Uma semana de intubação pode gerar problemas na voz

Pandemia de Covid-19 aumentou número de pacientes que recorrem à fonoterapia após período de internação

A Covid-19 já infectou mais de 5,5 milhões de brasileiros, resultando na morte de mais de 160 mil pessoas. Após meses de pandemia, no entanto, diversas especialidades médicas passaram a olhar também para outros problemas gerados pelo vírus. Entre eles estão questões relacionadas à voz, em decorrência do processo de intubação muitas vezes necessário durante o tratamento do novo Coronavírus.

De acordo com Bruna Rainho Rocha, fonoaudióloga do Hospital Paulista, sete dias de intubação podem ser suficientes para gerar complicações relacionadas à laringe. A rouquidão é um dos sintomas mais frequentes após a intubação de um paciente, mas costuma ser temporária, com duração de dois a três dias.

Entretanto, há situações mais graves, que também podem gerar fraqueza na voz. “As pregas vocais ficam localizadas na laringe, por onde passa o tubo orotraqueal para a intubação. A laringe é muito sensível e pode ser comprometida por inúmeras causas, desde trauma, por uma intubação de emergência ou de difícil exposição, até por um tempo longo de permanência da cânula em contato com a mucosa da laringe”, explica a fonoaudióloga.

Para alguns pacientes que passaram semanas e até meses intubados, é indicada a fonoterapia para a adequação da qualidade vocal. Nestes casos, é importante recorrer inicialmente a um otorrinolaringologista, que poderá realizar o diagnóstico do problema e, assim, o fonoaudiólogo pode definir a melhor conduta para cada caso.

“O primeiro passo do paciente consiste em fazer uma avaliação com um médico otorrinolaringologista para entender a causa destes problemas, que podem ser gerados pelo tempo de intubação, por uma lesão nas pregas vocais ou até mesmo por paralisia das pregas vocais”, completa Bruna.

 

Apneia Obstrutiva do Sono em crianças pode ter várias causas; entenda!

No Dia das Crianças, lembrado em 12 de outubro, o Hospital Paulista chama a atenção para a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), um problema que pode afetar pequenos de todas as idades, sendo mais prevalente entre 3 e 5 anos. As crianças que apresentam essa condição têm paradas respiratórias durante o sono, prejudicando a ventilação pulmonar e a oxigenação.

De acordo com Renata Christofe Garrafa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, é muito importante que os pais fiquem atentos aos principais sinais emitidos pelas crianças durante o sono, para que possam consultar um médico e indicar os problemas manifestados.

“O principal sintoma que pode ser observado pelos pais é a ocorrência de pausas na respiração à noite. A criança com esta síndrome costuma apresentar roncos altos interrompidos por paradas respiratórias (muitas vezes relatadas como ‘engasgos’ pelos pais)”, avalia a otorrinolaringologista.

Alguns sintomas da SAOS, no entanto, podem ser observados durante o dia, de modo que a observação noturna não é a única opção aos pais que avaliam primariamente se devem ou não recorrer a um médico.

Dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia indicam que cerca de 10% das crianças roncam, mas somente entre 1% e 3% delas têm apneia do sono.

“O sono da criança com SAOS é frequentemente agitado e com despertares. Consequentemente, por ser um sono não reparador, os pequenos podem apresentar déficit de crescimento, além de prejuízo no rendimento escolar pela dificuldade de concentração e aprendizado. Diferentemente dos adultos, em que a sonolência diurna é um sintoma frequente, crianças podem apresentar hiperatividade e irritabilidade durante o dia”, complementa a médica.

Durante a infância, justamente em um momento no qual as crianças estão aprendendo e desenvolvendo habilidades de compreensão e comunicação, estes sintomas podem ser muito prejudiciais.

Causas e tratamentos

Ainda que também ocorra em adultos, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono em crianças tem causas específicas e isso irá influenciar justamente na escolha do médico pelo tratamento que será ministrado.

“Em crianças, as hipertrofias das amígdalas e/ou da adenoide encontram-se entre as principais causas da SAOS. Porém, alterações craniofaciais como retrognatismo (quando a mandíbula se localiza mais para trás), macroglossia (língua grande – comum em Síndrome de Down) e até mesmo obesidade são fatores que também podem causar pausas respiratórias durante o sono”, afirma Renata.

Portanto, ao observar alguns dos sintomas, principalmente durante o sono, os pais devem encaminhar a criança a um otorrinolaringologista para que o diagnóstico sobre as causas da síndrome seja feito.

“É possível tratar a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, mas a criança deve ser avaliada inicialmente para que o fator causal seja determinado. Cada causa tem um tratamento”, explica a médica.

Uma vez que a principal causa de SAOS em criança é o aumento das amígdalas e/ou da adenoide, a intervenção cirúrgica é o tratamento mais prevalente. “No caso da hipertrofia das amígdalas e da adenoide, o tratamento é cirúrgico por meio de adenoamigdalectomia, cirurgia realizada pelo otorrinolaringologista”, completa.

Em algumas situações, entretanto, o tratamento pode requerer complementação multiprofissional, aliando o acompanhamento ortodôntico e nutricional, além de avaliação por médico crânio-maxilo-facial.

