Primavera pode ser um pesadelo para quem tem alergias como rinite, sinusite e asma

Setembro marca a chegada da Primavera, estação que é conhecida pela beleza das flores e também por gerar um maior número de casos alérgicos, especialmente na população adulta. A liberação do pólen das flores e a mudança climática são as principais responsáveis por tornar a estação uma dor de cabeça a quem costuma apresentar problemas alérgicos como rinite, bronquite, sinusite e asma.

De acordo com Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, é frequente na Primavera uma doença chamada polinose. Trata-se de uma alergia ao pólen, também conhecida como febre do feno.

“Os tipos de pólen que mais dão alergia são as gramíneas, ciprestes e pinheiros. Dentre eles, a gramínea azevém é o principal agente causador da polinose no Brasil”, explica a especialista. Ainda que esses pólens possam aparecer em qualquer lugar do Brasil, a frequência é muito maior nos estados da região Sul, bem como em cidades serranas, como Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG).

“Em Curitiba, por exemplo, a prevalência da rinite alérgica persistente é de 12% entre a população em geral. Entre os adultos, chega a 25%. Já a polinose para gramíneas é de 10% para adultos e 2% em crianças”, explica Cristiane.

Diferenças entre alergias e Covid-19

Após o isolamento restrito gerado pela pandemia de Covid-19 em todo o Brasil, diversas cidades passaram a reabrir parques, permitindo que os cidadãos voltassem a conviver com espaços arborizados.  Para quem tem histórico de alergias, é preciso aumentar os cuidados, e não apenas em relação ao novo coronavírus.

A médica do Hospital Paulista explica que os sintomas desse tipo de alergia podem ser confundidos com os de uma gripe ou de um resfriado. Os pacientes podem apresentar congestão nasal, sucessão de espirros e coriza.

“O que diferencia, inclusive da Covid-19, nesse caso, é que as alergias não apresentam febre. Além disso, a coceira nasal, ocular e na garganta é intensa. Outra característica importante desse tipo de alergia é a periodicidade anual”, completa.

Cristiane ressalta ainda que os pacientes com esse tipo de alergia apresentam olhos vermelhos e lacrimejantes. De 15% a 20% podem registrar acometimento pulmonar, com chiado, falta de ar e tosse. Por isso, é muito importante recorrer ao auxílio médico especializado quando os sintomas forem notados. O acompanhamento médico também é essencial.

“Se a pessoa desconfia que em todas as Primaveras os sintomas pioram, ou entra em crise quando vai para o campo, ela deve procurar um especialista. Há exames para descobrir a causa da alergia”, afirma.

“Após descobrir a causa, o ideal é evitar o contato com o desencadeante. Além disso, existe tratamento medicamentoso e a possibilidade de uma dessensibilização ao pólen específico. Ou seja, através de uma vacina, é possível aumentar a resistência do paciente”, completa a otorrinolaringologista.

Dicas importantes

Além do tratamento e do acompanhamento médico, quem tem quadros de alergia deve evitar determinadas situações, principalmente durante a Primavera. “É preciso diminuir a exposição aos pólens, evitando ida a parques, cortar grama e trabalhos com jardinagem. Sempre lavar bem os olhos e o nariz, e se andar de bicicleta ou moto é preciso usar óculos e máscara”.

Ao seguir essas recomendações, a expectativa é que os episódios alérgicos durante a Primavera diminuam sensivelmente. No entanto, conforme ressaltou a médica, se o quadro ocorre com frequência, o auxílio médico poderá indicar tratamentos para diminuir as crises e aumentar a qualidade de vida do paciente.

Hospital Paulista inaugura Ambulatório de Olfato ressalta importância do diagnóstico precoce

Ainda que a ocorrência específica de alguns sintomas esteja em estudo pela comunidade médica no Brasil e no mundo, boa parte dos pacientes infectados com Covid-19 relataram perda de olfato e paladar. Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento destes sintomas, o Hospital Paulista inaugurou recentemente seu Ambulatório de Olfato.

No início da pandemia de Coronavírus, a perda do olfato e paladar ainda não era identificada como sinal da infecção. Essencialmente, os pacientes relatavam febre, tosse seca e fadiga e foi nestes sintomas que a comunidade médica se concentrou para realizar os testes que confirmavam o contágio.

Somente em março, após o relato de pacientes de países distintos sobre os problemas com olfato e paladar no âmbito da pandemia, a American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (Academia Americana de Otorrinolaringologia – Cirurgias de Cabeça e Pescoço) divulgou nota na qual propôs que sintomas como anosmia, hiposmia e ageusia fossem incluídos no rastreamento de pacientes infectados por Covid-19, principalmente na ausência de outras doenças respiratórias, como rinites e rinossinusites.

O otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, explica que a anosmia é caracterizada como a perda total do olfato. “A hiposmia envolve a redução parcial da capacidade olfativa, enquanto a ageusia é a perda do paladar”, completa o médico.

Pizarro ressalta ainda que o olfato é uma das capacidades que só damos valor quando o perdemos, ainda que momentaneamente. “Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas, por exemplo.”

O objetivo do Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista é identificar corretamente a razão da perda de olfato e paladar, de modo a proceder com o tratamento correto para resolver o problema.

“É importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro”, completa o médico, que ressalta ainda a importância do acompanhamento médico em todo o processo de diagnóstico e tratamento.

Segundo ele, o olfato e o paladar estão intimamente relacionados. Gostos como o amargo, doce, ácido e salgado podem ser reconhecidos sem a influência dos odores, porém sabores mais complexos requerem o olfato para serem identificados. “Devido a essa relação, ocorrendo a melhora do olfato, possivelmente teremos também uma melhora do paladar”, completa.

“Faz parte do trabalho do médico analisar a capacidade do paciente de perceber odores e observar a qualidade e a intensidade do sentido olfativo. Os testes olfatórios, no entanto, são complexos e nem sempre fornecem uma resposta satisfatória. Dessa forma, é preciso considerar outros fatores que ajudam no diagnóstico. É de fundamental importância investigar a origem e a evolução do quadro, bem como realizar a observação endoscópica das fossas nasais e exames de imagem”, explica.

O tratamento da alteração no olfato dependerá da causa do problema, já que a perda pode ser temporária ou permanente. Se for temporária, o tratamento é feito por meio de medicamentos ou de intervenção cirúrgica, caso a perda olfatória for provocada por obstruções na região nasal, como desvio de septo, por exemplo.

No entanto, se o problema persiste, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório. “Importante saber que neste tipo de tratamento não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro.

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior do Hospital, situado à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Respiração pela boca pode comprometer desenvolvimento das crianças

Entre as diversas especialidades médicas que acompanham as crianças em seus primeiros anos de vida, o otorrinolaringologista pediatra tem vital importância para o diagnóstico e tratamento de desordens que podem comprometer o desenvolvimento dos pequenos. Uma das queixas mais atendidas por esses profissionais no Hospital Paulista é a respiração pela boca, também conhecida como respiração oral.

De acordo com a otorrinolaringologista pediatra Renata Garrafa, o diagnóstico precoce do problema promove qualidade de vida, melhora o desenvolvimento da criança e evita a ocorrência de alterações que podem exigir tratamentos ortodônticos e fonoterápicos.

“Crianças com respiração oral podem apresentar alterações ortodônticas e de desenvolvimento facial. Quanto antes tratadas, menor o impacto dessas alterações. Portanto, os pais devem procurar orientação médica logo que notarem a persistência do sintoma”, explica.

A criança que respira pela boca pode apresentar sintomas como ronco, sono agitado, flacidez da musculatura labial e da língua, lábios ressecados, respiração barulhenta e alterações de mordida e fala. Os pais devem suspeitar ao notarem a criança dormindo com a boca aberta ou assistindo à TV (quando mais velhos) com os lábios entreabertos. Além disso, é comum que identifiquem dificuldade para comer de boca fechada e babação excessiva. Diante de alguns desses sinais, é essencial que os pais procurem orientação médica para que o problema seja identificado e tratado.

“As principais causas de respiração oral na faixa etária pediátrica são rinite e hipertrofia de adenoide, condições tratadas pelo otorrinolaringologista”, afirma a especialista. O tratamento precoce é importante, pois a respiração oral, se não for cessada, pode gerar problemas como mordida cruzada, palato ogival (má formação do “céu da boca”), maxila hipodesenvolvida, projeção dos dentes, entre outros.

Segundo a médica, é importante que o tratamento seja realizado antes dos problemas acontecerem. Caso demore muito e as alterações já existam, será preciso recorrer a outros tratamentos associados ao otorrino, como dentista, por exemplo.

“É possível parar de respirar pela boca, mas, às vezes, é necessário tratamento adjuvante com fonoterapia para fortalecimento de lábios e língua. Também é preciso excluir outras causas de respiração oral, como língua grande (comum em Síndrome de Down), retrognatia (anomalia da mandíbula inferior) e hipotonia de lábio e musculatura peri-oral (lábios e bochechas flácidos)”, completa.

