladar. Um de seus objetivos é identificar a verdadeira causa do problema, de modo a adaptar o tratamento às necessidades de cada paciente.

“Até dezembro, havíamos registrado cerca de 180 pacientes, que tiveram Covid-19 e apresentaram algum grau de perda de olfato. Destes, 4,5% tiveram anosmia (perda total) e 18%, microsmia (redução parcial). Os demais apresentaram rápida recuperação do olfato a partir do tratamento ou naturalmente, conforme se curavam do novo Coronavírus”, explica o especialista.

Se a perda dos sentidos for temporária, são utilizados medicamentos. No entanto, se o problema persistir, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório, disponível no Ambulatório.

“Neste tipo de tratamento, não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro, com uma ressalva.

Segundo ele, é importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro.

“Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, por exemplo, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas”, completa o médico.

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior da instituição, situada à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Como diferenciar sintomas de Covid-19 de uma gripe comum ou alergias?

Ainda que estivesse no centro das atenções globais durante todo o ano de 2020, a Covid-19 segue chamando a atenção da comunidade médica pela forma como os sintomas se manifestam em cada pessoa. De acordo com Gilberto Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, esse cenário faz com que muitos pacientes ainda tenham dúvidas para diferenciar o novo Coronavírus da gripe comum, rinite e sinusite.

“Essa incerteza pode fazer com que o paciente relute em procurar auxílio médico, pois teme que o ambiente hospitalar aumente os riscos de infecção pelo novo Coronavírus (caso ainda não esteja infectado). Se, logo de início, ele se dirige a uma unidade especializada, é possível tratar com mais eficácia as doenças a partir do diagnóstico”, explica o otorrinolaringologista.

Alguns dos sintomas mais comuns da Covid-19 podem ser confundidos em uma análise superficial com os de uma gripe comum ou de doenças alérgicas, como rinite e sinusite. De acordo com o especialista, quadros de rinite e sinusite são mais concentrados no nariz, garganta e olhos do paciente.

“A rinite é uma inflamação da mucosa do nariz. A pessoa costuma apresentar coriza (secreção no nariz), coceira no nariz e espirros em sequência. Além disso, o nariz fica naturalmente congestionado”, afirma Pizarro.

Na sinusite, a inflamação ocorre na mucosa que reveste os seios da face. Com isso, os sintomas também incluem dor facial, nos ouvidos e atrás dos olhos. Além disso, o paciente pode relatar dor ou irritação na garganta e inchaço facial.

“No dia a dia, quem tem quadros recorrentes de rinite e sinusite geralmente consegue identificar os gatilhos das crises, bem como os sintomas que mais o acomete”, completa o médico.

Na gripe comum, no entanto, o quadro de sintomas não fica restrito à congestão e secreção nasal. Nessa situação, o paciente relata febre, mal-estar e dor no corpo. A qualificação de todos os sintomas é importante porque a Covid-19 também gera febre, por exemplo.

“O paciente com Covid-19 costuma ter tosse seca e cansaço, mas, em quadros mais graves, pode apresentar dificuldade para respirar, falta de ar e pressão (aperto) no peito. No entanto, não necessariamente haverá coriza e congestão nasal. Isso é determinante para uma das diferenciações entre essas doenças (gripe comum, rinite e sinusite) e o novo Coronavírus”, destaca Pizarro.

“A perda de olfato é um dos sintomas características da Covid-19, mas, aqui, ela ocorre de forma súbita. Nas outras doenças citadas, essa perda de olfato é mais leve e está associada a um quadro de congestão nasal por conta da coriza. O Covid-19 também pode gerar perda de paladar, outra diferença em relação às demais”, completa.

 

Ajuda especializada

Algumas unidades hospitalares oferecem atendimento especializado para determinadas áreas da Medicina. No caso do Hospital Paulista, diagnósticos e tratamentos são voltados para a Otorrinolaringologia. Isso permite que pacientes com rinite e sinusite procurem por auxílio específico, diminuindo sensivelmente as chances de contaminação por Covid-19 em um ambiente de atendimento generalizado.

“Ao chegar ao hospital, o paciente recebe o primeiro atendimento com uma enfermeira, que verifica sua temperatura e avalia seus sintomas e histórico. Se a pessoa relatar sintomas específicos de Covid-19 ou informar que teve contato recente com alguém infectado pelo vírus, é direcionada a um ambiente isolado e controlado. Lá, fará um teste para verificar se está com a doença e será avaliada para sabermos se ela pode ser isolada (e tratada) em sua residência ou se precisa ser internada”, explica o otorrinolaringologista.