Por que as crianças sofrem mais com infecções no nariz, ouvidos e garganta?

Se tem algo que causa temor e angústia nos pais é ver o filho doente. Independente da gravidade do caso, o sofrimento dos pequenos costuma gerar uma sensação de impotência. Nesse sentido, infecções recorrentes no nariz, nos ouvidos e na garganta são uma das principais causas a tirar o sono dos pais, principalmente nos primeiros anos das crianças.

Afinal, por que o processo infeccioso nessas regiões do corpo é mais comum em crianças do que em adultos? De acordo com as otorrinolaringologistas Cristiane Mayra Adami e Leila dos Reis Ortiz Tamiso, do Hospital Paulista, parte da explicação está na imunidade mais baixa dos pequenos, que só será formada definitivamente na pré-adolescência.

“Os tecidos de proteção local da criança na garganta e no nariz são as amígdalas e a adenoide. De forma natural, a criança tem a higiene um pouco mais defasada do que a do adulto, pois leva tudo à boca, inclusive as mãos. Dessa forma, sua imunidade tem que trabalhar muito mais. E onde produz essa imunidade local? Nas amígdalas e na adenoide, que aumentam de tamanho para produzirem mais células de defesa. É aí que ocorre a hipertrofia da adenoide e da amígdala, que tem como consequências as infecções de garganta, nariz e ouvido”, explica Leila.

Cristiane ressalta outros dois fatores que contribuem para uma maior incidência destas infecções nos pequenos. “A criança que está escola tem contato com todo mundo. Assim, a escola é o principal fator de disseminação das infecções nas crianças”, explica a otorrinolaringologista. De acordo com ela, entretanto, os pais não devem esperar o passar dos anos para buscar tratamento médico.

“Essas infecções de repetição podem prejudicar a criança. Vamos deixar essa criança sofrendo e tomando antibióticos uma vez por mês, destruindo, portanto, a imunidade do seu intestino? Temos exemplos de crianças que tomam antibiótico todos os meses. Terminam um, passam alguns dias bem e ficam doentes de novo. Para caracterizar essa repetição, falamos no mínimo de 3 a 4 vezes com infecções em um ano. No entanto, tudo depende da intensidade da doença. Se a criança sente muito os efeitos das infecções, não consegue fazer nada, não consegue ir à escola, já é indicação de tratamento cirúrgico. O melhor é prevenir”, complementa Cristiane.

Alguns outros sintomas ajudam os pais a identificarem se a criança está sofrendo com as infecções recorrentes. Dificuldades auditivas, ronco, sono muito agitado e dificuldade de alimentação são alguns deles.

“Às vezes, os pais entendem que as infecções são normais, pois eles também tiveram durante suas infâncias. O tempo vai passando, eles deixam de tratar e perdemos o momento correto para realizar o diagnóstico e o tratamento. Isso tem extrema importância. Para que a criança tenha um bom desenvolvimento físico e psicológico, é preciso que todos os seus sistemas – de imunidade e de crescimento, por exemplo – estejam em evolução. O hormônio de crescimento é produzido durante a madrugada. Se a criança não dorme direito, provavelmente não terá um desenvolvimento adequado. A recomendação, portanto, é sempre procurar um otorrino para verificar essas questões”, complementa Leila.

Ao diagnosticar problemas na adenoide ou nas amígdalas, frutos de infecções recorrentes, Cristiane explica que o tratamento inicial irá priorizar soluções clínicas, com o uso de medicamentos e vacinas.

“Se o tratamento clínico não é suficiente ou eficaz, indicamos tratamento cirúrgico. Alguns casos, no entanto, requerem cirurgia de imediato. Na apneia do sono, por exemplo, a indicação primordial é cirúrgica, pois a criança pode sofrer paradas respiratórias enquanto dorme. Sempre buscamos o tratamento clínico, mas a cirurgia pode ser necessária em alguns cenários”, avalia.

Na maioria dos casos, as cirurgias de amígdalas e adenoide são feitas em conjunto. Os pais, no entanto, devem se preparar para o pós-operatório do procedimento, já que a criança precisa permanecer em repouso e pode reclamar de algumas dores. O ideal é que essas cirurgias sejam realizadas ainda na infância, desde que haja indicação médica.

“O adulto passou mais tempo com esse problema e naturalmente sentirá muito mais dor após o procedimento cirúrgico”, conclui Cristiane.

Dia Internacional do Idoso: conheça as principais doenças e saiba quando recorrer a um otorrinolaringologista

No mês de celebração pelo Dia Internacional do Idoso, lembrado em 1º de outubro, o Hospital Paulista faz um alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças de ouvido, nariz e garganta que podem atingir a terceira idade, público que representa hoje 13% da população brasileira.

A expectativa, no entanto, é que o país tenha cerca de 30% de sua população idosa em 2050. Além disso, espera-se que, a partir de 2030, a quantidade de brasileiros na faixa etária de 60 anos ou mais supere aquela que compreende dos 0 aos 14 anos.

Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida no Brasil cresce, os idosos anseiam por um envelhecimento de qualidade. Algumas patologias são típicas desta fase e provocam sensível perda de qualidade de vida ao paciente.