O tratamento contra hipertrofia acentuada de adenoide – uma das causas da respiração oral – envolve procedimento cirúrgico. Se o problema, no entanto, é causado por rinite, o tratamento costuma contemplar diferentes especialidades, principalmente a otorrinolaringologia.

Dra. Renata explica ainda que tem aumentado a procura dos pais por auxílio médico para resolver problemas relacionados à otorrinolaringologia pediátrica. “Os principais motivos que trazem os pais e seus filhos ao consultório são respiração oral, ronco, atraso de fala, otite de repetição, rinite e amigdalite de repetição. Atualmente, acredito que os pais procuram auxílio médico mais cedo do que antigamente e isso é essencial para o tratamento dessas desordens”, conclui.

Mitos e verdade sobre o desvio de septo nasal

Você certamente conhece alguém que já teve de ser submetido a uma cirurgia para corrigir o desvio do septo nasal. Ainda que seja um procedimento comum, o problema ainda desperta muitas dúvidas em pacientes, inseguros em relação a possíveis cicatrizes, ao pós-operatório e à necessidade da cirurgia.

Para elucidar essas e outras questões, a otorrinolaringologista Cristiane Mayra Adami, do Hospital Paulista, elaborou o tira-teima a seguir, com os mitos e as verdades sobre o desvio de septo nasal:

MITOS

Quem tem desvio de septo sempre deverá operá-lo

A cirurgia de desvio de septo é muito comum: oito em cada dez brasileiros apresentam o problema. No entanto, nem sempre o desvio de septo é sintomático. Ou seja, nem sempre o paciente sente o nariz entupido e a obstrução nasal. Consequentemente, não são todos os casos de desvio de septo que requerem intervenção cirúrgica. Essa avaliação deve ser feita por um médico otorrinolaringologista.

A cirurgia de correção do septo nasal é indicada quando o paciente tem sintomas como a obstrução nasal ou sinusites recorrentes. Essa série de crises ocorre porque o septo é desviado de um jeito que fecha as entradas e saídas de secreção dos seios da face. O paciente começa a reter muita secreção e desenvolve a sinusite. Portanto, a indicação cirúrgica ocorre quando o desvio é obstrutivo e o paciente tem sintomas de nariz entupido, que dificultam sua respiração. O mandatório para a indicação é a sintomatologia do paciente ou algum desvio tão grave em crianças que possa causar uma deformidade facial.

A cirurgia de desvio de septo deixa cicatriz

A cirurgia não requer corte externo e não deixa cicatriz. Atualmente, é muito comum a cirurgia através de vídeo endoscopia. O procedimento é feito pelo nariz, através das narinas. Por fora, sequer parece que o paciente passou por uma cirurgia.

A cirurgia gera mudança na estética do nariz

Uma cirurgia de correção de desvio de septo, que é diferente de um procedimento estético, não muda a forma do nariz. Não há mudança externa, apenas interna para promover uma respiração melhor.

O procedimento cirúrgico só pode ser feito em adultos

A cirurgia do desvio de septo pode ser feita em qualquer idade, dependendo da indicação e da deformidade que pode estar causando. Para a maioria das pessoas, recomenda-se operar após a fase de crescimento, ou seja, da adolescência em diante. A partir daí, já cessou o crescimento, o osso nasal já está definido. Podemos, então, fazer uma cirurgia e não tem risco de o desvio voltar depois. No entanto, a cirurgia é indicada para algumas crianças quando o desvio é tão grave que pode iniciar uma deformidade facial. Neste cenário, é melhor correr o risco de ter que operar novamente esse paciente lá na frente do que deixar essa criança crescer com alguma deformidade na face. Há casos em que se opera aos 4, 5 anos de idade, mas isso não é comum.

Após a cirurgia, o paciente não precisa mais de acompanhamento médico

É muito importante ter um acompanhamento pós-cirúrgico nos anos seguintes, principalmente os pacientes que têm rinite alérgica e rinite à mudança de temperatura, pois é importante fazer uma manutenção deste nariz. O septo fica retinho, não entorta de novo, quando já se é adulto, a não ser que tenha um trauma, uma causa externa. No entanto, a mucosa do nariz precisa de cuidados.