Se os sintomas (e o histórico clínico relatado), no entanto, são característicos de uma gripe comum, rinite ou sinusite, o paciente é tratado na área principal do hospital, sem qualquer contato com a ala responsável pelo diagnóstico dos suspeitos de Covid-19. Vale ressaltar que o Hospital Paulista não é uma unidade hospitalar de referência para internação e tratamento dos casos de Covid-19.

“Isso reduz os riscos e não deixa de oferecer um tratamento adequado, rápido e eficaz ao paciente, independente da doença que ele apresenta. Deixar de tratar quadros de gripe comum e alergias como rinite e sinusite é muito prejudicial, pois pode agravar os sintomas e dificultar o próprio tratamento posteriormente”, conclui.

Alergias de Verão: veja o que fazer para amenizar os sintomas!

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% da população brasileira possui algum tipo de alergia. Para aqueles que apresentam sintomas alérgicos, o Verão costuma ser um período delicado, gerando crises, desconfortos e até mesmo atrapalhando um momento que remete ao lazer e às férias.

Segundo a otorrinolaringologista Cristiane Passos Dias Levy, do Hospital Paulista, os processos alérgicos também podem ocorrer em outras épocas, mas são comuns durante o verão por conta de características da estação.

“Apesar das alergias respiratórias estarem associadas a outras estações do ano, devemos lembrar que é no Verão que temos exposição a mudanças bruscas de temperatura, ao ar seco do ar condicionado e a ambientes com muitos ácaros, que ficaram fechados por longos períodos de tempo, como casas de veraneio” explica a médica.

Atualmente, ainda que o isolamento imposto pela Covid-19 dificulte o acesso das pessoas a locais como praias e piscinas, o período não deixa de representar um cenário propício para ocorrência de alergias respiratórias. De acordo com Cristiane, quem sofre com os sintomas deste tipo de doença costuma apresentar alguns sinais claros durante o ano. Assim, é necessário ficar atento para antecipar os efeitos que serão naturalmente mais agressivos durante o verão.

“O que pode desencadear a rinite alérgica é um alérgeno, ou seja, uma substância à qual o paciente foi previamente sensibilizado. A pessoa acometida pela rinite alérgica costuma apresentar sintomas como coriza, obstrução nasal, espirros, prurido nasal (coceira) e diminuição do olfato”, afirma.

O importante, portanto, é não buscar ajuda somente quando os sintomas estão mais evidentes, ou seja, no Verão. Ao longo do ano, o paciente pode recorrer a um médico otorrinolaringologista para que um diagnóstico completo seja feito, de modo a identificar as causas reais da alergia.

“Para o diagnóstico correto e completo, é importante que o médico pesquise o histórico clínico do paciente, bem como seu histórico familiar. Assim, ele poderá suspeitar e identificar a causa da alergia, ou seja, o que desencadeia todo esse processo. Desse modo, o médico irá orientar o paciente para que proceda ao controle do ambiente em que convive, realizando também um tratamento voltado aos sintomas. Se necessário, irá indicar a imunoterapia, ou seja, a vacina utilizada para aumentar a resistência do paciente às substâncias que causam a alergia”, explica Cristiane.

Para aqueles que não buscaram auxílio médico ao longo do ano, o que pode ser feito para amenizar os sintomas até que um médico seja consultado? A otorrinolaringologista deu algumas dicas:

 

  • Tome bastante água;
  • Faça lavagens nasais com soro fisiológico para hidratar as mucosas;
  • Limpe bem a casa ou o ambiente que irá utilizar;
  • Opte por aspirar e passar pano úmido em vez de varrer os locais;
  • Use capas anti-ácaros em colchões e travesseiros;
  • Evite objetos que acumulam pó nos quartos, como cortinas, tapetes, carpetes e bichos de pelúcia;
  • Limpe com frequência os filtros de ar condicionado;
  • Evite, quando possível, mudanças bruscas de temperatura;
  • Busque auxílio médico assim que possível, e não abandone o tratamento após o Verão.

Você sabe quando procurar um Médico Otorrinolaringologista?