Com orientações e dicas do otorrinolaringologista Ricardo Schaffeln Dorigueto, o Hospital Paulista aborda, na sequência, os principais problemas desta especialidade relacionados aos idosos.

A recomendação é que, ao notar sintomas, o idoso (ou familiares/responsáveis) procure um médico especialista para averiguar as causas e os tratamentos disponíveis.

  • Surdez/dificuldade auditiva

“A surdez no idoso está relacionada ao envelhecimento natural do paciente. A partir dos 50, 60 anos, há uma redução natural do número de células auditivas e com isso o indivíduo perderá gradualmente a audição”, explica Dorigueto.

O processo de perda de audição, entretanto, pode ser intensificado a partir de fatores como diabetes, pressão alta, tabagismo e consumo de álcool em excesso. Além disso, a demora das pessoas em buscarem ajuda – justamente por imaginarem que não há tratamento – acelera o avanço do problema, podendo gerar, inclusive, a surdez definitiva.

Um dos exames que podem auxiliar o diagnóstico de distúrbios auditivos é o BERA (Exame do Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico).

 

“O BERA tem o objetivo de avaliar a integridade funcional do nervo auditivo e determinar se há ou não um distúrbio na audição. Ele possibilita identificar se a causa é decorrente de uma lesão no nervo auditivo ou no sistema nervoso. A sedação é um diferencial para o procedimento, já que, no momento do teste, não pode haver nenhum movimento que interfira na resposta elétrica e, consequentemente, na interpretação correta do resultado”, afirma.

  • Vertigem e distúrbios de equilíbrio

O equilíbrio no ser humano depende da integração de uma série de sistemas no corpo. Com o avanço da idade, alguns desses sistemas sofrem pequenas degenerações, e o idoso passa a vivenciar episódios de desequilíbrio em determinadas situações até então corriqueiras.

“A vertigem e os distúrbios de equilíbrio influem diretamente na perda de autonomia do idoso e podem ser gerados por comprometimentos neurológicos ou do labirinto. O indivíduo perde a confiança de realizar atividades que até então fazia frequentemente, como ir à farmácia, ao supermercado, visitar amigos e familiares. Além disso, as quedas de um idoso podem gerar problemas físicos mais graves (fraturas em membros e na bacia, por exemplo), tornando sua condição muito mais séria, já que a recuperação costuma ser lenta e passível de complicações”, complementa o médico.

  • Obstrução nasal

Pode ser resultado de rinites alérgicas a partir da reação do corpo humano a determinadas substâncias. Por isso, é muito importante ficar atento aos elementos que compõem o lar de um idoso, especialmente se ele mora sozinho. Tapetes, cortinas e cobertores devem ser higienizados com frequência e os ambientes devem ser arejados diariamente, para evitar a formação de poeira e outras substâncias que podem irritar o sistema respiratório do indivíduo.

  • Dor de cabeça

“A cefaleia (dor de cabeça) no idoso pode ser primária (quando a dor é o próprio problema, sem relação com outros problemas) ou secundária (quando está relacionada a outras causas). Neste último caso, é preciso realizar uma abordagem sistemática, de modo a entender quais são os fatores que estão causando dor frequente no paciente”, explica o médico.

Idosos costumam fazer uso de mais medicamentos diários e a interação entre eles pode gerar efeitos adversos, como a cefaleia. Além disso, acidente vascular cerebral ou derrame costumam apresentar sintomas semelhantes aos da enxaqueca e não devem jamais ser negligenciados pelo paciente ou por seus familiares, sob o risco, inclusive, de morte.

  • Secreção e/ou sangramento nasal

“O uso de medicamentos, a hipertensão arterial sistêmica e as alergias são as principais causas de secreção e sangramento nasal em idosos. O desvio de septo também pode contribuir para estes problemas. No caso do sangramento, quando muito intenso, pode gerar uma situação de urgência que demandará tratamentos mais intensos, incluindo cirurgia nos casos mais graves”, destaca Dorigueto.

Já a secreção em excesso pode gerar um fluxo contínuo de muco para a garganta. Com isso, o idoso apresenta pigarro ou tosse mais insistente. Se não houver tratamento, o quadro pode agravar a situação do nariz e da garganta do paciente.

  • Zumbido no ouvido

O zumbido pode ser intermitente ou contínuo e pode variar também na intensidade. Trata-se de um problema que gera bastante incômodo nos pacientes, pois não é “percebido” por ninguém ao seu redor. Ainda que não seja exclusivo de pessoas acima dos 60 anos, o zumbido costuma gerar mais queixas entre os idosos.

Segundo um estudo realizado com cerca de 2 mil paulistanos, em 2015, 36% dos entrevistados idosos relataram queixa de zumbido nos ouvidos. “São vários os fatores que podem levar o paciente a registrar o problema. Por isso, é muito importante que se faça um diagnóstico precoce para identificar, inclusive, os hábitos deste indivíduo que contribuem para o quadro. O zumbido pode parecer apenas um incômodo, mas pode gerar uma sensível queda na qualidade de vida do idoso, prejudicando seu sono, seus momentos de lazer e seu convívio com familiares e amigos”, afirma o otorrinolaringologista.