O nariz não é só o septo nasal. Os cornetos, popularmente chamados de carne esponjosa, também são responsáveis pela obstrução nasal. Inclusive, é muito comum que o paciente faça a septoplastia junto com a turbinectomia, que seria a correção do septo nasal mais a remoção parcial dos cornetos. Quem tem rinite tem que cuidar dessa mucosa, porque ela estará sempre exposta ao que provoca rinite, podendo causar uma irritação, uma inflamação, um edema, um inchaço dessa mucosa, gerando desconforto.

Não é só operar e sumir. É muito comum que os pacientes operem, fiquem bem, sumam e não cuidem da rinite. Depois de um tempo, acabam voltando ao consultório, pois não fizeram a manutenção do nariz. É muito importante um acompanhamento com o otorrino nos anos posteriores para saber se está tudo bem, principalmente com o fator rinite.

VERDADES

A cirurgia de desvio de septo utiliza anestesia geral

Sim, é um procedimento considerado invasivo, pois exige internação e anestesia geral. Por isso, é preciso realizar, antes da cirurgia, avaliação cardíaca, de sangue, de pulmão e do anestesista. No entanto, o período de internação é curto e não passa de 24 horas. Alguns médicos preferem que o paciente passe a noite no Hospital após a cirurgia, mas não é uma regra. É possível internar, operar e ir embora no mesmo dia.

O desvio de septo pode voltar quando se opera muito cedo

Sim, pois a pessoa ainda não teve o pico de crescimento. O osso continua crescendo e pode continuar se desenvolvendo com o desvio. Tudo depende da real necessidade da cirurgia. Em casos extremos, opera-se mais cedo, porém já é avisado que futuramente poderá ser necessário operar novamente.

O pós-operatório é muito essencial no sucesso da cirurgia

Os cuidados do pós-operatórios de uma cirurgia de desvio de septo são muito importantes. O sucesso do procedimento depende muito de um pós-operatório bem feito e respeitado, pois a região do nariz sangra com muita facilidade. É preciso fazer um repouso relativo, em que não haja esforço físico, já que os vasinhos do nariz estão cicatrizando e podem se romper, causando hemorragia.

Deve-se evitar também a exposição excessiva a temperaturas altas, ao calor, ao Sol e a comidas e banhos muito quentes. Isso deve ser feito nas primeiras semanas, pois a média de cicatrização de uma cirurgia do nariz é em torno de dois meses. É importante enfatizar também que é muito importante evitar qualquer tipo de trauma na região. Ou seja, evitar bater o nariz ou tomar uma bolada, por exemplo.

Hospital Paulista alerta para gravidade em descontinuar alguns tratamentos na pandemia

Em casos agudos e graves, enfermidades como amigdalite e sinusite devem  ser tratadas, mesmo durante o isolamento social.


A pandemia de Covid-19 gerou uma série de preocupações aos brasileiros, aflitos diante dos números de mortes e infectados que aumentam diariamente no País. Em comunicado divulgado em abril, no entanto, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) chamou a atenção para os cuidados de saúde que não podem ser interrompidos mesmo durante o isolamento social, sob risco de complicações.

Segundo o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, algumas doenças podem levar o paciente à morte súbita caso o tratamento seja descontinuado ou feito de maneira irregular.

O especialista destaca que amigdalite, sinusite, otite e apneia são exemplos de enfermidades que devem ser tratadas de forma adequada e precoce. “Isso é fundamental para que as doenças não evoluam para formas mais graves.”

Confira a seguir as possíveis complicações de cada doença, segundo o especialista do Hospital Paulista:

AMIGDALITE:
Sua complicação mais temida é a febre reumática, que pode ocorrer em pacientes que apresentam infecção de garganta com frequência, mas não curam a doença de modo eficaz. A frequência de amigdalite anual que preocupa o especialista é de 6 vezes ou mais para crianças e três vezes ou mais para adultos.

“Se o pneumococo de um grupo específico ficar em contato com a amígdala, pode desencadear uma reação autoimune, isto é, uma reação de anticorpos que atacam o próprio corpo”, explica. No caso da amigdalite, o problema pode afetas as articulações das mãos e dos punhos, além da válvula do coração – cuja substituição pode ser necessária através de cirurgia.

Além disso, a amigdalite mal tratada e frequente pode causar o abscesso periamigdaliano, que consiste na formação de uma bolsa de pus ao redor da amigdala. Neste cenário, em casos mais graves, o paciente pode ser vítima de sepse, uma resposta exarcebada do organismo a um processo infeccioso, que pode leva-lo a óbito.

SINUSITE:
Em sua forma aguda ou crônica, pode gerar sérios problemas quando o tratamento não é feito adequadamente. Dentre os sintomas da sinusite grave, Pizarro menciona a secreção nasal mucopurulenta (verde ou amarela), congestão nasal, dor facial, cefaleia, inchaço na região dos olhos e febre alta.