Muitas vezes chamado de Otorrino, o médico Otorrinolaringologista, é um especialista em ouvido (Oto), nariz (rino) e garganta (laringo), e cuida de uma série de doenças que muitas vezes não relacionamos ao especialista. Para te ajudar, listamos abaixo alguns sintomas e doenças que ao surgirem devemos procurar este especialista:

 

  • Alguns sintomas mais comuns são:

  • Obstrução nasal
  • Dor de ouvido (otalgia)
  • Dor de garganta
  • Dor de cabeça (cefaléia)
  • Dor na face
  • Secreção nasal
  • Sangramento nasal (epistaxe)
  • Dificuldade auditiva/surdez
  • Secreção no ouvido (otorréia)
  • Sangramento no ouvido (otorragia)
  • Rouquidão (disfonia)
  • Roncos
  • Tontura
  • Zumbido

 

  • As principais doenças são:

  • Amigdalite/faringite
  • Distúrbios da deglutição
  • Rinites
  • Sinusites
  • Desvio do septo nasal
  • Polipose nasal
  • Distúrbios do sono (apneia)
  • Diminuição da acuidade auditiva/surdez
  • Otites
  • Paralisia facial
  • Alterações das pregas vocais
  • Distúrbios do labirinto

 

A avaliação do médico Otorrinolaringologista é muito importante para o diagnóstico e tratamento das doenças que se manifestam com esses sintomas. O tratamento geralmente é clínico, porém dependendo da doença pode haver necessidade de tratamento cirúrgico.

Ambulatório de Olfato qualifica o diagnóstico e propõe tratamento para a falta de olfato

A perda parcial ou total do olfato tem sido associada a um dos sintomas do novo Coronavírus. O principal problema é que parte dos pacientes segue com o distúrbio mesmo após curar-se do Covid-19, e a importância deste sentido só fica evidente quando o indivíduo percebe que não consegue identificar cheiros comuns do dia a dia.

Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento do problema, o Hospital Paulista inaugurou recentemente seu Ambulatório de Olfato. A unidade também atende casos de perda de paladar, parcial ou total.

Por mais que os estudos sobre o Covid-19 ainda sejam escassos, pesquisa desenvolvida pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e pela Academia Brasileira de Rinologia constatou que 13% dos pacientes avaliados com Coronavírus e relato de perda súbita de olfato não se recuperaram do sintoma, mesmo após o tratamento. O estudo foi publicado na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia.

“No Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista registramos, até o momento, cerca de 180 pacientes, que tiveram Covid-19 e registraram algum grau de perda de olfato. Destes, 4,5% tiveram anosmia (perda total) e 18%, microsmia (redução parcial). Os demais apresentaram rápida recuperação do olfato a partir do tratamento ou naturalmente, conforme se curavam do novo Coronavírus”, explica o otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista.

O objetivo do Ambulatório de Olfato é identificar corretamente a razão da perda de olfato ou paladar, de modo a proceder com o tratamento correto para resolver o problema.

A causa do sintoma é um dos fatores que mais irá influenciar na definição do tratamento, já que a perda pode ser temporária ou permanente. Se for temporária, são utilizados medicamentos ou intervenção cirúrgica.

No entanto, se o problema persistir, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório, disponível no Ambulatório. “Importante saber que neste tipo de tratamento não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro, com uma ressalva.

“É importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro”, completa o médico.

Ainda de acordo com o especialista, os testes olfatórios são complexos e nem sempre fornecem uma resposta precisa. Dessa forma, é preciso considerar outros fatores que ajudam no diagnóstico.

“É de fundamental importância investigar a origem e a evolução do quadro, bem como realizar a observação endoscópica das fossas nasais e exames de imagem. Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas, por exemplo.”

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior da instituição, situada à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Novidade – Rinomanometria

As cirurgias para correção de obstrução nasal e de suporte às alergias que mais afetam o nariz podem gerar muitas dúvidas relativas ao pré e pós-operatório. Afinal, a partir de quando é recomendável o processo cirúrgico? Como aferir o nível de comprometimento e posterior melhora da respiração em um paciente?

Para auxiliar nestas questões, o Hospital Paulista passou a contar neste mês de outubro com um novo aparelho médico: o rinomanômetro. Sob responsabilidade técnica das otorrinolaringologistas Cristiane Passos Dias Levy e Sheila Maria Cardinali Tamiso, o equipamento permite a realização da rinomanometria computadorizada e da rinomanometria acústica.

“É um aparelho responsável por exames ligados à parte respiratória. Ele auxilia no diagnóstico, mas também no período pré e pós-operatório de cirurgias nasais”, explica Sheila.