  • Secreção, sangramento e dor de ouvido

O diagnóstico precoce também é essencial neste caso. A secreção (com ou sem sangue) no ouvido pode ser gerada por um processo infeccioso, por alguma lesão na cabeça ou até mesmo por problemas no tímpano (como seu rompimento). Ao identificar os sintomas, é necessário recorrer a um médico imediatamente, evitando limpar o local sem orientação.

Em alguns casos, a dor aparece sem secreção. Ainda assim, também é recomendado o auxílio médico imediato, justamente para evitar que a condição se agrave.

  • Dor de garganta e rouquidão

Assim como em outras faixas etárias, a dor de garganta em idosos pode ser gerada por infecções. “No entanto, o pigarro e a tosse insistente, frutos de outros problemas, também podem machucar a garganta. Fatores como tabagismo e consumo de álcool igualmente são prejudiciais”, diz o médico.

A rouquidão também pode ser fruto do consumo prolongado de cigarros. Da mesma forma, problemas na laringe (incluindo câncer) e refluxo gastroesofágico geram rouquidão e requerem diagnóstico e tratamento específicos para cada paciente.

  • Ronco e apneia do sono

O ronco não costuma aparecer somente na velhice. Trata-se de um problema que se manifesta ao longo da vida, mas que pode ser agravado devido à falta de tratamento adequado e a fatores como obesidade e tabagismo.

“Cerca de 60% dos homens e 40% das mulheres acima de 65 anos roncam e/ou têm apneia do sono. Ela se caracteriza pela obstrução dos canais respiratórios durante o sono e podem interromper, por alguns segundos, o fluxo de ar. Como alguns idosos moram sozinhos, a percepção dos problemas acaba sendo prejudicada”, explica.

Primavera pode ser um pesadelo para quem tem alergias como rinite, sinusite e asma

Setembro marca a chegada da Primavera, estação que é conhecida pela beleza das flores e também por gerar um maior número de casos alérgicos, especialmente na população adulta. A liberação do pólen das flores e a mudança climática são as principais responsáveis por tornar a estação uma dor de cabeça a quem costuma apresentar problemas alérgicos como rinite, bronquite, sinusite e asma.

De acordo com Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, é frequente na Primavera uma doença chamada polinose. Trata-se de uma alergia ao pólen, também conhecida como febre do feno.

“Os tipos de pólen que mais dão alergia são as gramíneas, ciprestes e pinheiros. Dentre eles, a gramínea azevém é o principal agente causador da polinose no Brasil”, explica a especialista. Ainda que esses pólens possam aparecer em qualquer lugar do Brasil, a frequência é muito maior nos estados da região Sul, bem como em cidades serranas, como Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG).

“Em Curitiba, por exemplo, a prevalência da rinite alérgica persistente é de 12% entre a população em geral. Entre os adultos, chega a 25%. Já a polinose para gramíneas é de 10% para adultos e 2% em crianças”, explica Cristiane.

Diferenças entre alergias e Covid-19

Após o isolamento restrito gerado pela pandemia de Covid-19 em todo o Brasil, diversas cidades passaram a reabrir parques, permitindo que os cidadãos voltassem a conviver com espaços arborizados.  Para quem tem histórico de alergias, é preciso aumentar os cuidados, e não apenas em relação ao novo coronavírus.

A médica do Hospital Paulista explica que os sintomas desse tipo de alergia podem ser confundidos com os de uma gripe ou de um resfriado. Os pacientes podem apresentar congestão nasal, sucessão de espirros e coriza.

“O que diferencia, inclusive da Covid-19, nesse caso, é que as alergias não apresentam febre. Além disso, a coceira nasal, ocular e na garganta é intensa. Outra característica importante desse tipo de alergia é a periodicidade anual”, completa.

Cristiane ressalta ainda que os pacientes com esse tipo de alergia apresentam olhos vermelhos e lacrimejantes. De 15% a 20% podem registrar acometimento pulmonar, com chiado, falta de ar e tosse. Por isso, é muito importante recorrer ao auxílio médico especializado quando os sintomas forem notados. O acompanhamento médico também é essencial.

“Se a pessoa desconfia que em todas as Primaveras os sintomas pioram, ou entra em crise quando vai para o campo, ela deve procurar um especialista. Há exames para descobrir a causa da alergia”, afirma.

“Após descobrir a causa, o ideal é evitar o contato com o desencadeante. Além disso, existe tratamento medicamentoso e a possibilidade de uma dessensibilização ao pólen específico. Ou seja, através de uma vacina, é possível aumentar a resistência do paciente”, completa a otorrinolaringologista.

Dicas importantes

Além do tratamento e do acompanhamento médico, quem tem quadros de alergia deve evitar determinadas situações, principalmente durante a Primavera. “É preciso diminuir a exposição aos pólens, evitando ida a parques, cortar grama e trabalhos com jardinagem. Sempre lavar bem os olhos e o nariz, e se andar de bicicleta ou moto é preciso usar óculos e máscara”.

Ao seguir essas recomendações, a expectativa é que os episódios alérgicos durante a Primavera diminuam sensivelmente. No entanto, conforme ressaltou a médica, se o quadro ocorre com frequência, o auxílio médico poderá indicar tratamentos para diminuir as crises e aumentar a qualidade de vida do paciente.