“O tratamento inadequado destas infecções agudas ou crônicas agudizadas pode se espalhar para áreas próximas, como os olhos. Em alguns casos, pode causar cegueira e, nos piores cenários, atingir o cérebro, formando abcessos e complicações neurológicas graves”, afirma.

OTITE:
Nos casos graves, é comum a saída de secreção pelos ouvidos, além da ocorrência de zumbido e tontura forte. O tratamento precoce é feito com medicações, preferencialmente administradas por um otorrinolaringologista.

“A proximidade do ouvido com as meninges e o cérebro faz com que o órgão seja uma das principais portas de entrada para infecções da cabeça, como meningites e encefalites”, detalha o médico.

APNEIA NO SONO:
Trata-se da parada respiratória que ocorre várias vezes durante a noite, afetando o sono e o organismo do paciente como um todo. O ronco é um dos principais sintomas da enfermidade, que tem uma evolução gradual, mas pode levar à morte súbita se não houver tratamento adequado em sua forma mais grave.

Rinite, sinusite e rinossinusite: entenda as doenças comuns no outono e no inverno

As chamadas “ites” se manifestam com mais frequência nas estações mais secas e frias do ano

Mesmo com todos os holofotes apontados para a pandemia do novo Coronavírus que atingiu o mundo todo, o outono e, na sequência, o inverno, nos alertam também para cuidados com as doenças respiratórias sazonais. Por conta das temperaturas mais baixas, queda no índice de umidade do ar e maior concentração de poluentes, a proliferação de doenças respiratórias é muito maior. Conhecidas como “ites”, a rinite, a sinusite e a rinossinusite são comuns nessas épocas do ano.

A rinite é um tipo de inflamação e/ou hipereação da mucosa de revestimento nasal, podendo se manifestar de forma alérgica, que é a mais comum, ou até mesmo de forma infecciosa. O problema é caracterizado por obstrução nasal, rinorreia (presença de secreção e corrimento nasal), espirros, prurido nasal e hiposmia (diminuição do olfato).

“Em casos alérgicos, recomenda-se deixar os cômodos da casa e a roupa de cama bem limpos para evitar acúmulo de poeira, e deixar entrar sol o máximo possível nos cômodos da casa. Já para as rinites infecciosas, causadas por vírus e, menos frequentemente, por bactérias, é importante lavar bem as mãos, principalmente quando estiver em lugares muito fechados e cheios de pessoas. O uso do álcool em gel também pode ajudar”, explica a Dra. Cristiane Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Outra “ite” bastante comum é a sinusite, que pode ser aguda ou crônica. Para definir qual o tipo da enfermidade, um período de 12 semanas é essencial para a avaliação, uma vez que, caso o prazo de cura se estenda após o tratamento, já pode ser considerada como crônica. “Além disso, existe um subtipo da doença chamado de Polipose Nasossinusal, onde a mucosa nasal e dos seios da face têm predisposição para formar pólipos, que obstruem os orifícios e favorecem o acúmulo de secreções e infecções bacterianas”, destaca a médica.

E, por fim, há a rinossinusite, que é todo o processo inflamatório da mucosa da cavidade nasal e dos seios paranasais. Esse tipo de quadro representa uma reação a algum tipo de agente físico, químico ou biológico, além de ser possivelmente causado também por mecanismos alérgicos. Utilizado unanimemente pelos especialistas, o termo serve para diferenciar uma rinite normal e outra que acaba se estendendo pelos seios da face, característica principal da rinossinusite.

“Mesmo que as doenças apresentem algumas características bastante semelhantes, os detalhes de cada uma delas são distintos e podem ocasionar diferentes manifestações, indo de dores no rosto até muita tosse e obstrução nasal”, completa a especialista do Hospital Paulista.

Caso a pessoa perceba alguns dos sintomas citados, o primeiro passo é procurar um especialista otorrinolaringologista, alergista ou imunologista.

Para evitar as doenças, hábitos simples podem ser adotados e possuem uma ótima eficácia, como sempre manter a higiene das mãos e evitar o contato delas com os olhos, nariz e boca. Outros bons aliados são o soro fisiológico nasal para limpar diariamente o nariz e beber muita água, favorecendo ainda mais o combate desses problemas.

Outra dica é evitar lugares fechados ou com muitas pessoas, principalmente para aqueles que necessitam realizar atividades fora de casa, ainda mais em um período de isolamento social.