De acordo com Cristiane, a rinomanometria permite uma avaliação mais moderna e precisa do comprometimento respiratório de pacientes que relatam problemas nasais. “Com o rinomanômetro, o otorrinolaringologista pode identificar se a queixa do paciente é apenas uma impressão ou, por exemplo, se uma das cavidades apresenta maior dificuldade na passagem do ar”, destaca.

Por sua vez, no pós-operatório, o rinomanômetro é utilizado para estabelecer comparações e demonstrar a efetividade do procedimento cirúrgico a que o paciente foi submetido. Essa avaliação permite uma maior eficácia na continuidade do tratamento, garantindo, inclusive, segurança ao paciente e à equipe médica quanto à cirurgia realizada.

“Na rinomanometria computadorizada, um terminal de pressão é posicionado em cada cavidade nasal para aferir seu funcionamento. A partir dele, o médico consegue identificar o diferencial de pressão e o fluxo aéreo transnasal em cada cavidade. Assim, é possível quantificar a resistência ao fluxo aéreo no nariz. Ou seja, o ‘tamanho’ da dificuldade do paciente em respirar pelo nariz”, afirma Cristiane.

É uma medição objetiva do fluxo, que também permite avaliar a eficácia dos tratamentos de rinites alérgicas, quadros de desvio de septo e crianças com adenoides e graduar os efeitos dos tratamentos em pacientes que são classificados como respiradores orais.

“Já a rinomanometria acústica calcula as áreas transversais da cavidade nasal, desde as narinas até a nasofaringe. Por ser um exame estático, sua aplicação independe do fluxo aéreo transnasal. O método permite avaliar medidas antes e depois do uso de descongestionantes, verificando se a causa da obstrução nasal é principalmente esquelética ou mucosa”, completa Sheila.

O rinomanômetro já está em pleno funcionamento e é mais uma das opções oferecidas pelo Hospital Paulista aos pacientes, de modo a garantir a eficácia de tratamentos cirúrgicos no nariz.

Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho também requer adaptação

Em 03 de dezembro, o mundo comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para celebrar o fim do ciclo iniciado em 1983 (ano em que a entidade adotou o Programa Mundial de Ação a respeito das Pessoas com Deficiência). A própria Organização estima que 10% da população mundial tenha algum tipo de deficiência.

No caso da professora e tradutora Cristina Faraj, a deficiência motora teve origem no nascimento, devido à falta de oxigenação no cérebro por um curto período (anoxia). “Hoje tenho um problema de coordenação motora. É uma condição que me fez enfrentar bullying e preconceito, seja na formação escolar, seja na inserção do mercado de trabalho. Em alguns momentos tive vontade de tentar esconder essa limitação, mas hoje sou feliz pelas minhas conquistas”, afirma.

Cristina é formada em Letras (Inglês-Tradução) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ingressou no Estado logo na primeira vez em que prestou concurso público. Apesar do sucesso profissional, logo no início da carreira a professora teve dificuldades para conseguir um emprego e sentiu que a deficiência motora era uma das principais razões para as recusas.

 

Legislação e inclusão

São consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimento de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que impeça a participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições. No Brasil, o Decreto nº 5.296/2004 descreve os diferentes tipos de deficiência.

Além disso, a Lei nº 8.213/1991, conhecida como Lei de Cotas, prevê uma série de medidas com o objetivo de inserir e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Empresas a partir de 100 colaboradores têm a obrigação de empregar uma parcela de pessoas com algum grau de deficiência. A cota mínima varia entre 2% e 5%, dependendo do total de trabalhadores na empresa.

Para a fonoaudióloga do Hospital Paulista Christiane Nicodemo, no entanto, as empresas devem se preocupar em não apenas empregar a pessoa com deficiência, mas também integrá-la à empresa, respeitando suas dificuldades e promovendo suas potencialidades.

“Quando contrata e emprega um funcionário com deficiência, a empresa não está apenas cumprindo a lei. Está promovendo uma função social, humanitária. Para isso, é preciso que a área de Recursos Humanos tenha a sensibilidade de facilitar o ambiente de trabalho de acordo com a deficiência do novo colaborador, capacitar os gestores e os demais funcionários, de modo que a pessoa não se sinta acuada, preterida ou discriminada em seu cotidiano laboral”, avalia a especialista.