Hospital Paulista inaugura Ambulatório de Olfato ressalta importância do diagnóstico precoce

Ainda que a ocorrência específica de alguns sintomas esteja em estudo pela comunidade médica no Brasil e no mundo, boa parte dos pacientes infectados com Covid-19 relataram perda de olfato e paladar. Com o objetivo de ampliar e qualificar o diagnóstico e o tratamento destes sintomas, o Hospital Paulista inaugurou recentemente seu Ambulatório de Olfato.

No início da pandemia de Coronavírus, a perda do olfato e paladar ainda não era identificada como sinal da infecção. Essencialmente, os pacientes relatavam febre, tosse seca e fadiga e foi nestes sintomas que a comunidade médica se concentrou para realizar os testes que confirmavam o contágio.

Somente em março, após o relato de pacientes de países distintos sobre os problemas com olfato e paladar no âmbito da pandemia, a American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (Academia Americana de Otorrinolaringologia – Cirurgias de Cabeça e Pescoço) divulgou nota na qual propôs que sintomas como anosmia, hiposmia e ageusia fossem incluídos no rastreamento de pacientes infectados por Covid-19, principalmente na ausência de outras doenças respiratórias, como rinites e rinossinusites.

O otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro, do Hospital Paulista, explica que a anosmia é caracterizada como a perda total do olfato. “A hiposmia envolve a redução parcial da capacidade olfativa, enquanto a ageusia é a perda do paladar”, completa o médico.

Pizarro ressalta ainda que o olfato é uma das capacidades que só damos valor quando o perdemos, ainda que momentaneamente. “Qualquer alteração no olfato merece a visita ao médico, pois o sentido é de fundamental importância à nossa segurança, para detectar um vazamento de gás na cozinha, fumaça ou alimentos estragados, e para gerar qualidade de vida – o prazer em sentir cheiro de perfumes e comidas, por exemplo.”

O objetivo do Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista é identificar corretamente a razão da perda de olfato e paladar, de modo a proceder com o tratamento correto para resolver o problema.

“É importante saber que existem diferentes testes para diagnosticar alterações do olfato, sendo de fundamental importância contar com uma avaliação correta e, de preferência, precoce, a fim de aumentar as chances de reverter o quadro”, completa o médico, que ressalta ainda a importância do acompanhamento médico em todo o processo de diagnóstico e tratamento.

Segundo ele, o olfato e o paladar estão intimamente relacionados. Gostos como o amargo, doce, ácido e salgado podem ser reconhecidos sem a influência dos odores, porém sabores mais complexos requerem o olfato para serem identificados. “Devido a essa relação, ocorrendo a melhora do olfato, possivelmente teremos também uma melhora do paladar”, completa.

“Faz parte do trabalho do médico analisar a capacidade do paciente de perceber odores e observar a qualidade e a intensidade do sentido olfativo. Os testes olfatórios, no entanto, são complexos e nem sempre fornecem uma resposta satisfatória. Dessa forma, é preciso considerar outros fatores que ajudam no diagnóstico. É de fundamental importância investigar a origem e a evolução do quadro, bem como realizar a observação endoscópica das fossas nasais e exames de imagem”, explica.

O tratamento da alteração no olfato dependerá da causa do problema, já que a perda pode ser temporária ou permanente. Se for temporária, o tratamento é feito por meio de medicamentos ou de intervenção cirúrgica, caso a perda olfatória for provocada por obstruções na região nasal, como desvio de septo, por exemplo.

No entanto, se o problema persiste, é possível administrar um tratamento utilizado mundialmente, conhecido como Treinamento Olfatório. “Importante saber que neste tipo de tratamento não há melhora imediata. É preciso que o paciente saiba disso, persista e não desanime ou desista. Ele deve encarar como uma fisioterapia olfatória”, afirma Pizarro.

O Ambulatório de Olfato do Hospital Paulista está localizado no interior do Hospital, situado à Rua Doutor Diogo de Faria, 780, na Vila Clementino, em São Paulo, com atendimento inicialmente realizado às terças-feiras, das 8h às 11h.

Respiração pela boca pode comprometer desenvolvimento das crianças

Entre as diversas especialidades médicas que acompanham as crianças em seus primeiros anos de vida, o otorrinolaringologista pediatra tem vital importância para o diagnóstico e tratamento de desordens que podem comprometer o desenvolvimento dos pequenos. Uma das queixas mais atendidas por esses profissionais no Hospital Paulista é a respiração pela boca, também conhecida como respiração oral.

De acordo com a otorrinolaringologista pediatra Renata Garrafa, o diagnóstico precoce do problema promove qualidade de vida, melhora o desenvolvimento da criança e evita a ocorrência de alterações que podem exigir tratamentos ortodônticos e fonoterápicos.

“Crianças com respiração oral podem apresentar alterações ortodônticas e de desenvolvimento facial. Quanto antes tratadas, menor o impacto dessas alterações. Portanto, os pais devem procurar orientação médica logo que notarem a persistência do sintoma”, explica.