 

Diferenças em relação ao coronavírus

Algumas das “ites”, como a rinite e sinusite, possuem sintomas muito parecidos e, por conta disso, é importante que sejam analisados por um especialista o mais rápido possível, para obter tratamento adequado, especialmente se apresentar febre alta e falta ou ausência de olfato. Como a COVID-19 também é uma doença respiratória, procurar um médico é imprescindível para um diagnóstico preciso, caso a pessoa sinta qualquer dificuldade para respirar.

Os portadores de rinite, por exemplo, não estão dentro do grupo de risco frente ao novo Coronavírus. “Entretanto, o risco aumenta se o problema não estiver controlado”, finaliza a médica.

 

Isolamento social leva a hábitos que agravam a rinite alérgica e outras doenças

Na atual situação e com o isolamento social, muitas pessoas estão aproveitando para fazer limpeza em lugares que normalmente não são limpos, como armários, prateleiras, baús antigos, garagem, cantos úmidos, além da intensificação do convívio com animais de estimação.

“O contato com pó, poeira, mofo, fungos, pelos de animais e uso inadequado de produtos químicos fará com as pessoas levem as mãos ao nariz, boca e olhos devido à irritação e coceira. Isto ocorre especialmente com os pacientes com rinite alérgica e atópicos, que são aqueles que possuem uma predisposição a reações de hipersensibilidade, que podem agravar também problemas como asma e dermatite”, explica o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Com isso, o ideal para a realização da limpeza é o uso de máscara, luvas, ventilação adequada e dosagem correta dos produtos químicos, lembrando sempre de evitar tocar o rosto durante o processo. Ao finalizar a tarefa, a lavagem das mãos deve ser realizada imediatamente.

“Os pacientes que tem rinite, sinusites crônicas, asma, poliposes, herpes orais ou com alguma ferida exposta nas mucosas, devem avaliar a real necessidade de limpeza destes locais e verificar se outras pessoas podem ajudar ou fazer por elas essas tarefas. A predisposição genética aliada a uma exposição ambiental, na qual a limpeza vai expor a pessoa ao pó e demais alérgenos, compromete o quadro desses pacientes.  Se não tiver outra maneira, se protejam e, principalmente neste período de pandemia, mantenham controladas suas doenças respiratórias crônicas”, ressalta o médico.

Crianças em casa: engasgo e introdução de objetos no nariz ou ouvido pode ser perigoso

Durante a quarentena, todo cuidado é necessário para evitar acidentes com pequenos objetos e se atentar a engasgos

Botões, pedrinhas, miçangas, feijão e massinha fazem parte de uma grande lista de coisas que as crianças costumam engasgar ou até mesmo introduzir no ouvido ou no nariz. Em um período em que as aulas presenciais foram interrompidas e os mais novos passam o dia em casa, vale ficar atento. Se há irmãos maiores, redobre a atenção, pois é comum que, em um ato inocente de brincadeira, os bebês sejam “alimentados” por eles com objetos pequenos que podem causar danos à saúde.

No caso de engasgos, os menores de dois anos são as grandes vítimas, já que estão na fase oral e costumam levar todo o tipo de objeto até a boca. Caso perceba que a criança engoliu um corpo estranho e está com problemas, o primeiro passo é avaliar se tem falta de ar associada. Nessa situação, ela não conseguirá chorar, falar ou respirar e ficará com os lábios roxos.

“Para uma ajuda segura, o ideal é dividir as tarefas: um adulto cuida da criança e o outro chama o serviço de emergência, pois podem ser necessárias manobras como a de Heimlich e de ressuscitação, se a situação estiver grave, sendo que esta última nem todos estão aptos a executá-la com precisão. Caso ela apresente falta de ar, não consiga respirar e esteja ficando azulada, o serviço de emergência deve ser chamado imediatamente”, destaca a Dra. Renata Garrafa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Em situações de engasgos, a manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros utilizada em casos de emergência por asfixia e que pode ser realizada por qualquer pessoa, bastando que siga corretamente as orientações.

“A manobra de Heimlich acontece de formas diferentes em bebês e em crianças maiores de um ou dois anos. No bebê, devemos colocá-lo de bruços, deitado em cima do nosso antebraço e com a cabeça virada para baixo. Então, com bebê com as costas retas e, segurando com firmeza, devemos dar cinco tapas no meio das costas e entre os ombros, não muito fortes, mas com impacto suficiente para que o objeto saia”, explica a médica.