Cada forma e grau de deficiência requerem adaptações específicas no ambiente de trabalho. Contratar um cadeirante para um local com escadas e sem elevadores/rampas, por exemplo, impede que o trabalhador interaja corretamente com os colegas e superiores e limita seu desenvolvimento.

 

Deficientes auditivos

No caso específico dos deficientes auditivos, a fonoaudióloga Christiane ressalta que um dos aspectos mais importantes é que o ambiente de trabalho – principalmente no espaço de quem tem alguma limitação – seja bem iluminado, com sinalizações claras e de fácil acesso. Além disso, é essencial que os outros funcionários sejam orientados sobre as formas corretas de interagir com o deficiente auditivo.

“É preciso sempre sinalizar a essa pessoa quando desejamos falar com ela. Dê um toque no ombro, se aproxime, fale de frente à pessoa. Ao sair para almoçar ou tomar um café, convide-a. Promova o deficiente auditivo ao convívio com o restante da equipe e evite informar os funcionários apenas pela linguagem falada. Invariavelmente, você irá se movimentar e a pessoa com limitação auditiva não conseguirá acompanhar a mensagem. Além disso, fique atento às próprias estações de trabalho. As divisórias precisam ser, no máximo, de acrílico para permitir que o deficiente auditivo tenha uma melhor compreensão da comunicação”, explica.

Nos últimos anos, iniciativas públicas e privadas têm oferecido cursos de capacitação para pessoas com deficiência. Um dos objetivos é afastar completamente uma das teses de muitas empresas que não cumprem a lei, ao alegarem que o mercado não oferece deficientes físicos capacitados

“O governo de São Paulo vem promovendo cursos gratuitos de qualificação. A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) também oferece um programa de cursos gratuitos. É muito importante que outros setores da indústria e de serviço desenvolvam iniciativas semelhantes, de modo a capacitar esses profissionais para um leque maior de funções”, diz Christiane.

 

Reabilitação

Quem tem algum grau de deficiência pode também reabilitar-se a partir de terapias específicas, aparelhos de auxílio e cirurgias que o ajude a diminuir a limitação, seja ela qual for. Cristina destaca, no entanto, que a abordagem da reabilitação ao profissional com deficiência deve ser feita de um modo que respeite sua própria vontade, sua independência e seus interesses profissionais.

“Por exemplo, passei por uma escola em que sofri certo preconceito de alunos e colegas da docência por conta da minha limitação motora. A então diretora insistia constantemente que eu deveria passar pela readaptação. Para uma pessoa que tem alguma deficiência, isso não é algo fácil de ouvir. Até que um dia, sem qualquer aviso prévio, fui chamada a uma reunião na qual me informaram que eu teria de começar a readaptação. Fiquei sem reação, saí bem chateada. A readaptação me fez bem, mas a forma como foi conduzido esse pedido foi desgastante”, conta.

Independentemente do tipo e do grau de deficiência, é importante ressaltar que profissionais com alguma limitação podem realizar uma enorme gama de funções. Para isso, é preciso que a lei seja cumprida, mas também que empresas, gestores de recursos humanos e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre a importância de inserir e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

“O trabalho tem também a função de ressignificar a vida da pessoa com deficiência. Uma cultura de inclusão permite esses profissionais participem ativamente do ambiente de trabalho, compreendendo suas limitações, mas também cientes do quanto podem evoluir e crescer”, afirma a fonoaudióloga.

“Entendo que as pessoas devem se esforçar para evoluir, mas quem tem alguma dificuldade não pode ser deixado para trás. Fala isso como educadora e como alguém que tem uma limitação motora. É preciso promover essa inclusão e ajudar quem tem qualquer tipo de deficiência a caminhar lado a lado com as outras pessoas”, conclui Cristina.

Uma semana de intubação pode gerar problemas na voz

Pandemia de Covid-19 aumentou número de pacientes que recorrem à fonoterapia após período de internação

A Covid-19 já infectou mais de 5,5 milhões de brasileiros, resultando na morte de mais de 160 mil pessoas. Após meses de pandemia, no entanto, diversas especialidades médicas passaram a olhar também para outros problemas gerados pelo vírus. Entre eles estão questões relacionadas à voz, em decorrência do processo de intubação muitas vezes necessário durante o tratamento do novo Coronavírus.

De acordo com Bruna Rainho Rocha, fonoaudióloga do Hospital Paulista, sete dias de intubação podem ser suficientes para gerar complicações relacionadas à laringe. A rouquidão é um dos sintomas mais frequentes após a intubação de um paciente, mas costuma ser temporária, com duração de dois a três dias.