A criança que respira pela boca pode apresentar sintomas como ronco, sono agitado, flacidez da musculatura labial e da língua, lábios ressecados, respiração barulhenta e alterações de mordida e fala. Os pais devem suspeitar ao notarem a criança dormindo com a boca aberta ou assistindo à TV (quando mais velhos) com os lábios entreabertos. Além disso, é comum que identifiquem dificuldade para comer de boca fechada e babação excessiva. Diante de alguns desses sinais, é essencial que os pais procurem orientação médica para que o problema seja identificado e tratado.

“As principais causas de respiração oral na faixa etária pediátrica são rinite e hipertrofia de adenoide, condições tratadas pelo otorrinolaringologista”, afirma a especialista. O tratamento precoce é importante, pois a respiração oral, se não for cessada, pode gerar problemas como mordida cruzada, palato ogival (má formação do “céu da boca”), maxila hipodesenvolvida, projeção dos dentes, entre outros.

Segundo a médica, é importante que o tratamento seja realizado antes dos problemas acontecerem. Caso demore muito e as alterações já existam, será preciso recorrer a outros tratamentos associados ao otorrino, como dentista, por exemplo.

“É possível parar de respirar pela boca, mas, às vezes, é necessário tratamento adjuvante com fonoterapia para fortalecimento de lábios e língua. Também é preciso excluir outras causas de respiração oral, como língua grande (comum em Síndrome de Down), retrognatia (anomalia da mandíbula inferior) e hipotonia de lábio e musculatura peri-oral (lábios e bochechas flácidos)”, completa.

O tratamento contra hipertrofia acentuada de adenoide – uma das causas da respiração oral – envolve procedimento cirúrgico. Se o problema, no entanto, é causado por rinite, o tratamento costuma contemplar diferentes especialidades, principalmente a otorrinolaringologia.

Dra. Renata explica ainda que tem aumentado a procura dos pais por auxílio médico para resolver problemas relacionados à otorrinolaringologia pediátrica. “Os principais motivos que trazem os pais e seus filhos ao consultório são respiração oral, ronco, atraso de fala, otite de repetição, rinite e amigdalite de repetição. Atualmente, acredito que os pais procuram auxílio médico mais cedo do que antigamente e isso é essencial para o tratamento dessas desordens”, conclui.

Mitos e verdade sobre o desvio de septo nasal

Você certamente conhece alguém que já teve de ser submetido a uma cirurgia para corrigir o desvio do septo nasal. Ainda que seja um procedimento comum, o problema ainda desperta muitas dúvidas em pacientes, inseguros em relação a possíveis cicatrizes, ao pós-operatório e à necessidade da cirurgia.

Para elucidar essas e outras questões, a otorrinolaringologista Cristiane Mayra Adami, do Hospital Paulista, elaborou o tira-teima a seguir, com os mitos e as verdades sobre o desvio de septo nasal:

MITOS

Quem tem desvio de septo sempre deverá operá-lo

A cirurgia de desvio de septo é muito comum: oito em cada dez brasileiros apresentam o problema. No entanto, nem sempre o desvio de septo é sintomático. Ou seja, nem sempre o paciente sente o nariz entupido e a obstrução nasal. Consequentemente, não são todos os casos de desvio de septo que requerem intervenção cirúrgica. Essa avaliação deve ser feita por um médico otorrinolaringologista.

A cirurgia de correção do septo nasal é indicada quando o paciente tem sintomas como a obstrução nasal ou sinusites recorrentes. Essa série de crises ocorre porque o septo é desviado de um jeito que fecha as entradas e saídas de secreção dos seios da face. O paciente começa a reter muita secreção e desenvolve a sinusite. Portanto, a indicação cirúrgica ocorre quando o desvio é obstrutivo e o paciente tem sintomas de nariz entupido, que dificultam sua respiração. O mandatório para a indicação é a sintomatologia do paciente ou algum desvio tão grave em crianças que possa causar uma deformidade facial.

A cirurgia de desvio de septo deixa cicatriz

A cirurgia não requer corte externo e não deixa cicatriz. Atualmente, é muito comum a cirurgia através de vídeo endoscopia. O procedimento é feito pelo nariz, através das narinas. Por fora, sequer parece que o paciente passou por uma cirurgia.

A cirurgia gera mudança na estética do nariz

Uma cirurgia de correção de desvio de septo, que é diferente de um procedimento estético, não muda a forma do nariz. Não há mudança externa, apenas interna para promover uma respiração melhor.

O procedimento cirúrgico só pode ser feito em adultos

A cirurgia do desvio de septo pode ser feita em qualquer idade, dependendo da indicação e da deformidade que pode estar causando. Para a maioria das pessoas, recomenda-se operar após a fase de crescimento, ou seja, da adolescência em diante. A partir daí, já cessou o crescimento, o osso nasal já está definido. Podemos, então, fazer uma cirurgia e não tem risco de o desvio voltar depois. No entanto, a cirurgia é indicada para algumas crianças quando o desvio é tão grave que pode iniciar uma deformidade facial. Neste cenário, é melhor correr o risco de ter que operar novamente esse paciente lá na frente do que deixar essa criança crescer com alguma deformidade na face. Há casos em que se opera aos 4, 5 anos de idade, mas isso não é comum.