Se o engasgo persistir, o bebê deve ser virado de barriga para cima, sob o outro antebraço, pressionando cinco vezes com os dois dedos indicadores no meio do peito do bebê, entre os dois mamilos. Caso chore, vomite ou tussa é sinal que conseguiu desengasgar. Se continuar engasgado, repetir desde o início   o procedimento até que o bebê desengasgue.

“Já em uma criança acima de dois anos, devemos nos posicionar atrás dela, sendo que ela fica de pé e nós ajoelhados. Então, com a criança de costas, abraçaremos até que uma de nossas mãos esteja fechada na altura do estômago e a outra mão estará aberta, apoiada sobre essa mão fechada. Então, devemos pressionar com força moderada a barriga da criança para dentro e para cima ao mesmo tempo”, completa a especialista do Hospital Paulista. 

É importante também ficar atento a alguns objetos como pilhas ou baterias, por exemplo, que podem, após algumas horas, liberar substâncias tóxicas. “Mesmo que a criança acabe não engasgando, a presença dessas peças no corpo pode agravar o quadro. Portanto, esses materiais devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos”, diz a Dra. Renata.

 

Nariz e ouvido

A presença de um corpo estranho no ouvido pode gerar dificuldade para escutar, sensação de entupimento e até mesmo lesão na membrana do tímpano. A criança pode queixar-se de dor ou de ouvido tampado e, eventualmente, pode ter saída de sangue ou secreção pelo canal externo do ouvido.

Já a introdução de objetos no nariz pode acarretar em obstrução, secreção e sangramento provenientes de apenas um lado do nariz, além de odor fétido nasal. Em ambos os casos, pode gerar infecção se a situação não for contornada a tempo.

Muitas vezes, as crianças podem não admitir que introduziram objetos no ouvido ou no nariz. No caso dos menores, é possível que não consigam comunicar o ocorrido. “A tentativa de remoção destes objetos em casa, seja no ouvido ou no nariz, é perigosa e pode gerar sérias lesões. Assim que o adulto perceber que a criança está com um objeto preso nesses locais, é preciso ir imediatamente ao pronto-socorro”, finaliza a especialista.

Sintoma de perda de olfato pode ser indicativo do novo coronavírus

Especialista do Hospital Paulista explica que a anosmia, que  impede a pessoa de sentir cheiros e compromete também o paladar, sugere a contração da COVID-19

Estudos recentes apontam evidências de anosmia em 30% dos pacientes com COVID-19 em Daegu, na Coreia do Sul, e de 2/3 dos pacientes com COVID-19 em Heinsberg, na Alemanha. Assim, os médicos alertam que a perda de olfato, e consequentemente, do paladar, são sintomas de alarme para a doença.

“Infecções virais, como a gripe, têm como característica a obstrução nasal, que leva a perda de olfato e do paladar de forma temporária e de modo parcial. Porém, na COVID-19, esses sintomas aparecem de forma total e súbita, e não acompanhados de obstrução nasal”, alerta o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Nesta situação, é importante procurar o médico otorrinolaringologista, que irá avaliar estes sintomas, que passam a ser um indicativo inicial do novo coronavírus.

 

Alerta sobre o uso de medicação para a COVID-19

Segundo a Academia Brasileira de Rinologia (ABR) e a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), é preciso evitar o uso de corticosteroides sistêmicos em caso de sintomas que sugiram uma síndrome gripal diante da pandemia do COVID-19.

O uso deste medicamento em forma tópica nasal de uso crônico pode ser mantido, mas caso surjam os sintomas gripais , o médico pode considerar sua suspensão temporária.

“Isso se dá porque os sintomas são semelhantes. Mas a COVID-19 ainda não tem um tratamento específico. Testes estão sendo realizados, mas ainda é necessário estudos mais robustos. Porém, é sabido que o uso de corticoide sistêmico deve ser evitado. Eles baixam a imunidade, podendo levar a uma piora do quadro”, explica o especialista. Neste caso, o recomendado é uso de analgésicos e antitérmicos, além do isolamento domiciliar por 14 dias, se os sintomas forem leves.

 

Lavagem nasal com solução salina

Ainda de acordo com a ABR e a ABORL, houve divulgação de que o uso de solução salina, ou soro fisiológico, para a limpeza nasal poderia facilitar a entrada do novo vírus pelas vias aéreas. Porém, não há nenhum tipo de evidência científica que comprove tal informação.

“A lavagem nasal é uma opção que pode trazer alívio para os sintomas da doença, ajudando a remover as secreções e auxiliando em uma respiração melhor”, finaliza o doutor.