Entretanto, há situações mais graves, que também podem gerar fraqueza na voz. “As pregas vocais ficam localizadas na laringe, por onde passa o tubo orotraqueal para a intubação. A laringe é muito sensível e pode ser comprometida por inúmeras causas, desde trauma, por uma intubação de emergência ou de difícil exposição, até por um tempo longo de permanência da cânula em contato com a mucosa da laringe”, explica a fonoaudióloga.

Para alguns pacientes que passaram semanas e até meses intubados, é indicada a fonoterapia para a adequação da qualidade vocal. Nestes casos, é importante recorrer inicialmente a um otorrinolaringologista, que poderá realizar o diagnóstico do problema e, assim, o fonoaudiólogo pode definir a melhor conduta para cada caso.

“O primeiro passo do paciente consiste em fazer uma avaliação com um médico otorrinolaringologista para entender a causa destes problemas, que podem ser gerados pelo tempo de intubação, por uma lesão nas pregas vocais ou até mesmo por paralisia das pregas vocais”, completa Bruna.

 

Apneia Obstrutiva do Sono em crianças pode ter várias causas; entenda!

No Dia das Crianças, lembrado em 12 de outubro, o Hospital Paulista chama a atenção para a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), um problema que pode afetar pequenos de todas as idades, sendo mais prevalente entre 3 e 5 anos. As crianças que apresentam essa condição têm paradas respiratórias durante o sono, prejudicando a ventilação pulmonar e a oxigenação.

De acordo com Renata Christofe Garrafa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, é muito importante que os pais fiquem atentos aos principais sinais emitidos pelas crianças durante o sono, para que possam consultar um médico e indicar os problemas manifestados.

“O principal sintoma que pode ser observado pelos pais é a ocorrência de pausas na respiração à noite. A criança com esta síndrome costuma apresentar roncos altos interrompidos por paradas respiratórias (muitas vezes relatadas como ‘engasgos’ pelos pais)”, avalia a otorrinolaringologista.

Alguns sintomas da SAOS, no entanto, podem ser observados durante o dia, de modo que a observação noturna não é a única opção aos pais que avaliam primariamente se devem ou não recorrer a um médico.

Dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia indicam que cerca de 10% das crianças roncam, mas somente entre 1% e 3% delas têm apneia do sono.

“O sono da criança com SAOS é frequentemente agitado e com despertares. Consequentemente, por ser um sono não reparador, os pequenos podem apresentar déficit de crescimento, além de prejuízo no rendimento escolar pela dificuldade de concentração e aprendizado. Diferentemente dos adultos, em que a sonolência diurna é um sintoma frequente, crianças podem apresentar hiperatividade e irritabilidade durante o dia”, complementa a médica.

Durante a infância, justamente em um momento no qual as crianças estão aprendendo e desenvolvendo habilidades de compreensão e comunicação, estes sintomas podem ser muito prejudiciais.

Causas e tratamentos

Ainda que também ocorra em adultos, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono em crianças tem causas específicas e isso irá influenciar justamente na escolha do médico pelo tratamento que será ministrado.

“Em crianças, as hipertrofias das amígdalas e/ou da adenoide encontram-se entre as principais causas da SAOS. Porém, alterações craniofaciais como retrognatismo (quando a mandíbula se localiza mais para trás), macroglossia (língua grande – comum em Síndrome de Down) e até mesmo obesidade são fatores que também podem causar pausas respiratórias durante o sono”, afirma Renata.

Portanto, ao observar alguns dos sintomas, principalmente durante o sono, os pais devem encaminhar a criança a um otorrinolaringologista para que o diagnóstico sobre as causas da síndrome seja feito.

“É possível tratar a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, mas a criança deve ser avaliada inicialmente para que o fator causal seja determinado. Cada causa tem um tratamento”, explica a médica.

Uma vez que a principal causa de SAOS em criança é o aumento das amígdalas e/ou da adenoide, a intervenção cirúrgica é o tratamento mais prevalente. “No caso da hipertrofia das amígdalas e da adenoide, o tratamento é cirúrgico por meio de adenoamigdalectomia, cirurgia realizada pelo otorrinolaringologista”, completa.

Em algumas situações, entretanto, o tratamento pode requerer complementação multiprofissional, aliando o acompanhamento ortodôntico e nutricional, além de avaliação por médico crânio-maxilo-facial.