Após a cirurgia, o paciente não precisa mais de acompanhamento médico

É muito importante ter um acompanhamento pós-cirúrgico nos anos seguintes, principalmente os pacientes que têm rinite alérgica e rinite à mudança de temperatura, pois é importante fazer uma manutenção deste nariz. O septo fica retinho, não entorta de novo, quando já se é adulto, a não ser que tenha um trauma, uma causa externa. No entanto, a mucosa do nariz precisa de cuidados.

O nariz não é só o septo nasal. Os cornetos, popularmente chamados de carne esponjosa, também são responsáveis pela obstrução nasal. Inclusive, é muito comum que o paciente faça a septoplastia junto com a turbinectomia, que seria a correção do septo nasal mais a remoção parcial dos cornetos. Quem tem rinite tem que cuidar dessa mucosa, porque ela estará sempre exposta ao que provoca rinite, podendo causar uma irritação, uma inflamação, um edema, um inchaço dessa mucosa, gerando desconforto.

Não é só operar e sumir. É muito comum que os pacientes operem, fiquem bem, sumam e não cuidem da rinite. Depois de um tempo, acabam voltando ao consultório, pois não fizeram a manutenção do nariz. É muito importante um acompanhamento com o otorrino nos anos posteriores para saber se está tudo bem, principalmente com o fator rinite.

VERDADES

A cirurgia de desvio de septo utiliza anestesia geral

Sim, é um procedimento considerado invasivo, pois exige internação e anestesia geral. Por isso, é preciso realizar, antes da cirurgia, avaliação cardíaca, de sangue, de pulmão e do anestesista. No entanto, o período de internação é curto e não passa de 24 horas. Alguns médicos preferem que o paciente passe a noite no Hospital após a cirurgia, mas não é uma regra. É possível internar, operar e ir embora no mesmo dia.

O desvio de septo pode voltar quando se opera muito cedo

Sim, pois a pessoa ainda não teve o pico de crescimento. O osso continua crescendo e pode continuar se desenvolvendo com o desvio. Tudo depende da real necessidade da cirurgia. Em casos extremos, opera-se mais cedo, porém já é avisado que futuramente poderá ser necessário operar novamente.

O pós-operatório é muito essencial no sucesso da cirurgia

Os cuidados do pós-operatórios de uma cirurgia de desvio de septo são muito importantes. O sucesso do procedimento depende muito de um pós-operatório bem feito e respeitado, pois a região do nariz sangra com muita facilidade. É preciso fazer um repouso relativo, em que não haja esforço físico, já que os vasinhos do nariz estão cicatrizando e podem se romper, causando hemorragia.

Deve-se evitar também a exposição excessiva a temperaturas altas, ao calor, ao Sol e a comidas e banhos muito quentes. Isso deve ser feito nas primeiras semanas, pois a média de cicatrização de uma cirurgia do nariz é em torno de dois meses. É importante enfatizar também que é muito importante evitar qualquer tipo de trauma na região. Ou seja, evitar bater o nariz ou tomar uma bolada, por exemplo.

Hospital Paulista alerta para gravidade em descontinuar alguns tratamentos na pandemia

Em casos agudos e graves, enfermidades como amigdalite e sinusite devem  ser tratadas, mesmo durante o isolamento social.


A pandemia de Covid-19 gerou uma série de preocupações aos brasileiros, aflitos diante dos números de mortes e infectados que aumentam diariamente no País. Em comunicado divulgado em abril, no entanto, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) chamou a atenção para os cuidados de saúde que não podem ser interrompidos mesmo durante o isolamento social, sob risco de complicações.

Segundo o Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, algumas doenças podem levar o paciente à morte súbita caso o tratamento seja descontinuado ou feito de maneira irregular.

O especialista destaca que amigdalite, sinusite, otite e apneia são exemplos de enfermidades que devem ser tratadas de forma adequada e precoce. “Isso é fundamental para que as doenças não evoluam para formas mais graves.”

Confira a seguir as possíveis complicações de cada doença, segundo o especialista do Hospital Paulista:

AMIGDALITE:
Sua complicação mais temida é a febre reumática, que pode ocorrer em pacientes que apresentam infecção de garganta com frequência, mas não curam a doença de modo eficaz. A frequência de amigdalite anual que preocupa o especialista é de 6 vezes ou mais para crianças e três vezes ou mais para adultos.

“Se o pneumococo de um grupo específico ficar em contato com a amígdala, pode desencadear uma reação autoimune, isto é, uma reação de anticorpos que atacam o próprio corpo”, explica. No caso da amigdalite, o problema pode afetas as articulações das mãos e dos punhos, além da válvula do coração – cuja substituição pode ser necessária através de cirurgia.

Além disso, a amigdalite mal tratada e frequente pode causar o abscesso periamigdaliano, que consiste na formação de uma bolsa de pus ao redor da amigdala. Neste cenário, em casos mais graves, o paciente pode ser vítima de sepse, uma resposta exarcebada do organismo a um processo infeccioso, que pode leva-lo a óbito.

SINUSITE:
Em sua forma aguda ou crônica, pode gerar sérios problemas quando o tratamento não é feito adequadamente. Dentre os sintomas da sinusite grave, Pizarro menciona a secreção nasal mucopurulenta (verde ou amarela), congestão nasal, dor facial, cefaleia, inchaço na região dos olhos e febre alta.