Dia Mundial do Sono: você dorme bem?

O ronco e a apneia são causadores de noites mal dormidas  

Em 13 de março comemora-se o Dia Mundial do Sono, uma iniciativa da World Association of Sleep Medicine para chamar atenção sobre a importância de se dormir bem. O benefício do sono regular, muitas vezes, é pouco reconhecido. Além de repor as energias, este momento de intervalo influencia: no metabolismo, na memória, no sistema imunológico e na prevenção de doenças, como diabetes, hipertensão e obesidade. Sua falta pode trazer ainda irritação, dificuldade de concentração, acidentes e até mesmo depressão.

Um fator comum para a baixa qualidade do sono é o ronco. No Brasil, estima-se que a ocorrência de roncos entre homens de 20 a 40 anos é de 26,5% e aumenta para 36% dos indivíduos acima de 40 anos. Nas mulheres de 20 a 40 anos a porcentagem é de 8,9%, e acima de 40 anos sobe para 24,5%. Além disso, 45% dos homens e 30% das mulheres acima de 65 anos roncam, e 19% das mulheres e 34% dos homens que roncam frequentemente podem apresentar apneia do sono.

“O paciente que apresenta sintomas da doença deve realizar um estudo do sono por meio da polissonografia, exame que registra as variáveis fisiológicas durante o período de repouso, tais como: atividade elétrica cerebral, movimento dos olhos, tônus muscular, fluxo de ar oral e nasal, esforço respiratório, movimentos de pernas, oxigenação do sangue”, afirma o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Apneia – O que é isso?

A apneia obstrutiva do sono é uma limitação do fluxo de ar que ocorre na orofaringe. Esta situação é mais intensa que apenas um ronco, levando a breves e repetidas paradas respiratória enquanto o indivíduo dorme.

Cada vez que há uma diminuição do fluxo de ar, que pode ser de poucos segundos ou se prolongar por mais de um minuto, ocorre uma diminuição do nível de O2 do sangue. Por consequência, um aumento do CO2 leva a um aumento do batimento cardíaco e da pressão arterial.

“Essas alterações ‘avisam’ o cérebro que existe um problema respiratório, gerando um pequeno despertar de poucos segundos. Com isso, há um aumento da contração muscular e restabelecimento da patência (capacidade de manter uma via desobstruída) das vias aéreas e normalização temporária da respiração. Este tipo de evento pode ocorrer inúmeras vezes na mesma noite, levando a uma queda da qualidade do sono”, explica o especialista.

Tratamentos

O tratamento deverá ser individualizado e adequado, levando em consideração a anatomia do paciente um e o grau de apneia (leve, moderada ou acentuada).

Existem várias abordagens cirúrgicas para o ronco e a apneia, que têm por objetivo desobstruir as vias aéreas superiores, dentre elas: a correção de desvio de septal e diminuição de cornetos, elevação do palato mole, retirada das amigdalas, entre outras.

O tratamento também pode ser ortodôntico, e corrige avanços maxilares com uso de aparelhos intraorais. O caso pode até mesmo ser cirúrgico para a melhor adequação da maxila e da mandíbula, e envolve também a participação de um cirurgião buco-maxilo-facial.

Por fim, o paciente pode utilizar o CPAP, um aparelho usado durante o sono que ajuda a respiração por meio de pressão de ar positiva, gerada por uma ventilação forcada, que joga o ar ambiente por uma mangueira (traqueia) ligada a uma máscara, parecido com uma inalação.

Apneia em crianças

A condição é mais comum em crianças com o aumento das amigdalas e da adenoide (carne esponjosa). “Normalmente o tratamento mais eficiente, consiste na retirada desses elementos, por meio de uma cirurgia chamada adenoamigdalectomia”, explica o especialista.

Sintomas

Abaixo, seguem os principais sintomas do ronco e da apneia obstrutiva do sono. “Caso alguém perceba estas manifestações, é necessário procurar um otorrinolaringologista para a investigação diagnóstica e possível tratamento”, finaliza o médico do Hospital Paulista.

Sintomas noturnos:

  • Ronco alto
  • Sono agitado
  • Paradas respiratórias
  • Engasgos
  • Nicturia (acordar várias vezes para urinar)
  • Pesadelos asfixiantes

Sintomas diurnos:

  • Sono não reparador
  • Sonolência diurna
  • Dificuldade de memória e concentração
  • Irritabilidade
  • Impotência e diminuição da libido
  • Cefaleia matinal
  • Boca seca ao acordar