Por que as crianças sofrem mais com infecções no nariz, ouvidos e garganta?

Se tem algo que causa temor e angústia nos pais é ver o filho doente. Independente da gravidade do caso, o sofrimento dos pequenos costuma gerar uma sensação de impotência. Nesse sentido, infecções recorrentes no nariz, nos ouvidos e na garganta são uma das principais causas a tirar o sono dos pais, principalmente nos primeiros anos das crianças.

Afinal, por que o processo infeccioso nessas regiões do corpo é mais comum em crianças do que em adultos? De acordo com as otorrinolaringologistas Cristiane Mayra Adami e Leila dos Reis Ortiz Tamiso, do Hospital Paulista, parte da explicação está na imunidade mais baixa dos pequenos, que só será formada definitivamente na pré-adolescência.

“Os tecidos de proteção local da criança na garganta e no nariz são as amígdalas e a adenoide. De forma natural, a criança tem a higiene um pouco mais defasada do que a do adulto, pois leva tudo à boca, inclusive as mãos. Dessa forma, sua imunidade tem que trabalhar muito mais. E onde produz essa imunidade local? Nas amígdalas e na adenoide, que aumentam de tamanho para produzirem mais células de defesa. É aí que ocorre a hipertrofia da adenoide e da amígdala, que tem como consequências as infecções de garganta, nariz e ouvido”, explica Leila.

Cristiane ressalta outros dois fatores que contribuem para uma maior incidência destas infecções nos pequenos. “A criança que está escola tem contato com todo mundo. Assim, a escola é o principal fator de disseminação das infecções nas crianças”, explica a otorrinolaringologista. De acordo com ela, entretanto, os pais não devem esperar o passar dos anos para buscar tratamento médico.

“Essas infecções de repetição podem prejudicar a criança. Vamos deixar essa criança sofrendo e tomando antibióticos uma vez por mês, destruindo, portanto, a imunidade do seu intestino? Temos exemplos de crianças que tomam antibiótico todos os meses. Terminam um, passam alguns dias bem e ficam doentes de novo. Para caracterizar essa repetição, falamos no mínimo de 3 a 4 vezes com infecções em um ano. No entanto, tudo depende da intensidade da doença. Se a criança sente muito os efeitos das infecções, não consegue fazer nada, não consegue ir à escola, já é indicação de tratamento cirúrgico. O melhor é prevenir”, complementa Cristiane.

Alguns outros sintomas ajudam os pais a identificarem se a criança está sofrendo com as infecções recorrentes. Dificuldades auditivas, ronco, sono muito agitado e dificuldade de alimentação são alguns deles.

“Às vezes, os pais entendem que as infecções são normais, pois eles também tiveram durante suas infâncias. O tempo vai passando, eles deixam de tratar e perdemos o momento correto para realizar o diagnóstico e o tratamento. Isso tem extrema importância. Para que a criança tenha um bom desenvolvimento físico e psicológico, é preciso que todos os seus sistemas – de imunidade e de crescimento, por exemplo – estejam em evolução. O hormônio de crescimento é produzido durante a madrugada. Se a criança não dorme direito, provavelmente não terá um desenvolvimento adequado. A recomendação, portanto, é sempre procurar um otorrino para verificar essas questões”, complementa Leila.

Ao diagnosticar problemas na adenoide ou nas amígdalas, frutos de infecções recorrentes, Cristiane explica que o tratamento inicial irá priorizar soluções clínicas, com o uso de medicamentos e vacinas.

“Se o tratamento clínico não é suficiente ou eficaz, indicamos tratamento cirúrgico. Alguns casos, no entanto, requerem cirurgia de imediato. Na apneia do sono, por exemplo, a indicação primordial é cirúrgica, pois a criança pode sofrer paradas respiratórias enquanto dorme. Sempre buscamos o tratamento clínico, mas a cirurgia pode ser necessária em alguns cenários”, avalia.

Na maioria dos casos, as cirurgias de amígdalas e adenoide são feitas em conjunto. Os pais, no entanto, devem se preparar para o pós-operatório do procedimento, já que a criança precisa permanecer em repouso e pode reclamar de algumas dores. O ideal é que essas cirurgias sejam realizadas ainda na infância, desde que haja indicação médica.

“O adulto passou mais tempo com esse problema e naturalmente sentirá muito mais dor após o procedimento cirúrgico”, conclui Cristiane.