“O tratamento inadequado destas infecções agudas ou crônicas agudizadas pode se espalhar para áreas próximas, como os olhos. Em alguns casos, pode causar cegueira e, nos piores cenários, atingir o cérebro, formando abcessos e complicações neurológicas graves”, afirma.

OTITE:
Nos casos graves, é comum a saída de secreção pelos ouvidos, além da ocorrência de zumbido e tontura forte. O tratamento precoce é feito com medicações, preferencialmente administradas por um otorrinolaringologista.

“A proximidade do ouvido com as meninges e o cérebro faz com que o órgão seja uma das principais portas de entrada para infecções da cabeça, como meningites e encefalites”, detalha o médico.

APNEIA NO SONO:
Trata-se da parada respiratória que ocorre várias vezes durante a noite, afetando o sono e o organismo do paciente como um todo. O ronco é um dos principais sintomas da enfermidade, que tem uma evolução gradual, mas pode levar à morte súbita se não houver tratamento adequado em sua forma mais grave.

Rinite, sinusite e rinossinusite: entenda as doenças comuns no outono e no inverno

As chamadas “ites” se manifestam com mais frequência nas estações mais secas e frias do ano

Mesmo com todos os holofotes apontados para a pandemia do novo Coronavírus que atingiu o mundo todo, o outono e, na sequência, o inverno, nos alertam também para cuidados com as doenças respiratórias sazonais. Por conta das temperaturas mais baixas, queda no índice de umidade do ar e maior concentração de poluentes, a proliferação de doenças respiratórias é muito maior. Conhecidas como “ites”, a rinite, a sinusite e a rinossinusite são comuns nessas épocas do ano.

A rinite é um tipo de inflamação e/ou hipereação da mucosa de revestimento nasal, podendo se manifestar de forma alérgica, que é a mais comum, ou até mesmo de forma infecciosa. O problema é caracterizado por obstrução nasal, rinorreia (presença de secreção e corrimento nasal), espirros, prurido nasal e hiposmia (diminuição do olfato).

“Em casos alérgicos, recomenda-se deixar os cômodos da casa e a roupa de cama bem limpos para evitar acúmulo de poeira, e deixar entrar sol o máximo possível nos cômodos da casa. Já para as rinites infecciosas, causadas por vírus e, menos frequentemente, por bactérias, é importante lavar bem as mãos, principalmente quando estiver em lugares muito fechados e cheios de pessoas. O uso do álcool em gel também pode ajudar”, explica a Dra. Cristiane Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Outra “ite” bastante comum é a sinusite, que pode ser aguda ou crônica. Para definir qual o tipo da enfermidade, um período de 12 semanas é essencial para a avaliação, uma vez que, caso o prazo de cura se estenda após o tratamento, já pode ser considerada como crônica. “Além disso, existe um subtipo da doença chamado de Polipose Nasossinusal, onde a mucosa nasal e dos seios da face têm predisposição para formar pólipos, que obstruem os orifícios e favorecem o acúmulo de secreções e infecções bacterianas”, destaca a médica.

E, por fim, há a rinossinusite, que é todo o processo inflamatório da mucosa da cavidade nasal e dos seios paranasais. Esse tipo de quadro representa uma reação a algum tipo de agente físico, químico ou biológico, além de ser possivelmente causado também por mecanismos alérgicos. Utilizado unanimemente pelos especialistas, o termo serve para diferenciar uma rinite normal e outra que acaba se estendendo pelos seios da face, característica principal da rinossinusite.

“Mesmo que as doenças apresentem algumas características bastante semelhantes, os detalhes de cada uma delas são distintos e podem ocasionar diferentes manifestações, indo de dores no rosto até muita tosse e obstrução nasal”, completa a especialista do Hospital Paulista.

Caso a pessoa perceba alguns dos sintomas citados, o primeiro passo é procurar um especialista otorrinolaringologista, alergista ou imunologista.

Para evitar as doenças, hábitos simples podem ser adotados e possuem uma ótima eficácia, como sempre manter a higiene das mãos e evitar o contato delas com os olhos, nariz e boca. Outros bons aliados são o soro fisiológico nasal para limpar diariamente o nariz e beber muita água, favorecendo ainda mais o combate desses problemas.

Outra dica é evitar lugares fechados ou com muitas pessoas, principalmente para aqueles que necessitam realizar atividades fora de casa, ainda mais em um período de isolamento social.

 

Diferenças em relação ao coronavírus

Algumas das “ites”, como a rinite e sinusite, possuem sintomas muito parecidos e, por conta disso, é importante que sejam analisados por um especialista o mais rápido possível, para obter tratamento adequado, especialmente se apresentar febre alta e falta ou ausência de olfato. Como a COVID-19 também é uma doença respiratória, procurar um médico é imprescindível para um diagnóstico preciso, caso a pessoa sinta qualquer dificuldade para respirar.

Os portadores de rinite, por exemplo, não estão dentro do grupo de risco frente ao novo Coronavírus. “Entretanto, o risco aumenta se o problema não estiver controlado”, finaliza a médica.